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Dólar hoje, 6 de julho: moeda fecha em queda com real entre os destaques globais

Moeda americana encerrou o pregão cotada a R$ 5,1320, em baixa de 0,70%, em sessão marcada por recuperação do real, ajuste externo após feriado nos EUA, queda do petróleo e atenção às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

por Camila Braga
06/07/2026 às 18h03
em Dólar
Dólar E Real Em Mesa De Operações Financeiras Durante Fechamento Do Câmbio - Gazeta Mercantil

Dólar fechou em queda nesta segunda-feira, em sessão de recuperação do real no mercado de câmbio.

O dólar comercial fechou em queda nesta segunda-feira, 6 de julho de 2026, em um pregão de recuperação do real frente à moeda americana. A divisa encerrou o dia cotada a R$ 5,1320 para venda, com baixa de 0,70%.

Durante a sessão, o dólar operou em queda na maior parte do dia, depois de iniciar os negócios mais próximo da estabilidade. A moeda americana registrou máxima de R$ 5,1839 e mínima de R$ 5,1275, refletindo um movimento de ajuste no câmbio após dias de maior pressão sobre moedas emergentes.

Leia também: Cobre fecha em baixa devido a preocupações econômicas globais.

Além do dólar comercial, outras cotações acompanhadas pelo mercado também recuaram. O dólar turismo terminou o dia a R$ 5,3580, em queda de 0,35%. O euro comercial fechou cotado a R$ 5,8717, com baixa de 0,65%.

Real se recupera em dia de ajuste global

O principal fator do pregão foi a recuperação do real. A moeda brasileira ganhou força em relação ao dólar e esteve entre as divisas de melhor desempenho global nesta segunda-feira, beneficiada por uma combinação de ajuste externo, melhora relativa no apetite por risco e leitura mais favorável para ativos de países emergentes.

O movimento ocorreu após um período recente de valorização do dólar frente ao real. Com a volta dos mercados americanos após o feriado do Dia da Independência, investidores reorganizaram posições e voltaram a avaliar o cenário de juros nos Estados Unidos.

A expectativa em torno dos próximos passos do Federal Reserve, o banco central americano, continuou no centro das atenções. Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a fortalecer o dólar, pois aumentam a atratividade dos títulos americanos. Nesta sessão, porém, parte do mercado passou a trabalhar com a possibilidade de uma postura menos dura do Fed no curto prazo, o que reduziu a pressão sobre moedas emergentes.

Petróleo em queda ajuda a aliviar pressão inflacionária

Outro ponto relevante para o câmbio foi a queda do petróleo no mercado internacional. A commodity recuou após a Opep+ anunciar aumento nas cotas de produção, movimento que reduziu parte do prêmio de risco nos preços globais de energia.

A queda do petróleo tende a aliviar expectativas de inflação no mundo, especialmente em economias importadoras de energia. Para o Brasil, o movimento também ajuda a reduzir a pressão sobre combustíveis e pode melhorar a percepção sobre a trajetória da inflação nos próximos meses.

Esse ambiente favoreceu a leitura de que o Banco Central brasileiro pode ter algum espaço adicional para conduzir a política monetária com menos pressão vinda do exterior, embora a taxa Selic ainda permaneça em patamar elevado.

Focus mostra leve melhora na inflação

No cenário doméstico, investidores também repercutiram o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central. A mediana das projeções para o IPCA de 2026 caiu de 5,33% para 5,30%, interrompendo uma sequência recente de pressões nas expectativas de inflação.

Apesar da melhora marginal, a projeção segue acima do centro da meta de inflação. Por isso, o mercado ainda vê pouco espaço para uma flexibilização rápida da política monetária. A estimativa para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 14,00% ao ano, enquanto a projeção para o dólar no encerramento do ano ficou em R$ 5,20.

Para o câmbio, esses números reforçam uma leitura mista. Por um lado, juros elevados no Brasil continuam favorecendo operações de carregamento, nas quais investidores buscam rendimento em mercados com taxas mais altas. Por outro, a proximidade das eleições e as incertezas fiscais e externas ainda limitam uma valorização mais consistente do real.

Tarifaço dos EUA segue no radar

Mesmo com a queda do dólar, o mercado manteve atenção às discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Investidores acompanharam o início das audiências públicas relacionadas à investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.

A proposta americana prevê a possibilidade de aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros, após investigação comercial aberta contra práticas do Brasil. A medida ainda não está em vigor, mas adiciona incerteza ao cenário para exportadores e para o fluxo comercial entre os dois países.

Para o câmbio, o tema é relevante porque qualquer deterioração nas relações comerciais pode afetar expectativas de entrada de dólares no país, especialmente em setores ligados à exportação. Por ora, o impacto direto sobre o real foi limitado, mas o assunto deve continuar no radar dos investidores nos próximos dias.

Bolsa cai, mas câmbio tem alívio

A queda do dólar contrastou com o desempenho negativo da Bolsa brasileira. O Ibovespa fechou em baixa, pressionado por ações de peso, como Vale, Petrobras e bancos, além da cautela com ofertas de ações e com o ambiente externo.

Esse descolamento entre câmbio e Bolsa mostra que o movimento do real nesta segunda-feira esteve mais ligado ao ajuste global do dólar e à dinâmica das commodities do que a uma melhora ampla no apetite por risco no mercado doméstico.

Ainda assim, o fechamento abaixo de R$ 5,15 foi visto como um sinal positivo de curto prazo. A moeda americana voltou a se aproximar da mínima do dia e reduziu parte da pressão acumulada nas sessões anteriores.

O que observar nos próximos dias

Para os próximos pregões, o mercado deve acompanhar três fatores principais: a trajetória dos juros nos Estados Unidos, os desdobramentos da discussão comercial entre Brasil e EUA e os novos sinais sobre inflação e atividade econômica no Brasil.

A ata do Federal Reserve e novos indicadores americanos podem influenciar a direção global do dólar. No Brasil, a curva de juros, os dados de inflação e a comunicação do Banco Central seguirão determinantes para a formação da taxa de câmbio.

Caso o ambiente externo continue mais benigno e o petróleo permaneça em queda, o real pode encontrar espaço para novas rodadas de valorização. No entanto, a volatilidade deve permanecer elevada, especialmente diante das incertezas fiscais, políticas e comerciais no segundo semestre.

Resumo do fechamento do dólar hoje

O dólar comercial fechou a segunda-feira, 6 de julho de 2026, cotado a R$ 5,1320, em queda de 0,70%. A moeda americana oscilou entre R$ 5,1839 na máxima e R$ 5,1275 na mínima. O dólar turismo terminou a R$ 5,3580, enquanto o euro comercial fechou a R$ 5,8717.

A queda foi sustentada pela recuperação do real, pela leitura de menor pressão inflacionária global após o recuo do petróleo, pela expectativa em torno da política monetária dos Estados Unidos e pela atualização das projeções do Boletim Focus no Brasil.

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