segunda-feira, 14 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Axia Energia (AXIA3) fecha acordo de R$ 1,3 bilhão para encerrar disputa no STF sobre Cepisa

Companhia acertou com União e governo do Piauí pagamento em duas parcelas de R$ 650 milhões; entendimento reduz em R$ 2,2 bilhões o valor que havia sido pleiteado pelo Estado e ainda depende de homologação do Supremo

por João Souza
21/08/2026 às 13h25
em Empresas
Axia Energia (Axia3) - Gazeta Mercantil

A Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, chegou a um acordo com a União e o Estado do Piauí para encerrar uma disputa bilionária no Supremo Tribunal Federal relacionada à privatização da Companhia Energética do Piauí (Cepisa). Pelo entendimento, a empresa pagará R$ 1,3 bilhão, dividido em duas parcelas de R$ 650 milhões, para solucionar definitivamente as obrigações discutidas na Ação Cível Originária 3024, processo que se arrastava há anos e envolvia questionamentos sobre prejuízos atribuídos à demora na venda da antiga distribuidora.

A primeira parcela deverá ser desembolsada em até cinco dias úteis depois do trânsito em julgado da decisão que homologar o acordo, enquanto a segunda vencerá em 20 de dezembro de 2026. O Termo de Transação ainda precisa ser submetido ao STF, etapa necessária para que o entendimento firmado entre as partes produza seus efeitos jurídicos definitivos. Segundo a Axia, o montante relacionado ao acordo já está provisionado, o que indica que a companhia havia reconhecido contabilmente a obrigação antes do desembolso financeiro.

O valor acertado representa uma redução expressiva em relação ao montante que vinha sendo discutido no processo. O governo do Piauí havia apresentado ao Supremo uma cobrança de aproximadamente R$ 3,5 bilhões no cumprimento provisório da decisão. O acordo de R$ 1,3 bilhão fica, portanto, R$ 2,2 bilhões abaixo dessa referência, correspondendo a cerca de 37% do valor anteriormente pleiteado pelo Estado. Para a Axia, a composição elimina uma contingência judicial de elevada materialidade e traz previsibilidade para uma disputa que remontava ao processo de federalização e posterior privatização da Cepisa.

Acordo encerra uma controvérsia iniciada antes da privatização

A origem do processo é muito anterior à venda da distribuidora para a Equatorial Energia. A controvérsia envolve compromissos assumidos quando a antiga companhia estadual passou para o controle federal e a demora subsequente para que fosse efetivamente privatizada. No julgamento da ACO 3024, o STF reconheceu o direito do Estado do Piauí a ser indenizado por prejuízos associados ao atraso de 14 anos, entre 2002 e 2016, na condução do processo de alienação.

A disputa entrou em uma fase mais sensível depois que o governo piauiense requereu o cumprimento da decisão e apresentou cálculo próximo de R$ 3,5 bilhões. A então Eletrobras contestou o montante, classificando-o como excessivo, e sustentou perante o Supremo que havia realizado investimentos relevantes na distribuidora durante o período em que permaneceu responsável pela empresa. Em junho de 2024, o ministro Luiz Fux suspendeu a cobrança antecipada enquanto ainda existiam recursos pendentes, evitando que o desembolso bilionário ocorresse antes da conclusão definitiva da controvérsia judicial.

Com o encerramento da fase recursal, a discussão passou a se concentrar essencialmente no valor da indenização. Em junho deste ano, Fux conduziu uma audiência de conciliação com representantes da União, do governo do Piauí e da Axia Energia. Na ocasião, as partes concordaram em manter as negociações para encontrar uma solução consensual, em vez de prolongar uma disputa sobre cálculos que poderia continuar produzindo incerteza jurídica e financeira.

O entendimento agora anunciado é resultado dessa tentativa de composição. Na prática, a transação substitui a discussão sobre um passivo potencialmente superior a R$ 3 bilhões por uma obrigação definida de R$ 1,3 bilhão, com calendário de pagamento estabelecido e encerramento integral da controvérsia após a homologação judicial.

Privatização da Cepisa ocorreu em 2018

A Cepisa integrou o programa de desestatização das distribuidoras da antiga Eletrobras. O processo havia sido retomado pelo governo federal em 2016, quando as companhias de distribuição foram incluídas entre as prioridades do Programa de Parcerias de Investimentos, com o BNDES responsável pela estruturação e acompanhamento das operações.

A companhia piauiense foi leiloada em 26 de julho de 2018, na B3, e teve como única proponente a Equatorial Energia. A estrutura da operação não pode ser analisada apenas pelo preço das ações transferidas. Embora a alienação societária tenha ocorrido por valor nominal reduzido, o modelo de desestatização incluía compromissos de capitalização, assunção de obrigações, pagamento de outorga e redução tarifária para os consumidores.

