O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ampliou sua rede de assessores informais para a área econômica e passou a ouvir com maior frequência o economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco dos Brics. A aproximação ocorre em meio à estruturação do programa de governo do parlamentar para a eleição presidencial de 2026 e à tentativa de consolidar uma agenda econômica capaz de atrair setores do mercado financeiro e do empresariado.
Embora não participe formalmente da pré-campanha nem seja apontado, neste momento, para ocupar um eventual cargo no governo, Troyjo tornou-se uma das principais vozes consultadas pelo senador em temas ligados ao comércio exterior, à economia internacional e às estratégias de crescimento do país.
A movimentação ocorre em um momento decisivo para a campanha de Flávio Bolsonaro, que busca fortalecer seu discurso econômico e ampliar sua interlocução com agentes de mercado, em um ambiente político ainda marcado pela indefinição das candidaturas do campo da direita.
Marcos Troyjo ganha protagonismo nas discussões econômicas
Segundo interlocutores próximos ao senador, Flávio Bolsonaro mantém conversas frequentes com Marcos Troyjo sobre a inserção internacional do Brasil, o ambiente de negócios e os desafios para a retomada do crescimento econômico.
Empresário, cientista político, diplomata e economista, Troyjo acumula experiência em temas ligados ao comércio global e à atração de investimentos. Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ocupou o cargo de secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, então comandado por Paulo Guedes.
Em 2020, foi indicado pelo governo brasileiro para presidir o Banco dos Brics, instituição criada pelos países integrantes do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento.
Aliados de Flávio afirmam que o senador admira a trajetória do economista e considera que sua experiência internacional e seu trânsito no setor privado podem contribuir para a formulação de propostas voltadas ao crescimento econômico e à inserção do Brasil no cenário global.
Apesar da proximidade, pessoas ligadas a Troyjo afirmam que o economista não discute composição ministerial nem eventuais cargos. O foco, segundo esses interlocutores, está na construção de ideias e diagnósticos para um eventual governo.
Pré-campanha reforça interlocução com economistas
A aproximação com Marcos Troyjo faz parte de uma estratégia mais ampla de Flávio Bolsonaro de reunir especialistas para debater diferentes áreas da economia.
Na segunda-feira, o senador confirmou a participação da economista Daniella Marques na elaboração de propostas econômicas e sociais de sua pré-campanha.
Ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro, Daniella pediu afastamento temporário de suas funções na gestora Legends Capital até outubro para dedicar-se integralmente aos trabalhos políticos.
Segundo Flávio Bolsonaro, a economista deverá atuar especialmente em temas ligados à responsabilidade social, empreendedorismo feminino e inclusão produtiva.
Nos últimos dias, o senador tem ressaltado a importância da participação feminina na formulação de políticas públicas e já declarou, em diferentes ocasiões, que pretende buscar maior presença de mulheres em um eventual governo.
Durante o Fórum Rumos do Brasil, organizado pela revista Veja, Flávio afirmou que a experiência de Daniella na Caixa demonstrou como programas de crédito e tecnologia podem estimular o empreendedorismo e ampliar oportunidades para pequenos negócios.
Adolfo Sachsida também é ouvido pela campanha
Outro nome consultado pelo senador é o economista Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica e ex-ministro de Minas e Energia do governo Jair Bolsonaro.
Embora reconheça conversas com integrantes do entorno político do senador, Sachsida afirma não integrar formalmente a pré-campanha.
A participação de economistas ligados ao antigo governo reforça a tentativa de Flávio de transmitir ao mercado uma mensagem de continuidade em temas como responsabilidade fiscal, reformas econômicas e abertura comercial.
Ao mesmo tempo, o senador busca ampliar sua base de interlocução além do núcleo tradicional do bolsonarismo, incorporando especialistas com perfis distintos e experiências no setor privado e em organismos internacionais.
Faria Lima ainda acompanha candidatura com cautela
A construção da equipe econômica também está relacionada ao esforço de Flávio Bolsonaro para conquistar maior adesão entre investidores e empresários.
Segundo interlocutores do mercado financeiro, o bolsonarismo continua exercendo influência em setores relevantes da Faria Lima, mas a pré-campanha do senador ainda não despertou o mesmo grau de entusiasmo observado em outras disputas presidenciais.
Parte dos investidores acompanha com atenção os movimentos de possíveis candidaturas alternativas no campo da direita, especialmente a do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Zema continua sendo visto por segmentos do mercado como um potencial nome de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso consiga construir uma candidatura nacional competitiva.
Nesse contexto, a aproximação de Flávio Bolsonaro com economistas de perfil técnico e reconhecidos pelo mercado busca reduzir resistências e reforçar a percepção de que o senador pretende apresentar uma agenda econômica estruturada.
Reforma tributária e Imposto de Renda entram no radar da campanha
Embora mantenha discrição sobre o conteúdo definitivo do programa de governo, Flávio Bolsonaro vem antecipando algumas propostas em discursos e eventos públicos.
Uma das principais medidas defendidas pelo senador é a suspensão por um ano da implementação da reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional.
A proposta prevê uma revisão do desenho do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), a recalibragem de regimes especiais e a rediscussão de fundos criados durante a tramitação do texto.
A ideia tende a provocar debates entre agentes econômicos, uma vez que a reforma tributária é considerada por grande parte do setor produtivo como uma das principais mudanças estruturais para simplificação do sistema de impostos no país.
O senador também defendeu a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês, proposta que dialoga com iniciativas já em discussão no ambiente político e econômico.
Especialistas apontam, contudo, que medidas de redução de tributos exigem compensações fiscais para evitar impactos sobre o equilíbrio das contas públicas.
Bolsa Família e empreendedorismo passam a integrar agenda social
Além das propostas econômicas tradicionais, Flávio Bolsonaro vem buscando incorporar temas sociais ao seu discurso.
O senador defende mudanças nas regras de proteção aos beneficiários do Bolsa Família, de forma que famílias que consigam ingressar no mercado formal de trabalho possam manter parte do benefício por um período mais longo.
Pelas regras atuais, trabalhadores que conseguem emprego com carteira assinada podem permanecer por até dois anos no programa, recebendo metade do valor original, desde que a renda familiar permaneça dentro dos limites estabelecidos.
Segundo o parlamentar, muitos beneficiários resistem à formalização por receio de perder a transferência de renda.
A proposta de ampliar a proteção aos trabalhadores que deixam o programa é apresentada pelo entorno do senador como um mecanismo de estímulo à formalização e à inclusão produtiva.
Aproximação com mercado amplia disputa pelo eleitorado de centro
A incorporação de nomes como Marcos Troyjo, Daniella Marques e Adolfo Sachsida sinaliza uma tentativa de Flávio Bolsonaro de construir uma plataforma econômica mais abrangente e ampliar o diálogo com setores empresariais.
O movimento ocorre em um ambiente político de crescente disputa pelo eleitorado de centro e pelos agentes econômicos, tradicionalmente influentes na formação de expectativas sobre o cenário eleitoral.
Embora ainda não tenha apresentado oficialmente um plano de governo, a pré-campanha do senador já indica que temas como responsabilidade fiscal, comércio exterior, simplificação tributária e políticas de inclusão econômica deverão ocupar posição central em seu discurso.
A presença de Marcos Troyjo entre os conselheiros informais da campanha também reforça a busca por credibilidade internacional e por interlocução com investidores em um momento em que a corrida presidencial começa a ganhar contornos mais definidos no campo da oposição.







