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IPC-Fipe registra deflação de 0,03% em julho e desacelera em 12 meses

Queda de alimentação e transportes levou o índice paulistano ao campo negativo, enquanto o acumulado anual recuou para 3,60%.

por Camila Braga
04/08/2026 às 10h36
em Economia
Ipc-Fipe Registra Deflação De 0,03% Em Julho E Desacelera Em 12 Meses - Gazeta Mercantil - Economia

O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) recuou 0,03% em julho de 2026 na cidade de São Paulo, depois de avançar 0,18% em junho. Com o resultado, a inflação acumulada nos sete primeiros meses do ano chegou a 2,08%, enquanto a taxa em 12 meses diminuiu de 3,92% para 3,60%.

A leitura negativa foi determinada principalmente pelo comportamento de Alimentação, que passou de alta de 0,13% em junho para queda de 0,69% em julho. Transportes também entrou no campo negativo, com recuo de 0,13%, após elevação de 0,10% no mês anterior. Os dois grupos reúnem despesas recorrentes e, ao se moverem simultaneamente para baixo, neutralizaram pressões observadas em outras parcelas do orçamento das famílias.

Despesas Pessoais aprofundou a variação negativa, de queda de 0,03% para recuo de 0,07%. Saúde continuou em alta, mas desacelerou de 0,31% para 0,10%. A combinação mostra que o resultado geral não decorreu de uma redução uniforme dos preços: parte dos grupos registrou deflação ou perda de força, enquanto outros mantiveram aumentos superiores ao índice cheio.

Na direção oposta, Habitação acelerou de 0,34% em junho para 0,57% em julho. Vestuário passou de 0,31% para 0,58%, e Educação avançou de 0,11% para 0,30%. Esses movimentos impediram uma queda mais intensa do IPC-Fipe e evidenciaram a diferença entre o comportamento dos preços que compõem o custo de vida na capital paulista.

Alimentação conduz a passagem do índice para o campo negativo

A mudança mais relevante entre junho e julho ocorreu em Alimentação, cuja taxa recuou 0,82 ponto percentual. Como o grupo representa uma parcela expressiva das despesas das famílias acompanhadas pelo IPC-Fipe, sua deflação exerceu influência decisiva sobre o índice geral. O resultado também interrompeu a alta registrada no mês anterior e reduziu a pressão acumulada sobre o orçamento destinado à compra de alimentos.

A queda do grupo não significa que todos os produtos alimentícios tenham ficado mais baratos. Índices de preços agregam centenas de cotações, com pesos distintos, e o resultado final expressa a média ponderada das variações observadas. Assim, aumentos em determinados itens podem coexistir com recuos mais fortes em outros, desde que o saldo ponderado do conjunto permaneça negativo.

Em junho, o relatório mensal da Fipe havia mostrado Alimentação com alta de 0,13% e acumulado de 4,03% no ano. Naquele mês, feijão, lanche e refeição figuravam entre as maiores contribuições positivas para o índice, enquanto café em pó e banana apareciam entre as pressões de baixa. A virada para -0,69% em julho alterou o principal vetor mensal, sem apagar os aumentos acumulados anteriormente.

Transportes reforçou esse movimento ao passar de alta de 0,10% para queda de 0,13%, uma mudança de 0,23 ponto percentual. O dado agregado de julho confirma que, no conjunto, as cotações incluídas no grupo produziram contribuição desinflacionária e ajudaram a levar o índice geral ao campo negativo.

Habitação e vestuário limitam a deflação

Habitação avançou 0,57% em julho. A aceleração de 0,23 ponto percentual em relação a junho ocorreu em uma categoria com participação elevada no orçamento das famílias acompanhadas pelo indicador, o que ampliou sua capacidade de compensar parte da deflação registrada em Alimentação e Transportes.

No mês anterior, a alta de Habitação havia sido de 0,34%, com a energia elétrica entre os itens de maior contribuição positiva. O acumulado do grupo no primeiro semestre era de 1,12%, e a taxa em 12 meses chegava a 3,34%. A aceleração de julho indica que as despesas residenciais voltaram a exercer pressão mais intensa sobre o indicador.

Vestuário registrou alta de 0,58%, quase o dobro dos 0,31% apurados em junho. Apesar de possuir participação menor na estrutura geral do orçamento do que Habitação e Alimentação, o grupo apresentou a maior variação percentual de julho. Seu impacto sobre o índice cheio depende da ponderação atribuída aos produtos incluídos nessa categoria.

Educação também ganhou força, de 0,11% para 0,30%. A variação mensal foi inferior às taxas de Habitação e Vestuário, mas contribuiu para manter três dos sete grupos em aceleração. A evolução quadrissemanal permite observar como essas pressões são incorporadas gradualmente ao cálculo do indicador.

