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Braskem (BRKM5) dispara 20% após JP Morgan elevar recomendação e ver potencial de alta de 63%

Banco passou a recomendar compra para as ações da petroquímica, elevou preço-alvo para R$ 15 e apontou melhora de margens, oferta global mais restrita e avanços de governança

por Alice Nascimento - Repórter de Negócios
12/05/2026 às 12h36 - Atualizado em 14/05/2026 às 12h28
em Ibovespa, Mercados, Notícias
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As ações da Braskem (BRKM5) dispararam nesta quinta-feira (12) após o JP Morgan elevar a recomendação dos papéis de neutro para compra e aumentar o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15, o que implica potencial de valorização de 63% em relação ao fechamento anterior. Com a revisão, os papéis chegaram a subir 20,65%, a R$ 11,10, registrando o maior salto percentual diário desde novembro de 2023 e liderando as altas da B3 e do Ibovespa.

Por volta das 11h38, as ações da Braskem (BRKM5) avançavam 18,80%, cotadas a R$ 10,93, enquanto o Ibovespa recuava 0,93%, aos 180.218,06 pontos. O desempenho destoante reforçou a reação positiva dos investidores ao relatório do JP Morgan, que apontou melhora nos fundamentos da petroquímica, oferta global mais apertada, margens mais favoráveis e fortalecimento da governança após a reestruturação societária.

Na avaliação do banco, a Braskem (BRKM5) está posicionada para um 2026 mais forte, beneficiada por desafios globais de mercado e restrições logísticas no Oriente Médio, que reduziram a oferta de produtos petroquímicos e sustentaram a melhora das margens. A leitura do JP Morgan sugere que a companhia pode atravessar um ciclo mais favorável depois de anos marcados por pressão de rentabilidade, excesso de capacidade global e incertezas societárias.

A analista Milene Clifford Carvalho, do JP Morgan, afirmou que a normalização da cadeia petroquímica deve levar vários meses, diante de interrupções contínuas em plantas industriais e prazos logísticos mais longos. Esse cenário tende a manter a oferta mais restrita por mais tempo, criando condições para spreads mais elevados no setor.

Oferta petroquímica global sustenta reação das ações

O principal argumento do JP Morgan para a revisão positiva da Braskem (BRKM5) está na mudança do ambiente global de oferta. Segundo o banco, as condições desafiadoras do mercado internacional e as restrições logísticas no Oriente Médio apertaram a oferta petroquímica, sustentando maiores taxas de utilização e melhora da rentabilidade operacional.

A região responde por cerca de 15% da capacidade global de polietileno e etileno, sendo 9% localizada no Estreito de Ormuz. Em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, as restrições de embarque e a redução da concorrência elevaram a pressão sobre a oferta mundial desses produtos.

Para a Braskem (BRKM5), esse movimento é relevante porque a companhia é diretamente sensível ao comportamento dos spreads petroquímicos. Quando a oferta global fica mais apertada, os preços tendem a encontrar sustentação, enquanto a utilização das plantas pode melhorar, favorecendo a geração de caixa e os resultados operacionais.

O JP Morgan afirmou que revisou suas estimativas para a Braskem (BRKM5) para refletir spreads mais elevados, o que deve sustentar resultados financeiros significativamente mais fortes em comparação aos níveis anteriores ao conflito. Ainda assim, o banco destacou que estoques de segurança e o excesso de capacidade da indústria ajudaram a mitigar os impactos no primeiro trimestre de 2026.

Braskem pode ter 2026 mais forte, avalia JP Morgan

A nova recomendação do JP Morgan indica uma mudança de percepção sobre o ciclo da Braskem (BRKM5). Depois de um período de pressão sobre margens, endividamento elevado e incertezas relacionadas à governança, o banco passou a enxergar um conjunto mais favorável para a petroquímica.

O preço-alvo de R$ 15 representa potencial de valorização expressivo em relação ao fechamento anterior. A revisão do preço-alvo sinaliza que, na visão do banco, o mercado ainda não incorporava totalmente a melhora esperada nos fundamentos da companhia.

