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Ambev (ABEV3) lucra R$ 3,47 bi e anuncia R$ 1,1 bi em JCP no 2T26

Volume de cerveja aumenta 5% no Brasil, margem avança e resultado financeiro melhora; companhia mantém projeção de custos para 2026.

por João Souza
31/07/2026 às 12h36
em Empresas
Ambev (Abev3) Lucra R$ 3,47 Bi E Anuncia R$ 1,1 Bi Em Jcp No 2T26 - Gazeta Mercantil

A Ambev (ABEV3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 3,475 bilhões, alta de 24,5% em relação ao mesmo período do ano passado, e aprovou uma nova distribuição de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em juros sobre capital próprio. Divulgado nesta quinta-feira, 30 de julho, antes da abertura da B3 e da Bolsa de Nova York, o balanço da Ambev mostrou que a expansão do lucro foi sustentada pelo aumento do volume de cerveja no Brasil, pela recuperação das margens e pela redução das despesas financeiras líquidas. A receita reportada, porém, avançou apenas 0,3%, para R$ 20,149 bilhões, apesar de ter crescido 6,1% pela comparação orgânica.

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A diferença entre o crescimento nominal e o orgânico é o primeiro ponto relevante dos números. O indicador orgânico exclui efeitos de conversão cambial, alterações no perímetro de consolidação e ajustes relacionados à contabilidade de economias hiperinflacionárias. Sem essas interferências, a receita cresceu apoiada por uma alta de 4,6% no faturamento por hectolitro e pela expansão de 1,4% no volume consolidado.

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O lucro avançou em ritmo muito superior ao das vendas. Além do crescimento operacional, o resultado financeiro negativo caiu de R$ 974 milhões para R$ 486,1 milhões, uma melhora de R$ 487,9 milhões em um ano. O efeito, combinado ao aumento do Ebitda ajustado, compensou a despesa maior com Imposto de Renda e Contribuição Social.

O Ebitda ajustado alcançou R$ 6,377 bilhões no trimestre, avanço de 3,6% pela comparação reportada e de 8,9% em termos orgânicos. A margem passou de 30,6% para 31,6%. O lucro ajustado somou R$ 3,493 bilhões, alta de 23,3%, enquanto o lucro por ação ajustado chegou a R$ 0,22.

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Receita orgânica cresce 6,1%, mas câmbio limita avanço reportado

A receita nominal da Ambev (ABEV3) aumentou R$ 58,7 milhões sobre o segundo trimestre de 2025. O ganho reduzido não traduz integralmente a evolução das operações, porque o desempenho orgânico acrescentou aproximadamente R$ 1,208 bilhão ao faturamento, enquanto efeitos cambiais, mudanças de escopo e ajustes associados à Argentina absorveram parte relevante desse crescimento.

A companhia passou a limitar a 2% ao mês a alta de preços considerada no cálculo orgânico da operação argentina. A mudança está relacionada à aplicação da norma internacional IAS 29 para economias hiperinflacionárias. Valores que excedem esse limite são tratados como alteração de escopo para evitar que a inflação local distorça a leitura do desempenho econômico.

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O volume consolidado atingiu 39,728 milhões de hectolitros, aumento reportado de 0,4% e orgânico de 1,4%. A expansão foi puxada por Cerveja Brasil e América Central e Caribe. As duas divisões compensaram as retrações observadas em bebidas não alcoólicas no Brasil, América Latina Sul e Canadá.

A receita por hectolitro, excluídos produtos de terceiros negociados pelo marketplace, cresceu 5,2%. Esse desempenho refletiu reajustes, gestão de receitas e maior presença de produtos premium e de categorias com maior valor agregado. O custo caixa por hectolitro aumentou 2,2%, abaixo do crescimento da receita unitária, contribuindo para a expansão das margens.

