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BTG Pactual (BPAC11) abre BSec ao mercado após movimentar R$ 160 bilhões

Plataforma independente reúne securitização, escrituração, liquidação, garantias e administração de FIDCs para atender empresas e investidores.

por Alice Nascimento
16/07/2026 às 19h08
em Mercados
Btg Pactual (Bpac11) Abre Bsec Ao Mercado Após Movimentar R$ 160 Bilhões - Gazeta Mercantil

O BTG Pactual (BPAC11) anunciou nesta quinta-feira, 16 de julho, a abertura da BSec ao mercado, em um movimento que amplia a atuação do banco na infraestrutura do crédito privado brasileiro. A plataforma passa a operar de forma independente e reúne, em um único ecossistema, serviços de securitização, escrituração, liquidação financeira, gestão de garantias, relações com investidores e administração e custódia de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, os FIDCs. Segundo a instituição, as operações estruturadas ou administradas pelas áreas que formam a BSec já superam R$ 160 bilhões em volume transacionado.

A nova fase coloca a BSec em contato direto com empresas, gestores, originadores de recebíveis e instituições que buscam financiamento por meio do mercado de capitais. A proposta é permitir que diferentes etapas de uma emissão sejam coordenadas dentro da mesma estrutura, reduzindo a necessidade de contratação e integração de diversos prestadores de serviços.

O BTG Pactual pretende usar a experiência acumulada em crédito estruturado para ampliar sua presença em um mercado que ganhou relevância como alternativa aos empréstimos bancários convencionais. Em vez de manter todas as atividades concentradas nas áreas internas do banco, a BSec passa a oferecer sua capacidade operacional a clientes e parceiros externos.

A plataforma poderá estruturar e emitir Certificados de Recebíveis Imobiliários, os CRIs; Certificados de Recebíveis do Agronegócio, os CRAs; Certificados de Recebíveis, os CRs; e debêntures securitizadas. A BSec também atuará em serviços que permanecem durante toda a vida dessas operações, como escrituração, processamento de pagamentos, acompanhamento de garantias e comunicação com investidores.

BSec reúne diferentes etapas de uma emissão

A estratégia da BSec é concentrar atividades que normalmente são distribuídas entre securitizadoras, bancos liquidantes, escrituradores, administradores fiduciários, custodiantes e prestadores responsáveis pelo relacionamento com investidores.

A integração não significa que todas as funções se confundam. Cada serviço continua sujeito a responsabilidades específicas, contratos próprios e regras regulatórias. A diferença está na possibilidade de coordenar o fluxo operacional dentro de um mesmo ecossistema tecnológico e institucional.

Em uma emissão de crédito estruturado, a empresa precisa organizar documentos, identificar os recebíveis que servirão de lastro, definir garantias, estabelecer a remuneração dos títulos e estruturar os mecanismos de pagamento. Depois da colocação dos papéis, ainda é necessário acompanhar os recursos recebidos dos devedores, calcular remunerações, realizar amortizações e prestar informações ao mercado.

Quando essas atividades são executadas por empresas diferentes, falhas de comunicação podem atrasar uma operação ou aumentar seus custos. A BSec pretende reduzir essa fragmentação ao permitir que clientes acessem vários serviços a partir de uma estrutura integrada.

O modelo também pode melhorar a previsibilidade dos processos. Ao padronizar procedimentos, documentos e sistemas, a plataforma busca diminuir retrabalhos, acelerar emissões e facilitar o acompanhamento das obrigações assumidas por emissores e originadores.

R$ 160 bilhões dão escala à nova plataforma

O volume superior a R$ 160 bilhões informado pelo BTG Pactual é um dos principais ativos da BSec. O montante considera operações nas quais as áreas integradas à plataforma participaram da estruturação ou da administração dos ativos.

A cifra mostra que a BSec não inicia sua operação aberta a partir de um projeto experimental. A plataforma nasce apoiada em sistemas, equipes e processos que já foram utilizados em transações de grande porte no mercado de capitais.

Escala é especialmente relevante na securitização. As operações exigem capacidade para processar milhares de pagamentos, acompanhar carteiras de recebíveis, controlar garantias e produzir relatórios durante períodos que podem se estender por vários anos.

O crescimento do volume também pode reduzir o custo unitário dos serviços prestados. Uma plataforma com operações recorrentes consegue distribuir despesas tecnológicas, jurídicas e administrativas sobre uma base maior de ativos, fator que pode ampliar sua competitividade.

Para o BTG Pactual (BPAC11), a abertura da BSec cria uma nova possibilidade de receitas com serviços. A instituição poderá ser remunerada pela estruturação das emissões e por atividades recorrentes de administração, custódia, escrituração, liquidação e acompanhamento dos ativos.

