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Ambev paga R$ 7,3 bi em dividendos e frustra o mercado

por João Souza - Repórter de Negócios
11/12/2025
em Business, Destaque, News
Ambev Paga R$ 7,3 Bi Em Dividendos E Frustra O Mercado - Gazeta Mercantil

Ambev anuncia R$ 7,3 bilhões em dividendos adicionais e frustra expectativas do mercado

O anúncio de novos dividendos da Ambev movimentou o mercado financeiro e reacendeu o debate sobre a estratégia de alocação de capital da gigante do setor de bebidas. Apesar dos valores expressivos destinados aos acionistas, a reação dos analistas foi marcada por cautela e até frustração em alguns segmentos. O motivo: embora o montante seja elevado, ele ficou abaixo do que parte dos investidores projetava para o fim do ano fiscal.

O comunicado aprovado pelo Conselho de Administração estabeleceu o pagamento extra de aproximadamente R$ 7,3 bilhões em dividendos, valor equivalente a R$ 0,4612 por ação. Além disso, foram autorizados R$ 4,2 bilhões em juros sobre capital próprio, o que adiciona R$ 0,2690 por ação antes da incidência de impostos. A soma dos dois desembolsos reforça o peso do retorno garantido ao acionista, mas a leitura do mercado vai além dos números apresentados.

A companhia vem atravessando um ciclo em que o desempenho operacional tem sido pressionado por custos mais elevados, mudanças no padrão de consumo e aumento da concorrência. Nesse contexto, a distribuição extraordinária vinha sendo aguardada como um sinal de reposicionamento estratégico, mas os analistas observaram que o volume anunciado ficou aquém das perspectivas mais otimistas.

Volume total distribuído e retorno ao acionista

Quando se considera o conjunto das remunerações do ano, a transferência de valores aos acionistas ganha ainda mais proporção. Somam-se aos novos dividendos da Ambev os cerca de R$ 6 bilhões pagos trimestralmente e o programa de recompra de ações iniciado em outubro, no valor de R$ 2,5 bilhões. O montante final deve alcançar aproximadamente R$ 20 bilhões, consolidando uma das maiores distribuições corporativas do mercado brasileiro no período.

Apesar disso, analistas destacam que o adicional anunciado corresponde a um acréscimo de apenas 5,4% frente ao que já havia sido pago. O Bradesco BBI, em particular, classificou o movimento como tímido diante das expectativas de uma distribuição extraordinária mais robusta, principalmente considerando o caixa líquido fortalecido da empresa, que atingiu R$ 16,9 bilhões no terceiro trimestre.

A leitura predominante é de que a Ambev optou por preservar liquidez diante de um cenário macroeconômico mais desafiador e de um custo de capital elevado no Brasil. Mesmo assim, a percepção de prudência não impediu a sensação de que o mercado esperava um sinal mais agressivo, especialmente após meses de especulação sobre ajustes na estrutura de capital.

Alocação de capital e justificativas estratégicas

Os analistas reconhecem que a decisão da empresa tem fundamentos sólidos. O cenário de juros altos prolongados torna a captação de dívida pouco eficiente, ao mesmo tempo em que limita o potencial benefício fiscal de operações financeiras. A companhia também avalia que antecipar distribuições antes da nova tributação sobre dividendos teria impacto limitado, pois o uso de créditos tributários reduz os efeitos desse tipo de manobra.

Outro ponto ressaltado é o custo de capital da empresa, influenciado pela atuação da controladora global ABI em ambientes mais voláteis. Essa combinação de fatores contribuiu para que a administração optasse por uma postura conservadora, preservando flexibilidade financeira para enfrentar pressões competitivas, desafios operacionais e possíveis volatilidades de mercado.

Apesar disso, a ausência de uma política clara sobre a distribuição de dividendos extraordinários segue como ponto de atenção para os investidores. Para parte do mercado, a falta de previsibilidade reduz a capacidade de projeção e torna as expectativas futuras mais incertas.

