O Ibovespa fechou em alta de 0,76%, aos 173.295,14 pontos, nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, sustentado principalmente pela valorização das ações dos grandes bancos e pelo recuo das taxas dos contratos de juros futuros. O movimento permitiu que o principal índice da B3 encerrasse a semana com ganho acumulado de 2,95%, mesmo diante da queda do petróleo, das perdas de Petrobras e Vale e de uma nova sessão negativa para as empresas de tecnologia no exterior.
A Bolsa brasileira chegou a recuar 0,50% durante a manhã, quando atingiu a mínima de 171.123,94 pontos, mas mudou de direção ao longo do pregão e alcançou 173.964,44 pontos no melhor momento do dia. O índice terminou próximo da máxima, com avanço de 1.304,94 pontos em relação ao fechamento anterior.
O volume financeiro negociado na sessão somou aproximadamente R$ 24,16 bilhões. O desempenho positivo destoou das perdas registradas pelos principais índices de Nova York e refletiu uma combinação de fatores domésticos, entre eles a reprecificação da curva de juros, a inflação abaixo das projeções divulgada na véspera e os novos dados do mercado de trabalho brasileiro.
Ibovespa hoje em números
Fechamento: 173.295,14 pontos
Variação no dia: alta de 0,76%
Máxima do pregão: 173.964,44 pontos
Mínima do pregão: 171.123,94 pontos
Fechamento anterior: 171.990,20 pontos
Volume financeiro: aproximadamente R$ 24,16 bilhões
Variação na semana: alta de 2,95%
Dólar comercial: R$ 5,167, com queda de 0,20%
Taxa Selic: 14,25% ao ano
Bancos sustentam recuperação do Ibovespa
As ações do setor financeiro exerceram a principal influência positiva sobre o fechamento do Ibovespa. Como os bancos possuem participação relevante na composição do índice, a valorização conjunta dos maiores papéis do segmento ajudou a compensar as perdas observadas em empresas ligadas às commodities.
As ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) avançaram 1,29%. Os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) subiram 1,70%, enquanto as ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) encerraram o pregão com valorização de 1,45%. As units do Santander Brasil (SANB11) ganharam 0,57%.
O movimento ocorreu em uma sessão de recuo das taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro, usados como referência para as expectativas do mercado sobre a trajetória da Selic. A redução dos prêmios de juros tende a melhorar a avaliação de empresas voltadas à economia doméstica, embora o efeito não seja uniforme entre setores e companhias.
O contrato de DI para janeiro de 2027 encerrou o dia próximo de 14,050%, abaixo dos 14,091% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2028 recuou de 14,246% para 14,180%, enquanto o vencimento de janeiro de 2029 passou de 14,339% para 14,255%. Na parte mais longa da curva, o DI para janeiro de 2031 caiu de 14,396% para 14,370%.
A queda foi favorecida pela redução dos preços internacionais do petróleo e pela percepção de que o Banco Central do Brasil continuará conduzindo a política monetária com foco na convergência da inflação para a meta. A autoridade monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual em junho, para 14,25% ao ano.
Mercado de trabalho reforça percepção de atividade resiliente
Os investidores também avaliaram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
A taxa de desocupação ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, ante 5,8% no período de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026. Na comparação com o trimestre terminado em maio do ano passado, quando o desemprego estava em 6,2%, houve redução de 0,6 ponto percentual.
O resultado foi o melhor para um trimestre encerrado em maio desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. A população ocupada cresceu 0,5% na comparação trimestral, enquanto o rendimento médio real habitual foi estimado em R$ 3.726.
Os números confirmaram a resistência do mercado de trabalho, mas não provocaram uma abertura relevante da curva de juros. Parte dos agentes considerou que o resultado estava próximo das projeções e não alterava, isoladamente, a perspectiva para as próximas decisões do Comitê de Política Monetária.