No leilão, a Equatorial ofereceu renúncia integral às flexibilizações tarifárias previstas no edital, resultando em redução de 8,52% na tarifa, além de uma outorga próxima de R$ 95 milhões à União. A companhia também assumiu o compromisso de aportar aproximadamente R$ 720 milhões na distribuidora. A transferência do controle foi concluída em outubro de 2018, depois do cumprimento das condições regulatórias e concorrenciais e da assinatura do novo contrato de concessão.

A discussão judicial do Piauí, entretanto, não estava centrada na operação da distribuidora sob o controle da Equatorial, mas na relação estabelecida antes da privatização e na forma pela qual o Estado teria sido remunerado após a federalização da antiga empresa estadual. Por isso, a controvérsia continuou tramitando mesmo depois de a Cepisa deixar definitivamente o grupo Eletrobras.

R$ 1,3 bilhão é relevante, mas companhia diz ter valor provisionado

Do ponto de vista financeiro, o acordo produz dois efeitos diferentes. O primeiro é patrimonial e contábil: ao informar que o montante já está provisionado, a Axia sinaliza que a contingência havia sido reconhecida previamente em suas demonstrações. O segundo é financeiro propriamente dito, porque a conclusão do acordo transforma a obrigação provisionada em saída efetiva de caixa, com dois desembolsos de R$ 650 milhões.

Os números mais recentes da companhia permitem dimensionar o tamanho dessa obrigação. Ao final de junho, a Axia apresentava aproximadamente R$ 26,2 bilhões em caixa, equivalentes de caixa e títulos e valores mobiliários circulantes considerados no cálculo da dívida líquida. Em termos estritamente comparativos, os R$ 1,3 bilhão do acordo representam cerca de 5% desse volume de liquidez financeira disponível no fechamento do segundo trimestre.

A relação mostra que o pagamento é material, mas não representa, isoladamente, uma pressão incompatível com a estrutura financeira da companhia. Mais importante para os investidores é a eliminação da incerteza sobre o valor final da contingência. Enquanto a disputa permanecia aberta, havia diferença superior a R$ 2 bilhões entre o montante pleiteado pelo Estado e o valor que agora foi consensualmente estabelecido pelas partes.

Essa previsibilidade é particularmente relevante para uma companhia que atravessa uma ampla transformação societária e operacional desde a privatização da Eletrobras, em 2022. A empresa passou recentemente a operar sob a marca Axia Energia e tem concentrado sua estratégia na geração e transmissão de eletricidade, com investimentos em modernização de ativos, expansão da capacidade e reorganização de participações societárias.

Diferença de R$ 2,2 bilhões é o principal efeito econômico da negociação

O principal resultado financeiro do acordo está justamente na distância entre a cobrança que chegou a ser apresentada ao STF e o valor final negociado. Considerando a referência de R$ 3,5 bilhões apresentada pelo Piauí, a solução de R$ 1,3 bilhão representa uma redução de aproximadamente 62,9%. Isso não significa que a companhia tenha obtido juridicamente um “desconto” sobre uma dívida líquida e incontroversa de R$ 3,5 bilhões, porque aquele valor ainda estava sujeito à discussão sobre cálculos e critérios de indenização. A comparação, porém, evidencia a magnitude da divergência que foi eliminada pela negociação.

Para o Estado do Piauí, o acordo também oferece uma vantagem objetiva: substitui uma disputa sobre o valor da indenização por um cronograma definido de recebimento, evitando novas discussões processuais sobre cálculos, execução e eventual satisfação do crédito. Para a União e para a Axia, a composição reduz exposição a um litígio de longa duração e estabelece um limite financeiro claro para a obrigação.

A solução consensual também se insere em uma tendência de utilização de conciliações pelo STF em processos que envolvem União, Estados e empresas em controvérsias de elevado impacto fiscal ou econômico. Em casos desse porte, a discussão judicial sobre critérios de cálculo pode se prolongar por anos mesmo depois de definido quem possui razão sobre o mérito da causa.

Homologação do STF é a etapa que falta

Apesar de o Termo de Transação já ter sido celebrado entre Axia Energia, União e Estado do Piauí, o processo ainda não pode ser considerado formalmente encerrado. O acordo será encaminhado ao Supremo para homologação, e o primeiro pagamento somente ocorrerá depois do trânsito em julgado dessa decisão, conforme as condições informadas pela companhia.

A estrutura definida cria, portanto, uma sequência objetiva: homologação judicial, encerramento definitivo da decisão que validar o acordo e desembolso da primeira parcela de R$ 650 milhões em até cinco dias úteis. A segunda parcela deverá ser paga até 20 de dezembro de 2026, completando os R$ 1,3 bilhão previstos na transação.

