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Aprovação de Lula sobe e desaprovação recua, aponta pesquisa Quaest

por Gabriel Monteiro
16/07/2025 às 09h50
em Política
Aprovação De Lula Sobe E Desaprovação Recua, Aponta Pesquisa Quaest Gazeta Mercantil Política

Aprovação de Lula cresce após embate com Trump e percepção econômica positiva

A aprovação de Lula voltou a subir entre os brasileiros, segundo a mais recente pesquisa do instituto Quaest divulgada nesta quarta-feira (16). O levantamento aponta que a desaprovação ao governo federal caiu de 57% para 53%, enquanto a aprovação subiu de 40% para 43%, reduzindo a diferença negativa de 17 para 10 pontos percentuais — o menor intervalo desde janeiro. A melhora no índice de aceitação do presidente é atribuída a fatores como o embate público com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e uma percepção mais favorável da situação macroeconômica do Brasil.

Entenda os detalhes por trás da alta na aprovação de Lula, os recortes regionais e sociais onde essa mudança foi mais perceptível, e o que isso revela sobre o cenário político brasileiro atual. A análise foi estruturada com base nas diretrizes da pesquisa e nas implicações diretas na imagem do presidente.

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Queda na desaprovação e recuperação da imagem presidencial

A pesquisa Quaest apresenta uma reversão parcial na tendência negativa de avaliação do governo federal. A aprovação de Lula, que havia atingido seu pior índice anteriormente, com apenas 40%, voltou a ganhar fôlego e agora alcança 43% dos entrevistados.

A desaprovação, por sua vez, caiu de 57% para 53%, o que representa uma melhora significativa na percepção geral da gestão. Esse recuo de 4 pontos percentuais — ainda que dentro da margem de erro — indica um movimento importante no eleitorado, especialmente em segmentos moderados e de classe média, como veremos a seguir.

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Regiões onde a aprovação de Lula mais cresceu

A maior virada na aprovação de Lula ocorreu fora dos redutos tradicionais de apoio ao governo, destacando-se a região Sudeste. Nessa área, historicamente mais crítica ao petista, a diferença entre aprovação e desaprovação caiu pela metade, passando de -32 pontos para -16 pontos. Isso representa uma redução expressiva no saldo negativo e sinaliza um possível ganho de confiança em regiões onde o presidente enfrentava maior resistência.

No restante do país, a estabilidade foi a tônica, mas o desempenho no Sudeste teve papel determinante para a melhora nos números nacionais.


Educação e renda: os setores que mudaram de opinião

O dado que mais chama atenção é o avanço na aprovação de Lula entre brasileiros com ensino superior completo. A diferença que era de -31 pontos percentuais em maio caiu para -8 pontos em julho. Esse recorte demonstra que a recuperação da imagem presidencial está ganhando força entre os mais instruídos, um grupo frequentemente mais exigente em relação às políticas públicas.

Outro destaque é o desempenho entre os brasileiros de renda média (famílias com rendimento entre 2 e 5 salários mínimos). Nessa faixa, a diferença entre aprovação e desaprovação caiu de -19 para -9 pontos, demonstrando um reposicionamento positivo de parte relevante do eleitorado.


Moderados e centro político reagem ao discurso de Lula

O avanço da aprovação de Lula também se deu entre os eleitores classificados como moderados — ou seja, aqueles que não se identificam diretamente com a esquerda ou com a direita. Nessa parcela da população, o saldo negativo caiu de -28 para -16 pontos percentuais. O reposicionamento pode ser atribuído, em grande parte, à postura do presidente diante das políticas econômicas dos Estados Unidos.

O discurso de enfrentamento de Lula em relação ao “tarifaço” imposto por Donald Trump ao Brasil parece ter gerado identificação com esse público mais pragmático e avesso a conflitos ideológicos extremos. A ideia de que o Brasil deve responder com medidas equivalentes foi aprovada por 53% dos entrevistados, revelando apoio à postura mais assertiva do governo.


“Nós contra eles” e o debate sobre justiça tributária

Outro elemento que influencia diretamente na aprovação de Lula é a narrativa de “nós contra eles”, que tem se consolidado como estratégia de comunicação do governo. Essa abordagem, aliada ao debate sobre justiça tributária, tem encontrado ressonância entre os eleitores.