A Bolsa também continuou repercutindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 divulgado na quinta-feira. O IPCA-15 avançou 0,41% em junho, abaixo da mediana de 0,44% esperada pelo mercado. Em 12 meses, o indicador acumulou alta de 4,80%.
A combinação de inflação abaixo das projeções e queda do petróleo aumentou as apostas de parte dos investidores em mais uma redução de 0,25 ponto percentual da Selic, embora o Banco Central ainda não tenha assumido compromisso com um novo corte na próxima reunião.
Petrobras e Vale limitam avanço da Bolsa
Na direção oposta aos bancos, as ações da Petrobras encerraram o pregão em queda, acompanhando a forte desvalorização internacional do petróleo.
As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 1,01%, enquanto os papéis ordinários (PETR3) caíram 1,17%. Os contratos do petróleo Brent perderam força com a melhora das condições de oferta e a redução de parte do prêmio geopolítico acumulado nas semanas anteriores.
A queda da commodity ajudou a aliviar expectativas de inflação, favorecendo os juros futuros, mas reduziu as perspectivas de receitas das empresas produtoras de petróleo. Esse movimento criou efeitos opostos dentro do Ibovespa: pressionou Petrobras e outras companhias do setor, enquanto beneficiou ações mais sensíveis à atividade doméstica e ao custo de capital.
A Vale (VALE3) também encerrou a sessão no campo negativo, com baixa de 0,65%, apesar da valorização de 0,81% do contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian, na China.
As perdas de Petrobras e Vale limitaram uma alta mais expressiva do índice, mas não foram suficientes para neutralizar o avanço dos bancos, das empresas de consumo e das companhias de serviços públicos.
Totvs e varejistas lideram as altas do Ibovespa
A Totvs (TOTS3) apresentou o melhor desempenho entre as ações que integram o Ibovespa. Os papéis da companhia de tecnologia avançaram 5,63%, para R$ 28,60.
As ações da Lojas Renner (LREN3) subiram 3,10%, enquanto a C&A Modas (CEAB3) ganhou 2,99%. Os dois movimentos acompanharam a melhora de empresas ligadas ao consumo doméstico, favorecidas pela queda das taxas futuras de juros.
A Marfrig (MRFG3) avançou 2,70%, e a Direcional Engenharia (DIRR3) encerrou o dia com valorização de 2,68%. Empresas do setor imobiliário costumam apresentar maior sensibilidade às mudanças nas expectativas para o custo do crédito e para os juros de longo prazo.
O setor de serviços públicos também teve uma sessão positiva. A Sabesp (SBSP3) avançou 2,42%, em um pregão no qual o índice de utilidade pública da B3 registrou valorização superior a 1%.
Maiores altas do Ibovespa
Totvs (TOTS3): alta de 5,63%
Lojas Renner (LREN3): alta de 3,10%
C&A Modas (CEAB3): alta de 2,99%
Marfrig (MRFG3): alta de 2,70%
Direcional Engenharia (DIRR3): alta de 2,68%
Braskem amplia perdas em meio a preocupações financeiras
A Braskem (BRKM5) liderou as perdas do Ibovespa, com queda de 8,36%. Os papéis encerraram o pregão cotados a R$ 6,29 e acumularam desvalorização de 16,67% na semana.
A petroquímica informou ter obtido uma decisão judicial que suspendeu por 60 dias a cobrança de dívidas por determinados credores financeiros. A medida foi solicitada no contexto de um processo de mediação destinado a permitir a continuidade das negociações sobre a estrutura financeira da companhia.
Embora a proteção temporária reduza o risco de cobranças imediatas, a iniciativa reforçou as preocupações dos investidores com a liquidez da empresa e com sua capacidade de reorganizar o passivo. Analistas do Citi também reduziram a recomendação para as ações para venda, classificando o investimento como de alto risco.
A Suzano (SUZB3) registrou a segunda maior queda do dia, com baixa de 4,50%, seguida pela Azzas 2154 (AZZA3), que perdeu 4,09%. As ações da Usiminas (USIM5) recuaram 2,71%, enquanto a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) caiu 1,87%.
