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Banco Central liquida fintech Dank após irregularidades graves

por Álvaro Lima
12/03/2026 às 05h54
em Economia
Banco Central Liquida Fintech Dank Após Irregularidades Graves - Gazeta Mercantil

Reprodução

Banco Central decreta liquidação da fintech Dank após violações regulatórias

A decisão do Banco Central liquida fintech Dank marcou mais um episódio de rigor regulatório no sistema financeiro brasileiro. A autoridade monetária determinou, na manhã de quarta-feira (11), a liquidação extrajudicial da Dank Sociedade de Crédito Direto após constatar irregularidades consideradas graves, incluindo a emissão de cartas de fiança sem autorização regulatória e sem estrutura patrimonial compatível com esse tipo de operação.

A medida foi oficializada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que destacou o comprometimento da situação econômico-financeira da instituição e o descumprimento das normas que regem o funcionamento das entidades financeiras no país.

Leia também: Ibovespa cai 0,07% após 15 altas seguidas com cautela do Banco Central e queda do petróleo.

A decisão que determina que o Banco Central liquida fintech Dank ocorre após o caso chegar à Justiça e a empresa ser derrotada em todas as instâncias judiciais relacionadas ao tema.

A intervenção reforça a vigilância crescente sobre o setor de fintechs no Brasil, um dos segmentos mais dinâmicos do sistema financeiro, mas que também exige rigor regulatório para garantir estabilidade e segurança ao mercado.

Leia também: Google e Itaú anunciam proteção no Android contra golpe da falsa central.


Decisão do Banco Central aponta violações graves

O ato administrativo que formaliza a medida afirma que o Banco Central liquida fintech Dank após identificar violações relevantes às normas que disciplinam a atividade da instituição.

Segundo o documento oficial, houve comprometimento da saúde financeira da empresa e desrespeito às regras que delimitam as operações autorizadas para sociedades de crédito direto.

A principal irregularidade apontada foi a emissão de cartas de fiança sem autorização do regulador e sem patrimônio suficiente para garantir tais operações.

Cartas de fiança são instrumentos financeiros utilizados como garantia em contratos públicos e privados. A emissão desse tipo de garantia exige estrutura patrimonial robusta e autorização específica.

Ao atuar nesse segmento sem atender aos requisitos regulatórios, a fintech passou a representar risco potencial para terceiros e para o próprio sistema financeiro.


Justiça confirmou riscos ao mercado

A decisão judicial que antecedeu a medida administrativa reforçou os argumentos que levaram à determinação de que o Banco Central liquida fintech Dank.

Segundo entendimento do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a instituição não possuía patrimônio compatível com as garantias que vinha emitindo.

A avaliação judicial destacou que a continuidade dessas operações poderia gerar prejuízos a terceiros que confiassem nas garantias emitidas pela empresa.

O tribunal ressaltou ainda que esse tipo de irregularidade representa risco sistêmico para o mercado financeiro, especialmente quando envolve instituições que atuam oferecendo garantias financeiras.


Situação financeira da fintech

Os dados financeiros mais recentes da instituição ajudam a explicar por que o Banco Central liquida fintech Dank.

De acordo com informações do sistema IFData, referentes a setembro de 2025 — última atualização disponível — a empresa apresentava:

  • Passivo de R$ 44,8 milhões

  • Patrimônio líquido de apenas R$ 975 mil

  • Prejuízo acumulado de R$ 1,355 milhão

A discrepância entre o passivo elevado e o patrimônio reduzido indicava fragilidade financeira relevante.

Especialistas apontam que a emissão de garantias financeiras sem base patrimonial adequada pode amplificar riscos, sobretudo em cenários de inadimplência.

Esse desequilíbrio financeiro foi um dos elementos considerados pelas autoridades ao decidir que o Banco Central liquida fintech Dank.


Fintech operava no segmento S5 do sistema financeiro

A Dank estava enquadrada no segmento S5 do modelo de supervisão do Banco Central.

Esse grupo inclui instituições financeiras e conglomerados não bancários considerados de pequeno porte, com participação inferior a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Apesar do porte reduzido, as empresas do segmento S5 precisam cumprir regras específicas de governança, capital e gestão de risco.

O fato de o Banco Central liquida fintech Dank demonstra que mesmo instituições menores estão sujeitas ao mesmo nível de fiscalização e exigência regulatória.


Como funciona uma Sociedade de Crédito Direto

O modelo de negócio da Dank era o de Sociedade de Crédito Direto (SCD).

Esse tipo de instituição foi criado pelo Banco Central para estimular inovação no sistema financeiro, permitindo que fintechs realizem operações de crédito com maior eficiência digital.

