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Alckmin participa de encontro com empresários na Faria Lima nesta sexta-feira

Agenda ocorre após reunião de Lula com empresários e em meio às discussões sobre juros, resultado fiscal, dívida pública e política industrial.

por Henrique Valverde
16/09/2026 às 17h10
em Política
Redução Da Selic 2026: Governo Confia Em Corte De Juros Na Próxima Reunião Do Copom - Gazeta Mercantil

Geraldo Alckmin - Foto: Reproduçãii

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participará na sexta-feira, 18 de setembro, de um encontro com empresários e clientes da Genial Investimentos na região da Faria Lima, em São Paulo. O evento está marcado para as 8h30 e ocorre a menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) validar o registro da chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Alckmin.

A participação coloca o vice-presidente diante de um público ligado ao mercado financeiro e ao setor empresarial em um momento no qual as discussões sobre trajetória fiscal, juros, investimentos e crescimento ganharam peso na campanha presidencial. A programação foi divulgada nesta quarta-feira, 16 de setembro, e deverá abordar o cenário político, os desafios da gestão federal e as perspectivas para o país.

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O encontro também amplia a sequência de aproximações de integrantes da chapa governista com representantes do setor privado. Em 31 de agosto, Lula recebeu 16 empresários no Palácio da Alvorada, em uma reunião que contou com a presença de Alckmin, do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e de outros integrantes da equipe econômica e da área de desenvolvimento. A agenda na Faria Lima ocorre, portanto, depois de uma rodada de conversas do governo com grandes grupos empresariais.

A escolha do ambiente empresarial para a participação de Alckmin coincide ainda com um momento em que o debate fiscal ganhou novos números. O Prisma Fiscal de setembro, divulgado pelo Ministério da Fazenda na terça-feira, 15, mostrou que a mediana das projeções do mercado para o déficit primário do Governo Central em 2026 caiu de R$ 59,145 bilhões para R$ 52,271 bilhões. Para 2027, a estimativa passou de R$ 55 bilhões para R$ 45,35 bilhões.

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Contas públicas devem estar no centro da conversa com o setor privado

Os números fiscais ajudam a dimensionar uma das principais questões econômicas que deverão cercar a conversa entre Alckmin e os empresários. Apesar da melhora na projeção para o resultado primário deste ano, o mesmo levantamento elevou a estimativa para a dívida bruta do Governo Geral em 2026, de 83% para 83,2% do Produto Interno Bruto. Para 2027, a mediana subiu de 86,77% para 87% do PIB.

A diferença entre os dois indicadores mostra a complexidade da discussão fiscal que chega à campanha eleitoral. A projeção para o déficit primário diminuiu, mas a expectativa para a dívida continuou em trajetória ascendente. O tema tem relação direta com a percepção de risco, com as condições de financiamento e com o espaço para políticas públicas e investimentos.

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O resultado efetivamente registrado pelo governo também apresenta uma composição distinta da trajetória projetada pelo mercado. Em julho, o Governo Central teve superávit primário de R$ 10,8 bilhões, segundo o Tesouro Nacional. No acumulado de janeiro a julho, porém, houve déficit de R$ 81,3 bilhões. Na mesma comparação, a receita líquida cresceu 5,9% em termos reais, enquanto as despesas aumentaram 6,2%.

Essa diferença entre o resultado mensal e o acumulado deverá permanecer como elemento importante do debate sobre a sustentabilidade das contas públicas. Para empresários e investidores, a questão não se restringe ao resultado de determinado mês, mas envolve a capacidade do governo de produzir uma trajetória fiscal compatível com a evolução da dívida.

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O tema também havia aparecido nas conversas recentes do governo com representantes do setor privado. Em jantar realizado no Palácio da Alvorada no fim de agosto, empresários e banqueiros discutiram, entre outros assuntos, a situação fiscal e as condições para redução dos juros. Alckmin esteve entre os integrantes do governo que participaram do encontro.

Juros, investimento e atividade econômica formam outro eixo da agenda

O custo do dinheiro é outro assunto que tende a ganhar espaço em uma interlocução com representantes do mercado financeiro. O Banco Central iniciou 2026 com a Selic em 15% ao ano e reduziu a taxa nas reuniões seguintes, até chegar a 14,25% ao ano em junho. A autoridade monetária manteve o patamar nas reuniões posteriores, de acordo com o histórico oficial do Copom.

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A taxa básica de juros interfere diretamente no custo de crédito para empresas e consumidores, na atratividade relativa de aplicações financeiras e nas condições para expansão dos investimentos. Por isso, a discussão sobre política fiscal e juros aparece frequentemente associada nas conversas entre governo e setor produtivo.

Alckmin ocupa uma posição particular nesse debate. Além de vice-presidente, ele é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, área responsável por políticas voltadas à indústria, comércio exterior e ambiente de negócios. Ao longo do governo, sua atuação incluiu interlocução frequente com entidades empresariais e companhias de setores industriais.

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O histórico recente de atuação do vice-presidente também passa pela política industrial. Em pronunciamentos oficiais, Alckmin destacou investimentos de montadoras e projetos associados à Nova Indústria Brasil, citando iniciativas de empresas como BYD, GWM e outros grupos que ampliaram ou retomaram projetos produtivos no país.

A agenda empresarial da sexta-feira ocorre, portanto, em uma interseção entre política eleitoral e temas que afetam diretamente as decisões de investimento: custo de capital, previsibilidade fiscal, política industrial, comércio exterior e crescimento.

