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Lula lidera seis pesquisas contra Flávio Bolsonaro; veja os números do primeiro e segundo turnos

Levantamentos de julho mantêm Lula na dianteira, confirmam Flávio Bolsonaro como principal adversário e expõem dificuldade da terceira via.

por Júlia Campos
02/08/2026 às 12h06
em Política
Pesquisa Eleitoral - Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou julho na liderança das pesquisas eleitorais de 2026, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se consolidou como seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto. Seis levantamentos nacionais — AtlasIntel/Bloomberg, BTG/Nexus, Datafolha, Real Time Big Data, Meio/Ideia e Genial/Quaest — colocam Lula à frente no primeiro e no segundo turnos. A vantagem varia de 7 a 12 pontos percentuais nas simulações iniciais e de 3 a 8 pontos nos confrontos diretos, conforme o instituto. Os números revelam uma eleição concentrada nos dois polos, mas ainda competitiva, sobretudo porque as margens ficam mais estreitas quando a disputa é reduzida a Lula e Flávio Bolsonaro.

Os resultados divulgados na última semana reforçaram esse desenho. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, Lula alcançou 44,9% das intenções de voto no cenário mais amplo de primeiro turno, ante 35,8% de Flávio Bolsonaro. A distância de 9,1 pontos ficou muito acima da margem de erro de um ponto percentual. No levantamento BTG/Nexus, o presidente registrou 42%, enquanto o senador marcou 33%, diferença de nove pontos.

Apesar da convergência na ordem dos candidatos, as pesquisas eleitorais de 2026 não devem ser interpretadas como uma previsão do resultado das urnas. Cada levantamento utiliza desenho amostral, forma de entrevista, lista de candidatos e período de coleta próprios. As pesquisas mostram a disposição declarada pelos eleitores no momento das entrevistas e podem ser alteradas pela campanha, pelos debates, pela propaganda eleitoral, pelo desempenho da economia e por acontecimentos políticos posteriores.

AtlasIntel e BTG/Nexus mantêm Lula à frente

A AtlasIntel ouviu 5.021 pessoas entre 22 e 27 de julho, por meio de recrutamento digital aleatório. O levantamento tem margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08602/2026.

No primeiro turno testado pela AtlasIntel, Lula e Flávio Bolsonaro concentraram, juntos, 80,7% das intenções de voto. Renan Santos (Missão) apareceu em terceiro lugar, com 7,8%, seguido pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 3,1%, e pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 2,8%. Samara Martins (UP) marcou 2,1%, enquanto Augusto Cury (Avante) alcançou 1,6%.

A série da AtlasIntel indica estabilidade na distância entre os dois primeiros colocados. Em junho, Lula tinha 46,3% e Flávio Bolsonaro, 36,6%. Na rodada de julho, ambos oscilaram para baixo, mas a diferença permaneceu próxima de nove pontos. O movimento não caracteriza uma mudança estrutural da disputa, uma vez que as variações ficaram limitadas e ocorreram dentro de um quadro de ampla concentração eleitoral.

A BTG/Nexus encontrou configuração semelhante. Lula marcou 42%, ante 33% de Flávio Bolsonaro. Caiado apareceu com 6%, Renan Santos com 5% e Zema com 3%. O instituto entrevistou 2.004 eleitores por telefone entre os dias 24 e 26 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro no TSE é BR-

Um dado da BTG/Nexus ajuda a dimensionar o grau de consolidação da corrida. Entre os entrevistados que indicaram um nome no primeiro turno, 73% disseram que a decisão já estava tomada e que não deveria mudar até a eleição. Outros 25% admitiram a possibilidade de alterar o voto. Nos segmentos classificados pelo instituto como lulistas convictos, 83% afirmaram ter uma escolha definitiva; entre bolsonaristas convictos, o percentual chegou a 82%.

Seis institutos convergem sobre a ordem da disputa

Os demais levantamentos realizados em julho apresentam percentuais distintos, mas preservam a mesma hierarquia. O Datafolha mostrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 32% no primeiro turno. Caiado apareceu com 4%, enquanto Zema e Renan Santos registraram 3% cada. Os demais candidatos ficaram entre zero e 2%.

O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios nos dias 22 e 23 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-01166/2026. O instituto observou que a comparação direta com algumas rodadas anteriores exigia cautela porque a lista apresentada aos entrevistados havia sido ampliada para 12 nomes.

Na Real Time Big Data, Lula também apareceu com 40%, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 33%. A distância de sete pontos foi a menor entre os cenários de primeiro turno considerados no conjunto das seis pesquisas. O instituto entrevistou presencialmente 2.000 eleitores entre 18 e 20 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro é BR-05864/2026.

