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Datafolha: Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro após caso ‘Dark Horse’

Presidente sobe para 40% no 1º turno, enquanto senador recua para 31%; no 2º turno, Lula aparece numericamente à frente.

por Júlia Campos
22/05/2026 às 16h38
em Política
Datafolha: Lula Abre Vantagem Sobre Flávio Bolsonaro Após Caso ‘Dark Horse’ - Gazeta Mercantil - Política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial de 2026, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22 de maio de 2026), após a repercussão do caso “Dark Horse”. No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 31% de Flávio, uma diferença de nove pontos percentuais. No levantamento anterior, divulgado uma semana antes, o placar era de 38% a 35%, em empate técnico dentro da margem de erro.

A pesquisa foi realizada depois da divulgação de informações sobre o pedido de recursos feito por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o levantamento, 64% dos entrevistados afirmaram ter ouvido falar do episódio, e o mesmo percentual disse considerar que Flávio agiu de forma errada no caso.

Leia também: Trump sanções contra o Brasil: ofensiva política contra Lula em apoio a Bolsonaro.

O impacto também aparece na simulação de segundo turno. Lula, que estava empatado com Flávio Bolsonaro em 45% na rodada anterior, agora aparece numericamente à frente, com 47%, contra 43% do senador. A diferença permanece dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas marca mudança no cenário após a crise envolvendo o filme “Dark Horse” e o Banco Master.

Vantagem no primeiro turno sobe de 3 para 9 pontos

A principal mudança registrada pelo Datafolha está no cenário de primeiro turno. Em uma semana, Lula passou de 38% para 40%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 35% para 31%. Com isso, a diferença entre os dois foi de três para nove pontos percentuais.

O movimento ocorre em meio ao desgaste político do senador após a divulgação do caso “Dark Horse”. Inicialmente, Flávio classificou a reportagem como “fake news”, mas depois admitiu ter pedido recursos para a produção do filme sobre a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

Mesmo com o recuo, Flávio segue como o principal nome da oposição ao governo Lula nos cenários testados. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados respondem sem receber uma lista de candidatos, o senador aparece com 17% das citações. Lula lidera esse recorte, com 28%.

Os demais nomes permanecem em patamar distante. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, aparece com 4%, enquanto o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, marca 3%.

Caso ‘Dark Horse’ atinge percepção sobre Flávio

O Datafolha mostra que o episódio envolvendo “Dark Horse” alcançou parcela expressiva do eleitorado. Segundo o instituto, 64% dos entrevistados disseram ter ouvido falar do caso. O mesmo percentual afirmou considerar que Flávio Bolsonaro agiu de forma errada.

A repercussão começou após a divulgação de informações pelo Intercept Brasil sobre pedido de recursos feito por Flávio a Daniel Vorcaro. O dinheiro seria destinado ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro até a eleição de 2018, incluindo o atentado a faca durante a campanha.

Flávio Bolsonaro afirma que buscou recursos privados para o projeto e nega ter oferecido qualquer vantagem em troca. O caso, no entanto, ampliou a pressão sobre sua pré-candidatura e passou a influenciar o debate sobre a estratégia da oposição para 2026.

O episódio também se conectou à crise envolvendo o Banco Master, já que Vorcaro é personagem central das investigações sobre a instituição financeira. O caso passou a alimentar discussões no Congresso sobre a abertura de CPI ou CPMI para investigar o banco.

Segundo turno mostra Lula com 47% e Flávio com 43%

Na simulação de segundo turno, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa anterior, os dois estavam empatados em 45%.

A diferença atual ainda está dentro da margem de erro, mas o movimento indica melhora numérica para o presidente e recuo do senador depois da crise. Em eleições polarizadas, variações nesse recorte costumam ser acompanhadas de perto por partidos, aliados e investidores, porque ajudam a medir a capacidade de transferência de votos e a rejeição dos candidatos.

O cenário também sugere que a disputa permanece competitiva. Apesar da queda no primeiro turno e do desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”, Flávio mantém desempenho elevado em eventual confronto direto com Lula.

Para o PL, o desafio será conter a perda de apoio e reduzir o impacto do episódio sobre a imagem do senador. Para o PT, a pesquisa indica ganho de fôlego em um momento em que o governo busca consolidar a pré-campanha à reeleição.

Michelle Bolsonaro aparece como alternativa no campo oposicionista

A pesquisa também testou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que voltou a ser mencionada como alternativa ao nome de Flávio em meio à crise.

Em uma simulação de segundo turno, Michelle aparece com desempenho semelhante ao do senador: Lula teria 48%, contra 43% da ex-primeira-dama. No primeiro turno, porém, ela aparece mais distante do presidente, com 22% das intenções de voto, ante 41% de Lula.

O dado mostra que Michelle tem força no campo bolsonarista, mas enfrenta maior dificuldade de largada no primeiro turno em comparação com Flávio. A avaliação sobre seu desempenho pode influenciar debates internos na oposição, especialmente se o desgaste do senador se aprofundar.

Ainda assim, até o momento, Flávio Bolsonaro segue como o principal nome apresentado pelo PL para a disputa presidencial de 2026. O partido tem reiterado apoio ao senador, embora a crise tenha aumentado especulações sobre alternativas.

Rejeição de Flávio chega a 46%

O Datafolha também mediu a rejeição dos principais nomes da disputa presidencial. Segundo o levantamento, 46% dos entrevistados afirmaram que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro.

Lula aparece logo atrás, com rejeição de 45%. Michelle Bolsonaro registra 31% nesse indicador.

A rejeição elevada dos dois principais nomes confirma o grau de polarização da disputa. Em cenários de segundo turno, esse indicador tende a ser decisivo porque mede o teto de resistência de cada candidatura e a possibilidade de atração de eleitores fora das bases mais fiéis.

Para Flávio, o desafio é impedir que o caso “Dark Horse” eleve ainda mais a rejeição. Para Lula, a pesquisa mostra vantagem no momento, mas também indica que o presidente segue com resistência expressiva em parcela relevante do eleitorado.

Levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios

A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios entre quarta-feira (20 de maio) e quinta-feira (21 de maio). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07489/2026.

Por ter sido realizado logo após a repercussão do caso “Dark Horse”, o levantamento funciona como primeiro retrato mais amplo do impacto político do episódio sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

A sequência das próximas pesquisas será decisiva para indicar se a queda do senador representa um movimento pontual, concentrado no auge da crise, ou uma mudança mais duradoura na corrida presidencial.

Pesquisa amplia pressão sobre estratégia da oposição

A nova rodada do Datafolha aumenta a pressão sobre a oposição e sobre o PL. Flávio Bolsonaro continua competitivo, mas perdeu terreno no primeiro turno e deixou de aparecer empatado numericamente com Lula no segundo turno.

O caso “Dark Horse” colocou a pré-candidatura sob escrutínio e reforçou a disputa por controle da narrativa em torno do Banco Master. A defesa pública de uma CPI sobre o banco passou a ser usada por aliados do senador como tentativa de demonstrar disposição para esclarecer o caso.

Ao mesmo tempo, o crescimento da vantagem de Lula no primeiro turno fortalece a estratégia do governo de associar a crise ao campo bolsonarista. A campanha de 2026 ainda está em fase inicial, mas o levantamento mostra que episódios de alta repercussão já têm potencial para alterar o equilíbrio eleitoral.

Até novas rodadas de pesquisa, o cenário permanece marcado por três elementos: liderança de Lula, desgaste de Flávio após “Dark Horse” e busca da oposição por alternativas ou formas de recompor a competitividade do senador.

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