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BB Investimentos recomenda compra de Equatorial (EQTL3) em operação de swing trade

Estratégia Radar identificou possível tendência de alta e estabelece entrada na abertura do pregão, limitada a até 1% acima da cotação inicial.

por Camila Braga
10/09/2026 às 11h35
em Mercados
Swing Trade - Gazeta Mercantil

O BB Investimentos incluiu a Equatorial Energia (EQTL3) entre as ações recomendadas para uma operação de swing trade nesta quinta-feira, 10 de setembro. O sinal foi emitido pela Estratégia Radar, modelo quantitativo utilizado pela área de Research do banco para tentar identificar tendências de curto e médio prazo a partir do comportamento dos preços das ações.

A recomendação é de compra de EQTL3 na abertura do pregão, com tolerância para entrada até 1% acima da cotação de abertura. Diferentemente de uma operação tradicional estruturada com preço-alvo e stop loss definidos desde o início, o sistema do BB-BI procura permanecer posicionado enquanto o algoritmo identificar continuidade da tendência. A saída é determinada posteriormente por um novo sinal emitido pelo próprio modelo.

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Essa característica torna a recomendação diferente de uma avaliação fundamentalista sobre o valor justo da Equatorial. O BB Investimentos não está, nessa operação específica, estabelecendo quanto EQTL3 deveria valer com base em lucro, geração de caixa ou perspectivas de longo prazo. O objetivo é capturar uma eventual tendência positiva do preço durante dias, semanas ou, em alguns casos, períodos mais longos.

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O sinal também aparece depois de uma sequência de valorização das ações no início de setembro. EQTL3 encerrou a quarta-feira, 9, a R$ 38,81, depois de oscilar entre R$ 38,49 e R$ 39,24 durante a sessão. Desde o fechamento de agosto, quando terminou próxima de R$ 36,67, a ação acumulava valorização superior a 5% até a véspera da nova indicação do BB-BI.

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Como funciona o sinal para Equatorial (EQTL3)

A Estratégia Radar utiliza algoritmos desenvolvidos pelo Research do BB Investimentos para acompanhar tendências em ações negociadas na B3. O modelo trabalha com combinações de médias móveis de diferentes períodos e procura detectar momentos em que o comportamento mais recente do ativo começa a se deslocar em relação à tendência observada em uma janela mais longa.

Um cruzamento entre uma média de curto prazo e uma média de médio prazo pode gerar um sinal de entrada. O sistema continua acompanhando o papel depois da compra e emite outro alerta quando a configuração técnica deixa de justificar a posição.

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No caso da Equatorial (EQTL3), o algoritmo identificou possibilidade de continuidade de um movimento de alta.

A regra operacional é importante: o preço sugerido é o da abertura desta quinta-feira. Quem não conseguir executar exatamente nesse nível ainda pode considerar a operação, segundo a metodologia, desde que a cotação não esteja mais de 1% acima do preço inicial.

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Isso busca evitar que o investidor entre depois de uma valorização muito rápida e passe a assumir uma relação de risco diferente daquela que originou o sinal.

A ausência de um alvo fixo também tem uma lógica específica. Uma tendência pode produzir valorização pequena e desaparecer rapidamente ou continuar durante várias semanas. Ao deixar que o algoritmo determine a saída, o modelo tenta evitar que uma posição vencedora seja encerrada apenas porque atingiu um percentual previamente escolhido.

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O mesmo mecanismo, porém, significa que o papel pode devolver parte dos ganhos antes de o sinal de encerramento aparecer.

Recomendação é técnica, não fundamentalista

Essa distinção ganha importância quando se observa o momento financeiro da Equatorial.

A companhia apresentou crescimento de receita no segundo trimestre de 2026, mas também registrou forte redução do lucro ajustado e aumento de seu endividamento. Portanto, a leitura técnica positiva do preço não significa que todos os indicadores do balanço estejam avançando na mesma direção.

A receita operacional líquida alcançou R$ 13,74 bilhões entre abril e junho, crescimento de 10,2% sobre os R$ 12,47 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O Ebitda ajustado, indicador utilizado para acompanhar a geração operacional, ficou em R$ 2,93 bilhões, avanço mais modesto de 0,8%. A margem Ebitda ajustada recuou de 23,3% para 21,3%.

Já o lucro líquido ajustado caiu 83,5%, de R$ 668 milhões para R$ 110 milhões.

O lucro contábil ficou em R$ 653 milhões, mas foi beneficiado por eventos que não devem ser tratados como recorrentes, incluindo ganho de aproximadamente R$ 355 milhões relacionado à adesão ao chamado Acordo Gaúcho, que envolveu descontos sobre passivos de ICMS.

