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FGV e Itaú abrem inscrições para mestrado gratuito em primeira infância

Programa oferece 45 vagas para profissionais que atuam em políticas públicas voltadas a crianças de zero a seis anos; inscrições vão até 25 de maio

por Daniel Wicker - Repórter
20/05/2026 às 12h41
em Trabalho, Notícias
Fgv E Itaú Abrem Inscrições Para Mestrado Gratuito Em Primeira Infância - Gazeta Mercantil

FGV (foto: divulgação)

A Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Fundação Itaú, abriu inscrições para o Mestrado Profissional em Gestão e Políticas Públicas com ênfase na Primeira Infância, voltado à qualificação de profissionais que atuam na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas para crianças de zero a seis anos. O processo seletivo oferece 45 vagas gratuitas, com inscrições abertas até 25 de maio de 2026, exclusivamente pelo site da FGV.

O curso será conduzido pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) e tem como público-alvo gestores públicos, professores, técnicos de secretarias, profissionais do terceiro setor, pesquisadores e especialistas envolvidos com políticas públicas de cuidado integral à primeira infância. A iniciativa busca fortalecer a formação técnica de profissionais que atuam diretamente em programas sociais, educacionais e de desenvolvimento infantil.

A primeira infância é considerada uma etapa decisiva para o desenvolvimento humano. O período, que vai do nascimento aos seis anos, concentra parte relevante da formação cognitiva, emocional, social e física das crianças. Por isso, políticas públicas voltadas a essa fase têm impacto direto sobre educação, saúde, assistência social, redução de desigualdades e produtividade futura do país.

Curso tem 45 vagas e inscrição gratuita

O processo seletivo prevê até 45 vagas. De acordo com o edital da FGV, parte das vagas pode ser destinada a colaboradores da Fundação Itaú e da Diretoria de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da FGV, enquanto as demais serão abertas ao público interessado dentro das regras do processo seletivo.

A inscrição é gratuita. O período informado pela FGV vai de 13 a 25 de maio de 2026, com taxa de inscrição isenta. O ingresso está previsto para agosto de 2026.

A seleção será realizada em etapas. A primeira fase inclui análise curricular e avaliação da carta de intenções de pesquisa dos candidatos. Depois, os selecionados passam por entrevista virtual. O resultado está previsto para 25 de junho, e o início das aulas deve ocorrer em 10 de agosto, conforme informações divulgadas sobre o processo seletivo.

A exigência básica é que o candidato tenha concluído curso de graduação reconhecido pelo Ministério da Educação. O programa é voltado a profissionais em exercício ou com atuação relacionada à primeira infância, gestão pública, educação, assistência social, saúde, organizações da sociedade civil e formulação de políticas públicas.

Formação terá duração de dois anos

O mestrado profissional terá duração de dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses em casos específicos, segundo a FGV. Ao fim do curso, os participantes aprovados receberão o título de Mestre em Gestão e Políticas Públicas.

As aulas serão realizadas em formato híbrido. A programação inclui encontros online semanais no período noturno e atividades aos sábados. A FGV informa que também haverá encontros presenciais obrigatórios em São Paulo duas vezes por semestre, com atividades em período integral nos dias previstos em calendário acadêmico.

Candidatos de outros estados podem participar, desde que estejam cientes da necessidade de deslocamento para São Paulo nos períodos presenciais obrigatórios. Segundo a FGV, custos de transporte, hospedagem e alimentação ficam sob responsabilidade dos participantes.

O formato híbrido busca ampliar o alcance do curso para profissionais de diferentes regiões do país, sem eliminar momentos presenciais de integração acadêmica, orientação, atividades práticas e discussão de projetos.

Programa mira gestão pública e cuidado integral

A proposta do mestrado é qualificar profissionais para atuar em políticas públicas voltadas ao desenvolvimento integral da primeira infância. O programa deve abordar temas ligados à gestão, formulação, implementação, monitoramento e avaliação de políticas públicas.

A formação tem relevância porque as políticas para crianças de zero a seis anos envolvem diferentes áreas de governo. Educação infantil, atenção básica à saúde, nutrição, assistência social, proteção contra violência, segurança alimentar, saneamento, moradia e apoio às famílias são dimensões que influenciam diretamente o desenvolvimento das crianças.

Em municípios e estados, a gestão dessas políticas exige coordenação entre secretarias, uso de evidências, planejamento orçamentário, indicadores de acompanhamento e capacidade de execução. A ausência de integração entre áreas pode reduzir a efetividade dos programas.

Nesse contexto, o mestrado busca formar profissionais capazes de desenhar políticas públicas com base em diagnóstico, evidências e avaliação de impacto. O objetivo é fortalecer a capacidade institucional de governos e organizações que atuam com crianças pequenas e suas famílias.

Parceria envolve fundações e governo federal

O curso é resultado de uma parceria entre a FGV EAESP e a Fundação Itaú. Também há articulação com a Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância, vinculada ao Ministério da Educação, além do apoio de instituições como Fundação Bracell, Instituto Alana, Instituto Natura e Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, conforme informações divulgadas sobre a iniciativa.

