O bitcoin (BTC) opera em queda nesta quinta-feira (25), sendo negociado próximo de US$ 61 mil, em um movimento de aversão ao risco que atingiu todo o mercado de criptomoedas antes da divulgação de importantes indicadores econômicos dos Estados Unidos. A retração da principal criptomoeda do mundo ocorre em meio à expectativa dos investidores pelos dados de inflação medidos pelo índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), além dos números do Produto Interno Bruto (PIB) e dos pedidos semanais de auxílio-desemprego da maior economia do planeta.
Nas últimas 24 horas, o mercado de derivativos de criptomoedas registrou liquidações superiores a US$ 1 bilhão, segundo dados da plataforma CoinGlass. A maior parte desse volume estava concentrada em posições compradas, refletindo apostas de investidores que esperavam continuidade da recuperação dos ativos digitais e foram surpreendidos pelo movimento de correção.
A queda do bitcoin acontece em um momento de elevada sensibilidade dos mercados globais aos indicadores macroeconômicos dos Estados Unidos. Os dados econômicos têm sido acompanhados de perto por gestores, fundos e investidores individuais em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária americana.
Liquidação bilionária amplia volatilidade no mercado cripto
O movimento de baixa atingiu praticamente todas as principais criptomoedas do mercado. Além do bitcoin, o ethereum (ETH), segunda maior criptomoeda em valor de mercado, também registrou perdas expressivas, aprofundando um desempenho negativo acumulado ao longo de 2026.
Entre as dez maiores criptomoedas do mundo, apenas as stablecoins mantiveram relativa estabilidade, enquanto ativos como BNB, XRP, Solana (SOL) e Dogecoin (DOGE) acompanharam o movimento de correção observado no bitcoin.
As liquidações em contratos futuros ajudam a explicar parte da intensidade da queda. Quando o mercado se move em direção contrária às apostas realizadas pelos investidores alavancados, corretoras encerram automaticamente posições para evitar perdas adicionais, ampliando a pressão vendedora.
Segundo os dados do mercado de derivativos, mais de US$ 700 milhões das liquidações ocorreram em posições que apostavam na valorização das criptomoedas. Esse processo contribuiu para acelerar a queda dos preços em um curto intervalo de tempo.
A dinâmica reforça a elevada volatilidade característica do mercado de ativos digitais, especialmente em períodos de divulgação de indicadores econômicos relevantes ou de mudanças nas expectativas para os juros americanos.
Inflação dos EUA volta ao centro das atenções
O principal fator monitorado pelos investidores nesta quinta-feira é a divulgação do índice PCE, considerado a medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
O indicador é acompanhado com atenção porque influencia diretamente as decisões de política monetária da autoridade monetária americana. Níveis elevados de inflação costumam reduzir as chances de cortes de juros, enquanto números mais fracos podem abrir espaço para um ciclo de flexibilização monetária.
O comportamento dos juros nos Estados Unidos possui impacto direto sobre o mercado de criptomoedas. Taxas mais elevadas tornam investimentos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro americano, relativamente mais atrativos, reduzindo o fluxo de recursos para ativos de maior risco.
Por outro lado, expectativas de redução dos juros tendem a favorecer mercados como ações de tecnologia, criptomoedas e outros ativos ligados ao crescimento econômico.
Além do PCE, investidores acompanham a divulgação do PIB americano e dos pedidos semanais de auxílio-desemprego. O conjunto desses indicadores oferece uma leitura mais ampla sobre o ritmo da atividade econômica, o comportamento do consumo e a situação do mercado de trabalho.
Bitcoin acumula perdas em 2026
A queda registrada nesta quinta-feira amplia um cenário já desafiador para o bitcoin em 2026.
Com cotação próxima de US$ 61 mil, a criptomoeda acumula desvalorização superior a 30% no ano. O desempenho reflete um ambiente global marcado por custos de financiamento elevados, menor liquidez internacional e mudanças nas preferências dos investidores.
O ethereum enfrenta situação ainda mais delicada. A criptomoeda acumula queda superior a 45% desde o início do ano, refletindo não apenas fatores macroeconômicos, mas também uma competição crescente entre diferentes redes blockchain.
Outros ativos relevantes do setor apresentam comportamento semelhante. Solana, XRP e BNB também registram perdas significativas no acumulado de 2026, evidenciando um enfraquecimento mais amplo do mercado digital.
Apesar da correção recente, analistas destacam que o bitcoin segue sendo o principal ativo do setor em termos de adoção institucional, liquidez e participação de mercado. Ainda assim, o desempenho da criptomoeda continua altamente dependente das condições macroeconômicas globais.
Inteligência artificial disputa recursos com o mercado cripto
Outro fator observado por participantes do mercado é a crescente concentração de investimentos em empresas ligadas à inteligência artificial.
Nos últimos meses, o avanço das aplicações de IA e os resultados financeiros robustos de fabricantes de chips e empresas de tecnologia impulsionaram uma forte migração de recursos para esse segmento.
Companhias como a Micron Technology e outras gigantes da cadeia global de semicondutores têm atraído volumes expressivos de capital, reforçando uma narrativa de crescimento que compete diretamente com outras teses de investimento.
Para parte dos analistas, a ascensão da inteligência artificial reduziu o protagonismo das criptomoedas entre investidores institucionais. Em um ambiente de recursos mais escassos, gestores tendem a direcionar capital para os segmentos considerados mais promissores no curto e médio prazo.
Esse movimento não significa abandono definitivo do mercado digital, mas ajuda a explicar por que a recuperação das criptomoedas tem encontrado dificuldades para ganhar tração em comparação com outros ativos de risco.
Bolsas globais mantêm desempenho misto
Enquanto o mercado de criptomoedas opera sob pressão, o cenário nos mercados tradicionais apresenta comportamento mais equilibrado.
As bolsas asiáticas encerraram o pregão sem direção única, refletindo diferentes leituras sobre os dados econômicos globais e os riscos para o crescimento internacional.
Na Europa, os principais índices acionários registram avanço, apoiados pela expectativa de inflação mais moderada nos Estados Unidos e pela perspectiva de eventual flexibilização monetária ao longo dos próximos trimestres.
Os contratos futuros de Nova York também operam em alta, indicando uma abertura positiva para Wall Street.
A divergência entre o comportamento das bolsas e das criptomoedas reforça a percepção de que os investidores seguem ajustando posições de forma seletiva, avaliando quais segmentos oferecem melhor relação entre risco e retorno em um ambiente de incerteza monetária.
Dados dos EUA mantêm bitcoin sob pressão no curto prazo
A divulgação dos indicadores econômicos americanos deve continuar determinando o comportamento do bitcoin e das demais criptomoedas nos próximos dias.
O mercado busca sinais mais claros sobre a trajetória da inflação e sobre o momento em que o Federal Reserve poderá iniciar um ciclo mais consistente de redução dos juros.
Enquanto essas respostas não surgem, a volatilidade permanece elevada, especialmente no mercado de derivativos, onde posições alavancadas ampliam os movimentos de alta e de baixa.
A liquidação de mais de US$ 1 bilhão observada nas últimas 24 horas demonstra que o mercado segue sensível a qualquer mudança de expectativa relacionada à economia dos Estados Unidos. Nesse contexto, o bitcoin continua no centro das atenções de investidores globais, servindo como termômetro do apetite por risco em um cenário marcado por juros elevados, competição por liquidez e busca por novas oportunidades de crescimento.