O lucro bruto chegou a R$ 10,449 bilhões, alta reportada de 4% e orgânica de 10,5%. A margem bruta avançou 190 pontos-base, de 50% para 51,9%. A melhora mostra que preços, composição do portfólio e produtividade compensaram pressões sobre insumos e despesas comerciais.

Cerveja Brasil cresce 5% e amplia Ebitda para R$ 3,28 bilhões

A operação de cerveja no Brasil apresentou o principal crescimento de volume do balanço da Ambev. As vendas avançaram 5%, para 21,035 milhões de hectolitros, impulsionadas pelo portfólio premium, por ganhos estimados de participação de mercado e pelo consumo adicional associado à Copa do Mundo. O resultado foi obtido apesar de condições climáticas desfavoráveis em parte do trimestre.

A receita líquida da divisão cresceu 8,9%, para R$ 9,791 bilhões. Excluídos os produtos de terceiros vendidos no marketplace, a receita por hectolitro aumentou 4,4%. O custo caixa unitário avançou 4,5%, pressionado por câmbio, commodities e pela composição das vendas.

O Ebitda ajustado de Cerveja Brasil alcançou R$ 3,275 bilhões, crescimento orgânico de 12,8%. A margem subiu 110 pontos-base, para 33,5%. O resultado absorveu uma elevação de 10,8% nas despesas comerciais, gerais e administrativas sem depreciação, refletindo investimentos em marketing e maiores custos de distribuição.

O portfólio premium registrou crescimento de volume na faixa intermediária dos 20%. A Stella Pure Gold dobrou as vendas, enquanto a Michelob Ultra mais do que triplicou. As cervejas sem álcool avançaram na casa dos 30%, e a categoria de produtos classificados pela empresa como escolhas equilibradas também dobrou de volume.

A evolução indica uma mudança gradual na composição do consumo. Produtos premium, cervejas sem álcool e opções associadas a estilos de vida mais equilibrados ganham espaço ao lado das marcas tradicionais. Essa diversificação ajuda a elevar o valor médio das vendas e amplia as ocasiões de consumo atendidas pela companhia.

As marcas de grande escala permaneceram relativamente estáveis. Esse dado é importante porque mostra que o crescimento das categorias de maior valor não dependeu apenas de perda acelerada do portfólio tradicional. A Ambev conseguiu adicionar novos segmentos enquanto preservava a base de seu negócio de maior volume.

Bebidas não alcoólicas perdem volume, mas margem sobe 3,2 pontos

A operação brasileira de bebidas não alcoólicas apresentou uma dinâmica oposta. O volume caiu 4,4%, mas a receita líquida aumentou 1,4%, para R$ 2,061 bilhões. A receita por hectolitro cresceu 6,1%, sustentada pela estratégia de preços e por uma composição mais favorável das marcas comercializadas.

A empresa afirmou que o desempenho físico permaneceu abaixo do setor e foi afetado por uma base de comparação elevada. A retração também refletiu a decisão de interromper vendas realizadas por um canal considerado de menor retorno. A medida reduziu o volume, mas protegeu a rentabilidade da divisão.

O custo caixa por hectolitro recuou 3,1%, favorecido por uma dinâmica mais benigna nos preços do açúcar e da resina PET. Como consequência, o Ebitda ajustado aumentou 13,8%, para R$ 610,7 milhões. A margem avançou 320 pontos-base, de 26,3% para 29,6%.

O balanço da Ambev mostra, portanto, que a companhia aceitou uma redução de volume para melhorar o retorno econômico da operação. A estratégia produz efeito favorável sobre as margens, mas mantém sob observação a capacidade de recuperar vendas sem voltar a canais menos rentáveis.

Somadas as operações de cerveja e bebidas não alcoólicas, o volume brasileiro aumentou 2,3%. A receita do país avançou 7,5%, para R$ 11,852 bilhões. O Brasil respondeu por quase 59% da receita consolidada do trimestre e continuou sendo o principal motor do resultado operacional.