Para um investidor de longo prazo, esses números precisam ser analisados em conjunto com endividamento, investimentos e perspectivas dos diferentes negócios. Para a Estratégia Radar, porém, o elemento determinante continua sendo o preço da ação.

Distribuição de energia continua sustentando operação

A base operacional da Equatorial permanece concentrada principalmente na distribuição de energia elétrica.

O grupo possui sete concessionárias nos Estados do Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Sul, Amapá e Goiás e atende mais de 14 milhões de consumidores. A companhia figura entre os maiores grupos privados de distribuição de energia do Brasil.

No segundo trimestre, o Ebitda ajustado das distribuidoras alcançou aproximadamente R$ 2,6 bilhões, aumento de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025.

O volume de energia distribuída cresceu 4,2%. Considerando um ajuste relacionado à contabilização da operação em Alagoas, o avanço teria chegado a aproximadamente 5%.

As perdas consolidadas ficaram em 17,9%, cerca de um ponto percentual abaixo do nível reconhecido pelo regulador na tarifa.

O desempenho ajudou a compensar resultados mais fracos em outras áreas, especialmente geração de energia e a contribuição da participação da Equatorial na Sabesp.

Essa capacidade de melhorar distribuidoras adquiridas ao longo do tempo tornou-se uma das características mais observadas da estratégia do grupo.

Copasa aumenta aposta da Equatorial em saneamento

Ao mesmo tempo em que mantém a distribuição de energia como principal fonte operacional, a Equatorial está avançando rapidamente para se transformar em uma plataforma mais ampla de infraestrutura regulada.

O passo mais recente foi a aquisição de 30% da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa (CSMG3), dentro do processo de privatização realizado pelo governo mineiro.

A participação foi adquirida por uma subsidiária do grupo, a Gerais Saneamento, e tornou a Equatorial acionista de referência da companhia mineira.

Em agosto, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou a operação sem restrições. O Cade analisou questionamentos sobre possíveis impactos concorrenciais, mas concluiu que não havia razões para impor remédios ou impedir o negócio.

A aquisição exigiu um desembolso expressivo. A Equatorial informou que captou R$ 7,6 bilhões no segundo trimestre, dos quais aproximadamente R$ 5,1 bilhões foram destinados ao investimento na Copasa.

Essa expansão aumenta a exposição da companhia ao saneamento e aproxima a estratégia mineira daquela adotada em São Paulo.

Equatorial já possui 15% da Sabesp (SBSP3)

A companhia também é investidora de referência da Sabesp (SBSP3).

A Equatorial adquiriu 15% da empresa paulista durante o processo de privatização concluído em 2024. A participação é minoritária e não representa controle isolado, mas colocou o grupo entre os principais acionistas da maior companhia de saneamento do País.

Com Sabesp e Copasa, a Equatorial passou a ter exposição relevante a duas das maiores empresas de água e esgoto do Brasil.

A estratégia amplia o potencial de crescimento em infraestrutura regulada, mas também eleva a complexidade do grupo e aumenta as necessidades de capital.

Esse é um dos principais pontos de atenção para os investidores.

A Equatorial construiu sua trajetória adquirindo ativos que, em vários momentos, precisavam de melhoria operacional e posteriormente ampliando eficiência e rentabilidade. O desafio agora é repetir essa capacidade em uma estrutura muito maior e cada vez mais diversificada.

Dívida líquida passa de R$ 51 bilhões

A expansão tem impacto direto no balanço.

A dívida líquida da Equatorial chegou a aproximadamente R$ 51,83 bilhões ao final do segundo trimestre, aumento de cerca de 15% em relação ao período comparável.

A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, na visão utilizada para os covenants financeiros, permaneceu ao redor de 3,1 vezes.

O número não representa necessariamente uma situação de estresse financeiro, especialmente para um grupo com receitas reguladas e previsíveis, mas exige acompanhamento porque a empresa segue realizando investimentos elevados e financiando aquisições.

A liquidez, por outro lado, melhorou. A relação entre disponibilidades e dívida de curto prazo passou de aproximadamente 1,3 vez para 2,5 vezes em um ano, e o caixa chegou a cerca de R$ 10 bilhões.

Os investimentos da Equatorial ficaram próximos de R$ 2,6 bilhões apenas no segundo trimestre.

Para quem acompanha EQTL3 com uma visão fundamentalista, o equilíbrio entre expansão, retorno dos ativos adquiridos e alavancagem provavelmente será uma das variáveis mais importantes dos próximos resultados.

EQTL3 vinha recuperando terreno em setembro

A recomendação técnica do BB Investimentos aparece depois de um movimento importante da ação.