Inflação em 12 meses perde 0,32 ponto percentual

A taxa acumulada em 12 meses caiu de 3,92% em junho para 3,60% em julho, redução de 0,32 ponto percentual. Essa medida compara o nível do índice no encerramento de julho de 2026 com o observado em julho de 2025 e incorpora, por composição, as variações mensais registradas ao longo de todo o intervalo.

A desaceleração anual resulta tanto da deflação de julho de 2026 quanto da substituição, na janela de cálculo, da taxa registrada no mesmo mês do ano anterior. Por isso, a variação em 12 meses não corresponde à soma simples das taxas mensais e pode mudar mesmo quando o movimento do mês corrente é pequeno. O cálculo considera a capitalização das variações ao longo do período.

Apesar do recuo mensal, o IPC-Fipe acumulou alta de 2,08% entre janeiro e julho. O dado mostra que a redução de 0,03% em julho devolveu apenas uma pequena parte dos aumentos registrados nos meses anteriores. Para o consumidor, deflação em um mês significa queda média de preços em relação ao período imediatamente anterior, e não retorno generalizado aos valores praticados no início do ano.

O acumulado também preserva diferenças entre os componentes. Grupos que subiram com maior intensidade no primeiro semestre podem continuar com variação positiva no ano mesmo após uma queda mensal, enquanto categorias com aumentos mais moderados podem acelerar no curto prazo sem liderar o acumulado. A leitura conjunta dos horizontes mensal, anual e de 12 meses evita conclusões baseadas em uma única comparação.

Índice acompanha famílias com renda de até dez salários mínimos

O IPC-Fipe mede a evolução do custo de vida de famílias residentes no município de São Paulo com renda entre um e dez salários mínimos. O indicador começou a ser calculado em 1939 pela estrutura estatística da prefeitura paulistana, passou ao Instituto de Pesquisas Econômicas em 1968 e ficou sob responsabilidade da Fipe a partir de 1973.

Por ter abrangência municipal e uma população-alvo definida, o IPC-Fipe não substitui os índices nacionais de inflação. Seu resultado retrata a estrutura de consumo e os preços coletados na cidade de São Paulo. Diferenças de cobertura geográfica, faixa de renda, cesta de produtos, estabelecimentos pesquisados e pesos atribuídos às despesas podem produzir resultados distintos dos observados em outros indicadores.

A Fipe atualizou em janeiro de 2026 a estrutura de ponderação do índice com base em uma Pesquisa de Orçamentos Familiares realizada entre abril de 2023 e março de 2025. O levantamento reuniu 1.813 domicílios válidos e 4.728 pessoas; 1.591 famílias estavam na faixa de renda entre um e dez salários mínimos, correspondente ao público central do IPC-Fipe.

A revisão dos pesos procura incorporar mudanças nos hábitos de consumo. A pesquisa identificou exclusões e inclusões de produtos na cesta, mantendo o indicador alinhado às despesas efetivamente observadas. Entre os itens incorporados aparecem serviços e bens que ganharam presença no orçamento doméstico, enquanto produtos com menor relevância foram retirados.

Método quadrissemanal mostra a trajetória dos preços

A Fipe calcula variações quadrissemanais a partir da divisão da amostra mensal de cotações em quatro subamostras, cada uma pesquisada durante sete ou oito dias. O cálculo compara os preços médios de quatro semanas de referência com os preços médios das quatro semanas imediatamente anteriores, abrangendo oito semanas em cada leitura.

A cada nova divulgação, entram as cotações da semana mais recente e saem as informações da semana mais antiga. Esse procedimento reduz rupturas entre as medições e permite acompanhar a direção dos preços antes do fechamento mensal. Em julho, o índice havia ficado estável na terceira quadrissemana e terminou o mês com queda de 0,03%.

A passagem de uma variação nula para uma taxa ligeiramente negativa indica que as informações incorporadas na etapa final foram suficientes para levar o resultado abaixo de zero, mas não configuraram deflação disseminada por toda a cesta. Quatro grupos perderam força entre junho e julho, enquanto três aceleraram, mantendo uma composição heterogênea.

As próximas leituras quadrissemanais mostrarão se a queda de Alimentação e Transportes persistirá ou será revertida pela entrada de novas cotações. O ponto de partida para agosto é um índice mensal negativo, inflação de 2,08% no ano e taxa de 3,60% em 12 meses, com Habitação, Vestuário e Educação exercendo as pressões de alta no fechamento de julho.

Tags: alimentaçãocusto de vidadeflaçãoEconomiahabitaçãoinflaçãoIPC-FipeSão PauloTransportes

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