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Sudeste concentra R$ 1,26 trilhão e quase 60% dos bilionários brasileiros, mostra Forbes

Lista de 2026 reúne 255 bilionários com patrimônio conjunto de R$ 1,86 trilhão; São Paulo lidera em número de nomes, mas o Rio concentra mais riqueza.

por Álvaro Lima
11/09/2026 às 13h07
em Economia
Bilionarios Do Brasil - Gazeta Mercantil

A geografia das maiores fortunas brasileiras continua profundamente concentrada no Sudeste. Dos 255 nomes incluídos na Lista Forbes Bilionários Brasileiros de 2026, 152 estão associados à região, o equivalente a 59,6% do total. Juntos, acumulam aproximadamente R$ 1,26 trilhão, uma concentração ainda maior quando o critério deixa de ser o número de pessoas e passa a ser o tamanho do patrimônio.

O levantamento da Forbes estima em R$ 1,86 trilhão a riqueza combinada de todos os integrantes da lista brasileira. Isso significa que o Sudeste sozinho concentra cerca de dois terços de todo o patrimônio mapeado entre os bilionários do País. Sul, Nordeste e Centro-Oeste aparecem muito atrás tanto em quantidade de nomes quanto em volume financeiro, enquanto a região Norte não tem nenhum representante na edição de 2026.

Dentro do próprio Sudeste existe outra particularidade. São Paulo é, com larga vantagem, o estado com maior número de bilionários, mas não lidera quando as fortunas são somadas. A primeira posição em patrimônio pertence ao Rio de Janeiro, que reúne menos da metade do número de representantes paulistas, mas abriga alguns dos maiores patrimônios individuais do ranking.

O retrato ajuda a mostrar que a distribuição da riqueza extrema brasileira não acompanha simplesmente o tamanho da população ou da economia de cada região. Ela reflete décadas de formação de grandes grupos empresariais, concentração do mercado financeiro, industrialização, expansão de empresas familiares e valorização de participações societárias em companhias brasileiras e estrangeiras.

Rio supera São Paulo em patrimônio dos bilionários

São Paulo aparece na lista com 95 nomes, o maior contingente entre todos os estados brasileiros. O patrimônio combinado desse grupo chega a aproximadamente R$ 593,2 bilhões.

O Rio de Janeiro, por outro lado, reúne 37 bilionários, mas suas fortunas somadas alcançam cerca de R$ 600,8 bilhões. Mesmo com 58 representantes a menos, portanto, os fluminenses superam os paulistas em riqueza acumulada.

A explicação está na concentração de algumas fortunas excepcionalmente grandes.

Entre os nomes ligados ao Rio aparecem Jorge Paulo Lemann e família, com patrimônio estimado em R$ 103,5 bilhões, e André Esteves, fundador e principal acionista do BTG Pactual (BPAC11), com aproximadamente R$ 66,1 bilhões. Os irmãos Fernando Roberto Moreira Salles e Pedro Moreira Salles, ligados ao Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) e a outros investimentos familiares, aparecem com R$ 50,3 bilhões e R$ 46,6 bilhões, respectivamente.

A presença simultânea desses grandes patrimônios eleva fortemente a média fluminense e permite que o Rio ultrapasse São Paulo mesmo com um número muito menor de bilionários.

São Paulo, em contrapartida, possui uma base mais extensa e diversificada de grandes fortunas, espalhadas por tecnologia, indústria, varejo, finanças, saúde, alimentos, construção, logística e outros setores.

Eduardo Saverin continua no topo

O maior patrimônio individual da lista de 2026 pertence novamente a Eduardo Saverin, cofundador do Facebook e investidor de tecnologia.

A Forbes estima sua fortuna em R$ 162,9 bilhões. Mesmo depois de uma redução de aproximadamente R$ 64 bilhões em relação ao levantamento anterior, Saverin permaneceu na primeira posição entre os brasileiros.

