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Dólar, 6 de agosto: moeda fecha em queda a R$ 5,1055 após decisão do Copom

Dólar à vista encerrou a quinta-feira com baixa de 0,44%, apesar da valorização da moeda americana no exterior e da alta dos juros dos Estados Unidos.

por Camila Braga
06/08/2026 às 19h11
em Dólar
Ibovespa Fechamento - Gazeta Mercantil

O dólar à vista fechou em queda de 0,44%, cotado a R$ 5,1055 na venda, nesta quinta-feira, 6 de agosto de 2026. A moeda perdeu 2,28 centavos em relação ao fechamento anterior, de R$ 5,1283, em uma sessão marcada pela avaliação da decisão do Comitê de Política Monetária, pela oferta de dólares de exportadores e pela valorização da divisa americana no mercado internacional.

A cotação iniciou os negócios próxima de R$ 5,12 e chegou a superar por alguns minutos o fechamento anterior. A máxima foi registrada às 9h12, em R$ 5,1295. Em seguida, o dólar mudou de direção, rompeu o nível de R$ 5,10 e atingiu a mínima de R$ 5,0903 às 11h43.

Depois da queda de 3,92 centavos entre a máxima e a mínima, a moeda recuperou parte das perdas, mas permaneceu pouco acima de R$ 5,10 até o encerramento. O movimento ocorreu na direção oposta à observada no exterior, onde o índice DXY avançou diante das principais moedas desenvolvidas.

Fechamento do dólar em números

  • Cotação final: R$ 5,1055
  • Variação no dia: queda de 0,44%
  • Variação em centavos: baixa de 2,28 centavos
  • Abertura: aproximadamente R$ 5,1234
  • Máxima da sessão: R$ 5,1295
  • Mínima da sessão: R$ 5,0903
  • Amplitude entre máxima e mínima: 3,92 centavos
  • Fechamento anterior: R$ 5,1283
  • Horário de referência do fechamento: 17h, horário de Brasília
  • PTAX de venda: R$ 5,1017
  • Dólar futuro: DOLU26 a R$ 5,1390, queda de 0,24%, às 17h03; ajuste final não divulgado pela fonte até a conclusão da apuração
  • Índice DXY: 99,964 pontos, alta de 0,31% às 17h10
  • Acumulado em agosto: alta aproximada de 0,73%
  • Acumulado em 2026: queda de 6,99%
  • Situação: mercado encerrado

Dólar hoje muda de direção após máxima da manhã

O dólar começou o pregão perto da estabilidade. A máxima de R$ 5,1295 representou avanço de apenas 0,02% em relação ao fechamento de quarta-feira, mostrando que a pressão compradora inicial foi limitada.

A cotação perdeu força ainda durante a manhã. Abaixo de R$ 5,12, o movimento ganhou intensidade e levou a moeda à mínima de R$ 5,0903, queda intradiária de 0,74%. A aproximação dos R$ 5,09 atraiu compras e reduziu parte da desvalorização antes do fechamento.

A amplitude de 3,92 centavos mostra que a sessão teve oscilação relevante, embora sem rompimento definitivo dos limites observados nas últimas semanas. O dólar terminou 1,52 centavo acima da mínima e 2,4 centavos abaixo da máxima.

A oferta de moeda americana por empresas exportadoras foi apontada como um dos fatores do recuo. Empresas que recebem receitas em dólares podem vender parte desses recursos no mercado doméstico para pagar custos, tributos e despesas em reais, ampliando a disponibilidade da divisa no país.

Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, afirmou durante a sessão que exportadores estavam vendendo moeda. O fluxo ajudou a explicar por que o real se valorizou mesmo com a recuperação do dólar diante de outras divisas emergentes e desenvolvidas.

Copom corta Selic, mas mantém cautela sobre próximos passos

No cenário doméstico, os agentes continuaram avaliando a decisão do Copom anunciada na noite de quarta-feira. O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano.

Foi o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. A taxa básica atingiu o menor nível desde março de 2025, mas permanece elevada em termos nominais e reais, preservando parte do diferencial de juros entre o Brasil e economias desenvolvidas.

