O Ibovespa fechou em queda de 0,68%, aos 172.024,13 pontos, nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, pressionado pelo recuo das ações dos grandes bancos, da Petrobras e da Vale. O principal índice da B3 chegou a perder mais de 1,5% durante a sessão, mas se afastou da mínima depois que a criação de empregos formais abaixo das expectativas reforçou as apostas em novos cortes da taxa Selic.
O índice encerrou junho com desvalorização acumulada de 1,01%, completando o quarto mês consecutivo no campo negativo. No segundo trimestre, a perda chegou a 8,24%. Mesmo com o desempenho recente, o Ibovespa terminou o primeiro semestre de 2026 com valorização de 6,76%.
Durante o pregão, a Bolsa brasileira oscilou entre a mínima de 170.538,48 pontos e a máxima de 173.204,72 pontos. O volume financeiro somou aproximadamente R$ 22,5 bilhões, abaixo da média diária próxima de R$ 30 bilhões registrada em junho.
Ibovespa hoje em números
Fechamento: 172.024,13 pontos
Variação no dia: queda de 0,68%
Máxima do pregão: 173.204,72 pontos
Mínima do pregão: 170.538,48 pontos
Fechamento anterior: 173.205,35 pontos
Volume financeiro: aproximadamente R$ 22,5 bilhões
Variação em junho: queda de 1,01%
Variação no segundo trimestre: queda de 8,24%
Variação no primeiro semestre: alta de 6,76%
Variação no ano: alta de 6,76%
Dólar comercial: R$ 5,163, com queda de 0,23%
Taxa Selic: 14,25% ao ano
Bancos e ações de grande peso pressionam o Ibovespa
A queda do Ibovespa foi determinada principalmente pelo desempenho negativo das empresas de maior participação na carteira teórica. Bancos, Petrobras e Vale terminaram o dia no campo negativo e impediram que o índice acompanhasse a valorização das bolsas norte-americanas.
As ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) recuaram 1,73%. O papel esteve entre as principais influências negativas do setor financeiro em uma sessão marcada pela divulgação do Plano Safra 2026/2027.
O programa terá R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial. O Banco do Brasil é o principal operador das linhas de crédito para o agronegócio e continua sendo acompanhado pelos investidores diante da elevação da inadimplência entre produtores rurais.
As ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) caíram 0,54%, enquanto os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) recuaram 0,39%. As units do Santander Brasil (SANB11) tiveram baixa de 0,07%, e as units do BTG Pactual (BPAC11) perderam 0,77%.
A B3 (B3SA3), empresa responsável pela infraestrutura do mercado brasileiro de capitais, caiu 1,22%. A redução recente do volume negociado e o enfraquecimento do fluxo estrangeiro permaneceram entre os fatores monitorados pelo mercado.
Saída de estrangeiros limita recuperação da Bolsa brasileira
O desempenho negativo de junho esteve relacionado, em parte, à retirada de recursos estrangeiros das ações brasileiras.
Dados disponíveis da B3 mostraram saldo negativo de R$ 8,75 bilhões no fluxo estrangeiro durante o mês até o dia 26, desconsiderando ofertas públicas iniciais e subsequentes. No acumulado de 2026, o resultado ainda permanecia positivo em R$ 32,88 bilhões.
A reversão do fluxo começou a ganhar intensidade em meados de abril, acompanhando mudanças nas expectativas para os juros globais e uma rotação de capital em direção às empresas de tecnologia dos Estados Unidos e da Ásia.
Esse movimento reduziu a participação estrangeira em ações brasileiras de grande liquidez. O efeito foi mais perceptível sobre bancos, empresas de commodities e companhias com peso relevante na composição do Ibovespa.
As incertezas fiscais, a proximidade das eleições brasileiras e a permanência da Selic em nível elevado também limitaram o interesse por ativos domésticos, apesar da valorização acumulada pelo índice no primeiro semestre.
Petrobras e Vale encerram sessão em queda
As ações da Petrobras acompanharam a fraqueza dos preços do petróleo no mercado internacional.
Os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 0,89%, enquanto as ações ordinárias (PETR3) perderam 1,25%. O contrato do petróleo Brent com vencimento em agosto caiu 0,31%, cotado a US$ 72,92 por barril. O WTI recuou 1,77%, para US$ 69,50.