A queda é expressiva: seu patrimônio havia sido estimado em cerca de R$ 227 bilhões na edição anterior. Ainda assim, a diferença para os demais integrantes da lista continua suficientemente grande para mantê-lo na liderança.

Saverin possui parcela de sua fortuna vinculada à Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, além de investimentos realizados por meio da B Capital, gestora de venture capital criada por ele.

A volatilidade de ações negociadas internacionalmente ajuda a explicar por que patrimônios dessa magnitude podem variar dezenas de bilhões de reais de um ano para outro sem que necessariamente ocorram grandes compras ou vendas de ativos pelos seus proprietários.

Vicky Safra permanece como mulher mais rica do Brasil

Vicky Safra e família aparecem logo depois, com patrimônio estimado em R$ 130,6 bilhões.

A fortuna está ligada principalmente ao Banco Safra e aos ativos construídos pelo banqueiro Joseph Safra, morto em 2020. Vicky nasceu na Grécia e se naturalizou brasileira, razão pela qual aparece na relação específica de bilionários naturalizados preparada pela Forbes.

Ela é também a mulher mais rica do Brasil.

Seu patrimônio aumentou em relação ao ano anterior, quando estava estimado em aproximadamente R$ 120,5 bilhões. Em uma lista cuja riqueza é fortemente dominada por homens, Vicky permanece como a única mulher entre os dez maiores patrimônios brasileiros.

Jorge Paulo Lemann vem na sequência, com R$ 103,5 bilhões. Aos 87 anos, o empresário ligado à 3G Capital e à AB InBev registrou crescimento de mais de 17% em sua fortuna na comparação anual.

Sul tem 67 bilionários

Fora do Sudeste, a maior concentração aparece na região Sul.

São 67 integrantes da lista com patrimônio combinado de aproximadamente R$ 292,7 bilhões. O número coloca a região em uma posição muito distante do Sudeste em volume financeiro, mas bastante acima do restante do País em quantidade de bilionários.

Santa Catarina chama atenção. O estado reúne 38 nomes, e a presença da WEG (WEGE3) ajuda a explicar boa parte dessa concentração. Dos bilionários catarinenses identificados na lista, 31 possuem algum vínculo patrimonial com a fabricante de motores, equipamentos elétricos e soluções industriais.

A trajetória da WEG ilustra como a valorização de uma grande empresa de capital aberto pode produzir diversas fortunas simultaneamente. Fundadores, herdeiros e integrantes das famílias controladoras mantêm participações cuja valorização acompanha, em grande medida, a evolução da companhia na Bolsa.

Além dos acionistas da WEG, o Sul reúne patrimônios ligados a fertilizantes, varejo, calçados, indústria e investimentos financeiros.

Alceu Elias Feldmann, fundador da Fertipar, aparece com cerca de R$ 19,2 bilhões. Lirio Parisotto, ligado à Videolar e a investimentos em Bolsa, tem R$ 14,2 bilhões. Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da Grendene (GRND3), soma R$ 12,1 bilhões, enquanto Luciano Hang, da Havan, aparece com aproximadamente R$ 11,9 bilhões.

Agro concentra riqueza no Centro-Oeste

O Centro-Oeste possui apenas sete integrantes na lista, mas reúne R$ 59,2 bilhões em patrimônio.

Grande parte dessa riqueza está concentrada nos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, controladores da JBS (JBSS32) por meio da J&F. Juntos, os dois acumulam aproximadamente R$ 43,8 bilhões, o equivalente a mais de 70% do patrimônio dos bilionários associados à região.

O resultado mostra a influência do agronegócio e da cadeia de proteína animal na formação das maiores fortunas locais.

A economia do Centro-Oeste é fortemente ligada à produção de soja, milho, carne bovina e outras commodities agrícolas. Nas últimas décadas, a expansão dessa fronteira produtiva permitiu a formação de grupos empresariais de grande escala, embora apenas uma parcela relativamente pequena tenha alcançado o patrimônio necessário para integrar a lista da Forbes.