América Central cresce, enquanto Canadá e América Latina Sul perdem volume

Nas operações internacionais, América Central e Caribe registraram crescimento orgânico de 5,4% no volume e de 7,1% na receita. O desempenho refletiu a evolução dos negócios no Panamá e na República Dominicana, além da recuperação das vendas em alguns mercados da região.

A América Latina Sul teve queda orgânica de 2,9% no volume, mas aumento de 4,4% na receita. A divisão inclui Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. O trimestre foi afetado por distúrbios sociais na Bolívia e pelos ajustes contábeis relacionados à inflação argentina.

No Canadá, o volume recuou 1,8%, enquanto a receita cresceu 2,1% organicamente. O Ebitda ajustado avançou 2,9% em termos orgânicos, e a margem aumentou 30 pontos-base. A empresa atribuiu o resultado à gestão de preços, ao portfólio e à disciplina de custos.

Todas as unidades de negócio apresentaram crescimento orgânico de Ebitda ajustado. A diferença esteve na intensidade da expansão e na conversão desses ganhos para os números reportados em reais. Quanto maior a exposição internacional, maior o impacto das variações cambiais sobre a demonstração consolidada.

A geografia diversificada reduz a dependência exclusiva do mercado brasileiro, mas também introduz volatilidade. Câmbio, inflação, instabilidade política e mudanças regulatórias podem alterar a contribuição das subsidiárias mesmo quando as operações locais registram crescimento.

Melhora financeira adiciona força ao lucro de R$ 3,47 bilhões

O resultado operacional ajustado subiu de R$ 4,450 bilhões para R$ 4,846 bilhões, alta reportada de 8,9%. Depois de itens não usuais, o lucro operacional chegou a R$ 4,814 bilhões, ante R$ 4,399 bilhões no mesmo trimestre de 2025.

A maior contribuição para a diferença entre o crescimento operacional e a alta de 24,5% no lucro veio da linha financeira. A despesa líquida foi praticamente reduzida pela metade. O balanço da Ambev mostra aumento das receitas com aplicações financeiras e menor pressão de câmbio e instrumentos financeiros em comparação com o ano anterior.

As receitas financeiras com juros somaram R$ 629,3 milhões. O desempenho foi favorecido pelas aplicações dos saldos de caixa no Brasil e na Argentina e pela atualização de créditos tributários. As despesas com juros e outras operações financeiras continuaram relevantes, mas foram compensadas por uma posição de liquidez elevada.

O lucro antes dos impostos avançou de R$ 3,420 bilhões para R$ 4,339 bilhões. A despesa com Imposto de Renda e Contribuição Social aumentou de R$ 629,1 milhões para R$ 864,5 milhões. Mesmo com esse crescimento, o lucro líquido alcançou R$ 3,475 bilhões.

No primeiro semestre, o lucro líquido somou R$ 7,360 bilhões, alta de 11,6%. A receita permaneceu praticamente estável em R$ 42,613 bilhões pela comparação reportada, mas cresceu 7,2% organicamente. O Ebitda ajustado semestral atingiu R$ 13,932 bilhões, com margem de 32,7%.

Zé Delivery cresce 16% e BEES amplia vendas de terceiros

O ecossistema digital continuou avançando no trimestre. O valor bruto de mercadorias negociado pelo marketplace da plataforma BEES aumentou 58%, impulsionado pela expansão das parcerias com fornecedores de produtos de terceiros. Na operação brasileira de cerveja, o crescimento chegou a 87%.

O Zé Delivery registrou alta de 6% no número médio mensal de usuários e de 16% no valor bruto transacionado. Nos dias de jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo, os pedidos mais do que dobraram, em média, na comparação com dias comuns.

A plataforma também passou a funcionar como instrumento para testar tendências de consumo. As marcas premium responderam por cerca de 35% do volume vendido pelo aplicativo, uma participação superior à observada no portfólio consolidado. Os produtos classificados como escolhas equilibradas representaram aproximadamente 7%.

