BRASÍLIA — O Brasil criou 85.888 empregos formais em abril de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Ministério do Trabalho e Emprego por meio do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). O resultado foi impulsionado principalmente pelo setor de Serviços, responsável pela maior parte das contratações no período. Em sentido contrário, a agropecuária registrou saldo negativo de 8,1 mil vagas, tornando-se um dos poucos segmentos da economia a encerrar o mês com mais demissões do que admissões.
O saldo positivo do mercado de trabalho brasileiro resulta de 2,26 milhões de admissões contra 2,18 milhões de desligamentos registrados em abril. Com isso, o estoque de empregos formais alcançou aproximadamente 47,8 milhões de vínculos ativos, crescimento de 0,18% em relação ao mês anterior.
Os números reforçam a continuidade da expansão do emprego com carteira assinada no país, mas também evidenciam uma desaceleração no ritmo de geração de vagas. No acumulado de 12 meses encerrados em abril, foram criados cerca de 1,04 milhão de postos de trabalho, volume 35,1% inferior ao registrado nos 12 meses imediatamente anteriores.
O desempenho da agropecuária chamou atenção porque ocorre poucos dias após a divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB), que mostraram o setor como principal responsável pela expansão da economia brasileira no primeiro trimestre de 2026.
A divergência entre crescimento da atividade econômica e retração do emprego formal no campo passa a ser observada com maior atenção por analistas, produtores rurais e agentes do mercado.
Serviços concentram mais de 80% das vagas abertas no mês
O principal destaque do Novo Caged foi o setor de Serviços.
Sozinho, o segmento respondeu pela abertura de 69,6 mil empregos formais em abril, representando mais de 80% de todo o saldo positivo registrado no país.
O resultado confirma uma tendência observada nos últimos anos, em que os serviços se consolidaram como principal motor da geração de empregos no Brasil. Atividades ligadas à tecnologia, saúde, educação, transporte, logística, serviços empresariais e atendimento ao consumidor continuam ampliando contratações em diferentes regiões.
A Construção Civil também apresentou desempenho relevante, com saldo positivo de 23,5 mil vagas.
O setor segue beneficiado pela continuidade de obras privadas, empreendimentos imobiliários e investimentos em infraestrutura, fatores que sustentam a demanda por mão de obra formal.
A Indústria, por sua vez, encerrou abril com criação líquida de pouco mais de 9,2 mil postos de trabalho, mantendo trajetória positiva apesar do ambiente de juros elevados e crescimento econômico moderado.
Os resultados desses segmentos compensaram as perdas observadas na agropecuária e no comércio, garantindo saldo nacional positivo.
Agropecuária perde vagas em mês historicamente favorável
O desempenho da agropecuária foi um dos principais pontos de atenção do relatório.
Segundo os dados do Novo Caged, o setor registrou saldo negativo de aproximadamente 8,1 mil empregos formais em abril, resultado de mais de 105 mil desligamentos frente a cerca de 97 mil admissões.
A retração surpreende porque abril costuma ser um período historicamente favorável para a contratação de trabalhadores rurais em diversas cadeias produtivas.
Em abril de 2025, por exemplo, a agropecuária havia criado aproximadamente 3,8 mil empregos formais. A mudança de sinal representa uma queda superior a 300% na comparação anual.
O resultado sugere uma combinação de fatores sazonais, encerramento de contratos temporários e ajustes operacionais em algumas atividades agrícolas e pecuárias.
Embora oscilações sejam comuns no mercado de trabalho rural, a magnitude da queda registrada neste ano ampliou a atenção sobre o comportamento do setor.
Soja, pecuária de corte e fruticultura lideram cortes
Os dados mostram que algumas das principais atividades do agronegócio brasileiro concentraram as perdas de vagas.
Entre os segmentos com maior redução de empregos aparecem o cultivo de soja, a criação de bovinos para corte, a produção de maçã, o cultivo de laranja e a produção de melão.
A soja, principal produto da pauta exportadora do agronegócio nacional, registrou encerramento de contratos associado ao avanço do calendário agrícola e à conclusão de etapas da colheita em importantes regiões produtoras.