A estatal informou ter aprovado um mecanismo para reduzir o impacto das oscilações internacionais sobre os preços do gás natural vendidos às distribuidoras estaduais.
A medida poderá limitar a alta média do gás a aproximadamente 6% a partir de 1º de agosto. Sem o mecanismo, a elevação estimada seria de cerca de 22%.
A Vale (VALE3) caiu 0,32%, mesmo com a valorização de 0,61% do contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian, na China.
A ausência de uma contribuição positiva de Vale e Petrobras aumentou a pressão sobre o Ibovespa, especialmente porque os bancos também encerraram o pregão em queda.
Caged reduz pressão sobre a Bolsa e derruba juros futuros
O Ibovespa atingiu a mínima do dia durante a manhã, mas recuperou parte das perdas depois da divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.
O Brasil criou 72.960 postos formais de trabalho em maio, resultado de 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos. O saldo ficou significativamente abaixo da expectativa de 115 mil vagas indicada por economistas.
O resultado também foi o mais fraco para um mês de maio desde 2020. No mesmo período de 2025, haviam sido criados 153.108 empregos com carteira assinada.
Os números foram interpretados como um sinal adicional de moderação do mercado de trabalho. Uma desaceleração gradual da atividade pode ajudar o Banco Central do Brasil a controlar a inflação sem manter os juros elevados por um período ainda mais prolongado.
Após a divulgação, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro passaram a recuar. O DI para janeiro de 2027 caiu de 14,038% para 14%, enquanto o vencimento de janeiro de 2028 passou de 14,107% para 14,015%.
A taxa para janeiro de 2029 recuou de 14,198% para 14,115%. Na parte mais longa da curva, o contrato para janeiro de 2031 caiu de 14,281% para 14,210%.
O movimento reforçou as apostas em uma redução de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária. A taxa básica está atualmente em 14,25% ao ano.
Natura lidera altas e completa oitava valorização consecutiva
A Natura (NATU3) apresentou o melhor desempenho do Ibovespa, com alta de 5,18%. Foi a oitava sessão consecutiva de valorização das ações da fabricante de cosméticos.
No período, os papéis acumularam ganho de aproximadamente 17,5%, recuperando parte das perdas registradas anteriormente. Em junho, no entanto, a ação ainda encerrou com desvalorização superior a 12%.
Os investidores continuaram acompanhando o possível desfecho do acordo com a Advent e as perspectivas de melhora dos resultados operacionais da companhia no segundo semestre.
A Embraer (EMBJ3) avançou 2,08%, depois de informar que o jato executivo Praetor 500E recebeu certificação simultânea de autoridades reguladoras do Brasil, dos Estados Unidos e da Europa.
As aprovações foram concedidas pela Agência Nacional de Aviação Civil, pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos e pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação.
As ações da Engie Brasil (EGIE3) subiram aproximadamente 1,90% e também figuraram entre os principais ganhos da carteira.
Maiores altas do Ibovespa
Natura (NATU3): alta de 5,18%
Embraer (EMBJ3): alta de 2,08%
Engie Brasil (EGIE3): alta de aproximadamente 1,90%
Braskem recua após corte de recomendação
A Braskem (BRKM5) liderou as perdas do Ibovespa, com queda de 3,78%. As ações foram pressionadas por um relatório do JPMorgan que reduziu a recomendação para os papéis de compra para neutra.
O banco também cortou o preço-alvo das ações da petroquímica de R$ 15 para R$ 7,50. A revisão ocorreu em meio às preocupações com o endividamento e a capacidade da companhia de reorganizar sua estrutura financeira.
Na semana anterior, a Braskem obteve uma decisão judicial que suspendeu por 60 dias a cobrança de dívidas por determinados credores. A proteção temporária busca criar espaço para a continuidade das negociações financeiras.
O Assaí (ASAI3) caiu 2,89%, interrompendo uma sequência de seis pregões consecutivos de valorização. Durante esse período, os papéis haviam acumulado alta de aproximadamente 17,6%.
A Azzas 2154 (AZZA3) recuou 2,72%, acompanhando a fraqueza observada em parte das empresas de varejo e consumo.
Maiores quedas do Ibovespa
Braskem (BRKM5): queda de 3,78%
Assaí (ASAI3): queda de 2,89%
Azzas 2154 (AZZA3): queda de 2,72%
Fora da composição vigente do Ibovespa, as ações preferenciais da Raízen (RAIZ4) caíram 5%. A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/2026 e dívida líquida de R$ 58,2 bilhões.