EQTL3 encerrou agosto a R$ 36,67. Em 1º de setembro, terminou próxima de R$ 37,09. No dia seguinte, avançou para a região de R$ 38,38 e posteriormente chegou a negociar perto de R$ 40.

Na quarta-feira, 9, fechou em R$ 38,81.

Essa sequência é relevante para compreender por que um algoritmo baseado em tendência pode produzir um sinal de compra mesmo em uma companhia que apresentou queda significativa do lucro ajustado no balanço mais recente.

Análise técnica não exige necessariamente melhora simultânea dos indicadores corporativos. Ela parte da premissa de que o comportamento do preço, do volume e de diferentes referências estatísticas pode revelar uma tendência negociável.

Isso não significa que fundamentos sejam irrelevantes. Significa apenas que eles não são a variável que determina a entrada e a saída dessa estratégia específica.

Swing trade é diferente de day trade

Outro cuidado é não confundir a recomendação com uma operação de day trade.

No day trade, a posição é aberta e encerrada dentro do mesmo pregão. O investidor tenta capturar movimentos que podem durar minutos ou horas e termina o dia sem permanecer exposto ao ativo.

No swing trade, a posição pode atravessar vários pregões.

No modelo do BB Investimentos, uma operação pode durar poucos dias quando a tendência perde força rapidamente ou permanecer aberta durante semanas e até meses quando o movimento continua favorável.

Isso cria riscos diferentes.

Quem permanece comprado de um dia para o outro está sujeito a notícias divulgadas depois do fechamento, mudanças no mercado internacional, decisões regulatórias e eventos corporativos que podem fazer a ação abrir no pregão seguinte muito distante da cotação anterior.

No caso da Equatorial, questões como decisões da Aneel, revisões tarifárias, resultados das distribuidoras, evolução da Copasa e Sabesp, juros e notícias sobre endividamento podem alterar a percepção do mercado.

Setor elétrico também reage aos juros

Além das questões específicas da empresa, EQTL3 está inserida em um setor bastante sensível à trajetória das taxas de juros.

Companhias de infraestrutura e utilities normalmente possuem ativos de longo prazo, grandes programas de investimento e volumes significativos de dívida. Quando os juros caem, o custo de financiamento pode diminuir e o valor presente dos fluxos futuros tende a aumentar.

No Brasil, a Selic permanece em 14% ao ano, mas investidores vêm discutindo a possibilidade de cortes ao longo dos próximos trimestres.

Uma eventual trajetória de queda dos juros pode melhorar a percepção sobre empresas de infraestrutura. O movimento contrário — manutenção das taxas elevadas por mais tempo — tende a aumentar o peso das despesas financeiras e tornar títulos de renda fixa mais competitivos em relação às ações.

Para a Equatorial, essa variável é especialmente relevante diante de uma dívida líquida superior a R$ 50 bilhões.

Sinal positivo exige acompanhamento do preço

O investidor que seguir uma recomendação como a Estratégia Radar precisa acompanhar algo diferente de quem compra uma ação com horizonte de vários anos.

A operação não termina quando a companhia divulga um bom resultado nem quando um analista altera seu preço-alvo fundamentalista. Ela termina quando o algoritmo utilizado pelo BB Investimentos deixa de identificar a tendência que originou o sinal.

Por isso, a indicação de compra desta quinta-feira deve ser interpretada dentro dos limites propostos pelo próprio modelo.

A entrada sugerida é a abertura do pregão de 10 de setembro, com tolerância de até 1% acima desse preço. Quem adquirir EQTL3 muito acima desse limite estará realizando uma operação diferente daquela originalmente calculada pelo banco.

Também não existe, no alerta inicial, promessa de ganho ou prazo garantido para encerramento.

O sinal técnico ocorre em um momento no qual a Equatorial reúne elementos potencialmente favoráveis e pontos claros de atenção. A distribuição de energia continua apresentando expansão operacional, a empresa ganhou escala em saneamento com Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3), e a receita cresceu no último trimestre. No outro lado da equação, o lucro ajustado caiu fortemente e a dívida líquida já ultrapassa R$ 51 bilhões.

Nada disso, porém, muda a natureza da recomendação divulgada pelo BB Investimentos nesta quinta-feira: trata-se de uma aposta tática de swing trade em Equatorial (EQTL3), baseada em um algoritmo que detectou a possibilidade de continuidade de uma tendência de alta — e cuja permanência dependerá do próximo sinal emitido pelo próprio sistema.

Fontes: BB Investimentos; Equatorial Energia; B3; Conselho Administrativo de Defesa Econômica; resultados do segundo trimestre de 2026 da Equatorial; dados de mercado.

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