Essas receitas tendem a apresentar características diferentes das obtidas diretamente com concessão de crédito. Em vez de depender apenas da margem financeira de um empréstimo, o banco passa a ampliar sua participação nas tarifas geradas pela infraestrutura necessária ao funcionamento das operações.

Securitização transforma recebíveis em financiamento

A securitização permite transformar créditos que seriam recebidos no futuro em recursos disponíveis no presente. Uma empresa pode reunir parcelas, duplicatas, contratos, aluguéis ou outros pagamentos a receber e transferi-los para uma estrutura responsável pela emissão de títulos.

Os investidores compram esses papéis e fornecem os recursos que serão destinados ao originador dos créditos. Em contrapartida, recebem remuneração e amortizações sustentadas pelos pagamentos realizados pelos devedores da carteira.

Para as empresas, a operação pode liberar capital de giro, financiar investimentos e reduzir a dependência de empréstimos bancários. A securitização também permite organizar captações com prazos ajustados à duração dos ativos e aos fluxos de caixa do negócio.

A Lei nº 14.430, que estabeleceu o marco legal da securitização, consolidou as regras gerais aplicáveis às companhias do setor e aos Certificados de Recebíveis. Pela legislação, esses certificados são títulos de crédito emitidos de forma escritural por companhias securitizadoras e podem ser negociados no mercado.

Quando distribuídos publicamente ou admitidos à negociação em mercados regulamentados, os Certificados de Recebíveis são considerados valores mobiliários. As emissões, portanto, ficam sujeitas às regras de proteção aos investidores, divulgação de informações e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários.

A BSec atuará dentro desse ambiente regulatório. A plataforma deverá cumprir as normas aplicáveis às companhias securitizadoras, às ofertas públicas, aos fundos de investimento e aos diferentes prestadores envolvidos nas operações.

CRIs e CRAs aproximam setores produtivos do mercado

Os CRIs são títulos lastreados em direitos creditórios vinculados ao setor imobiliário. Incorporadoras, loteadoras, empresas de propriedades comerciais e outros participantes podem utilizar esses instrumentos para antecipar recursos relacionados a vendas, aluguéis ou contratos imobiliários.

Os CRAs cumprem função semelhante no agronegócio. Os títulos podem ser apoiados por recebíveis originados em cadeias de produção, comercialização, armazenamento e fornecimento de insumos, observadas as regras de elegibilidade aplicáveis.

Com a expansão da BSec, o BTG Pactual pretende ampliar a conexão entre esses originadores e os investidores que compram os títulos. A plataforma poderá participar da definição do lastro, da estrutura de garantias, do cronograma de pagamentos e da documentação necessária à emissão.

Os Certificados de Recebíveis ampliam o alcance da securitização para créditos que não estejam necessariamente enquadrados nos segmentos imobiliário ou do agronegócio. Esse instrumento pode permitir a criação de operações para diferentes atividades econômicas, desde que respeitados os requisitos legais e regulatórios.

A BSec também prevê trabalhar com debêntures securitizadas. Nesse tipo de operação, títulos de dívida são inseridos em estruturas nas quais os pagamentos e as garantias são organizados de acordo com características específicas do financiamento.

A variedade de instrumentos permite que a plataforma atenda empresas com necessidades distintas. Uma companhia imobiliária pode optar por um CRI, enquanto uma empresa ligada ao agronegócio pode acessar recursos por meio de um CRA. Outros negócios poderão utilizar CRs, debêntures ou fundos de recebíveis.

FIDCs ganham espaço na estratégia da BSec

A administração e a custódia de FIDCs formam outra frente relevante da BSec. Esses fundos destinam parcela predominante de seus recursos a direitos creditórios, como duplicatas, parcelas de vendas, financiamentos, mensalidades ou contratos de prestação de serviços.

Os FIDCs podem ser utilizados por empresas que geram recebíveis de forma recorrente. Em vez de realizar uma emissão isolada, o originador pode manter uma estrutura capaz de adquirir novas carteiras e financiar continuamente suas atividades.

A BSec poderá atuar na administração desses fundos, acompanhando o cumprimento de seus regulamentos e as obrigações atribuídas aos prestadores de serviços. A custódia envolve controles sobre os ativos, os documentos e os fluxos financeiros vinculados às carteiras.

A regulamentação dos FIDCs está concentrada na Resolução CVM 175 e em seu anexo específico para fundos de direitos creditórios. As normas tratam de temas como responsabilidades dos administradores e gestores, registro dos recebíveis, critérios de elegibilidade e prestação de informações.