De acordo com a pesquisa Quaest, 63% dos entrevistados acreditam que o governo deve aumentar os impostos dos mais ricos para diminuir os tributos dos mais pobres. Apenas 33% são contrários à proposta. Essa percepção de justiça fiscal reforça a imagem de Lula como um defensor dos setores mais vulneráveis, fortalecendo sua base de apoio e expandindo sua aceitação em faixas moderadas.


Lula mantém alta aprovação entre lulistas, mas divide a direita

A aprovação de Lula permanece alta entre os eleitores identificados como lulistas. Já entre os bolsonaristas, a rejeição segue elevada, mantendo a polarização que tem caracterizado o cenário político brasileiro desde 2018. No entanto, o ponto de inflexão está nos eleitores do centro político.

Esses eleitores, que historicamente oscilam entre posições mais conservadoras e progressistas, parecem estar revendo sua avaliação do governo Lula à luz dos últimos acontecimentos no plano internacional e dos sinais de recuperação econômica interna. A divisão da direita, impulsionada pelas declarações de Trump e a resposta brasileira, também contribui para esse reposicionamento.


Eleitores de meia-idade demonstram maior simpatia

A faixa etária entre 35 e 59 anos também apresentou melhora considerável na aprovação de Lula. A diferença negativa, que antes era de 21 pontos, caiu para apenas 8 pontos — praticamente um empate técnico, considerando a margem de erro da pesquisa.

Essa mudança é significativa, pois trata-se de um público economicamente ativo, que tende a reagir diretamente à percepção de melhora no emprego, renda e estabilidade. A redução na rejeição nesse grupo demográfico reforça a tendência de recuperação da popularidade do presidente.


O papel da economia na avaliação positiva

Além dos embates geopolíticos, a melhora na aprovação de Lula também está vinculada a uma percepção mais otimista sobre a economia brasileira. Indicadores como a redução da inflação, o crescimento do PIB e a manutenção dos programas sociais são elementos que influenciam diretamente a opinião pública.

Para grande parte do eleitorado, especialmente nas classes médias, sinais de melhora no cotidiano, como queda no preço dos alimentos e aumento na oferta de crédito, são mais relevantes do que discursos políticos. E foi justamente esse conjunto de sinais positivos que parece ter contribuído para a recuperação parcial da imagem do governo.


Avaliação por faixa de renda: destaque na classe média

Na análise por faixa de renda, o recorte que mais chama atenção é o da classe média. A aprovação de Lula subiu entre aqueles que possuem renda familiar entre 2 e 5 salários mínimos. Nessa faixa, a diferença negativa caiu de 19 para 9 pontos percentuais.

Esse movimento reforça a ideia de que o governo está conseguindo dialogar melhor com esse segmento — um grupo estratégico em qualquer eleição, pois representa grande parte do eleitorado urbano e é altamente sensível às condições econômicas e políticas.


Perspectivas para a popularidade de Lula

Se a tendência de melhora na aprovação de Lula se consolidar, o governo poderá retomar parte da estabilidade política que perdeu ao longo do primeiro semestre. O apoio nas regiões centrais do país, entre pessoas com ensino superior e nas classes médias, pode ser determinante para a construção de uma imagem mais sólida e resiliente diante de crises.

No entanto, essa recuperação ainda depende de uma série de fatores: manutenção da estabilidade econômica, habilidade para administrar o embate com os Estados Unidos e controle sobre narrativas polarizadoras. A continuidade de uma comunicação eficaz e o alinhamento entre medidas econômicas e justiça social serão cruciais.

A pesquisa Quaest de julho indica um avanço relevante na aprovação de Lula, com queda na desaprovação e crescimento em segmentos estratégicos da sociedade. O embate com Trump, o foco em justiça fiscal e a recuperação econômica ajudaram a reposicionar a imagem do presidente junto a eleitores moderados e da classe média.

Embora ainda existam desafios, os números mostram que há margem para crescimento da aprovação, especialmente se o governo mantiver o foco em medidas práticas, que tragam benefícios reais à população. O cenário político de 2025, embora ainda polarizado, começa a sinalizar uma possível reconfiguração de forças com base em resultados concretos.

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