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Fintechs ligadas ao crime organizado movimentaram R$ 26 bilhões, diz Durigan

Operação Fluxo Oculto mira suposto esquema de lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis com nafta, uso de fundos e criptoativos para ocultação patrimonial

por Álvaro Lima
28/05/2026 às 13h33
em Economia
Fintechs Ligadas Ao Crime Organizado Movimentaram R$ 26 Bilhões, Diz Durigan - Gazeta Mercantil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 28 de maio, em Brasília, que seis fintechs suspeitas de ligação com organizações criminosas movimentaram R$ 26 bilhões em quatro anos, segundo investigação da Receita Federal, do Gaeco de São Paulo e de órgãos parceiros. A apuração integra a Operação Fluxo Oculto, deflagrada como desdobramento da Carbono Oculto, e mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis com nafta, uso de fundos para ocultação patrimonial e movimentação de recursos por criptoativos.

A declaração de Durigan coloca o sistema financeiro digital no centro de uma das frentes mais sensíveis do combate ao crime organizado no país. Segundo o ministro, a estratégia do governo federal é identificar e interromper as engrenagens financeiras que sustentam essas organizações, com foco na asfixia econômica de estruturas usadas para lavar dinheiro e esconder patrimônio.

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A Operação Fluxo Oculto foi deflagrada nesta quinta-feira para aprofundar investigações sobre a atuação de grupos suspeitos no setor de combustíveis. De acordo com a Receita Federal, as apurações apontam que a organização investigada teria obtido lucros na cadeia produtiva de combustíveis ao mesmo tempo em que lavava recursos de origem criminosa.

Os investigados têm direito à defesa, e eventuais responsabilidades dependem do avanço das apurações, da análise das provas e de decisões das autoridades competentes.

Fintechs teriam movimentado recursos em escala bilionária

O dado mais relevante divulgado por Durigan é a movimentação de R$ 26 bilhões por seis fintechs suspeitas de ligação com organizações criminosas ao longo de quatro anos. O volume financeiro dá dimensão à complexidade do caso e reforça a preocupação das autoridades com o uso de estruturas digitais para dar aparência lícita a recursos de origem suspeita.

Segundo a investigação, essas fintechs teriam atuado como instrumentos de movimentação financeira de alta escala. A suspeita é que as empresas tenham sido utilizadas para circular valores, dificultar o rastreamento dos beneficiários finais e permitir a integração de dinheiro ilícito à economia formal.

O avanço das fintechs no Brasil ampliou a competição no sistema financeiro e facilitou o acesso de empresas e consumidores a serviços de pagamento, crédito e contas digitais. O caso investigado, no entanto, mostra que estruturas financeiras digitais também podem ser exploradas por grupos criminosos quando há falhas de controle, governança, identificação de clientes e monitoramento de operações suspeitas.

A apuração não coloca o setor de fintechs como um todo sob suspeita. O foco das autoridades recai sobre empresas específicas que, segundo os investigadores, teriam sido usadas em um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

Operação Fluxo Oculto amplia investigação da Carbono Oculto

A Operação Fluxo Oculto é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que já investigava a infiltração de organizações criminosas no setor de combustíveis. A nova etapa aprofunda a análise sobre como o dinheiro teria circulado entre empresas, fintechs, fundos e outros instrumentos financeiros.

A Receita Federal informou que o suposto esquema envolvia adulteração de combustíveis com nafta e uso de estruturas empresariais para ocultar patrimônio. A nafta é um insumo da cadeia petroquímica que, quando usado de forma irregular, pode integrar fraudes na composição de combustíveis vendidos no mercado.

Segundo a apuração, a organização criminosa teria obtido ganhos elevados na cadeia produtiva de combustíveis. Ao mesmo tempo, teria usado a atividade econômica como mecanismo para lavar dinheiro e dissimular a origem dos recursos.

O setor de combustíveis é considerado estratégico e vulnerável a esquemas complexos por movimentar grandes volumes financeiros, envolver ampla rede de distribuição e exigir forte controle tributário. Fraudes nesse mercado podem afetar consumidores, concorrentes regulares, arrecadação pública e a integridade da concorrência.

Lavagem de dinheiro teria usado fundos e criptoativos

Durigan afirmou que a investigação também identificou o uso de criptoativos para lavagem de dinheiro. A informação amplia o escopo da Operação Fluxo Oculto e indica que os investigadores apuram uma estrutura financeira com múltiplas camadas de movimentação e ocultação.

Criptoativos podem ser usados de forma legítima em investimentos, transferências e pagamentos. Em investigações de lavagem de dinheiro, porém, autoridades acompanham com atenção operações digitais que possam dificultar a identificação da origem dos recursos, dos destinatários e dos reais beneficiários.

No caso investigado, os criptoativos aparecem associados a fintechs, fundos e empresas do setor de combustíveis. Essa combinação sugere, segundo a apuração, uma tentativa de criar caminhos financeiros capazes de dispersar valores e dificultar o rastreamento pelas autoridades.