Para os acionistas da Axia Energia (AXIA3), a consequência mais importante está na redução de uma incerteza jurídica que acompanhava a companhia desde muito antes de sua privatização. A disputa envolvendo a Cepisa atravessou diferentes governos, mudanças na estrutura da Eletrobras e a própria venda da distribuidora para o setor privado. Com o novo acordo, uma contingência que chegou a envolver uma cobrança de R$ 3,5 bilhões passa a ter valor, prazo e condições definidos.

Caso o STF homologue o entendimento nos termos apresentados, a Axia encerrará uma das disputas mais antigas associadas ao legado das distribuidoras que pertenciam à antiga Eletrobras, mediante pagamento de R$ 1,3 bilhão. Mais do que o desembolso em si, o acordo retira do balanço de riscos da companhia uma controvérsia cujo valor permanecia aberto e cuja resolução poderia continuar sendo discutida por vários anos.

LEIA MAIS

Desde Que Stf Começou A Intermediar Emendas, Há Maior Transparência, Diz Ministro
Política

Fachin assume caso Moraes-Vorcaro e STF entra em semana decisiva sobre crise do Master

O Supremo Tribunal Federal entra nesta semana em uma das fases mais delicadas da crise aberta pelas investigações do Banco Master depois de um fim de semana marcado...

Leia MaisDetails
Caso Master Amplia Pressão Sobre André Mendonça E Atinge Disputa Eleitoral Na Bahia - Gazeta Mercantil - Política
Política

Caso Master amplia pressão sobre André Mendonça e atinge disputa eleitoral na Bahia

A condução das investigações relacionadas ao Banco Master pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, entrou no centro da disputa política após uma sequência de decisões que...

Leia MaisDetails
André Mendonça Deixa Instituto Iter Após Revelação De Encontro Com Daniel Vorcaro - Gazeta Mercantil - Política
Política

André Mendonça deixa Instituto Iter após revelação de encontro com Daniel Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, deixou a sociedade do Instituto Iter depois de vir a público que recebeu Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master,...

Leia MaisDetails
Buser É Alvo De Reclamações Por Vender Leito E Colocar Passageiros Em Semi-Leito
Empresas

Buser é alvo de reclamações por vender leito e colocar passageiros em semi-leito

A Buser passou a ser alvo de forte insatisfação de passageiros que afirmam ter comprado viagens em ônibus leito ou leito individual e, posteriormente, recebido a informação de...

Leia MaisDetails
Banco Master - Gazeta Mercantil
Economia

PF aponta R$ 3,8 milhões em repasses a ex-chefe do BC ligado a Daniel Vorcaro

A Polícia Federal identificou R$ 3,8 milhões em repasses relacionados a Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, no inquérito que apura a relação...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

09:09:42
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Desde Que Stf Começou A Intermediar Emendas, Há Maior Transparência, Diz Ministro
Política

Fachin assume caso Moraes-Vorcaro e STF entra em semana decisiva sobre crise do Master

Leia MaisDetails
Caso Master Amplia Pressão Sobre André Mendonça E Atinge Disputa Eleitoral Na Bahia - Gazeta Mercantil - Política
Política

Caso Master amplia pressão sobre André Mendonça e atinge disputa eleitoral na Bahia

Leia MaisDetails
Simples Nacional Tem Até 30 De Setembro Para Escolher Como Pagar Ibs E Cbs Em 2027
Economia

Simples Nacional tem até 30 de setembro para escolher como pagar IBS e CBS em 2027

Leia MaisDetails
André Mendonça Deixa Instituto Iter Após Revelação De Encontro Com Daniel Vorcaro - Gazeta Mercantil - Política
Política

André Mendonça deixa Instituto Iter após revelação de encontro com Daniel Vorcaro

Leia MaisDetails
Buser É Alvo De Reclamações Por Vender Leito E Colocar Passageiros Em Semi-Leito
Empresas

Buser é alvo de reclamações por vender leito e colocar passageiros em semi-leito

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Fachin assume caso Moraes-Vorcaro e STF entra em semana decisiva sobre crise do Master

Caso Master amplia pressão sobre André Mendonça e atinge disputa eleitoral na Bahia

Simples Nacional tem até 30 de setembro para escolher como pagar IBS e CBS em 2027

André Mendonça deixa Instituto Iter após revelação de encontro com Daniel Vorcaro

Buser é alvo de reclamações por vender leito e colocar passageiros em semi-leito

Empresa de Flávio Bolsonaro divide endereço com firmas ligadas ao Careca do INSS

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP