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Derrota de Messias no Senado repercute na imprensa internacional como revés histórico de Lula

por Júlia Campos
30/04/2026 às 14h23
em Política
Derrota De Messias No Senado Repercute Na Imprensa Internacional Como Revés Histórico De Lula - Gazeta Mercantil

A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) repercutiu na imprensa internacional como uma derrota histórica do governo Lula e um episódio raro na política brasileira. Veículos como El País, Associated Press, Reuters, Bloomberg e Clarín destacaram que o Senado barrou um nome indicado pelo presidente da República para o Supremo pela primeira vez em 132 anos, desde o governo de Floriano Peixoto, em 1894.

O advogado-geral da União recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários no Plenário do Senado, ficando abaixo dos 41 votos necessários para assumir uma cadeira no STF. A indicação havia sido aprovada mais cedo pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas acabou derrotada na votação final, em um resultado que ganhou leitura política dentro e fora do Brasil.

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Na cobertura internacional, a rejeição de Messias foi tratada como um revés relevante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e como sinal de dificuldade do governo em consolidar apoio no Congresso. A imprensa estrangeira também associou o episódio ao desgaste entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que teria preferido outro nome para a vaga aberta no Supremo.

Imprensa internacional vê derrota histórica de Lula

O jornal espanhol El País classificou a rejeição de Jorge Messias como uma “derrota histórica” imposta a Lula pelo Senado. A publicação apontou que o episódio levanta dúvidas sobre a capacidade do presidente de mobilizar sua base política e construir alianças no Congresso.

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A reportagem também destacou o desgaste na relação entre Lula e Davi Alcolumbre. O presidente do Senado vinha demonstrando preferência por Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga no STF, enquanto o Planalto decidiu avançar com Messias, atual chefe da Advocacia-Geral da União.

A leitura do El País foi de que a votação se tornou um alerta para Lula. A rejeição ocorreu em um momento de maior disputa política no Congresso e de fortalecimento de nomes da oposição, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citado pela publicação no contexto das pesquisas eleitorais.

Associated Press cita golpe político contra o governo

A Associated Press tratou a rejeição de Messias como um golpe político imposto por parlamentares ao governo Lula. O texto da agência, reproduzido por veículos como The Washington Post, destacou o caráter incomum da decisão e lembrou que a última rejeição de uma indicação presidencial ao STF ocorreu há 132 anos.

A agência também mencionou o papel de Davi Alcolumbre nos bastidores. Segundo a cobertura, o presidente do Senado defendia outro candidato antes de Lula escolher Messias, o que teria contribuído para o desgaste entre o comando da Casa e o Palácio do Planalto.

A repercussão internacional deu destaque ao fato de que Messias chegou a ser aprovado na CCJ, mas não resistiu ao teste do Plenário. Para observadores estrangeiros, essa diferença mostrou a dificuldade do governo em transformar articulação formal em maioria efetiva no Senado.

Reuters destaca esforço de lobby do governo

A Reuters destacou que o governo Lula realizou um esforço intenso de articulação para tentar aprovar o nome de Jorge Messias. A agência mencionou que aliados do presidente buscaram apoio de senadores de diferentes campos políticos nas semanas anteriores à votação.

A cobertura também apontou que o Planalto tentou vender a indicação como uma forma de reduzir tensões entre Congresso e Supremo. Ainda assim, a estratégia não foi suficiente para obter os 41 votos necessários.

O resultado final expôs a limitação da articulação governista. Mesmo com negociações políticas, liberação de emendas e conversas sobre cargos, Messias terminou com apenas 34 votos favoráveis, sete a menos do que precisava.

Bloomberg relaciona votação à disputa sobre o STF

A Bloomberg relacionou a derrota de Jorge Messias a uma disputa mais ampla sobre o papel do Supremo Tribunal Federal na política brasileira. A publicação destacou que setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro vêm criticando a Corte há anos, especialmente em temas envolvendo desinformação, liberdade de expressão e investigações contra aliados conservadores.

A reportagem também observou que o Senado tem papel constitucional na aprovação de ministros do STF e detém poderes relevantes sobre a Corte. Nesse contexto, a rejeição de Messias foi interpretada como uma sinalização de força do Legislativo.

A leitura internacional reforça que o caso não se limita a uma derrota pessoal do advogado-geral da União. A votação foi vista como parte de um conflito maior entre Executivo, Congresso e Judiciário.

Clarín aponta vitória da oposição no Senado

Na Argentina, o Clarín descreveu a rejeição de Jorge Messias como uma derrota severa para Lula e uma vitória da oposição. O jornal destacou que o governo brasileiro terá de apresentar um novo nome para ocupar a vaga aberta no STF.

A cobertura argentina também observou o papel de Flávio Bolsonaro no ambiente político brasileiro e associou a derrota do governo ao fortalecimento de setores oposicionistas no Senado.

A repercussão no Clarín reforça como o episódio extrapolou a política interna brasileira. A rejeição de Messias foi lida por veículos estrangeiros como sinal de mudança no equilíbrio de forças em Brasília.

Senado rejeita indicação ao STF pela primeira vez desde 1894

Um dos pontos mais destacados pela imprensa internacional foi o caráter histórico da votação. O Senado não rejeitava uma indicação presidencial ao STF desde 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.

Naquele ano, cinco nomes indicados para o Supremo foram barrados pelos senadores. Desde então, formou-se uma tradição de aprovação das indicações presidenciais, mesmo quando os nomes enfrentavam resistência política ou sabatinas difíceis.

A derrota de Jorge Messias quebrou esse padrão. O caso recolocou o Senado como filtro efetivo para a composição da Corte e mostrou que a aprovação de um indicado ao STF não pode mais ser tratada como etapa automática.

Rejeição aumenta pressão sobre próxima escolha de Lula

Com a derrota de Jorge Messias, Lula terá de escolher outro nome para a vaga no Supremo. A próxima indicação chegará ao Senado sob pressão maior, já que os senadores demonstraram disposição de rejeitar uma escolha presidencial.

O governo terá de considerar a repercussão internacional, o desgaste com Davi Alcolumbre e a necessidade de reconstruir apoio dentro da Casa. Um novo nome com resistência elevada pode prolongar a crise e ampliar a percepção de fragilidade política.

A votação também aumenta o poder de negociação do Senado. Lideranças partidárias tendem a exigir maior participação na construção do próximo indicado, especialmente depois de uma derrota tão simbólica para o Planalto.

Derrota de Messias vira sinal externo de fragilidade política

A repercussão internacional da rejeição de Jorge Messias transformou a votação do Senado em um sinal externo de fragilidade política do governo Lula. O episódio foi apresentado por veículos estrangeiros como uma derrota histórica, um golpe político e uma demonstração da força do Congresso diante do Executivo.

Mais do que a rejeição de um nome para o STF, a votação revelou dificuldades do Planalto em controlar sua base, negociar com o Senado e administrar a relação com o Judiciário. A imprensa internacional destacou justamente esse ponto: a derrota não foi apenas institucional, mas política.

O novo nome para o Supremo será escolhido em um ambiente mais sensível. Depois da rejeição de Messias, Lula precisará demonstrar capacidade de articulação para evitar uma segunda derrota. O Senado, por sua vez, sai fortalecido e passa a ocupar posição ainda mais central na disputa pela composição do STF.

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