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Ata do Copom: dólar abre em queda e mercado avalia impacto dos juros a 15%

Dólar e Ibovespa iniciam o dia atentos ao cenário econômico

por Gabriel Monteiro
23/09/2025 às 09h54
em Economia
Ata Do Copom: Dólar Abre Em Queda E Mercado Avalia Impacto Dos Juros A 15% - Gazeta Mercantil

Ata do Copom: dólar abre em queda e mercado reage às projeções do Banco Central

A manhã desta terça-feira (23) foi marcada pela divulgação da ata do Copom, documento que orienta as expectativas do mercado financeiro sobre juros e inflação. O dólar abriu o pregão de olho nas sinalizações do Banco Central, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, iniciou a sessão às 10h, refletindo não apenas o cenário doméstico, mas também os desdobramentos da política internacional.

O documento divulgado pelo BC trouxe análises que reforçam a necessidade de manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. A decisão, segundo o comitê, está diretamente ligada à persistência da inflação de serviços e ao dinamismo do mercado de trabalho.

Leia também: BTG Pactual (BPAC11) abre BSec ao mercado após movimentar R$ 160 bilhões.

O que diz a ata do Copom

Na avaliação do Banco Central, a recente desvalorização do dólar ajudou a aliviar a pressão inflacionária, mas não foi suficiente para garantir que as metas de inflação sejam atingidas nos próximos anos. O texto destaca que os núcleos de inflação continuam acima do nível compatível com a estabilidade de preços, justificando a manutenção de uma política monetária contracionista por período prolongado.

A ata também aponta que a inflação de serviços segue resistente devido a um mercado de trabalho aquecido e a uma atividade econômica em moderação gradual. Para os diretores do Copom, a “reancoragem” das expectativas às metas estabelecidas exige perseverança, firmeza e serenidade.

Essa sinalização indica que o ciclo de juros altos deve permanecer, impactando diretamente o consumo, o crédito e os investimentos no Brasil.

Impactos imediatos no dólar

A abertura do mercado refletiu as expectativas contidas na ata do Copom. O dólar iniciou a sessão em leve alta, acumulando +0,33% na semana, embora mantenha queda de -13,63% no acumulado do ano. O comportamento da moeda está ligado tanto às decisões domésticas de política monetária quanto à expectativa em relação à economia americana.

A valorização recente da moeda norte-americana, ainda que moderada, representa uma correção após meses de desvalorização expressiva, beneficiada pela entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira e pelo superávit na balança comercial.

Ibovespa reage com cautela

O Ibovespa abriu a sessão em leve retração, acumulando -0,51% na semana, mas ainda registra alta de +20,65% no ano. O índice é diretamente afetado pelas expectativas em torno da política monetária brasileira e também pelos discursos de autoridades internacionais.

A manutenção da Selic em 15% tende a impactar empresas dependentes de crédito e consumo, mas beneficia companhias do setor financeiro. Investidores seguem atentos às próximas sinalizações do Banco Central para ajustar suas carteiras de investimentos.

Lula na ONU e a expectativa internacional

Além da divulgação da ata do Copom, o mercado acompanha a agenda política internacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu os debates da Assembleia Geral da ONU em Nova York, com expectativa de críticas a Donald Trump e defesa de uma agenda multilateral.

Embora não esteja previsto um encontro oficial, há grande atenção quanto a uma possível interação entre Lula e Trump, já que ambos discursam na mesma ocasião. O contexto político reforça a cautela dos investidores em relação às futuras relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

O cenário internacional e o Fed

Nos Estados Unidos, a expectativa do mercado gira em torno dos discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed). Jerome Powell, presidente do banco central americano, participa de evento às 13h45, enquanto Michelle Bowman e Raphael Bostic falam mais cedo.

Os investidores aguardam indicações sobre a trajetória dos juros nos EUA. Caso haja sinais de manutenção ou elevação das taxas, o dólar pode ganhar força globalmente, pressionando as moedas emergentes, incluindo o real.

Dados econômicos americanos

Outro ponto de atenção é a divulgação dos índices de setembro sobre indústria e serviços nos EUA. Esses números podem reforçar ou aliviar a pressão por juros mais altos na maior economia do mundo. O comportamento da economia americana influencia diretamente os fluxos de capitais internacionais, com impacto sobre o Brasil.

Um setor de serviços resiliente, por exemplo, pode justificar uma postura mais dura do Fed, o que afetaria o câmbio e o mercado de ações brasileiros.

Novas sanções dos EUA contra brasileiros

O cenário político ganhou mais tensão após o governo dos EUA anunciar novas sanções contra brasileiros, em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF. Entre os alvos está Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

As medidas, baseadas na Lei Magnitsky, incluem bloqueio de bens e restrições a instituições financeiras brasileiras que mantenham relações com pessoas sancionadas. Essa decisão adiciona incerteza ao ambiente político e pode repercutir no humor dos mercados.

Bolsas globais: um retrato misto

O desempenho das bolsas no exterior também influencia os ativos brasileiros. Em Wall Street, os índices fecharam em alta, com o Dow Jones subindo 0,14%, o S&P 500 avançando 0,44% e o Nasdaq ganhando 0,70%. O movimento foi impulsionado por preocupações com a política migratória de Trump e seu impacto no setor de tecnologia.

Na Europa, os principais índices recuaram diante das incertezas e da queda de grandes empresas, como Porsche e Volkswagen. Já na Ásia, o cenário foi misto: a China teve avanços em ações ligadas à Apple e semicondutores, enquanto Hong Kong registrou queda.

Esses movimentos reforçam a volatilidade global e mostram que os investidores seguem atentos tanto ao cenário político quanto às projeções econômicas.

O que esperar para os próximos dias

Com a ata do Copom reforçando juros altos no Brasil, investidores devem adotar cautela em suas decisões. O câmbio pode seguir pressionado por fatores externos, enquanto o Ibovespa tende a oscilar conforme os discursos do Fed e o noticiário político internacional.

No cenário interno, o foco recairá sobre a inflação e os próximos dados econômicos, que poderão confirmar a necessidade de manutenção da Selic em patamares elevados. O mercado financeiro seguirá monitorando atentamente os desdobramentos.

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