O risco dos FIDCs está diretamente relacionado à qualidade dos créditos adquiridos. Atrasos ou inadimplência dos devedores podem reduzir o fluxo de recursos disponível para remunerar os cotistas.

A presença de uma plataforma com escala não elimina esses riscos. A BSec poderá organizar controles e processos, mas o desempenho das operações continuará condicionado à qualidade do lastro, às garantias e à capacidade de pagamento dos devedores.

Governança própria será decisiva para a independência

O BTG Pactual informou que a BSec terá atuação independente. Essa separação é necessária porque a plataforma poderá receber informações comerciais, financeiras e estratégicas de empresas, gestores e instituições que também mantenham relações com outras áreas do banco.

A independência deverá ser sustentada por regras de governança, controle de acessos e segregação de informações. As chamadas barreiras de informação são utilizadas para impedir que dados restritos circulem entre equipes envolvidas em atividades potencialmente conflitantes.

Esse ponto será particularmente relevante caso a BSec atenda gestores, instituições financeiras ou participantes que concorram com unidades do próprio BTG Pactual. Os clientes precisarão ter segurança de que documentos, modelos de crédito e estratégias de emissão permanecerão protegidos.

A governança também deverá delimitar as responsabilidades de cada parte nas operações. Uma mesma plataforma pode oferecer diferentes serviços, mas precisa deixar claro quais decisões cabem ao originador, ao gestor, ao administrador, ao custodiante e à companhia securitizadora.

A Resolução CVM 60 determina regras para o funcionamento das companhias securitizadoras registradas. A norma trata de controles internos, prestação de informações, administração dos patrimônios separados e fiscalização de prestadores contratados.

Já a Resolução CVM 160 disciplina as ofertas públicas de valores mobiliários. Seu objetivo inclui proteger os investidores e promover a eficiência do mercado, estabelecendo procedimentos para registro, divulgação e negociação dos ativos ofertados.

Movimento amplia estratégia do BTG Pactual

A abertura da BSec reforça a estratégia do BTG Pactual de atuar em diferentes etapas da cadeia financeira. O banco já oferece serviços de banco de investimento, gestão de recursos, crédito corporativo, corretagem e gestão patrimonial.

Ao ampliar a infraestrutura de securitização, a instituição fortalece o relacionamento com empresas que buscam fontes alternativas de capital. Uma companhia atendida pela BSec também pode demandar outros produtos, como gestão de caixa, derivativos, assessoria financeira ou novas emissões.

Para os acionistas do BTG Pactual (BPAC11), o impacto dependerá da capacidade da BSec de atrair operações externas, preservar margens e ampliar as receitas recorrentes. O banco não divulgou projeções financeiras específicas para a plataforma.

O desempenho deverá ser medido pelo volume de novas emissões, pelo crescimento dos ativos administrados e pelo número de clientes que utilizarem mais de um serviço. A capacidade de conquistar operações originadas fora do ecossistema tradicional do banco será um dos testes da nova fase.

A expansão também aumenta as responsabilidades operacionais. Problemas na escrituração, liquidação ou administração de um ativo podem gerar perdas, disputas e danos reputacionais. O crescimento da BSec precisará ser acompanhado por investimentos em tecnologia, controles e pessoal especializado.

Abertura acirra disputa pela infraestrutura do crédito

A entrada da BSec em uma fase aberta ao mercado tende a elevar a competição entre bancos, securitizadoras independentes, administradores fiduciários, custodiantes e empresas de tecnologia financeira.

A disputa não ocorre apenas pela estruturação das emissões. Uma parcela relevante das receitas está nos serviços prestados durante toda a duração dos títulos e fundos, incluindo processamento de pagamentos, monitoramento das carteiras e prestação de informações aos investidores.

O BTG Pactual chega a esse mercado com a vantagem da escala e do histórico superior a R$ 160 bilhões. A BSec, entretanto, precisará demonstrar que sua vinculação ao banco não compromete a independência exigida por clientes externos.

A capacidade de combinar integração operacional e segregação de informações será central para a estratégia. A plataforma precisará oferecer a conveniência de um ecossistema completo sem permitir que a concentração de serviços enfraqueça os controles ou gere conflitos.

Com a BSec, o BTG Pactual amplia sua presença em uma área que conecta diretamente a economia real ao mercado de capitais. A nova fase será definida não apenas pelo volume captado, mas pela capacidade de administrar operações complexas, preservar a confiança dos clientes e sustentar padrões de governança à medida que a plataforma ganhar escala.

Tags: BPAC11BSecBTG PactualCRAcrédito privadoCRIdebênturesFIDCmercado de capitaismercadossecuritização

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