Esse diferencial pode aumentar a atratividade de aplicações brasileiras para determinados investidores internacionais. A estratégia envolve captar recursos em países com juros menores e direcioná-los para mercados que oferecem remuneração superior, desde que o retorno compense os riscos cambial, fiscal e político.

O comunicado do Copom não assegurou um novo corte em setembro. O colegiado informou que continuará acompanhando a evolução do cenário para decidir se prosseguirá com a flexibilização ou manterá a taxa em 14%.

A ausência de compromisso com uma nova redução foi interpretada como uma comunicação cautelosa. Embora a Selic menor reduza marginalmente o diferencial em relação aos juros americanos, a possibilidade de uma pausa no ciclo limita a expectativa de uma queda rápida da remuneração dos ativos brasileiros.

O Banco Central manteve em 3,2% sua projeção de inflação para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária. Para 2026, reduziu a estimativa de 5,2% para 5,1%. A previsão para 2027 passou de 3,7% para 3,8%.

Curva de juros sobe após decisão do Banco Central

Os contratos de juros futuros terminaram a quinta-feira em alta em quase toda a curva. O DI com vencimento em janeiro de 2028 avançou 0,07 ponto percentual, para 13,870%.

Nos prazos mais longos, o contrato para janeiro de 2035 subiu 0,15 ponto percentual e encerrou em 14,470%. O movimento indicou aumento do prêmio exigido pelos investidores para carregar títulos e contratos de longo prazo.

A parte curta da curva refletiu a incerteza sobre a continuidade dos cortes da Selic. Nos vencimentos longos, permaneceram as preocupações com inflação, trajetória da dívida pública, riscos fiscais, eleições e comportamento dos juros internacionais.

O aumento dos DIs não produziu uma relação automática com o câmbio. Taxas mais altas podem elevar a remuneração dos ativos em reais, mas também podem refletir percepção maior de risco. Nesta quinta-feira, o real se valorizou enquanto os juros futuros subiram, em um movimento influenciado por diferentes fatores domésticos e externos.

Dólar sobe no exterior antes do relatório de emprego

No mercado internacional, o dólar ganhou força. Às 17h10, o DXY subia 0,31%, aos 99,964 pontos. O índice acompanha o desempenho da moeda americana diante de uma cesta formada por euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço.

A valorização ocorreu paralelamente ao aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A taxa da Treasury de dois anos avançou 6,4 pontos-base, para 4,242%. O rendimento do título de dez anos aumentou 5,4 pontos-base, para 4,670%.

Os juros subiram depois que os pedidos semanais de seguro-desemprego tiveram aumento limitado e os anúncios de cortes de vagas caíram ao menor nível em dois anos. Os dados mantiveram a percepção de que o mercado de trabalho americano permanece relativamente estável.

Taxas mais altas nos Estados Unidos tendem a ampliar a remuneração oferecida pelos ativos denominados em dólar. O efeito pode sustentar a moeda americana, principalmente quando acompanhado pela perspectiva de que o Federal Reserve mantenha uma política monetária restritiva.

A divergência entre o DXY e o USD/BRL mostrou que os fatores domésticos prevaleceram sobre a direção global durante parte do pregão. Enquanto o dólar se valorizou diante das principais moedas desenvolvidas, perdeu terreno frente ao real.

Banco Central faz rolagem de swaps cambiais

O Banco Central vendeu 50 mil contratos de swap cambial para a rolagem do vencimento de setembro. A operação ocorreu no fim da manhã e não provocou alteração relevante nas cotações.

A rolagem substitui contratos próximos do vencimento por outros com prazo mais longo. Não se trata de venda física de dólares nem de leilão de moeda à vista. O swap oferece proteção ligada à variação cambial e à taxa de juros.

A operação já integrava a administração dos vencimentos do Banco Central e não foi caracterizada como uma intervenção extraordinária para modificar o preço do dólar. Não foi identificada oferta emergencial de moeda à vista ou leilão de linha durante a sessão.

A PTAX de venda, taxa de referência calculada pelo Banco Central a partir de consultas realizadas no mercado à vista, foi fixada em R$ 5,1017. O valor representou queda de 0,27%, ou R$ 0,0137, em relação à taxa de quarta-feira.

A PTAX não corresponde ao fechamento do dólar comercial. Ela é utilizada como referência em contratos, operações financeiras, balanços empresariais e liquidações de derivativos.