A Ambev apresentou Michelob Ultra a mais de 250 mil consumidores por meio do Zé Delivery durante o trimestre. A operação permite lançar produtos de maneira direcionada, acompanhar a reação dos clientes e ajustar estoques e campanhas com maior velocidade.

O crescimento digital, porém, veio acompanhado de despesas maiores. Os gastos comerciais, gerais e administrativos sem depreciação aumentaram 10,7%, principalmente devido às ativações da Copa do Mundo, aos investimentos nas marcas e aos custos de distribuição. Ainda assim, o Ebitda cresceu acima da receita orgânica.

Caixa operacional sobe 54,5% e recompra chega a R$ 3,2 bilhões

O fluxo de caixa das atividades operacionais alcançou R$ 4,711 bilhões no trimestre, crescimento de 54,5% sobre os R$ 3,050 bilhões registrados um ano antes. A melhora refletiu o avanço do Ebitda e uma dinâmica mais favorável do capital de giro.

No primeiro semestre, o caixa operacional somou R$ 7,872 bilhões, ante R$ 4,254 bilhões no mesmo período de 2025. A aquisição de ativos imobilizados e intangíveis consumiu R$ 1,347 bilhão entre janeiro e junho, abaixo dos R$ 1,916 bilhão desembolsados um ano antes.

A companhia encerrou junho com caixa líquido de R$ 15,397 bilhões, abaixo dos R$ 16,933 bilhões registrados em dezembro. A redução ocorreu após dividendos, juros sobre capital próprio, recompras e operações societárias realizadas ao longo do semestre.

Até a divulgação do balanço, a Ambev havia devolvido aproximadamente R$ 5,9 bilhões em caixa aos acionistas, antes dos efeitos tributários. O valor inclui pagamentos de juros sobre capital próprio e a execução de cerca de 95% do programa de recompra aprovado em outubro de 2025.

Em julho, a companhia adquiriu 27 milhões de ações por aproximadamente R$ 430 milhões. Desde o início do programa, foram recomprados 198,482 milhões de papéis, com custo próximo de R$ 3,2 bilhões. A diminuição da quantidade de ações em circulação contribuiu para que o lucro por ação crescesse acima do lucro líquido.

Ambev anuncia R$ 1,1 bilhão em JCP e mantém projeção de custos

O conselho de administração aprovou em 29 de julho uma nova distribuição de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em juros sobre capital próprio. O valor bruto será de R$ 0,0713 por ação, com montante líquido estimado de R$ 0,0588 após a incidência do Imposto de Renda prevista na legislação.

Terão direito ao provento os acionistas registrados na B3 em 21 de setembro. As ações e os recibos de ações negociados em Nova York passarão a ser negociados sem o direito aos juros sobre capital próprio a partir de 22 de setembro. O pagamento ocorrerá até 31 de dezembro, em data ainda a ser definida.

A companhia também confirmou para 6 de outubro o pagamento da terceira e última parcela dos juros sobre capital próprio declarados em dezembro de 2025. O valor bruto será de R$ 0,1185 por ação, equivalente a uma distribuição total próxima de R$ 1,9 bilhão. O montante líquido estimado é de R$ 0,1007 por ação.

A Ambev manteve inalterada sua projeção para 2026. A expectativa continua sendo de crescimento entre 4,5% e 7,5% no custo caixa por hectolitro da operação brasileira de cerveja, excluídos depreciação, amortização e produtos de terceiros negociados pelo marketplace.

O balanço da Ambev combina crescimento de volume em cerveja, avanço das margens, melhora financeira e geração de caixa mais forte. A receita reportada praticamente estável, contudo, revela o peso do câmbio e das operações internacionais sobre os números consolidados. Para os próximos trimestres, a capacidade de preservar margens dependerá da evolução dos custos de commodities, da conversão cambial e da continuidade dos ganhos de participação no mercado brasileiro.

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