A balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 62,396 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, resultado 34,8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em setembro, o saldo positivo chegou a US$ 7,741 bilhões, com exportações de US$ 34,418 bilhões e importações de US$ 26,678 bilhões. Os números foram divulgados nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado mensal foi 146,4% maior que o superávit de US$ 3,139 bilhões registrado em setembro de 2025. A melhora ocorreu principalmente pelo avanço das vendas externas, que cresceram 12,9% na comparação anual, enquanto as compras do exterior recuaram 2,4%. A combinação elevou o saldo em aproximadamente US$ 4,6 bilhões em relação ao mesmo mês do ano anterior.
O dado de setembro também ampliou a corrente de comércio, soma de exportações e importações, para US$ 61,096 bilhões, alta de 5,6% sobre um ano antes. No acumulado de janeiro a setembro, a corrente de comércio alcançou US$ 506,913 bilhões, superando pela primeira vez a marca de US$ 500 bilhões para os nove primeiros meses do ano.
Petróleo e indústria extrativa concentram parte do avanço das exportações
A composição das exportações ajuda a explicar a aceleração do saldo. A indústria extrativa teve o maior crescimento entre os três grandes setores, com expansão de 39,8% em setembro, para US$ 9,440 bilhões. O desempenho foi associado principalmente às vendas externas de petróleo bruto, que alcançaram US$ 6,499 bilhões, aumento de 77,3% em valor. Os embarques de minérios de cobre e concentrados também avançaram, enquanto as exportações de minério de ferro recuaram.
Na indústria de transformação, as exportações somaram US$ 17,673 bilhões, alta de 5,3% ante setembro de 2025. Entre os produtos com maiores aumentos estiveram os farelos de soja e outros alimentos para animais, com crescimento de 47,7%, os óleos combustíveis de petróleo, com alta de 39,1%, o ouro não monetário, com avanço de 36,4%, e a celulose, que cresceu 27,4%.
A agropecuária exportou US$ 7,004 bilhões, avanço de 4,8%. A soja em grão representou um dos principais vetores, com alta de 11,9% em valor, enquanto o café não torrado cresceu 8,7%. Em sentido oposto, as vendas externas de milho não moído recuaram 17,0%, e as de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada caíram 30,6% em valor.
A composição por volume e preço mostra que parte relevante do crescimento exportador veio de preços maiores. Em setembro, os preços médios das exportações subiram 9,9%, enquanto o volume embarcado aumentou 2,3%. Na indústria extrativa, o volume exportado cresceu 24,2% e os preços subiram 12,5%. Na indústria de transformação, os preços avançaram 9,0%, mas o volume caiu 2,9%.
Esse comportamento indica que o aumento nominal das exportações não decorreu exclusivamente de maior quantidade física embarcada. Em segmentos relevantes, sobretudo petróleo e produtos da indústria de transformação, a valorização média dos produtos vendidos ao exterior teve participação importante no resultado.
Queda das importações também ampliou o saldo
Do lado das importações, setembro apresentou movimento diferente. As compras externas totalizaram US$ 26,678 bilhões, queda de 2,4% na comparação anual. A indústria de transformação, que concentra a maior parcela das importações, registrou retração de 3,2%, para US$ 24,786 bilhões. Já as compras de produtos agropecuários cresceram 9,3%, para US$ 521 milhões, e as de bens da indústria extrativa aumentaram 7,4%, para US$ 1,211 bilhão.
A retração das importações esteve fortemente associada à base de comparação de bens de capital. As compras de plataformas, embarcações e outras estruturas flutuantes caíram 98% em relação a setembro de 2025. As aquisições de motores e máquinas não elétricos também apresentaram forte recuo, de 79,1%.
A decomposição do resultado mensal mostra a importância relativa dos dois movimentos. O superávit aumentou US$ 4,602 bilhões em relação a setembro do ano passado. O aumento de US$ 3,930 bilhões nas exportações respondeu por cerca de 85% dessa diferença, enquanto a redução de aproximadamente US$ 671 milhões nas importações explicou os 15% restantes. Trata-se, portanto, de um resultado predominantemente sustentado pela expansão das vendas externas, e não apenas pela diminuição das compras brasileiras no exterior.
No acumulado de janeiro a setembro, as exportações chegaram a US$ 284,654 bilhões, alta de 10,4%, enquanto as importações somaram US$ 222,259 bilhões, aumento de 5,0%. A diferença entre os dois fluxos resultou no saldo positivo de US$ 62,396 bilhões.
