A economia verde atingiu US$ 10 trilhões em valor de mercado entre empresas listadas globalmente, segundo levantamento da London Stock Exchange Group (LSEG), em um movimento sustentado pela aceleração das receitas vinculadas a soluções climáticas e tecnologias de baixo carbono.
O avanço ocorre em paralelo ao crescimento da receita global associada a produtos e serviços ambientais, que chegou a US$ 5,5 trilhões em 2025, registrando o ritmo mais forte de expansão desde 2022. O dado reforça a consolidação da economia verde como componente estrutural dos mercados de capitais, e não mais como segmento periférico ou temático.
O levantamento da LSEG abrange mais de 21 mil companhias em todo o mundo e considera como economia verde a parcela da receita corporativa proveniente de atividades ligadas a energias renováveis, mobilidade elétrica, eficiência energética, gestão de água, reciclagem e infraestrutura ambiental.
Crescimento disseminado indica maturidade do ciclo de transição energética
A expansão da economia verde não se concentrou em poucos segmentos. De 133 categorias analisadas pela LSEG, 99 registraram aumento de receita em 2025, indicando disseminação ampla da demanda por soluções ambientais em diferentes cadeias produtivas.
Entre os destaques, veículos elétricos e baterias avançadas se sobressaíram, com acréscimo de US$ 62 bilhões em receitas no período. O desempenho desses segmentos reforça o papel da eletrificação da mobilidade como um dos principais vetores da atual fase da transição energética.
Esse movimento também tem efeitos indiretos sobre cadeias industriais tradicionais, como petróleo, gás, mineração e autoindústria convencional, que passam a enfrentar pressão competitiva crescente à medida que a economia verde amplia escala e reduz custos relativos.
A LSEG avalia que a transição energética entra em uma etapa mais madura, na qual fatores como segurança energética, competitividade industrial e eficiência econômica ganham peso equivalente ao discurso climático tradicional.
Ações ligadas à economia verde superam mercado amplo e atraem fluxo de capital
O desempenho financeiro das empresas expostas à economia verde tem reforçado a reavaliação de portfólios globais. O índice S&P Global Clean Energy Transition acumulou alta superior a 80% desde o final de 2024, mais que o dobro do retorno do S&P 500 no mesmo intervalo.
O movimento indica retomada do interesse de investidores institucionais após um período de maior cautela em relação à rentabilidade do setor. Empresas com maior proporção de receita vinculada à economia verde têm apresentado desempenho superior ao mercado em geral, segundo a LSEG, especialmente aquelas com escala global e integração em cadeias de energia limpa.
Esse comportamento sugere uma reprecificação mais ampla de ativos ligados à transição energética, com maior reconhecimento do fluxo de caixa futuro associado à expansão de demanda estrutural por soluções sustentáveis.
Transição energética ganha suporte geopolítico e econômico além da agenda climática
Apesar do avanço da economia verde, o ambiente global permanece marcado por tensões geopolíticas e por mudanças de prioridade em políticas climáticas em algumas economias centrais, incluindo os Estados Unidos.
Ainda assim, o relatório aponta que a expansão do setor não foi comprometida. A explicação, segundo a LSEG, está na reconfiguração do papel da transição energética, que passa a ser tratada também como instrumento de segurança energética e competitividade industrial.
Esse reposicionamento ampliou o apelo econômico da economia verde, atraindo investimentos não apenas por razões ambientais, mas também por estratégias de redução de dependência energética, estabilidade de custos e diversificação de matriz produtiva.
Em economias altamente industrializadas, a economia verde se conecta diretamente à disputa por liderança tecnológica e à reorganização de cadeias produtivas globais, especialmente em setores intensivos em energia.
Fusões e aquisições aceleram consolidação e ampliam escala do setor
A consolidação da economia verde também avança por meio de fusões e aquisições. Segundo a LSEG, transações relacionadas à energia limpa somaram US$ 4,1 trilhões na última década, o equivalente a quase 13% do valor global de M&A no período.
Esse fluxo indica que a economia verde está entrando em uma fase de concentração, com grandes grupos ampliando escala por meio da incorporação de ativos estratégicos em geração renovável, redes elétricas e armazenamento de energia.
Entre os movimentos recentes destacados está o acordo da NextEra Energy para aquisição da Dominion Energy, estimado em cerca de US$ 67 bilhões. A operação, ainda sujeita a aprovações regulatórias, pode resultar na criação de um dos maiores conglomerados de energia limpa da América do Norte.
A LSEG estima que a combinação das duas companhias geraria mais de US$ 15,9 bilhões em receitas associadas à economia verde, provenientes de fontes como energia eólica, solar, nuclear e sistemas de armazenamento em baterias. Isso representaria aproximadamente 36% da receita total da empresa combinada.
Estados Unidos mantêm liderança em capitalização mesmo com reorientação energética
Mesmo em um contexto de reorientação de políticas energéticas, com maior ênfase na produção doméstica de petróleo e gás, os Estados Unidos seguem como principal mercado da economia verde em termos de capitalização.
Segundo a LSEG, o país responde por 57% do valor global do setor, refletindo a força de suas empresas de energia, tecnologia e infraestrutura listadas em bolsa.
O dado evidencia uma dinâmica híbrida no sistema energético norte-americano, no qual investimentos em combustíveis fósseis e em energia limpa coexistem, refletindo uma transição gradual e não linear.
Esse modelo também se replica em outras economias desenvolvidas, nas quais a expansão da economia verde ocorre paralelamente à manutenção de estruturas energéticas tradicionais, ainda relevantes para segurança de abastecimento.
Mercado global redefine precificação de energia e infraestrutura
O avanço da economia verde indica uma mudança estrutural na forma como o mercado global precifica ativos ligados à energia e infraestrutura. A combinação entre crescimento de receita, valorização em bolsa e aumento de operações de M&A sugere que o setor atingiu um novo patamar de integração ao sistema financeiro global.
A expansão simultânea de demanda, inovação tecnológica e escala industrial reforça a percepção de que a economia verde se tornou um eixo transversal de crescimento, conectando setores antes tratados de forma isolada, como energia, indústria, tecnologia e serviços financeiros.
Nesse ambiente, investidores passam a incorporar de forma mais direta variáveis relacionadas à transição energética em suas decisões de alocação de capital, com impacto direto sobre valuations e fluxo de investimentos internacionais.