Na pecuária de corte, o movimento também refletiu ajustes operacionais realizados após períodos de maior demanda por trabalhadores temporários.
Já em culturas permanentes e fruticultura, fatores regionais ligados à sazonalidade da produção contribuíram para o saldo negativo.
Por outro lado, algumas atividades conseguiram ampliar as contratações.
Os maiores saldos positivos foram observados em serviços de apoio à agricultura, cultivo de café, cana-de-açúcar, produção de ovos e cultivo de mamão.
Esses segmentos reduziram parcialmente o impacto das perdas registradas em outras áreas do campo.
Sudeste lidera geração de empregos no Brasil
No recorte regional, todas as grandes regiões brasileiras encerraram abril com saldo positivo de empregos formais considerando a economia como um todo.
O Sudeste liderou a geração de vagas, com 44,5 mil novos postos de trabalho.
A região concentra a maior parte da atividade econômica nacional e continua sendo impulsionada por serviços, indústria, construção civil e atividades financeiras.
Na sequência aparecem Nordeste, Centro-Oeste, Norte e Sul, todos com saldo positivo no conjunto do mercado de trabalho.
O desempenho regional mostra que a geração de empregos permanece relativamente disseminada pelo país, embora com intensidade diferente entre os estados.
A expansão do emprego formal acompanha a distribuição da atividade econômica e dos investimentos produtivos observados ao longo dos últimos meses.
Apenas uma região escapou da queda no emprego rural
O cenário muda quando a análise se concentra exclusivamente na agropecuária.
Entre as cinco regiões brasileiras, apenas o Sudeste registrou saldo positivo de empregos rurais em abril.
São Paulo e Espírito Santo lideraram as contratações e conseguiram compensar parcialmente as perdas observadas em outros estados.
Já as maiores reduções ocorreram no Sul e no Nordeste.
Entre os estados que mais perderam vagas agropecuárias aparecem Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Santa Catarina, Bahia e Rio Grande do Norte.
O resultado evidencia que fatores climáticos, calendário agrícola, encerramento de safras e características produtivas locais tiveram influência significativa sobre o comportamento do emprego rural.
A distribuição regional das vagas mostra que a dinâmica do mercado de trabalho agropecuário continua fortemente associada às particularidades de cada cadeia produtiva.
Goiás aparece entre os destaques positivos do campo
Em meio ao resultado negativo nacional, Goiás foi um dos poucos estados a registrar crescimento do emprego formal na agropecuária.
O estado encerrou abril com geração líquida de aproximadamente 1,6 mil postos de trabalho no setor.
O desempenho colocou Goiás entre os destaques nacionais ao lado de São Paulo e Espírito Santo.
A força das cadeias de grãos, proteína animal e outras atividades agroindustriais contribuiu para sustentar a demanda por trabalhadores mesmo em um cenário de retração nacional.
O resultado reforça o papel estratégico do agronegócio goiano na geração de renda, produção e emprego.
Também demonstra que o comportamento do mercado de trabalho rural não é uniforme e pode variar significativamente entre diferentes regiões produtoras.
Desaceleração do emprego entra no radar de investidores e empresas
Embora o saldo de 85,8 mil vagas confirme a continuidade da geração de empregos formais, o acumulado de 12 meses revela uma desaceleração importante.
A criação de aproximadamente 1,04 milhão de postos representa uma redução de 35,1% em relação ao período anterior.
Para economistas, investidores e empresários, o dado sugere que o mercado de trabalho continua resiliente, mas já reflete os impactos de um ambiente marcado por crédito mais caro, custo financeiro elevado e crescimento econômico menos acelerado.
A evolução do emprego é acompanhada de perto porque influencia diretamente consumo, renda das famílias, arrecadação tributária e decisões de investimento.
Na avaliação da Gazeta Mercantil, os números de abril mostram uma economia que continua criando empregos, mas com diferenças cada vez mais evidentes entre os setores produtivos. Enquanto Serviços mantêm papel central na sustentação do mercado de trabalho, a agropecuária surpreende negativamente ao registrar retração justamente em um ano marcado pelo forte desempenho do setor no PIB brasileiro, ampliando o debate sobre os desafios do emprego formal no campo.