Desempenho acumulado mantém indústria extrativa como destaque
Nos nove primeiros meses de 2026, todos os grandes setores exportadores apresentaram aumento no valor embarcado. A agropecuária cresceu 8,9%, para US$ 64,837 bilhões; a indústria extrativa avançou 21,2%, para US$ 71,150 bilhões; e a indústria de transformação teve crescimento de 6,3%, para US$ 146,915 bilhões.
No caso das importações, o quadro foi mais heterogêneo. A agropecuária apresentou queda de 10,1% no acumulado, e a indústria extrativa recuou 3,9%. Já a indústria de transformação elevou as compras externas em 5,8%, chegando a US$ 207,167 bilhões.
A distribuição dos fluxos também evidencia a importância das exportações para o saldo externo brasileiro. De janeiro a setembro, as vendas externas corresponderam a aproximadamente 56,2% da corrente de comércio, enquanto as importações responderam por 43,8%. Em setembro, a participação das exportações foi semelhante, de cerca de 56,3% do comércio total.
Governo reduz previsão de superávit para US$ 84,4 bilhões
Apesar do resultado forte em setembro, o MDIC reduziu a estimativa para o superávit comercial de 2026. A projeção passou de US$ 90 bilhões, calculada em julho, para US$ 84,4 bilhões. A nova previsão considera exportações de US$ 382,5 bilhões e importações de US$ 298,1 bilhões no ano.
A nova estimativa ainda representa aumento de 24% sobre o superávit de US$ 68,1 bilhões registrado em 2025. O governo também havia trabalhado inicialmente com uma faixa de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões para o resultado de 2026.
A redução de US$ 5,6 bilhões na projeção ocorre mesmo após o avanço registrado em setembro. A revisão está associada, entre outros fatores, à perspectiva de preços menores do petróleo em relação às premissas anteriores, reduzindo a estimativa de receita obtida com as exportações da commodity.
Com US$ 62,396 bilhões já acumulados até setembro, o país atingiu cerca de 74% do superávit projetado para todo o ano. Para alcançar a nova estimativa de US$ 84,4 bilhões, seriam necessários aproximadamente US$ 22 bilhões adicionais no último trimestre. Esse cálculo coloca o resultado dos próximos três meses como etapa relevante para a concretização da projeção oficial.
A projeção revisada também indica que o desempenho comercial esperado para 2026 não depende apenas da manutenção do ritmo observado em setembro. Para fechar o ano nos US$ 84,4 bilhões estimados, o saldo médio necessário entre outubro e dezembro seria de aproximadamente US$ 7,33 bilhões por mês, próximo do nível observado em setembro.
Fluxo externo supera US$ 500 bilhões em nove meses
O comércio exterior brasileiro chega ao último trimestre com uma dimensão maior que a observada no mesmo período de 2025. A corrente de comércio acumulada até setembro atingiu US$ 506,913 bilhões, alta de 8,0% sobre o ano anterior. Desse total, US$ 284,654 bilhões correspondem a exportações e US$ 222,259 bilhões a importações.
O resultado acumulado revela ainda uma diferença relevante entre os ritmos de crescimento. As exportações avançaram mais que o dobro da expansão das importações: 10,4% contra 5,0%. Essa diferença de aproximadamente 5,4 pontos percentuais ajuda a explicar a elevação de US$ 16,091 bilhões no superávit acumulado em relação aos nove primeiros meses de 2025.
O quadro também mostra que a melhora do saldo não está concentrada em um único setor. Embora a indústria extrativa tenha registrado a maior taxa de crescimento das exportações acumuladas, a indústria de transformação continua sendo a principal parcela das vendas externas brasileiras. Ao mesmo tempo, o agronegócio mantém contribuição relevante, com crescimento de 8,9% no valor exportado até setembro.
Para o último trimestre, o comportamento das commodities, especialmente petróleo, soja e café, continuará sendo um dos componentes relevantes do resultado, enquanto a evolução das compras de bens de capital e de produtos industriais deverá influenciar o lado das importações. A projeção oficial de US$ 84,4 bilhões estabelece, portanto, um objetivo menor que o estimado em julho, mas ainda superior ao saldo obtido em 2025.
Fontes:
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – dados consolidados da balança comercial de setembro de 2026 e séries de comércio exterior
Secretaria de Comércio Exterior – resultados de exportações, importações e saldo comercial acumulados até setembro de 2026
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – projeções revisadas para a balança comercial brasileira em 2026