As SCDs possuem características específicas:

  • Realizam empréstimos utilizando recursos próprios

  • Não podem captar dinheiro diretamente do público

  • Operam majoritariamente por meio de plataformas digitais

Além da concessão de crédito, essas instituições podem oferecer serviços complementares, como:

  • análise de crédito para terceiros

  • cobrança de dívidas

  • distribuição de seguros vinculados a operações financeiras

  • emissão de moeda eletrônica

O enquadramento regulatório dessas atividades foi um dos pontos analisados no processo que levou à decisão de que o Banco Central liquida fintech Dank.


Fintech se apresentava como Dank Bank

Nas redes sociais e em suas plataformas digitais, a instituição utilizava a marca Dank Bank.

Entre os serviços divulgados estavam:

  • emissão de CCB (Cédula de Crédito Bancário)

  • crédito consignado

  • operações de risco sacado

  • serviços de Banking as a Service (BaaS)

O modelo BaaS permite que empresas de diversos setores ofereçam produtos financeiros integrados às suas plataformas, ampliando o alcance das fintechs.

No entanto, a ampliação das atividades financeiras exige conformidade rigorosa com as normas regulatórias.

Foi justamente a falta de adequação a essas regras que levou à decisão de que o Banco Central liquida fintech Dank.


Processo de liquidação extrajudicial

Com a determinação de que o Banco Central liquida fintech Dank, a instituição passa a entrar em regime de liquidação extrajudicial.

Esse processo ocorre quando o regulador entende que a continuidade das operações pode gerar prejuízos ao sistema financeiro ou aos clientes.

Durante a liquidação, um interventor assume a administração da empresa para conduzir o encerramento das atividades e a apuração de ativos e passivos.

No caso da Dank, o Banco Central nomeou a empresa Faccio Administrações como liquidante.

O responsável técnico designado para conduzir o processo é Valdor Faccio.


Bens de administradores ficam indisponíveis

Como parte da decisão que determina que o Banco Central liquida fintech Dank, também foi decretada a indisponibilidade de bens de ex-administradores e do controlador da empresa.

A medida busca preservar patrimônio que eventualmente possa ser utilizado para ressarcimento de prejuízos.

Entre os nomes citados na decisão estão:

  • Alcir Vidau Oldenburg

  • Ana Paula Bueno Cavalcante

  • Cláudio Roberto Alves

  • Tiago Coelho Przywitowski

A indisponibilidade patrimonial é comum em processos de liquidação extrajudicial quando há indícios de irregularidades administrativas ou financeiras.


Ex-administradores contestam relação com irregularidades

Em manifestação pública, antigos dirigentes da fintech afirmaram que não têm relação com os fatos que levaram à decisão de que o Banco Central liquida fintech Dank.

Segundo os ex-administradores, a empresa recebeu autorização do Banco Central para operar em 2022, mas não chegou a realizar operações de crédito durante a gestão deles.

Eles afirmam ainda que, no final de 2023, foi iniciado um processo de transferência da licença da instituição para novos controladores.

De acordo com nota divulgada pelos representantes dos ex-dirigentes, a liquidação extrajudicial não estaria relacionada às decisões tomadas durante o período em que eles administraram a empresa.

Os ex-executivos reforçaram também compromisso com transparência e cumprimento das normas regulatórias.


Supervisão sobre fintechs cresce no Brasil

O episódio em que o Banco Central liquida fintech Dank ocorre em um momento de crescimento acelerado do ecossistema de fintechs no país.

Nos últimos anos, o Brasil se tornou um dos maiores mercados globais de tecnologia financeira.

Segundo dados do setor, o número de fintechs no país ultrapassa mil empresas, atuando em segmentos como:

  • crédito digital

  • pagamentos

  • open finance

  • seguros

  • investimentos

O crescimento acelerado do setor trouxe inovação, concorrência e novos modelos de negócios.

Por outro lado, também aumentou a necessidade de supervisão regulatória para evitar riscos ao sistema financeiro.


Mercado acompanha impacto da liquidação

A decisão de que o Banco Central liquida fintech Dank é acompanhada de perto por especialistas, investidores e participantes do mercado financeiro.

Embora a instituição tivesse porte reduzido, o episódio reforça a importância da governança e da transparência no setor.

Para analistas, o caso pode servir como alerta para fintechs que operam em áreas reguladas, especialmente aquelas que oferecem garantias financeiras ou serviços bancários integrados.

A liquidação também evidencia o papel do Banco Central na preservação da estabilidade do sistema financeiro.

Em um ambiente de inovação acelerada, a supervisão rigorosa continua sendo um dos pilares para garantir segurança a investidores, empresas e consumidores.

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