A Meio/Ideia apontou Lula com 40,4% e Flávio Bolsonaro com 32%. Caiado ficou com 4%, Zema com 2,5%, e Aécio Neves (PSDB) e Renan Santos marcaram 2% cada. O levantamento ouviu 1.500 pessoas entre 3 e 6 de julho, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e registro BR-05628/2026.

A maior distância entre os dois líderes foi identificada pela Genial/Quaest. Lula apareceu com 40%, diante de 28% de Flávio Bolsonaro, vantagem de 12 pontos. Foram entrevistados presencialmente 2.004 eleitores entre 10 e 13 de julho. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro BR-07181/2026.

As diferenças entre os percentuais decorrem, em parte, dos métodos de coleta, das datas do trabalho de campo e da composição das listas apresentadas. Por esse motivo, não é tecnicamente adequado somar ou calcular uma média simples dos resultados como se todos fizessem parte de uma única pesquisa. O dado mais consistente está na convergência: Lula lidera os seis levantamentos, Flávio Bolsonaro ocupa a segunda colocação e nenhum outro nome alcança dois dígitos.

Segundo turno reduz distância entre os dois líderes

A vantagem do presidente diminui nas simulações de segundo turno. A AtlasIntel registrou 49,2% para Lula e 42,9% para Flávio Bolsonaro. Brancos, nulos e indecisos somaram 7,9%. A diferença de 6,3 pontos ficou acima da margem de erro de um ponto e praticamente repetiu o quadro de junho, quando Lula tinha 48,8% e o senador, 42,3%.

Na BTG/Nexus, Lula apareceu com 47% e Flávio Bolsonaro com 43%. A distância de quatro pontos exige leitura cautelosa diante da margem de erro de dois pontos percentuais. Em comparação com a rodada anterior do instituto, os dois candidatos mantiveram os mesmos percentuais.

O Datafolha encontrou 48% para Lula e 43% para Flávio Bolsonaro. A vantagem passou de quatro pontos na pesquisa anterior para cinco pontos, movimento ainda restrito à margem das oscilações amostrais. Brancos, nulos e eleitores que não escolheram nenhum dos candidatos representaram 9%, enquanto 1% não soube responder.

Na Real Time Big Data, o confronto terminou em 45% a 42% para Lula, diferença de três pontos e a mais apertada entre as pesquisas analisadas. A Meio/Ideia apontou 45% para o presidente e 40% para o senador. Na Genial/Quaest, Lula registrou 45%, diante de 37% de Flávio Bolsonaro, vantagem de oito pontos.

O conjunto das pesquisas eleitorais de 2026 mostra, portanto, duas dinâmicas simultâneas. Lula mantém uma dianteira consistente no primeiro turno, mas Flávio Bolsonaro reduz a distância quando recebe parte dos votos destinados inicialmente a outros candidatos de oposição. Ao mesmo tempo, o presidente também absorve eleitores de legendas de esquerda e de setores que rejeitam uma nova administração ligada à família Bolsonaro.

Essa transferência não é automática. Parte dos eleitores pode optar por voto branco, nulo ou abstenção, principalmente quando os candidatos finalistas apresentam índices elevados de rejeição. O comportamento desse grupo será decisivo para determinar se a vantagem observada nas pesquisas será preservada durante a campanha oficial.

Terceira via permanece abaixo dos dois dígitos

A dificuldade dos candidatos fora dos dois polos é um dos pontos mais uniformes dos levantamentos. Mesmo nos cenários mais favoráveis, nenhum deles se aproxima de Lula ou de Flávio Bolsonaro. A AtlasIntel registra Renan Santos com 7,8%, seu melhor resultado entre as pesquisas citadas. Na BTG/Nexus, Caiado chega a 6%, enquanto Renan aparece com 5%.

No Datafolha, Caiado marca 4%, e Zema e Renan têm 3%. A Meio/Ideia também coloca o governador de Goiás em 4%. Os números mostram que a disputa por uma alternativa à polarização permanece fragmentada entre candidaturas com perfis, bases regionais e estratégias diferentes.

A BTG/Nexus identificou que 22% dos entrevistados prefeririam uma opção que não fosse apoiada nem por Lula nem pela família Bolsonaro. Essa disposição, contudo, ainda não se converteu em intenção de voto suficiente para aproximar um terceiro candidato dos dois líderes. O desafio desse campo será transformar uma preferência abstrata por renovação em apoio a um nome específico.

A manutenção de vários candidatos também interfere na possibilidade de decisão no primeiro turno. No Brasil, é necessário alcançar mais da metade dos votos válidos, excluídos brancos e nulos, para vencer sem uma nova rodada. Embora Lula apareça próximo ou acima de 40% dos votos totais, as pesquisas ainda não indicam uma vitória assegurada na primeira votação.

