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Exportações de café crescem 51,6% e petróleo avança 75,6% em setembro

Soja também registra alta no início do mês, enquanto embarques de milho e carne bovina recuam na comparação anual.

por Antônio Lima
16/09/2026 às 11h07
em Economia
Exportações Brasileiras - Gazeta Mercantil

As exportações brasileiras começaram setembro com avanço expressivo em duas das principais cadeias de produtos básicos do país. Os embarques de café verde cresceram 51,6% na média diária em relação a setembro de 2025, enquanto as vendas externas de petróleo aumentaram 75,6% na mesma base de comparação. Os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), referentes às duas primeiras semanas do mês, mostram ao mesmo tempo comportamentos distintos entre as commodities: a soja também ampliou os embarques, enquanto milho e carne bovina ficaram abaixo dos volumes registrados um ano antes.

Até a segunda semana de setembro, o Brasil havia exportado 107,9 mil toneladas de café verde, quantidade equivalente a aproximadamente 1,8 milhão de sacas de 60 quilos. A média diária alcançou 13,49 mil toneladas, contra cerca de 8,9 mil toneladas por dia em setembro de 2025. O aumento ocorre logo depois de um agosto particularmente forte para o setor, quando o país registrou o maior volume de café exportado para aquele mês desde o início da série acompanhada pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Leia também: Petróleo fecha em alta firme com apoio de dólar fraco no exterior.

O petróleo apresentou expansão ainda maior. Foram 5,25 milhões de toneladas exportadas nas duas primeiras semanas de setembro, com média de 656,2 mil toneladas por dia útil. A alta de 75,6% sobre a média diária de um ano antes coincide com um momento de produção elevada no país: em julho, a extração brasileira atingiu 4,498 milhões de barris de petróleo por dia, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), avanço de 13,6% frente ao mesmo mês de 2025 e novo máximo para a produção nacional.

Café mantém ritmo forte depois de agosto recorde

O desempenho do café no começo de setembro prolonga a recuperação observada no mês anterior. Em agosto, o Brasil exportou 4,155 milhões de sacas de todos os tipos de café, alta de 31% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita cambial chegou a US$ 1,331 bilhão, crescimento de 19,8% e também recorde para meses de agosto, segundo o Cecafé.

A composição dos embarques ajuda a explicar essa expansão. O café arábica respondeu por 2,866 milhões de sacas em agosto, aumento de 25,7% na comparação anual, enquanto as vendas de conilon e robusta cresceram 53,6%, para 953,6 mil sacas. O café solúvel também avançou, com 332,2 mil sacas exportadas. A entidade relacionou o desempenho à maior disponibilidade de arábica depois de atrasos na colheita e, sobretudo, à forte presença dos canéforas no mercado internacional.

O resultado de setembro ainda é parcial e não pode ser diretamente comparado ao volume fechado de agosto. Os 107,9 mil toneladas de café verde embarcadas nas duas primeiras semanas equivalem a aproximadamente 1,798 milhão de sacas. O volume corresponde a cerca de 43% das 4,155 milhões de sacas de todos os tipos de café exportadas durante todo o mês anterior, embora as duas estatísticas tenham abrangências diferentes.

O desempenho recente também contrasta com o acumulado do ano. Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 25,073 milhões de sacas de café, 1,2% abaixo do volume registrado nos mesmos oito meses de 2025. A receita caiu 9,3%, de US$ 9,686 bilhões para US$ 8,787 bilhões. A melhora observada a partir de agosto, portanto, ocorre depois de um primeiro semestre marcado por embarques mais fracos em diferentes momentos.

Petróleo ganha força com produção em nível recorde

No petróleo, a aceleração das exportações encontra respaldo no aumento da oferta doméstica. A produção brasileira chegou a 4,498 milhões de barris por dia em julho, 0,5% acima de junho e 13,6% superior à de julho do ano passado. Somados petróleo e gás natural, o país produziu 5,851 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

O pré-sal respondeu por 82,4% de toda a produção brasileira de petróleo e gás naquele mês, com 4,821 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Apenas a produção de petróleo do pré-sal atingiu 3,728 milhões de barris diários. Os campos marítimos concentraram 98,1% da extração nacional de óleo, reforçando o peso das grandes plataformas instaladas nas bacias de Santos e Campos.

Búzios permaneceu como o maior campo produtor de petróleo do país, superando 1,1 milhão de barris por dia em julho. O avanço sucessivo da produção amplia a disponibilidade de óleo para exportação e ajuda a explicar por que os embarques de setembro começaram em ritmo muito superior ao registrado um ano antes.

A média diária de 656,2 mil toneladas exportadas nas duas primeiras semanas representa um acréscimo próximo de 282,5 mil toneladas por dia em relação ao ritmo implícito de setembro de 2025. Em termos proporcionais, nenhum dos demais grandes produtos analisados na divulgação parcial da Secex apresentou expansão semelhante.

Soja cresce 9,2% em meio à maior safra já registrada

A soja também apresentou aumento nas vendas externas. O Brasil embarcou 2,92 milhões de toneladas nas duas primeiras semanas de setembro, com média de 364,4 mil toneladas por dia, 9,2% acima do ritmo observado no mesmo mês de 2025.

O resultado ocorre em um ano de produção recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou neste mês sua estimativa para a safra brasileira de grãos 2025/26 para 361,7 milhões de toneladas, aumento de 2,6% em relação à temporada anterior. A soja deve responder por 180,4 milhões de toneladas, o maior volume já produzido no país na série histórica da companhia.

