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Taxa Mínima iFood: Justiça de Goiás Determina Fim da Prática em Todo o País

por Gabriel Monteiro
10/02/2025 às 10h14 - Atualizado em 16/09/2026 às 10h39
em Brasil
Taxa Mínima Ifood - Gazeta Mercantil

Taxa Mínima iFood: Justiça de Goiás Determina Fim da Prática em Todo o País

A taxa mínima iFood acaba de ser alvo de uma decisão histórica. A Justiça de Goiás determinou o fim da exigência de valores mínimos para pedidos realizados na plataforma, prática que será extinta de forma gradual em até 18 meses. A decisão, válida para todo o Brasil, considera a cobrança como “abusiva” e equipara-a à prática ilegal de “venda casada. Essa medida impactará diretamente os consumidores, restaurantes parceiros e a operação do iFood.

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) entendeu que a taxa mínima iFood viola os direitos dos consumidores, além de criar desafios econômicos para pequenos negócios que dependem da plataforma para operar. Neste artigo, vamos explorar os detalhes da decisão, suas implicações para o mercado de delivery e as reações das partes envolvidas.

Leia também: Volume de pessoas em situação de rua no país tem aumento.


O Que Decidiu a Justiça de Goiás?

A sentença foi proferida pela juíza Elaine Christina Alencastro Veiga Araújo, da 10ª Vara Cível de Goiânia. A magistrada declarou nulas as cláusulas contratuais entre o iFood e seus parceiros comerciais que permitem a exigência de valores mínimos para pedidos. Além disso, determinou que a empresa retire gradualmente essa prática no prazo de 18 meses, com reduções progressivas:

  • Após o trânsito em julgado da sentença (quando não há mais possibilidade de recursos), o limite máximo será reduzido imediatamente para R$ 30.
  • A cada seis meses, o valor mínimo será reduzido em R$ 10 até chegar a zero.
  • Em caso de descumprimento, o iFood estará sujeito a multas de R$ 1 milhão por etapa não cumprida.

Além disso, a juíza apontou que o iFood, mesmo atuando como marketplace, integra a cadeia de fornecimento e possui responsabilidade solidária pelas práticas adotadas pelos estabelecimentos parceiros.

Leia também: Juros dos Treasuries caem e 10 anos testa mínima.


Punição Financeira ao iFood

Como parte da decisão, o iFood foi condenado ao pagamento de R$ 5,4 milhões por danos morais coletivos. Esse valor será revertido ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor. O cálculo considerou que a empresa possui mais de 270 mil estabelecimentos cadastrados e que a média dos pedidos mínimos é de R$ 20.

A decisão também destaca que a prática de taxa mínima iFood configura uma violação ao Código de Defesa do Consumidor (CDC), pois obriga o cliente a gastar um valor superior ao que deseja apenas para realizar um pedido. Para a Justiça, isso equivale a uma “venda casada”, prática expressamente proibida por lei.

Leia também: STF fixa R$ 5 mil como referência para Justiça gratuita e derruba regra do TST.


Reação do iFood à Decisão

Em resposta à decisão, o iFood afirmou que irá recorrer e defendeu a legitimidade da prática de taxa mínima iFood . Em nota encaminhada ao site ISTOÉ DINHEIRO, a empresa declarou:

“O iFood informa que a decisão não impacta a operação e que a possibilidade de os restaurantes estabelecerem o pedido mínimo está mantida. A empresa irá recorrer da decisão da Justiça de Goiás. O pedido mínimo é uma estratégia legítima que antecede o surgimento das plataformas de delivery e que existe em todo o setor para viabilizar a operação dos estabelecimentos parceiros. A prática garante a cobertura de custos operacionais dos restaurantes, assegurando a sustentabilidade dos negócios.”

A empresa argumenta ainda que, sem a taxa mínima iFood , restaurantes poderiam ser forçados a interromper suas operações para atender pedidos de baixo valor, como um refrigerante ou um lanche simples. Além disso, ressaltou que a exigência de valores mínimos também é praticada em pedidos feitos por telefone, WhatsApp e aplicativos próprios dos restaurantes.


Impacto nos Restaurantes e Consumidores

Para Fernando Blower, Diretor-Executivo da Associação Nacional dos Restaurantes (ANR), a medida pode ter consequências significativas para estabelecimentos e consumidores em todo o país. Segundo ele:

“O pedido mínimo no delivery existe desde que existem entregas de comida, em pedidos feitos diretamente aos restaurantes ou via plataformas. Isso porque pedidos com valores baixos não compensam os custos atrelados. Uma mudança desse tipo gera um impacto direto no orçamento dos restaurantes e no preço final de seus produtos. A consequência é que os maiores prejudicados com esse aumento são os clientes.”

A preocupação central é que, sem a taxa mínima iFood , pequenos negócios podem enfrentar dificuldades para manter suas operações lucrativas. Além disso, há o risco de que restaurantes aumentem os preços de seus produtos ou restrinjam a oferta de itens de menor valor para compensar a ausência da exigência mínima.

Por outro lado, a decisão beneficia os consumidores que desejam realizar pedidos de baixo valor sem serem penalizados. A medida busca democratizar o acesso ao delivery, especialmente para pessoas de menor poder aquisitivo.


Implicações para o Mercado de Delivery

A decisão sobre a taxa mínima iFood reflete uma tendência crescente de regulamentação do mercado de delivery no Brasil. Nos últimos anos, plataformas como iFood, Uber Eats e Rappi têm enfrentado críticas relacionadas às altas taxas cobradas dos restaurantes e às condições de trabalho dos entregadores.

Com a proibição da taxa mínima iFood , outras plataformas podem ser pressionadas a rever suas políticas. Isso pode levar a mudanças estruturais no setor, como a adoção de modelos mais flexíveis ou a criação de novas estratégias para equilibrar os interesses de consumidores, restaurantes e empresas de tecnologia.


Perspectivas Futuras para o iFood

Embora a decisão tenha sido anunciada como válida para todo o país, o iFood já sinalizou que irá recorrer. Enquanto isso, a implementação gradual da medida permitirá que a empresa e os restaurantes parceiros se adaptem às novas regras.

No longo prazo, a eliminação da taxa mínima iFood pode incentivar inovações no setor, como a introdução de novos modelos de precificação ou a otimização dos custos operacionais. No entanto, a transição pode ser desafiadora, especialmente para pequenos negócios que dependem da plataforma para sobreviver.


O Futuro do Delivery no Brasil

A decisão da Justiça de Goiás sobre a taxa mínima iFood marca um momento importante na regulamentação do mercado de delivery no Brasil. Ao declarar a prática como abusiva, a Justiça busca proteger os direitos dos consumidores e promover maior equidade no setor.

No entanto, a medida também levanta questões importantes sobre a sustentabilidade econômica dos restaurantes e o impacto nos preços finais dos produtos. Para garantir que todos os envolvidos sejam beneficiados, será necessário um diálogo contínuo entre empresas, reguladores e consumidores.

Enquanto o iFood e outros players do mercado se adaptam às novas regras, os consumidores devem acompanhar de perto as mudanças para entender como elas afetarão suas experiências de compra e o acesso a serviços de entrega.

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