Flávio Bolsonaro tem 46% de rejeição e Lula, 45%, aponta Datafolha
Senador e presidente estão tecnicamente empatados no indicador; levantamento ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios nos dias 20 e 21 de maio.
Por Helena Duarte
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente como o nome de maior rejeição entre os possíveis candidatos à Presidência testados pelo Datafolha, com 46% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de modo algum. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 45%. Como a diferença é de apenas um ponto percentual e a margem de erro do levantamento é de dois pontos, os dois estão tecnicamente empatados.
A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, e realizou 2.004 entrevistas presenciais com eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios. O trabalho de campo ocorreu na quarta-feira, 20, e na quinta-feira, 21 — e não até o dia 22. O nível de confiança informado é de 95%, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07489/2026.
A pergunta de rejeição permitia que o eleitor apontasse os nomes nos quais não votaria de jeito nenhum no primeiro turno. Por admitir mais de uma indicação, os percentuais dos candidatos não devem ser somados como se fossem uma distribuição de intenção de voto. O indicador mede resistência eleitoral, e não preferência ou projeção do resultado das urnas.
Flávio e Lula oscilam em direções opostas
Na pesquisa anterior, realizada nos dias 12 e 13 de maio e divulgada no sábado, 16, Lula registrava 47% de rejeição e Flávio Bolsonaro, 43%. Na comparação entre as duas rodadas, o índice do presidente oscilou dois pontos para baixo, enquanto o do senador avançou três pontos.
Esses movimentos devem ser interpretados considerando a margem de erro de dois pontos percentuais de cada levantamento. A posição numérica dos dois foi invertida, mas os resultados das duas pesquisas mostram Lula e Flávio concentrando patamares semelhantes de resistência e permanecendo tecnicamente próximos.
A rodada anterior ouviu o mesmo número de pessoas, 2.004, também em 139 municípios. A maior parte das entrevistas havia ocorrido antes de se tornar pública uma gravação envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master. A nova pesquisa foi realizada integralmente depois de o episódio entrar no debate político.
O intervalo temporal permite comparar a opinião registrada antes e depois da ampla divulgação do caso, mas não comprova que o episódio tenha causado sozinho a oscilação da rejeição. Pesquisas eleitorais captam o conjunto de percepções existentes durante o trabalho de campo e não isolam automaticamente o efeito de cada notícia, declaração ou acontecimento.
Michelle aparece em terceiro lugar
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ocupa a terceira posição, com 31% de rejeição. Ela fica 15 pontos abaixo de Flávio Bolsonaro e 14 pontos abaixo de Lula, mas apresenta grau de conhecimento menor do que os dois primeiros colocados.
Romeu Zema (Novo) e Cabo Daciolo (Mobiliza) registram 18% cada. Renan Santos (Missão) e Rui Costa Pimenta (PCO) aparecem com 16%. Ronaldo Caiado (PSD) e Aldo Rebelo (DC) têm 15% de rejeição entre os entrevistados.
Na sequência, Samara Martins (UP) registra 13%, Hertz Dias (PSTU), 12%, e Augusto Cury (Avante), 11%. Outros 2% dizem rejeitar todos os nomes apresentados ou não votar em nenhum deles, enquanto 2% não souberam responder. A parcela que afirma que votaria em qualquer um ou que não rejeita nenhum é de 1%.
As diferenças entre os nomes abaixo dos primeiros colocados precisam ser lidas junto com o nível de conhecimento de cada um. Uma taxa menor não significa necessariamente maior apoio eleitoral, pois parte dos entrevistados pode ainda não dispor de informação suficiente para formar uma avaliação sobre candidatos menos expostos nacionalmente.
Conhecimento interfere na leitura da rejeição
O Datafolha mostra que 13% dos entrevistados dizem não conhecer Michelle Bolsonaro, ante 7% que afirmam não conhecer Flávio. A diferença ajuda a explicar por que a comparação direta entre os índices de rejeição dos dois integrantes do mesmo campo político não pode ser feita sem considerar a exposição pública acumulada por cada um.
Entre os demais nomes, o desconhecimento é ainda maior. Ronaldo Caiado não é reconhecido por 52% dos entrevistados, e Romeu Zema, por 53%. Ao mesmo tempo, eles apresentam rejeição de 15% e 18%, respectivamente. Isso significa que mais da metade da amostra ainda não identifica os dois ex-governadores suficientemente para avaliá-los.
O nível de conhecimento pode mudar durante a campanha, quando candidatos recebem maior exposição, participam de debates, apresentam alianças e passam a ser associados a propostas e controvérsias. A rejeição, portanto, é um indicador sujeito a alterações conforme o eleitorado amplia o contato com cada candidatura.
No caso de Lula e Flávio Bolsonaro, a taxa elevada está associada também ao amplo reconhecimento dos dois. O presidente ocupa o centro da política nacional há décadas, enquanto o senador é integrante de uma família com presença contínua nas disputas eleitorais recentes. A pesquisa mostra resistência consolidada em parcelas expressivas do eleitorado, mas não permite tratar esses percentuais como teto imutável de votos.
Áudio com Vorcaro entrou no debate político
A divulgação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro repercutiu no Senado a partir de 13 de maio. Em pronunciamentos oficiais, parlamentares governistas afirmaram que o conteúdo indicava proximidade entre o senador e o empresário. Integrantes do PL responderam que um pedido de patrocínio, por si só, não demonstrava irregularidade.
Flávio Bolsonaro declarou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024 e que os contatos estavam relacionados a recursos para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador afirmou que havia contrato, disse que parcelas deixaram de ser pagas e defendeu a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o Banco Master.
O episódio integra um contexto de apurações sobre a instituição financeira, mas a divulgação da gravação não equivale a condenação ou prova de participação do senador em eventuais fraudes atribuídas ao banco. Até 22 de maio, as manifestações públicas apresentavam acusações políticas, explicações do parlamentar e pedidos de investigação ainda sujeitos a apuração.
A pesquisa também mediu o alcance do caso entre os eleitores. O instituto registrou que 64% dos entrevistados haviam tomado conhecimento do episódio. Entre os que conheciam o assunto, 64% consideravam que Flávio Bolsonaro havia agido mal ao procurar Vorcaro. O dado mostra repercussão negativa, mas não permite atribuir automaticamente toda a variação eleitoral ao caso.
Rejeição não substitui intenção de voto
A rejeição responde a uma pergunta diferente daquela usada nas simulações de primeiro ou segundo turno. Um candidato pode reunir uma base ampla de votos e, simultaneamente, enfrentar resistência elevada entre os eleitores de adversários. Por essa razão, o indicador precisa ser analisado junto com intenção de voto, conhecimento, possibilidade de mudança e cenários de confronto direto.
No mesmo levantamento, Lula e Flávio permaneceram como os dois nomes mais competitivos no cenário presidencial testado. A combinação de intenção de voto elevada com rejeição próxima à metade do eleitorado aponta para uma disputa polarizada, mas não determina o resultado da eleição marcada para outubro.
O empate técnico na rejeição também impede afirmar estatisticamente que Flávio Bolsonaro seja mais rejeitado do que Lula no conjunto do eleitorado. O senador ocupa a primeira posição apenas em termos numéricos. Considerando os intervalos possíveis, os percentuais dos dois se sobrepõem.
Para Michelle Bolsonaro e os demais nomes, a menor rejeição deve ser confrontada com o desconhecimento e com níveis inferiores de intenção de voto. Um candidato pouco conhecido pode preservar rejeição reduzida no início da disputa, mas esse número pode subir ou cair à medida que sua imagem se torna mais definida.
Nova rodada registra fotografia de 21 de maio
O Datafolha oferece uma fotografia das opiniões recolhidas até 21 de maio de 2026. O levantamento não é previsão do resultado eleitoral, não mede sozinho a capacidade de organização partidária e não estabelece relação causal entre um acontecimento específico e a movimentação dos percentuais.
Para Flávio Bolsonaro, a oscilação de 43% para 46% ocorreu simultaneamente à maior exposição das conversas com Vorcaro. Para Lula, a rejeição passou de 47% para 45%. Os dois movimentos alteraram a ordem numérica, sem retirar os principais concorrentes da situação de empate técnico.
Michelle Bolsonaro surge com resistência menor, mas também com menor conhecimento. Zema, Caiado e os demais nomes permanecem distantes dos índices dos dois líderes, embora grande parte do eleitorado ainda não reconheça alguns deles.
A próxima comparação dependerá de novas pesquisas realizadas com metodologia equivalente. Em 22 de maio, o dado objetivo era que Flávio Bolsonaro e Lula concentravam os maiores índices de rejeição, separados por apenas um ponto percentual e dentro da margem de erro, enquanto o restante dos nomes testados combinava resistência menor com níveis distintos de conhecimento público.
Fontes:
- Instituto Datafolha — Pesquisa nacional sobre as eleições presidenciais de 2026 — 22 de maio de 2026
- Tribunal Superior Eleitoral — PesqEle, registro de pesquisa eleitoral BR-07489/2026 — maio de 2026
- Tribunal Superior Eleitoral — Resolução sobre o registro e a divulgação de pesquisas eleitorais nas Eleições 2026 — 2026
- Senado Federal — Gravação de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro repercute no Plenário — 14 de maio de 2026
- Senado Federal — Pronunciamento de Jaques Wagner sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master — 13 de maio de 2026