A área plantada com a oleaginosa cresceu cerca de 1,3 milhão de hectares, ou 2,7%, ao mesmo tempo em que a produtividade média nacional melhorou. Essa combinação aumentou a disponibilidade do grão para processamento doméstico e exportação, permitindo que os embarques permanecessem elevados mesmo nesta etapa do ano comercial.

Somados, soja e milho já haviam alcançado 5,21 milhões de toneladas exportadas nas duas primeiras semanas de setembro. A trajetória, porém, foi diferente para cada cultura: enquanto a soja avançou, o milho registrou retração na comparação anual, apesar de o país também ter colhido uma safra recorde do cereal.

Milho recua mesmo com produção recorde

Os embarques brasileiros de milho totalizaram 2,29 milhões de toneladas até a segunda semana de setembro, com média diária de 286,2 mil toneladas. O ritmo ficou 16,7% abaixo do observado em setembro de 2025.

A queda das exportações ocorre justamente no ano em que a produção brasileira deve atingir o maior patamar da série da Conab. A estimativa mais recente aponta para uma colheita de 144 milhões de toneladas nas três safras de milho, impulsionada por ganhos de área e produtividade.

Parte dessa oferta adicional, contudo, encontra uma demanda doméstica crescente. A expansão da indústria de etanol de milho vem ampliando o consumo interno do cereal, ao lado da utilização tradicional na fabricação de ração animal. A própria Conab identifica esse aumento de demanda como um dos fatores relevantes para o mercado brasileiro.

Além do consumo doméstico, o milho brasileiro enfrenta concorrência de outros exportadores no mercado internacional, especialmente da Argentina. Preço, frete, câmbio, disponibilidade regional e calendário de colheita interferem na competitividade de cada origem, fazendo com que uma safra maior não se transforme automaticamente em aumento dos embarques em todos os meses.

Carne bovina cai 30,3% após mudança nas condições de acesso à China

A maior retração entre os produtos acompanhados ocorreu na carne bovina. O Brasil exportou 79,8 mil toneladas nas duas primeiras semanas de setembro, ou média diária de 9,96 mil toneladas, redução de 30,3% em relação ao ritmo de setembro de 2025.

O movimento ocorre em um ano marcado pela adoção de salvaguardas pela China, principal destino da carne bovina brasileira. O país asiático estabeleceu para o Brasil uma cota de 1,106 milhão de toneladas em 2026 sob a tarifa regular de importação. As quantidades que ultrapassam o limite ficam sujeitas a uma tarifa adicional de 55%, conforme as regras anunciadas pelo governo chinês.

Em julho, o Ministério da Agricultura esclareceu que 80% da cota brasileira já havia sido utilizada. Em 10 de agosto, o Ministério do Comércio da China informou que o consumo havia alcançado 90%. A Conab, em avaliação divulgada nesta semana sobre as perspectivas para o setor, já considera encerrada a cota chinesa de 2026 ao analisar o ambiente para as exportações brasileiras de carne.

Apesar do recuo observado no começo de setembro, a Conab ainda projeta crescimento das exportações brasileiras de carne bovina no conjunto de 2026. A estimativa é de 4,73 milhões de toneladas no ano, alta de 4,46% em relação a 2025. A aparente contradição decorre da diferença entre o resultado acumulado no ano e o comportamento de um intervalo específico: a desaceleração recente ocorre depois de meses de forte desempenho das vendas externas.

Commodities seguem trajetórias diferentes no comércio exterior

Os números das duas primeiras semanas de setembro mostram que a pauta brasileira de commodities não se move de maneira uniforme. Café e petróleo apresentam aumentos superiores a 50% na média diária, a soja cresce em ritmo mais moderado, enquanto milho e carne bovina registram quedas de dois dígitos.

No café, a expansão coincide com maior disponibilidade da safra e um agosto de exportações recordes para o mês. No petróleo, o crescimento ocorre em meio a sucessivos máximos de produção. A soja combina safra histórica e manutenção de demanda externa, enquanto o milho precisa absorver uma produção recorde em um ambiente de maior consumo doméstico. A carne bovina, por sua vez, passou a enfrentar uma condição tarifária menos favorável no principal mercado comprador após o esgotamento da cota chinesa.

Os dados divulgados pela Secex são preliminares e ainda podem mudar significativamente até o fechamento de setembro. Como se trata de comparação por média diária, a metodologia elimina parte da distorção causada pela diferença no número de dias úteis entre os períodos, mas não transforma o resultado das duas primeiras semanas em uma projeção para o mês inteiro.

A próxima atualização parcial da balança comercial está prevista para 21 de setembro. Será possível, então, verificar se o ritmo forte de café, petróleo e soja foi mantido e se as quedas observadas em milho e carne bovina permaneceram durante a terceira semana do mês.

Fontes:

Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – dados preliminares da balança comercial brasileira até a segunda semana de setembro de 2026

Conselho dos Exportadores de Café do Brasil – relatório das exportações brasileiras de café de agosto de 2026

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – dados consolidados da produção brasileira de petróleo e gás natural em julho de 2026

Companhia Nacional de Abastecimento – 12º levantamento da safra brasileira de grãos 2025/26 e perspectivas para carnes em 2026 e 2027

Ministério da Agricultura e Pecuária – regras e acompanhamento da cota chinesa para importação de carne bovina brasileira

Ministério do Comércio da China – acompanhamento da utilização da cota brasileira de carne bovina em 2026

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