Payout e múltiplos de mercado

A soma dos valores distribuídos deve representar um payout de cerca de 130% do lucro líquido projetado para 2025, ou 144% do lucro ajustado, segundo estimativas internas. Em termos de rendimento, o yield aproximado de 9% reforça a atratividade da remuneração. No entanto, quando os múltiplos de mercado são analisados, a cautela retorna ao debate.

As ações ABEV3 negociam a 14,3 vezes o preço sobre lucro esperado para 2026, índice que representa um prêmio de 19% em relação a empresas pares internacionais. Para os analistas, o valor elevado sugere uma precificação mais exigente, que demanda crescimento consistente ou iniciativas estratégicas que destravem valor. Diante disso, a recomendação de parte dos especialistas permanece neutra.

A projeção para o setor em 2026 inclui desafios relevantes, como mercado saturado, mudança no comportamento do consumidor, sofisticação das linhas de produtos, aumento da oferta de concorrentes e perda de relevância de marcas tradicionais, entre elas a Skol. Além disso, o custo de produção segue pressionado, criando um ambiente em que empresas precisam escolher entre preservar margens ou buscar expansão comercial.

Expectativas frustradas pelo segundo ano consecutivo

Um ponto que chamou atenção das casas de análise é o histórico recente de expectativas do mercado. Pelo segundo ano consecutivo, as ações da empresa ganharam impulso no fim do ano com rumores de uma distribuição extraordinária expressiva, ou até mesmo uma reestruturação mais profunda envolvendo fusões, aquisições ou movimentações de capital.

No entanto, também pelo segundo ano consecutivo, o anúncio oficial acabou frustrando parte dos investidores. A percepção é de que, embora a administração busque equilíbrio, a empresa não demonstra disposição para realizar mudanças estruturais significativas no curto prazo. Isso contribui para uma atmosfera de incerteza em relação às ações futuras da companhia.

A visão dos analistas sobre o cenário futuro da empresa

A avaliação de diferentes instituições financeiras converge no sentido de que o volume distribuído, embora relevante, fica abaixo do considerado ideal para destravar valor no curto prazo. A análise do Goldman Sachs aponta que, apesar do montante elevado, a distribuição ainda está abaixo de expectativas mais amplas do mercado, que projetavam cifras entre R$ 10 bilhões e R$ 35 bilhões.

O banco também considera que o balanço da companhia permite espaço adicional para pagamentos futuros, estimando potencial de até R$ 31,9 bilhões. No entanto, ressalta que a decisão da administração reflete um contexto de juros altos que limita benefícios de uma política mais agressiva.

Além disso, o banco reitera recomendação de venda para as ações ABEV3, destacando que a tese de risco estava justamente na possibilidade de um dividendo extraordinário significativo no curto prazo, o que não se concretizou. Para a instituição, a distribuição mais modesta reforça um cenário desafiador, marcado por custos acima da média, competição crescente e mudanças no perfil dos consumidores.

Desafios estruturais e perspectiva para o setor

O setor cervejeiro no Brasil e em outros mercados enfrenta um ambiente de concorrência intensa, com consumidores migrando para categorias mais sofisticadas e valorizando qualidade, diversidade e experiência. O aumento das alternativas de bebidas, somado ao avanço de marcas artesanais e à expansão de competidores internacionais, pressiona empresas tradicionais a repensarem portfólios e estratégias de posicionamento.

Nesse cenário, os dividendos da Ambev surgem como instrumento para manter atratividade aos acionistas enquanto a companhia lida com desafios de produtividade e rentabilidade. O problema é que, para investidores, a remuneração precisa vir acompanhada de clareza estratégica e consistência operacional — fatores que, no momento, ainda geram dúvidas.

O debate sobre políticas de distribuição, reavaliação de marcas, ampliação de mercados e capacidade de adaptação será determinante para a trajetória da empresa nos próximos anos. Ao mesmo tempo, o cenário macroeconômico brasileiro continuará influenciando custo de capital, demanda interna e ritmo de expansão.

Tags: ABEV3 dividendosações ABEV3dividendos AmbevJCP Ambevmercado cervejeiro Brasilpayout Ambevresultado Ambev

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