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Lula e Trump inauguram nova fase nas relações Brasil-EUA e deixam Bolsonaro no passado

por Redação
27/10/2025 às 08h30 - Atualizado em 15/05/2026 às 16h58
em Política, Destaque, Notícias
Lula E Trump Inauguram Nova Fase Nas Relações Brasil-Eua E Deixam Bolsonaro No Passado - Gazeta Mercantil

Lula e Trump: encontro marca nova fase nas relações Brasil-EUA e relega Bolsonaro ao passado

Presidente brasileiro afirma que o ex-mandatário “faz parte do passado” e que o diálogo direto com Donald Trump inaugura uma etapa de cooperação e respeito mútuo

O primeiro encontro oficial entre Lula e Trump, realizado neste domingo (26) em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a 47ª Cúpula da ASEAN, marcou um divisor de águas nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Mais do que uma reunião bilateral, o encontro simbolizou o início de um novo ciclo diplomático baseado em pragmatismo econômico e diálogo direto entre chefes de Estado, sem intermediários políticos.

Lula afirmou ter encontrado em Trump um interlocutor disposto a negociar e destacou que o ex-presidente Jair Bolsonaro “faz parte do passado da política brasileira”. A fala do petista, durante coletiva à imprensa, deixou claro que a prioridade de sua gestão é reconstruir pontes comerciais e consolidar a imagem do Brasil como ator relevante no cenário internacional.


Lula e Trump: diálogo direto sem intermediários

De acordo com o presidente brasileiro, o encontro de Lula e Trump teve um tom “franco e produtivo”.
O foco central foi a suspensão das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros — medida que tem prejudicado setores estratégicos como aço, alumínio, carne e manufaturados.

Lula afirmou que os dois líderes concordaram em conduzir pessoalmente as negociações, sem intermediários políticos. O Planalto montou uma equipe de negociação chefiada por Geraldo Alckmin (MDIC), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) para tratar diretamente com o Departamento de Estado e o Tesouro americano.

Essa nova fase reforça o caráter direto e pragmático das tratativas: “é o presidente Lula com o presidente Trump”, resumiu o mandatário.


Bolsonaro fora do jogo político

Em uma das respostas mais comentadas da coletiva, Lula disse que Bolsonaro é passado e que o próprio Trump compreende essa nova realidade.
Segundo ele, o ex-presidente norte-americano “sabe que rei morto, rei posto” e que, após alguns encontros, “perceberá que Bolsonaro não tem relevância política”.

A fala de Lula marca o esforço de reposicionar o Brasil no tabuleiro geopolítico global, afastando o país de disputas ideológicas e reafirmando sua liderança na América do Sul.
O presidente também afirmou que apresentou a Trump os detalhes do julgamento de Bolsonaro no Brasil, destacando que o processo teve base em provas concretas e direito de defesa garantido, o que desmonta argumentos de perseguição política usados por aliados do ex-presidente.


Discussões econômicas: fim do tarifaço e equilíbrio comercial

O tema mais urgente da agenda Lula e Trump foi o tarifaço norte-americano, que atualmente impõe sobretaxas de até 50% sobre exportações brasileiras.
Lula argumentou que essas medidas não têm base técnica, pois os Estados Unidos possuem superávit na balança comercial com o Brasil — e que, portanto, o aumento das tarifas é injustificado.

O presidente brasileiro apresentou uma proposta de cronograma de negociações bilaterais, com reuniões técnicas iniciando já na manhã desta segunda-feira (27), envolvendo o representante Comercial dos EUA, Howard Lutnick, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Estado, Marco Rubio.

Entre as pautas prioritárias estão:

  • Suspensão gradual das tarifas sobre produtos industriais e agrícolas;

  • Revisão das barreiras sanitárias para carnes brasileiras;

  • Criação de um canal permanente de diálogo comercial Brasil-EUA;

  • Estabelecimento de metas de equilíbrio na balança comercial.

O tom da conversa entre Lula e Trump foi descrito como “cooperativo e confiante”, com o líder americano indicando disposição para “construir bons acordos” nos próximos meses.


A dimensão política e diplomática do encontro

Além das questões comerciais, Lula e Trump abordaram temas políticos e regionais. O presidente brasileiro defendeu a revogação das sanções impostas a autoridades brasileiras sob a chamada Lei Magnitsky, que permite punições a pessoas acusadas de corrupção ou violações de direitos humanos.