A comparação com o Sudeste também revela outra diferença. Enquanto São Paulo e Rio concentram fortunas espalhadas por dezenas de setores, o Centro-Oeste apresenta uma concentração maior em poucas atividades e poucos grupos empresariais.

Nordeste reúne mais nomes, mas patrimônio é semelhante

O Nordeste soma 21 integrantes na lista, com patrimônio combinado de aproximadamente R$ 62,3 bilhões.

Apesar de possuir três vezes mais bilionários do que o Centro-Oeste, o total acumulado é apenas ligeiramente superior. Isso ocorre porque a média das fortunas nordestinas é menor e porque os grandes patrimônios da região estão menos concentrados em nomes com dezenas de bilhões de reais.

O principal destaque é Mário Araripe, fundador da Casa dos Ventos, cuja fortuna é estimada em R$ 20,3 bilhões.

Araripe construiu seu patrimônio principalmente no setor de energia renovável. A Casa dos Ventos tornou-se uma das principais empresas brasileiras de desenvolvimento de projetos eólicos e posteriormente ampliou sua atuação para outras áreas da transição energética.

Além de energia, aparecem no Nordeste fortunas construídas em educação, alimentos, varejo, indústria e outros negócios regionais.

Norte não tem nenhum nome na lista

A maior disparidade regional aparece no Norte.

Nenhum dos 255 integrantes da Lista Forbes Bilionários Brasileiros de 2026 está associado à região.

O dado chama atenção porque o Norte reúne algumas das maiores operações de mineração, energia, agronegócio e exploração de recursos naturais do País. Boa parte dessas atividades, porém, é controlada por empresas e grupos cujos acionistas e centros de decisão estão estabelecidos em outras regiões.

A ausência de bilionários no ranking não significa inexistência de empresários ricos na Amazônia ou nos estados nortistas. Significa apenas que nenhum patrimônio individual relacionado à região atingiu os critérios e valores considerados pela Forbes para a edição brasileira de 2026.

A diferença em relação ao Sudeste evidencia como a localização da atividade econômica nem sempre corresponde ao lugar onde a riqueza societária termina concentrada.

Grandes mineradoras, bancos, indústrias e empresas de infraestrutura podem operar nacionalmente e gerar receitas em diferentes estados, enquanto seus acionistas permanecem associados aos centros empresariais tradicionais.

Finanças concentram algumas das maiores fortunas

A distribuição regional também acompanha a especialização econômica brasileira.

No Sudeste, o setor financeiro possui peso especialmente elevado. Famílias ligadas ao Itaú, ao Safra, ao BTG Pactual e a outros grupos financeiros figuram entre os maiores patrimônios do País.

A indústria também continua relevante. Grandes fortunas associadas a bebidas, mineração, siderurgia, bens de capital, alimentos e tecnologia estão concentradas principalmente entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

No Sul, empresas industriais e familiares possuem peso proporcionalmente maior. No Centro-Oeste, a origem da riqueza está mais ligada à agropecuária e à proteína animal, enquanto no Nordeste aparecem energia renovável, educação e alimentos.

A própria Forbes identificou as finanças como o segmento que concentra o maior volume de patrimônio entre os bilionários brasileiros de 2026, enquanto a indústria aparece com grande número de representantes.

Esse retrato ajuda a explicar por que mudanças no preço das ações podem alterar o ranking tão rapidamente.

Grande parte dessas fortunas não está parada em contas bancárias. Ela corresponde ao valor estimado de participações em empresas.

R$ 1,86 trilhão não significa dinheiro disponível

A soma dos patrimônios dos bilionários brasileiros chega a aproximadamente R$ 1,86 trilhão, mas o número precisa ser interpretado corretamente.

Esse valor não representa dinheiro disponível em caixa.

A maior parte corresponde ao valor estimado de ações, participações em empresas fechadas, investimentos e outros ativos. Quando a cotação de uma companhia sobe, a fortuna estimada de seus principais acionistas aumenta, ainda que eles não tenham recebido nenhum dinheiro naquele momento.

