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BTG Pactual (BPAC11), Intelbras (INTB3), Schulz (SHUL4) e Lavvi (LAVV3) pagam proventos nesta sexta-feira

Pagamentos de 14 de agosto incluem dividendos e juros sobre capital próprio; valores chegam a R$ 0,7766 por unit e dependem da posição acionária nas respectivas datas-base

por Camila Braga
14/08/2026 às 13h40
em Mercados
Dividendos - Gazeta Mercantil

Acionistas de quatro companhias listadas na B3 recebem proventos nesta sexta-feira, 14 de agosto de 2026. O calendário reúne pagamentos do BTG Pactual (BPAC11), Intelbras (INTB3), Schulz (SHUL4) e Lavvi (LAVV3), com valores e datas-base diferentes para cada ativo. A relação inclui tanto dividendos quanto juros sobre capital próprio (JCP), modalidades que possuem tratamento tributário distinto.

O maior valor por papel entre os ativos considerados nesta agenda é o do BTG Pactual, que realiza pagamento equivalente a R$ 0,7766 por unit BPAC11. O provento corresponde a juros sobre capital próprio e tem como referência os investidores posicionados nos papéis ao final do pregão de 10 de agosto. Cada unit do banco é formada por uma ação ordinária e duas ações preferenciais, o que explica a diferença entre o valor pago por ação individual e por BPAC11.

Na Intelbras, o crédito é de R$ 0,28563649015 por ação INTB3. A própria companhia informou que o Conselho de Administração aprovou R$ 93,463 milhões em dividendos intercalares, com direito assegurado aos acionistas registrados ao final do pregão de 3 de agosto. Os papéis passaram a ser negociados ex-dividendos em 4 de agosto.

Schulz e Lavvi completam a agenda desta sexta-feira. A Schulz paga JCP bruto de R$ 0,077333123 por ação preferencial SHUL4, enquanto a Lavvi desembolsa a terceira parcela de uma distribuição de dividendos intermediários aprovada no início do ano, correspondente a R$ 0,35817654002 por ação LAVV3.

BTG Pactual paga JCP aos detentores de BPAC11

O pagamento do Banco BTG Pactual (BPAC11) tem como data-base 10 de agosto de 2026. O valor bruto anunciado corresponde a aproximadamente R$ 0,2588 por ação e R$ 0,7766 por unit, com crédito programado para esta sexta-feira.

A classificação do pagamento é relevante para o investidor porque o provento é JCP, e não dividendo. O BTG mantém política de distribuição periódica de resultados, observadas as propostas da administração, o estatuto social e a legislação aplicável. A política divulgada pela instituição aponta expectativa de distribuição correspondente a 25% do lucro líquido consolidado, sem vincular cada pagamento individual a um percentual específico do resultado de determinado trimestre.

Os investidores que compraram BPAC11 depois da data de corte não participam deste pagamento. A partir da abertura da negociação ex-direito, o comprador do ativo passa a adquirir as units sem o direito ao provento já declarado.

A distinção entre data de pagamento e data-base é central nesse tipo de operação. O fato de o dinheiro entrar na conta nesta sexta-feira não significa que seja necessário manter os papéis até 14 de agosto. O direito foi definido pela posição acionária registrada na data estabelecida pela companhia.

Intelbras distribui R$ 93,46 milhões em dividendos

A Intelbras (INTB3) aprovou a distribuição de R$ 93.463.433 em dividendos intercalares referentes ao resultado do primeiro semestre de 2026. O montante representa exatamente R$ 0,28563649015 por ação, considerando a quantidade de ações da companhia fora da tesouraria.

O Conselho de Administração tomou a decisão em reunião realizada em 28 de julho. De acordo com a ata da companhia, tiveram direito ao pagamento os acionistas que possuíam INTB3 ao final de 3 de agosto. Desde o pregão seguinte, em 4 de agosto, as ações passaram a negociar na condição ex-dividendos.

A Intelbras informou ainda que os recursos creditados nesta sexta-feira não terão atualização monetária nem incidência de juros entre a declaração e o pagamento. Os dividendos serão imputados ao dividendo mínimo obrigatório referente ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2026.

Para investidores mantidos em custódia na B3, o crédito segue os procedimentos da própria depositária. A companhia utiliza o BTG Pactual Serviços Financeiros como instituição responsável pela escrituração das ações INTB3.

O pagamento também amplia a distribuição de recursos aos acionistas em um momento no qual a empresa já divulgou suas informações financeiras referentes ao segundo trimestre. Para efeito do investidor, porém, a característica essencial nesta sexta-feira é que o valor de R$ 0,28563649015 é um dividendo, e não JCP.

Schulz paga JCP com retenção de 17,5% de IR

A Schulz (SHUL4) realiza nesta sexta-feira o pagamento de juros sobre capital próprio aprovado pelo Conselho de Administração em março. A companhia destinou R$ 26,5 milhões ao provento, com valor bruto de R$ 0,077333123 por ação preferencial e R$ 0,070302839 por ação ordinária.