A participação dessas organizações reforça a dimensão intersetorial do tema. No Brasil, a agenda da primeira infância reúne atores públicos e privados, organizações da sociedade civil, universidades e instituições de pesquisa.

A superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, afirmou que investir na formação de profissionais que atuam com primeira infância é estratégico para o Brasil, por se tratar de uma etapa decisiva para o desenvolvimento humano e para a redução de desigualdades.

A iniciativa também se insere em um movimento mais amplo de fortalecimento da gestão pública educacional e social. A Fundação Itaú e a FGV anunciaram programas gratuitos voltados a educação profissional e tecnológica e primeira infância, com o objetivo de ampliar conhecimentos e práticas em áreas consideradas estratégicas para o país.

Primeira infância ganha peso na agenda social

A abertura do mestrado ocorre em um momento de maior atenção às políticas públicas de primeira infância. Nos últimos anos, governos, organismos internacionais, entidades empresariais e organizações sociais têm defendido maior investimento na etapa inicial da vida como forma de reduzir desigualdades estruturais.

A literatura sobre desenvolvimento infantil aponta que experiências vividas nos primeiros anos influenciam desempenho escolar, saúde, sociabilidade, produtividade e capacidade de inserção futura no mercado de trabalho. A ausência de políticas adequadas nessa fase tende a ampliar desigualdades já existentes entre crianças de diferentes classes sociais e regiões.

No Brasil, a oferta de creches, pré-escola, acompanhamento de saúde, vacinação, proteção social e apoio parental ainda apresenta desigualdades relevantes. Municípios com menor capacidade fiscal e técnica enfrentam mais dificuldade para estruturar redes de atendimento integradas.

A formação de gestores e especialistas é vista como uma das frentes para enfrentar esse desafio. Profissionais qualificados podem aprimorar diagnósticos locais, integrar programas, captar recursos, monitorar indicadores e avaliar resultados.

Iniciativa busca aproximar pesquisa e execução

Por ser um mestrado profissional, o programa tem foco aplicado. Diferentemente de formações acadêmicas voltadas prioritariamente à pesquisa teórica, o mestrado profissional busca aproximar produção de conhecimento, gestão pública e solução de problemas concretos.

Os participantes deverão desenvolver projetos relacionados à sua área de atuação. A carta de intenções de pesquisa, exigida no processo seletivo, tende a ser um dos instrumentos usados para avaliar a aderência entre a trajetória do candidato e os objetivos do curso.

Esse desenho pode beneficiar profissionais que já atuam em secretarias municipais, governos estaduais, organizações sociais, universidades ou entidades envolvidas com infância. A expectativa é que a formação tenha efeito multiplicador nas instituições de origem dos alunos.

A avaliação curricular e a entrevista virtual devem considerar experiência profissional, trajetória acadêmica, capacidade de contribuição para a área e coerência do projeto de pesquisa com a agenda de primeira infância.

Seleção deve atrair profissionais de diferentes regiões

Como o curso será gratuito e em formato híbrido, a expectativa é que o processo seletivo atraia candidatos de diferentes estados. A gratuidade é um fator relevante, pois programas de mestrado profissional em instituições privadas costumam ter custo elevado, o que restringe o acesso de profissionais do setor público e de organizações sociais.

A exigência de encontros presenciais em São Paulo, porém, exige planejamento dos interessados que moram fora do estado. Mesmo sem mensalidade, deslocamento, hospedagem e alimentação durante as atividades presenciais devem ser considerados pelos candidatos.

A FGV informa que as aulas online ocorrerão em horários compatíveis com profissionais em atividade, com programação no período noturno e aos sábados. Esse modelo busca permitir a participação de gestores e técnicos que mantêm vínculo profissional durante a formação.

A seleção até 25 de maio impõe prazo curto para preparação da documentação. Os candidatos devem organizar currículo, carta de intenções, comprovação de graduação e demais documentos exigidos no edital.

Formação amplia debate sobre desigualdade e desenvolvimento

O mestrado gratuito em primeira infância reforça a centralidade da formação de gestores públicos na agenda de desenvolvimento social. Em um país com fortes desigualdades regionais, educacionais e de renda, políticas voltadas aos primeiros anos de vida têm potencial de produzir efeitos de longo prazo.

A qualificação de profissionais que desenham e executam programas para crianças de zero a seis anos pode melhorar a capacidade do Estado de identificar vulnerabilidades, integrar serviços e direcionar recursos de maneira mais eficiente.

Para a área de educação, o programa também dialoga com a ampliação da oferta de creches e pré-escolas, a qualidade da educação infantil e a formação de redes de proteção. Para a saúde e a assistência social, a agenda envolve acompanhamento familiar, nutrição, vacinação, prevenção de violência e fortalecimento de vínculos.

Com inscrições abertas até 25 de maio, o programa da FGV e da Fundação Itaú coloca a primeira infância no centro de uma formação voltada a políticas públicas. A iniciativa combina qualificação técnica, pesquisa aplicada e gestão, em uma área considerada estratégica para enfrentar desigualdades desde o início da vida.

Tags: educaçãoeducação infantilFGVFGV EAESPFundação Itaúgestão públicainfânciaItaú Socialmestrado gratuitopolíticas públicasprimeira infânciatrabalho

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