O movimento contrário também acontece.

Foi exatamente o que ocorreu com Eduardo Saverin. A redução estimada de mais de R$ 64 bilhões em seu patrimônio não significa necessariamente que o empresário tenha desembolsado ou perdido fisicamente esse montante. A mudança reflete principalmente a atualização da avaliação de seus ativos.

A Forbes utiliza como referência as participações societárias e as cotações disponíveis em uma determinada data. Para a lista brasileira de 2026, foram considerados valores de mercado observados em 30 de junho.

Empresas fechadas exigem estimativas baseadas em informações financeiras, transações comparáveis e outros critérios de avaliação.

Imóveis, obras de arte, aeronaves, embarcações e outros bens sem preço público imediato não são necessariamente incorporados integralmente à estimativa.

Por essa razão, os valores devem ser entendidos como aproximações do patrimônio, e não como demonstrações contábeis completas de cada pessoa.

Fortuna dos 255 equivale a parcela relevante da economia

A dimensão conjunta dessas riquezas fica mais clara quando comparada à economia nacional.

Os R$ 1,86 trilhão atribuídos aos 255 bilionários equivalem a aproximadamente 14,6% do Produto Interno Bruto brasileiro de 2025, que alcançou R$ 12,739 trilhões.

A comparação possui apenas finalidade de escala: PIB mede o valor produzido pela economia durante determinado período, enquanto patrimônio representa estoque acumulado de ativos. São conceitos econômicos diferentes e não devem ser tratados como se fossem diretamente equivalentes.

Ainda assim, a relação mostra o tamanho do patrimônio concentrado em um grupo muito pequeno de pessoas.

Outro aspecto relevante é que a concentração ocorre também dentro do próprio ranking. Os maiores nomes respondem por uma parcela muito superior àquela observada entre os integrantes da parte inferior da lista.

Essa característica ajuda a explicar o fenômeno observado entre Rio e São Paulo. O estado paulista tem muito mais bilionários, mas alguns poucos patrimônios fluminenses de dezenas de bilhões de reais são suficientes para inverter a liderança quando o critério é riqueza total.

Sudeste concentra 67,5% da riqueza da lista

A informação mais reveladora da distribuição regional aparece justamente quando quantidade e patrimônio são comparados.

O Sudeste reúne 59,6% dos nomes, mas aproximadamente 67,5% do patrimônio mapeado pela Forbes.

A região, portanto, não apenas possui mais bilionários. Seus bilionários também concentram, em conjunto, fortunas proporcionalmente maiores.

Essa diferença reflete a presença histórica dos principais mercados de capitais, bancos, sedes corporativas e grandes grupos empresariais em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Mesmo com a expansão do agronegócio no Centro-Oeste, da indústria no Sul e de novos polos de energia e serviços no Nordeste, a geografia das fortunas bilionárias continua muito próxima daquela construída durante a industrialização e a consolidação do sistema financeiro brasileiro.

A lista de 2026 mostra que esse padrão permanece forte: dos R$ 1,86 trilhão atribuídos aos 255 maiores patrimônios do País, cerca de R$ 1,26 trilhão continuam concentrados no Sudeste.

São Paulo ainda é o maior polo em número de bilionários. O Rio, graças ao tamanho de algumas fortunas individuais, supera o estado vizinho quando o dinheiro é somado. O Sul se consolidou como segundo polo em quantidade de nomes. Centro-Oeste e Nordeste aparecem muito atrás, embora setores como agronegócio e energia tenham criado fortunas de bilhões de reais.

E o Norte segue fora do mapa.

Mais do que uma lista de indivíduos ricos, o levantamento acaba funcionando como uma fotografia da própria formação econômica brasileira — e mostra que, quando se chega ao topo da distribuição patrimonial, a riqueza continua geograficamente muito mais concentrada do que a população e a atividade econômica do País.

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