Lula também reiterou o pedido para que a América do Sul seja mantida como zona de paz, oferecendo-se como interlocutor em negociações com a Venezuela, num gesto de liderança regional.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, o diálogo foi “respeitoso e produtivo”, reforçando a ideia de que o Brasil busca reposicionar sua política externa com base em autonomia, cooperação e estabilidade diplomática.


Encontro de Lula e Trump inaugura canal direto

O fato de Lula e Trump terem conversado pessoalmente pela primeira vez representou um salto qualitativo nas relações bilaterais. Antes da reunião presencial, os dois líderes haviam trocado uma conversa por telefone e se encontrado brevemente durante a Assembleia-Geral da ONU, em setembro.

Agora, com o canal direto estabelecido, o Planalto aposta que acordos concretos poderão ser anunciados nas próximas semanas, inclusive a possível visita de Trump ao Brasil e uma viagem oficial de Lula a Washington.

“Tenho o telefone do presidente Trump e ele tem o meu”, declarou o petista, sinalizando um nível de diálogo inédito entre as duas maiores economias do continente americano.


Mercado financeiro reage positivamente ao encontro

A repercussão do encontro Lula e Trump foi imediata no mercado financeiro.
Analistas interpretaram a conversa como um gesto de reaproximação comercial e uma tentativa eficaz de reduzir o clima de incerteza entre os dois países.

Empresários dos setores de aço, alumínio, carne e celulose receberam com otimismo a notícia de que as negociações bilaterais começarão imediatamente, e que a suspensão do tarifaço pode ocorrer ainda neste trimestre.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o diálogo entre os dois líderes como “um avanço concreto nas tratativas bilaterais” e destacou que o restabelecimento de um ambiente de previsibilidade comercial é essencial para a retomada dos investimentos e geração de empregos.


Lula, Trump e o novo pragmatismo diplomático

A postura de Lula e Trump durante o encontro demonstra que ambos buscam resultados práticos.
Apesar das diferenças ideológicas, os dois presidentes reconheceram a importância estratégica de uma relação mais equilibrada e previsível entre Brasil e Estados Unidos.

Para o governo brasileiro, o objetivo é superar as heranças políticas da era Bolsonaro e consolidar uma nova narrativa: a de um Brasil que dialoga com todas as potências, mas preserva seus interesses nacionais.

Já para Trump, que busca reforçar sua influência global, aproximar-se de Lula é um movimento de cálculo diplomático e comercial, capaz de fortalecer o eixo norte-sul e projetar estabilidade em meio a um cenário internacional volátil.


Próximos passos: da diplomacia ao resultado econômico

Após o encontro entre Lula e Trump, as equipes técnicas iniciarão negociações formais com o objetivo de apresentar um roteiro de suspensão das tarifas até o final de novembro.
O documento preliminar prevê três fases:

  1. Congelamento das tarifas adicionais aplicadas sobre produtos brasileiros;

  2. Revisão setorial dos impactos sobre cada segmento da economia;

  3. Assinatura de memorando de entendimento estabelecendo parâmetros de comércio justo e cooperação tecnológica.

O Planalto acredita que, até o início de 2026, o novo acordo comercial entre Brasil e Estados Unidos poderá substituir integralmente o pacote tarifário vigente, com benefícios diretos para a indústria e o agronegócio brasileiros.


O simbolismo político do encontro

Para além dos números, o encontro Lula e Trump tem peso simbólico. Ele mostra um Brasil disposto a dialogar com governos de diferentes orientações políticas e a exercer protagonismo nas negociações globais.
O gesto também sinaliza ao mercado internacional que Lula adota uma diplomacia de resultados, guiada por pragmatismo e estabilidade institucional.

a imagem do presidente brasileiro ao lado de Trump — após anos de distanciamento ideológico — é vista como símbolo de maturidade política e estratégica, reforçando a capacidade de o Brasil atuar como ponte entre blocos econômicos rivais.


O Brasil reposicionado

O primeiro encontro entre Lula e Trump marca o início de uma fase de cooperação pragmática entre Brasil e Estados Unidos.
Lula conseguiu transformar um tema sensível — o tarifaço — em uma oportunidade de reaproximação, afastando heranças políticas do passado e recolocando o país no centro do debate econômico global.

Ao deixar claro que Bolsonaro “faz parte do passado”, o presidente reafirma sua estratégia de governar olhando para o futuro: com diplomacia, equilíbrio e foco no crescimento sustentável.
A partir de agora, o sucesso do diálogo dependerá da capacidade das equipes técnicas em transformar a boa vontade política em resultados comerciais concretos.

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