O direito foi definido pela posição acionária de 26 de março. As ações começaram a ser negociadas ex-JCP em 27 de março. Para os detentores de SHUL4, o valor líquido informado pela própria Schulz é de R$ 0,063799827 por ação preferencial. Para SHUL3, o crédito líquido corresponde a R$ 0,057999843 por ação ordinária.

O comunicado da companhia também evidencia uma mudança tributária importante para investidores em 2026. A Schulz calcula o pagamento líquido com retenção de 17,5% de Imposto de Renda na fonte, exceto nos casos em que o acionista comprove condição de imunidade ou dispensa legal da retenção.

A alíquota de JCP passou a 17,5%, segundo documentação da Receita Federal referente às mudanças tributárias em vigor em 2026. Por isso, referências ao antigo percentual de 15% já não refletem a tributação aplicada a esses pagamentos neste ano.

O JCP distribuído pela Schulz será computado para fins dos dividendos obrigatórios previstos no estatuto da empresa.

Lavvi paga terceira parcela de distribuição de R$ 200 milhões

A Lavvi (LAVV3) transfere nesta sexta-feira R$ 70 milhões aos acionistas, correspondentes à terceira parcela de um programa de dividendos intermediários no total de R$ 200 milhões aprovado pelo Conselho de Administração em 27 de janeiro de 2026.

O pagamento representa R$ 0,35817654002 por ação. O direito pertence aos acionistas que possuíam LAVV3 em 2 de fevereiro, enquanto os papéis passaram a negociar ex-direito em 3 de fevereiro. A deliberação sobre os dividendos foi posteriormente ratificada pela Assembleia Geral Ordinária realizada em 23 de abril.

O calendário elaborado pela incorporadora prevê quatro parcelas. A primeira foi paga em 17 de março e a segunda em 15 de maio. A terceira, de R$ 70 milhões, chega aos acionistas nesta sexta-feira.

A distribuição ocorre após a Lavvi reportar lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 82,6 milhões no segundo trimestre de 2026. No semestre, o lucro atingiu R$ 152,5 milhões. A companhia encerrou junho com R$ 944,2 milhões em caixa e aplicações e dívida líquida de R$ 525,3 milhões.

Os números ajudam a contextualizar o pagamento: os R$ 70 milhões desembolsados nesta sexta-feira não correspondem apenas ao resultado do segundo trimestre, mas fazem parte de uma distribuição de resultados previamente aprovada.

Tributação exige atenção em 2026

Além dos valores pagos pelas quatro companhias, investidores precisam observar as diferenças tributárias entre os proventos. JCP e dividendos deixaram de poder ser resumidos pela antiga regra segundo a qual o primeiro sofria retenção de 15% e o segundo seria sempre isento.

No caso do JCP, a retenção aplicada em 2026 é de 17,5%, como mostra o próprio comunicado da Schulz e a documentação tributária da Receita Federal. O imposto é retido na fonte antes do dinheiro chegar ao investidor sujeito à tributação.

Os dividendos também passaram a ter uma regra adicional a partir de janeiro de 2026. A Receita Federal informa que distribuições feitas por uma mesma pessoa jurídica a uma mesma pessoa física residente no Brasil ficam sujeitas a IRRF quando superam R$ 50 mil em um mesmo mês, nos termos das regras introduzidas pela Lei nº 15.270/2025.

Isso significa que a situação tributária efetiva depende do tipo de provento, do beneficiário e, no caso dos dividendos, do volume recebido dentro das condições previstas na legislação. A existência de um pagamento nesta sexta-feira, portanto, não permite aplicar automaticamente a mesma regra fiscal a todos os investidores.

Para os quatro ativos, também não é necessário comprar as ações nesta sexta-feira para receber os valores desta agenda. Todas as datas-base já passaram: 10 de agosto para o BTG Pactual, 3 de agosto para a Intelbras, 26 de março para a Schulz e 2 de fevereiro para a Lavvi.

Quem adquiriu os papéis depois dessas datas pode participar de futuras distribuições, mas não dos proventos creditados em 14 de agosto. Da mesma forma, quem detinha os ativos na data-base preservou o direito ao pagamento ainda que tenha vendido as ações posteriormente, depois de iniciada a negociação ex-direito.

A agenda desta sexta-feira reúne, assim, dois mecanismos distintos de remuneração aos acionistas e evidencia a importância de observar três informações antes de comparar pagamentos: valor por ação, data-base e natureza do provento. Esses elementos determinam quem recebe, quanto recebe e qual tratamento tributário poderá incidir sobre o crédito.

Fontes:

Banco BTG Pactual — Política de Dividendos

Intelbras — Aviso aos Acionistas — Pagamento de Dividendos

Schulz — Comunicado ao Mercado — Juros sobre Capital Próprio

Lavvi — Divulgação de Resultados do 2T26

Receita Federal — Tributação de lucros, dividendos e JCP em 2026

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