A empresa informou que continuará realizando desinvestimentos e reduzindo sua capacidade de moagem para diminuir o endividamento e buscar uma estrutura operacional mais eficiente.
Dívida pública alcança 81,1% do PIB
O cenário fiscal também permaneceu no radar dos investidores. O Banco Central informou que a dívida bruta do governo geral alcançou 81,1% do Produto Interno Bruto em maio, ante 80,2% em abril.
A dívida líquida do setor público subiu de 67,2% para 67,9% do PIB.
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,13 bilhões em maio, acima da projeção de R$ 53,5 bilhões. No mesmo mês de 2025, o resultado negativo havia sido de R$ 33,74 bilhões.
Nos cinco primeiros meses de 2026, o déficit primário acumulado chegou a R$ 24,88 bilhões, ante superávit de R$ 69,12 bilhões no mesmo período do ano anterior.
O resultado fiscal limitou parte do alívio proporcionado pelo Caged. O enfraquecimento do mercado de trabalho favorece a perspectiva de juros menores, mas o aumento da dívida e dos déficits mantém elevado o prêmio exigido pelos investidores para financiar o setor público.
Preços da indústria caem em maio
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que o Índice de Preços ao Produtor caiu 0,30% em maio, revertendo a alta de 2,62% registrada em abril.
Sete das 24 atividades industriais pesquisadas apresentaram redução de preços. O setor de alimentos exerceu uma das principais influências sobre o resultado.
A queda dos preços ao produtor foi mais um fator favorável à redução das taxas futuras de juros, embora seu impacto tenha sido ofuscado pelos dados do mercado de trabalho e pelas preocupações fiscais.
Dólar fecha em queda, mas sobe mais de 2% em junho
O dólar comercial fechou em baixa de 0,23%, vendido a R$ 5,163. A moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,162 e R$ 5,201 durante a sessão.
O pregão foi marcado pela formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central e utilizada como referência para a liquidação de contratos de câmbio.
Apesar do recuo diário, o dólar acumulou valorização de 2,23% em junho. O movimento refletiu as mudanças nas expectativas para os juros internacionais, o ambiente fiscal brasileiro e a redução do fluxo de recursos estrangeiros para a Bolsa.
O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de moedas fortes, avançou modestamente e permaneceu próximo dos 101 pontos.
Wall Street encerra semestre com novas altas
As bolsas de Nova York fecharam no campo positivo, ampliando o descolamento em relação ao mercado brasileiro.
O Dow Jones subiu 0,26%, aos 52.317,81 pontos. O S&P 500 avançou 0,79%, aos 7.499,12 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 1,52%, aos 26.213,72 pontos.
Os índices norte-americanos encerraram o melhor primeiro semestre desde 2021. O desempenho foi sustentado principalmente pela valorização das empresas de tecnologia e pela continuidade dos investimentos relacionados à inteligência artificial.
Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 0,97%, apoiado por empresas de tecnologia e por sinais de desaceleração da inflação alemã.
A divergência entre os mercados reforçou a percepção de que fatores domésticos — entre eles juros elevados, risco fiscal e saída de investidores estrangeiros — tiveram maior influência sobre o Ibovespa do que o ambiente internacional positivo.
Emprego privado e indústria dos Estados Unidos entram no radar
Na quarta-feira, 1º de julho, os investidores acompanharão o relatório da ADP sobre a criação de empregos no setor privado dos Estados Unidos.
O dado servirá como referência para o relatório oficial de emprego norte-americano e poderá alterar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve.
Também serão divulgados os índices de gerentes de compras da indústria calculados pela S&P Global e pelo Institute for Supply Management. Os indicadores mostrarão o ritmo da atividade industrial e a evolução das pressões de custos nos Estados Unidos.
No Brasil, o mercado continuará avaliando o resultado do Caged, a trajetória dos juros futuros e os dados fiscais divulgados pelo Banco Central.
Depois de quatro meses consecutivos de queda e de uma perda de 8,24% no segundo trimestre, o fluxo estrangeiro, a política fiscal e as expectativas para a próxima decisão da Selic permanecerão entre os principais fatores para a direção do Ibovespa.