Rejeição limita potencial de crescimento

A polarização é acompanhada por taxas elevadas de rejeição. Na AtlasIntel, 52,9% disseram que não votariam em Flávio Bolsonaro de maneira alguma, enquanto 49,4% rejeitaram Lula. A Genial/Quaest encontrou rejeição de 57% ao senador e de 50% ao presidente. No Datafolha, os índices ficaram em 48% para Flávio Bolsonaro e 46% para Lula.

Esses resultados delimitam o espaço de expansão dos dois candidatos. Flávio Bolsonaro precisa preservar o eleitorado identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro e, ao mesmo tempo, reduzir resistências entre independentes, mulheres e eleitores moderados. Lula enfrenta o desafio de defender o desempenho do governo, recuperar segmentos que desaprovam sua administração e impedir que a eleição se transforme exclusivamente em um julgamento sobre sua permanência no poder.

A AtlasIntel perguntou qual resultado causaria mais medo ou preocupação ao eleitor. A eleição de Flávio Bolsonaro foi mencionada por 46,6%, enquanto a reeleição de Lula preocupava 44,6%. Outros 8,7% disseram temer igualmente os dois resultados. O equilíbrio dessa resposta reforça o peso do voto defensivo, no qual a rejeição ao adversário pode ser tão relevante quanto a identificação com o candidato escolhido.

Na comparação sobre áreas de governo, a AtlasIntel registrou vantagem de Lula em temas sociais, saúde, educação, economia, emprego, democracia e política externa. As distâncias, porém, ficaram menores em equilíbrio fiscal, controle de gastos e carga tributária. Em criminalidade e tráfico de drogas, os dois apareceram com 46%. O resultado sugere que a campanha deverá combinar o debate sobre políticas sociais e economia com segurança pública, contas governamentais e capacidade de gestão.

Tarifaço não altera imediatamente a corrida presidencial

A rodada da BTG/Nexus foi realizada após a repercussão das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Apesar da exposição do assunto e da disputa política em torno da responsabilidade pela crise comercial, o levantamento não identificou uma alteração relevante nas intenções de voto.

No recorte nacional, 41% concordaram com o argumento apresentado por Lula sobre a origem do tarifaço, enquanto outros 41% se alinharam à interpretação de Flávio Bolsonaro. A distribuição, entretanto, variou regionalmente. Lula obteve maior respaldo no Nordeste e no Sudeste, enquanto o senador apresentou vantagem no Sul e no conjunto formado por Norte e Centro-Oeste.

A divisão reproduz, em linhas gerais, a geografia eleitoral observada em disputas anteriores. Isso ajuda a explicar por que acontecimentos de forte repercussão nem sempre produzem mudanças imediatas nas pesquisas eleitorais de 2026. Quando as preferências já estão associadas a identidades políticas consolidadas, o mesmo fato pode ser interpretado de maneiras opostas pelos dois grupos.

Para o mercado financeiro, a liderança nas pesquisas é apenas uma das variáveis da eleição. Investidores também acompanham as propostas para as contas públicas, a política tributária, o papel das empresas estatais, a composição das equipes econômicas, as alianças partidárias e a futura correlação de forças no Congresso. Mudanças nesses elementos podem influenciar expectativas de juros, câmbio, inflação e crescimento, mesmo sem alteração expressiva na intenção de voto.

Campanha oficial testará estabilidade registrada em julho

O calendário eleitoral entra agora em uma fase decisiva. Os partidos têm até 5 de agosto para concluir suas convenções e até 15 de agosto para registrar formalmente as candidaturas. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet será permitida a partir de 16 de agosto, enquanto o horário gratuito no rádio e na televisão começará em 28 de agosto.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.

A entrada da campanha oficial tende a ampliar a exposição dos candidatos, estabelecer comparações mais diretas entre programas de governo e aumentar o peso dos debates. Também será o período em que candidaturas hoje abaixo dos dois dígitos tentarão ganhar conhecimento nacional e reduzir a concentração observada nas pesquisas eleitorais de 2026.

Até o fim de julho, porém, o quadro é definido: Lula lidera todos os principais levantamentos nacionais, Flávio Bolsonaro domina o campo oposicionista e os demais candidatos permanecem distantes. A vantagem do presidente é mais ampla no primeiro turno e diminui no confronto direto. A campanha começará, portanto, com um favorito numérico, um adversário competitivo e um eleitorado dividido por níveis elevados de fidelidade e rejeição.

Tags: AtlasIntelBTG/NexusDatafolhaeleição presidencialFlávio BolsonaroLulapesquisas eleitorais 2026Políticasegundo turno

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