A reação imediata das ações mostra que investidores também passaram a reprecificar o risco da empresa. Em um pregão negativo para o Ibovespa, a disparada da Braskem (BRKM5) chamou atenção por combinar recomendação positiva de banco internacional com fatores estruturais que podem afetar os resultados da companhia nos próximos trimestres.

Ainda assim, a tese permanece sujeita a riscos. O setor petroquímico é cíclico, depende da demanda global, dos custos de matérias-primas, da competição internacional e da evolução da capacidade instalada. A melhora de margens pode ser relevante, mas sua duração dependerá da velocidade de normalização da cadeia global e do comportamento da demanda.

Oriente Médio vira fator decisivo para margens

O conflito entre Estados Unidos e Irã adicionou um componente geopolítico importante à análise da Braskem (BRKM5). As restrições logísticas no Oriente Médio afetam uma região relevante para a cadeia petroquímica mundial, especialmente em produtos como polietileno e etileno.

O Estreito de Ormuz é um corredor estratégico para o comércio global de energia e petroquímicos. Qualquer restrição de embarque ou aumento de risco nessa rota tende a impactar prazos, custos logísticos e disponibilidade de produtos.

Para produtores fora da região, como a Braskem (BRKM5), um ambiente de menor competição externa pode favorecer preços e margens. A redução temporária de oferta de concorrentes globais tende a melhorar o equilíbrio entre produção e demanda, especialmente em mercados antes pressionados por excesso de capacidade.

O JP Morgan avalia que a normalização ao longo da cadeia pode levar meses. Isso significa que o efeito positivo sobre spreads e rentabilidade pode não ser apenas pontual, embora continue condicionado à evolução do conflito e à capacidade de recomposição da oferta internacional.

Incentivos fiscais reforçam tese de competitividade

Além do cenário global, o JP Morgan destacou avanços no arcabouço de apoio à indústria química brasileira. Para o banco, medidas fiscais recentes podem melhorar a competitividade dos produtores locais diante da pressão das importações e da baixa oferta global.

Entre os pontos mencionados está o Programa de Investimento de Regime Especial da Indústria Química (REIQ), que deve apoiar projetos de expansão de capacidade. O banco também citou a Lei Complementar nº 228, que elevou o benefício do REIQ de 0,73% para 5,8%.

Outro fator apontado foi a Lei nº 15.294/25, que instituiu o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química, válido de janeiro de 2027 a dezembro de 2031. A medida pode contribuir para a previsibilidade regulatória e para a sustentação de investimentos no setor.

Para a Braskem (BRKM5), os incentivos fiscais podem ajudar a aliviar parte da desvantagem competitiva enfrentada pela indústria química brasileira, que sofre com custos estruturais elevados, carga tributária, logística complexa e concorrência de produtos importados.

Governança muda com entrada da IG4

O JP Morgan também atribuiu parte da revisão positiva à mudança na governança da Braskem (BRKM5). O banco considera que a transação com a IG4 representa uma alteração significativa na estrutura societária da companhia, substituindo o modelo anterior liderado pela Novonor por uma co-governança entre IG4 e Petrobras.

Segundo o relatório, o novo acordo de acionistas prevê um conselho com 11 membros, incluindo três independentes, e representação equilibrada entre IG4 e Petrobras. As nomeações da diretoria executiva e as principais decisões do conselho e dos acionistas exigirão consenso.

Na avaliação do JP Morgan, esse modelo garante supervisão conjunta e alinhamento estratégico. O banco vê a nova estrutura como uma mudança clara em relação ao período anterior, em que a participação majoritária da Novonor resultava em maior controle do conselho e menor influência da Petrobras.

A melhora de governança é relevante porque a estrutura societária da Braskem (BRKM5) vinha sendo acompanhada com cautela pelo mercado. Incertezas sobre controle, tomada de decisão, desalavancagem e estratégia de longo prazo afetavam a percepção de risco dos investidores.

Petrobras ganha papel mais relevante na nova estrutura

A nova configuração societária também recoloca a Petrobras em posição de maior influência dentro da Braskem (BRKM5). A estatal já era acionista relevante da petroquímica, mas, segundo a leitura do JP Morgan, a transação com a IG4 cria um modelo mais equilibrado de governança.