No mercado futuro, o contrato de dólar para setembro, DOLU26, estava cotado a R$ 5,1390 às 17h03, com queda de 0,24%. A cotação é distinta do dólar à vista porque incorpora expectativas, juros e o prazo até o vencimento.

Petróleo sobe com tensão no Estreito de Ormuz

O petróleo registrou alta expressiva diante das novas tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz. O Brent encerrou a US$ 82,49 por barril, valorização de 3,83%. O WTI avançou 2,75%, para US$ 77,29.

Uma comissão parlamentar iraniana analisava um projeto preliminar que restringiria a passagem de embarcações consideradas hostis pelo Estreito de Ormuz. A região é uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do mundo.

Ao mesmo tempo, Irã e Omã trabalhavam em uma proposta de acordo relacionada ao conflito no Oriente Médio. A falta de uma manifestação conclusiva dos Estados Unidos e as ameaças iranianas contra infraestruturas energéticas do Golfo mantiveram o prêmio de risco nos preços.

A alta do petróleo não teve efeito único sobre o real. O Brasil é exportador da commodity e pode receber mais receitas externas quando os preços avançam. Por outro lado, petróleo mais caro aumenta riscos inflacionários globais, pressiona juros e reduz o apetite por ativos considerados de maior risco.

Ibovespa fecha em queda aos 175 mil pontos

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em queda de 1,22%, aos 175.546 pontos. O mercado acionário foi pressionado pela repercussão de balanços corporativos e pelo aumento dos juros futuros.

A queda da Bolsa não impediu a valorização do real. Embora câmbio e mercado acionário possam responder a mudanças no fluxo estrangeiro e na percepção de risco, os dois ativos não necessariamente se movem na mesma direção em todas as sessões.

No comércio exterior, o Brasil registrou superávit de US$ 7,07 bilhões em julho. As exportações somaram US$ 34,119 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 27,052 bilhões.

O saldo ficou abaixo da estimativa de US$ 8,4 bilhões utilizada como referência pelo mercado. No acumulado de janeiro a julho, o superávit comercial chegou a US$ 49,039 bilhões.

A balança comercial positiva representa entrada líquida de recursos associada às operações de compra e venda de mercadorias. O dado oferece suporte estrutural à oferta de dólares, mas não permite atribuir diretamente a oscilação de um único pregão ao resultado mensal.

Dólar acumula alta em agosto e queda no ano

Apesar da baixa desta quinta-feira, o dólar à vista acumula valorização aproximada de 0,73% em agosto. O cálculo considera o fechamento de R$ 5,0686 registrado em 31 de julho e a cotação de R$ 5,1055 desta sessão.

No acumulado de 2026, a moeda americana apresenta queda de 6,99% diante do real. O desempenho anual reflete a combinação entre juros elevados no Brasil, fluxo comercial, movimentos internacionais do dólar e mudanças na percepção de risco.

A PTAX apresenta variações diferentes por utilizar metodologia e horários próprios. Pela taxa de referência do Banco Central, o dólar acumulava alta de 0,48% em agosto e queda de 7,28% no ano.

Mercado acompanha payroll dos Estados Unidos

O principal evento do próximo pregão será o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos referente a julho. A divulgação está prevista para as 9h30 desta sexta-feira, 7 de agosto, pelo horário de Brasília.

O documento informará a criação de postos de trabalho, a taxa de desemprego e a evolução dos salários. Resultados distantes das expectativas podem alterar as projeções para os juros do Federal Reserve, com reflexos sobre o DXY, os Treasuries e as moedas emergentes.

No Brasil, o mercado continuará avaliando o comunicado do Copom, a curva de juros e a possibilidade de um novo corte da Selic em setembro. Também permanecerão no radar os desdobramentos fiscais, a temporada de balanços e eventuais operações anunciadas pelo Banco Central.

As tensões no Oriente Médio e a situação do Estreito de Ormuz continuarão sendo acompanhadas por seu efeito sobre o petróleo, a inflação internacional e a disposição dos investidores para assumir risco.

Tags: Banco CentralCopomDólardólar à vistadólar comercialdólar futurodolar hojefechamento do dólarmercado de câmbiomercadosPTAXSelic

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