Maiores quedas do Ibovespa
Braskem (BRKM5): queda de 8,36%
Suzano (SUZB3): queda de 4,50%
Azzas 2154 (AZZA3): queda de 4,09%
Usiminas (USIM5): queda de 2,71%
Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3): queda de 1,87%
Dólar recua e juros futuros fecham em queda
O dólar comercial fechou em queda de 0,20%, negociado a R$ 5,167. A moeda norte-americana oscilou durante o dia, mas perdeu força com a redução das taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e com o movimento de ajuste nos mercados de câmbio.
A valorização do real ocorreu apesar da continuidade da saída de recursos estrangeiros da Bolsa brasileira. Dados disponíveis da B3 mostraram saldo negativo de aproximadamente R$ 8,4 bilhões no fluxo de capital externo em junho até o dia 24, desconsiderando ofertas públicas iniciais e subsequentes.
A ausência de uma retomada consistente do fluxo estrangeiro continua sendo um fator de atenção. A recuperação da semana esteve mais relacionada à reprecificação dos juros e à valorização de setores domésticos do que a uma entrada expressiva de investidores internacionais.
A queda do dólar e dos contratos de DI favoreceu empresas dependentes do crédito e do consumo interno. Para companhias exportadoras, no entanto, a valorização do real pode reduzir o valor, em moeda brasileira, das receitas obtidas no exterior.
Wall Street recua com nova pressão sobre tecnologia
Os principais índices de Nova York encerraram a sexta-feira em leve queda, pressionados novamente pelas ações de tecnologia e de empresas ligadas à cadeia de inteligência artificial.
O S&P 500 e o Nasdaq registraram a quinta sessão consecutiva de perdas. No acumulado da semana, o S&P 500 caiu aproximadamente 2%, enquanto o Nasdaq perdeu cerca de 4,6%. O Dow Jones conseguiu encerrar o período com valorização próxima de 0,6%.
As vendas foram concentradas em fabricantes de semicondutores e em outras companhias que haviam acumulado fortes valorizações com as expectativas em torno dos investimentos em inteligência artificial. A redução da exposição a essas empresas favoreceu uma rotação para setores considerados mais defensivos e com múltiplos menos elevados.
Esse movimento contribuiu indiretamente para a resistência da Bolsa brasileira, cuja composição possui maior presença de bancos, empresas de energia, commodities, saneamento e companhias ligadas à economia tradicional.
Nos mercados internacionais de renda fixa, o rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos recuou para a região de 4,38%. O petróleo também terminou o dia em queda acentuada, enquanto o ouro avançou com a procura por ativos considerados defensivos.
Focus e IGP-M abrem agenda da próxima semana
Na segunda-feira, 29 de junho, os investidores acompanharão a divulgação do Boletim Focus, com as projeções das instituições financeiras para inflação, Produto Interno Bruto, câmbio e taxa Selic.
A Fundação Getulio Vargas apresentará o Índice Geral de Preços — Mercado de junho, além das sondagens dos setores de comércio e serviços. Os dados poderão oferecer novas referências sobre a inflação no atacado e o ritmo da atividade econômica.
Nos Estados Unidos, a agenda incluirá o índice de atividade industrial do Federal Reserve de Dallas e pronunciamentos de dirigentes da autoridade monetária. Ao longo da semana, a atenção será direcionada aos dados do mercado de trabalho norte-americano, que poderão alterar as expectativas para os juros dos Estados Unidos.
A B3 informou que manterá o funcionamento normal dos mercados na segunda-feira, apesar da partida da seleção brasileira pela Copa do Mundo estar marcada para as 14h, pelo horário de Brasília.
Depois da alta de 2,95% registrada nesta semana, o comportamento da curva de juros, a evolução dos preços do petróleo e os sinais sobre a política monetária continuarão entre os principais fatores para a direção do Ibovespa.