A presença da Petrobras pode ter efeitos distintos. De um lado, a estatal tem relevância estratégica para o setor de petróleo, gás e derivados, além de relação direta com matérias-primas importantes para a cadeia petroquímica. De outro, investidores costumam acompanhar com atenção o risco de interferência política em empresas com participação estatal relevante.

O desenho de co-governança busca mitigar esse risco ao exigir consenso para decisões estratégicas. A presença de membros independentes no conselho também tende a ser observada como fator positivo, desde que contribua para disciplina de capital, transparência e execução operacional.

Para o mercado, a mudança pode reduzir parte do desconto atribuído às ações da Braskem (BRKM5), especialmente se vier acompanhada de melhora de resultados e maior previsibilidade na estratégia da companhia.

Ação lidera Ibovespa em dia negativo para a Bolsa

A disparada da Braskem (BRKM5) ocorreu em um dia de queda do Ibovespa, o que ampliou o destaque dos papéis no pregão. Enquanto o índice recuava 0,93% por volta das 11h38, a petroquímica subia quase 19%, figurando como principal alta da B3.

Esse descolamento mostra que a reação foi motivada por fatores específicos da empresa, e não por uma melhora generalizada do mercado. A revisão do JP Morgan funcionou como gatilho para uma reprecificação rápida dos papéis.

Movimentos dessa magnitude costumam ocorrer quando investidores consideram que uma ação estava descontada demais diante de novos fundamentos. No caso da Braskem (BRKM5), o banco apontou uma combinação de melhora operacional, suporte regulatório e governança mais robusta.

Ainda assim, altas intensas também podem gerar volatilidade no curto prazo. Parte dos investidores pode realizar lucros após o salto, enquanto outros podem aguardar novas evidências de melhora nos resultados antes de ampliar posições.

Setor petroquímico segue exposto a riscos globais

Apesar da revisão positiva, a Braskem (BRKM5) continua inserida em um setor altamente cíclico. A petroquímica depende de demanda industrial, consumo, construção civil, embalagens, custos de matéria-prima e preços internacionais.

O excesso de capacidade global foi um dos principais fatores de pressão sobre margens nos últimos anos. Mesmo com a oferta mais restrita no curto prazo, a indústria ainda pode enfrentar desafios caso novas plantas entrem em operação ou se a demanda global perder força.

A instabilidade geopolítica também tem efeito ambíguo. Embora restrições no Oriente Médio possam favorecer margens no curto prazo, a escalada de conflitos pode elevar custos logísticos, criar incerteza para cadeias produtivas e afetar o comércio global.

Além disso, a Braskem (BRKM5) tem desafios próprios, incluindo endividamento, necessidade de disciplina financeira, investimentos em sustentabilidade, exposição cambial e eventuais passivos. A melhora de percepção do mercado não elimina esses pontos, mas pode reduzir o grau de pressão sobre a companhia se os resultados melhorarem.

Revisão do JP Morgan reacende debate sobre virada da Braskem

A elevação da recomendação pelo JP Morgan recoloca a Braskem (BRKM5) no radar dos investidores como uma possível tese de recuperação em 2026. O salto das ações indica que o mercado passou a considerar com mais força a possibilidade de uma virada operacional e societária na companhia.

A tese positiva combina três pilares: melhora dos spreads petroquímicos, incentivos fiscais à indústria química e governança mais equilibrada após a entrada da IG4. Juntos, esses fatores sustentam a visão de que a companhia pode entregar resultados mais fortes do que o mercado vinha projetando.

O desafio da Braskem (BRKM5) será transformar esse ambiente mais favorável em melhora consistente de lucro, caixa e desalavancagem. Para que a alta das ações se sustente, investidores devem monitorar próximos balanços, evolução das margens, execução da nova governança e condições globais de oferta.

A disparada de 20% no pregão marca a reação inicial a uma mudança relevante de percepção. A continuidade do movimento dependerá da capacidade da petroquímica de confirmar, nos números, a melhora que o JP Morgan passou a enxergar em suas estimativas.

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