Chapa de Lula e Alckmin já está validada pelo TSE

A participação de Alckmin também ocorre depois de uma etapa formal importante do calendário eleitoral. O TSE concluiu o julgamento dos registros para a Presidência e validou a chapa Lula-Alckmin. A Corte informou que os registros aprovados atenderam à documentação e aos requisitos previstos na Constituição e na legislação eleitoral.

Com isso, a presença do vice-presidente em eventos empresariais não ocorre mais apenas no contexto de uma pré-campanha ou de uma candidatura anunciada. Alckmin integra formalmente a chapa presidencial registrada para a eleição de 2026.

A situação é relevante para a leitura política da agenda. O encontro com empresários será realizado dentro de um período eleitoral em que os candidatos apresentam propostas e procuram dialogar com diferentes segmentos da sociedade. No caso da Genial, a iniciativa faz parte de uma série de reuniões promovidas pela instituição com candidatos ao Executivo.

Desde junho, a Genial realizou encontros semelhantes com outros nomes que disputam a Presidência. Entre os participantes estiveram Augusto Cury, Renan Santos e Romeu Zema. A presença de Alckmin amplia a série de interlocuções da instituição com candidaturas presidenciais.

O formato também permite que temas econômicos sejam tratados diretamente com um público que acompanha variáveis como inflação, juros, contas públicas, câmbio e investimentos. Para a campanha governista, a exposição nesse ambiente cria uma oportunidade de apresentar a agenda econômica diretamente a empresários e agentes ligados ao mercado financeiro.

Aproximação com empresários ganhou intensidade nas últimas semanas

A ida de Alckmin à Faria Lima ocorre pouco mais de duas semanas depois do encontro realizado por Lula em Brasília com empresários. A reunião de 31 de agosto reuniu representantes de grupos como BTG Pactual, Bradesco, Cosan, JBS, Gerdau, Itaú Unibanco, Hypera Pharma e outros grandes conglomerados.

A composição daquela mesa indicou a amplitude do diálogo pretendido pelo governo com o setor privado. Participaram representantes de bancos, indústria, agronegócio, infraestrutura, saúde, construção civil e outros segmentos.

O encontro de São Paulo tem característica diferente. Em vez de uma reunião fechada entre poucos convidados e o presidente, a participação de Alckmin está inserida em uma programação organizada por uma instituição financeira que vem promovendo encontros com diferentes candidatos.

A diferença de formato permite também que questões econômicas sejam confrontadas com as posições de outros postulantes que já participaram das agendas da Genial. O público empresarial terá contato com diferentes propostas dentro de uma mesma série de eventos, ainda que cada encontro tenha participantes e formatos próprios.

Na campanha presidencial, esse tipo de agenda ganha importância porque o setor empresarial acompanha não apenas as promessas de política econômica, mas também a capacidade de execução, a composição política necessária para aprovar medidas e o horizonte de implementação de eventuais mudanças.

Política industrial e comércio exterior completam a pauta econômica

Outro eixo potencial da conversa é a política de desenvolvimento. Como ministro do MDIC, Alckmin tem participado de iniciativas relacionadas à indústria, comércio exterior e abertura de mercados para produtos brasileiros.

O governo tem apresentado a política industrial como instrumento de estímulo ao investimento produtivo e à modernização da estrutura empresarial. Ao mesmo tempo, a política comercial passou a ocupar espaço maior no debate econômico diante das mudanças nas relações comerciais internacionais e das medidas adotadas por grandes economias.

Para o empresariado, essas áreas têm efeitos sobre custos, acesso a mercados, cadeias produtivas, exportações e decisões de localização de investimentos. A discussão eleitoral, nesse contexto, passa pela definição das prioridades para o próximo mandato e pelo grau de continuidade ou alteração das políticas atualmente em execução.

A agenda de sexta-feira também ocorrerá em uma semana de forte movimentação econômica. O Ministério da Fazenda divulgou na terça-feira uma nova rodada das projeções fiscais, enquanto o setor financeiro acompanha a evolução das expectativas para juros, inflação e dívida pública.

A combinação desses fatores coloca o encontro de Alckmin no centro de uma discussão mais ampla sobre qual política econômica poderá prevalecer após as eleições. O evento, porém, antecede a divulgação de qualquer decisão ou programa novo. Até o momento, a agenda anunciada é de diálogo com empresários e clientes da Genial, com discussão sobre a conjuntura política, os desafios do governo e o futuro do país.

A sexta-feira deverá oferecer, assim, uma nova oportunidade para que o vice-presidente apresente as posições econômicas da chapa Lula-Alckmin diante de um público empresarial, enquanto o país entra na fase mais intensa da disputa presidencial. Para além do discurso eleitoral, os pontos que estarão sob escrutínio são os mesmos que afetam atualmente as decisões do setor privado: trajetória das contas públicas, custo do crédito, capacidade de investimento, política industrial e previsibilidade econômica.

Fontes:

Tribunal Superior Eleitoral – validação dos registros das chapas presidenciais nas Eleições Gerais de 2026

Ministério da Fazenda – Prisma Fiscal de setembro de 2026 e projeções do mercado para resultado primário, receitas, despesas e dívida pública

Ministério da Fazenda e Tesouro Nacional – Resultado do Tesouro Nacional de julho de 2026 e evolução das contas do Governo Central

Banco Central – histórico das decisões do Copom e trajetória da taxa Selic em 2026

Presidência da República – informações oficiais sobre a atuação de Geraldo Alckmin em agendas empresariais e de desenvolvimento econômico

VEJA – informações sobre o encontro de Geraldo Alckmin com empresários e clientes da Genial Investimentos em 18 de setembro de 2026

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