O mais novo produto do Tesouro Direto começou sua trajetória com números que surpreenderam o mercado. Criado para servir como reserva de emergência, o Tesouro Reserva ultrapassou R$ 1 bilhão em investimentos poucos dias após seu lançamento oficial, mesmo estando disponível apenas para clientes do Banco do Brasil.
Dados divulgados pelo Tesouro Nacional mostram que o interesse dos investidores começou muito antes da estreia pública. Durante a fase de testes realizada com um grupo restrito de clientes do banco estatal, o título movimentou R$ 62,88 milhões em aplicações.
O desempenho reforça o apetite dos brasileiros por alternativas de renda fixa com liquidez elevada, segurança e rentabilidade atrelada à taxa Selic, especialmente em um cenário de juros de 14,5% ao ano.
Investidores aplicaram mais de R$ 60 milhões antes do lançamento oficial
O Tesouro Reserva foi lançado oficialmente em 11 de maio, mas parte dos investidores já havia tido acesso ao produto meses antes por meio de uma fase piloto conduzida pelo Banco do Brasil.
Segundo o balanço do Tesouro Direto, somente em abril as aplicações no novo título somaram R$ 60,3 milhões. Nos meses de fevereiro e março, os aportes haviam alcançado aproximadamente R$ 2,6 milhões.
Ao todo, a fase de testes movimentou R$ 62,88 milhões, demonstrando que a demanda pelo produto já era elevada mesmo antes da abertura ao público.
Após a estreia oficial, o ritmo acelerou ainda mais. Dados preliminares do Tesouro Nacional apontam que o volume aplicado no Tesouro Reserva superou R$ 1 bilhão até o dia 22 de maio.
O número chama atenção porque foi alcançado em menos de duas semanas de negociação e sem distribuição para a maioria dos bancos e corretoras do país.
O que faz o Tesouro Reserva atrair tantos investidores?
O sucesso do novo título está diretamente ligado a duas características consideradas inéditas dentro do programa Tesouro Direto.
A primeira é a negociação contínua, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. Na prática, o investidor pode aplicar ou resgatar recursos a qualquer momento, incluindo madrugadas, finais de semana e feriados.
O segundo diferencial é a rentabilidade equivalente a 100% da taxa Selic sem oscilações de preço.
Diferentemente de outros títulos públicos, o Tesouro Reserva foi desenvolvido para eliminar a volatilidade decorrente da marcação a mercado. Isso significa que o valor investido cresce continuamente com os juros acumulados, sem apresentar oscilações negativas ao longo do período.
A combinação de liquidez imediata, baixo risco e rentabilidade vinculada à taxa básica de juros transformou o produto em uma das principais novidades do mercado financeiro brasileiro em 2026.
Outro atrativo é o valor mínimo de investimento, que começa em apenas R$ 1, permitindo acesso praticamente universal aos investidores.
Novo título já rivaliza com produtos tradicionais
Os números iniciais colocam o Tesouro Reserva em posição de destaque dentro do próprio Tesouro Direto.
Para efeito de comparação, as vendas de Tesouro Prefixado somaram R$ 971,6 milhões durante todo o mês de abril. Já o Tesouro Reserva ultrapassou R$ 1 bilhão em poucos dias após o lançamento.
O dado ganha ainda mais relevância considerando que o produto continua restrito aos clientes do Banco do Brasil.
A expectativa do mercado é que a demanda cresça de forma significativa quando o título passar a ser disponibilizado em outras instituições financeiras e plataformas de investimento.
Analistas avaliam que o novo papel tem potencial para disputar diretamente espaço com o Tesouro Selic, tradicionalmente considerado a principal opção para formação de reserva de emergência.
Tesouro Selic continua liderando as aplicações
Apesar da chegada do novo produto, os títulos atrelados à taxa básica de juros continuam sendo os preferidos dos investidores brasileiros.
O Tesouro Direto registrou vendas totais de R$ 8,55 bilhões em abril de 2026.
Os títulos Tesouro Selic responderam por R$ 4,74 bilhões desse volume, o equivalente a 55,4% das vendas realizadas no período.
Na sequência aparecem os papéis indexados à inflação, representados pelo Tesouro IPCA+, responsáveis por 19,2% da demanda.
Já os títulos prefixados concentraram 11,4% das aplicações realizadas pelos investidores.
Antes do lançamento do Tesouro Reserva, o Tesouro Selic era amplamente considerado o investimento mais indicado para reservas de emergência devido à baixa volatilidade e ao acompanhamento direto da taxa básica de juros.
Pequenos investidores impulsionam crescimento do Tesouro Direto
O relatório também mostra que o programa segue atraindo principalmente investidores de pequeno porte.
Das 938.747 operações de venda registradas em abril, 55% envolveram aplicações de até R$ 1 mil.
Quando consideradas as operações de até R$ 5 mil, a participação sobe para 78% do total negociado.
Os dados reforçam o papel do Tesouro Direto como uma das principais portas de entrada para investimentos de renda fixa no país.
Em relação aos vencimentos, os títulos com prazo entre um e cinco anos responderam por 62,6% das vendas realizadas no mês. Já os papéis com vencimento superior a dez anos representaram 18,3% das aplicações.
Estoque do Tesouro Direto atinge recorde histórico
O crescimento da procura pelos títulos públicos também se refletiu no estoque total do programa.
Em abril, o Tesouro Direto alcançou R$ 242,3 bilhões sob custódia, volume recorde e 41,8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Embora o Tesouro Selic lidere as vendas mensais, os títulos Tesouro IPCA+ continuam concentrando a maior parcela dos recursos investidos.
Os papéis indexados à inflação representam atualmente 51,3% do estoque total do programa. Os títulos vinculados à Selic possuem participação de 36,7%, enquanto os prefixados respondem por 12,1%.
Com forte adesão inicial e potencial de expansão para milhões de investidores, o Tesouro Reserva desponta como um dos principais candidatos a se tornar protagonista da renda fixa brasileira nos próximos meses.