O uso de fundos para ocultação patrimonial também está na mira da operação. Estruturas dessa natureza podem ser empregadas legalmente no mercado financeiro, mas, quando manipuladas de forma irregular, podem servir para esconder a propriedade real de ativos, empresas e recursos.

A identificação dos beneficiários finais é uma das principais frentes em apurações desse tipo. Sem esse mapeamento, autoridades fiscais e criminais enfrentam dificuldade para demonstrar quem controla os recursos, quem se beneficia das operações e como o dinheiro circula entre empresas e pessoas físicas.

Governo tenta asfixiar financeiramente organizações criminosas

Ao comentar a operação, Durigan afirmou que o governo seguirá buscando asfixiar financeiramente o crime organizado. A estratégia consiste em alcançar não apenas a atividade criminosa direta, mas também os mecanismos econômicos que sustentam essas organizações.

A lógica da ofensiva é interromper fluxos de dinheiro, bloquear estruturas de lavagem, rastrear patrimônio e reduzir a capacidade de expansão dos grupos investigados. Para o Ministério da Fazenda, o combate ao crime organizado passa cada vez mais pela inteligência financeira, pela análise fiscal e pela cooperação entre órgãos de investigação.

A atuação conjunta da Receita Federal, do Gaeco de São Paulo e de outros órgãos parceiros mostra uma tentativa de integrar informações tributárias, financeiras e criminais. Esse modelo é considerado essencial em casos que envolvem empresas formais, movimentações bilionárias e instrumentos financeiros sofisticados.

A fala de Durigan também reforça a dimensão econômica do problema. Quando organizações criminosas usam empresas e estruturas financeiras para lavar dinheiro, os efeitos ultrapassam a esfera penal. Há impacto sobre arrecadação, concorrência, credibilidade do mercado e segurança institucional.

Combustíveis seguem como frente sensível da investigação

A cadeia de combustíveis permanece no centro da Operação Fluxo Oculto. A suspeita de adulteração com nafta adiciona uma dimensão operacional ao caso, além da frente financeira investigada pelas autoridades.

Fraudes no setor de combustíveis podem gerar desequilíbrios relevantes. Empresas que atuam regularmente enfrentam concorrência desleal quando grupos suspeitos conseguem vender produtos adulterados, sonegar tributos ou operar com custos artificialmente reduzidos. O consumidor também pode ser afetado pela qualidade do produto e pela falta de transparência na cadeia.

A arrecadação pública é outro ponto sensível. O mercado de combustíveis tem peso importante na tributação, e esquemas de fraude podem provocar perdas significativas para União, estados e municípios. Por isso, operações no setor costumam envolver não apenas órgãos policiais, mas também Receita Federal, Ministérios Públicos, agências reguladoras e autoridades fiscais.

No caso da Fluxo Oculto, a investigação busca compreender como o suposto esquema teria conectado adulteração de combustíveis, ganhos econômicos, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. A presença de fintechs e criptoativos sugere que a movimentação financeira teria sido estruturada para dificultar o rastreamento dos recursos.

Caso aumenta pressão por controles no mercado financeiro digital

A identificação de seis fintechs suspeitas de ligação com organizações criminosas tende a intensificar o debate sobre controles no mercado financeiro digital. O crescimento das empresas de tecnologia financeira transformou o setor, mas também aumentou a necessidade de mecanismos rigorosos de conformidade.

Instituições financeiras, fintechs e empresas de pagamento são obrigadas a manter procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro, identificação de clientes, monitoramento de transações e comunicação de operações suspeitas. Em casos de movimentações incompatíveis com a atividade declarada, os controles internos devem permitir a identificação de risco e o acionamento das autoridades competentes.

A Operação Fluxo Oculto reforça a importância de governança, rastreabilidade e supervisão. Para o setor, a repercussão do caso pode elevar a cobrança por controles mais robustos, especialmente em empresas que operam com grande volume transacional e múltiplos clientes corporativos.

O impacto reputacional também é relevante. Mesmo quando a suspeita recai sobre empresas específicas, operações envolvendo fintechs, lavagem de dinheiro e crime organizado tendem a pressionar o setor a demonstrar maturidade regulatória e capacidade de prevenção a ilícitos financeiros.

Investigação mira engrenagem econômica do crime organizado

A Operação Fluxo Oculto evidencia uma mudança de foco no combate ao crime organizado: a prioridade não está apenas na repressão direta às atividades ilícitas, mas na identificação das estruturas que permitem a circulação, a ocultação e a multiplicação do dinheiro.

Segundo a linha apresentada por Durigan, o governo pretende seguir rastreando os mecanismos que abastecem organizações criminosas. Isso inclui empresas de fachada, fintechs suspeitas, fundos usados para ocultação patrimonial, criptoativos e atividades econômicas formais que possam ter sido capturadas por grupos investigados.

O caso também indica que o crime organizado pode atuar em setores de alta movimentação financeira e grande complexidade regulatória. Quando esses grupos entram em cadeias formais da economia, o dano potencial se amplia: há risco para consumidores, empresas regulares, arrecadação, integridade do mercado e segurança pública.

A continuidade da investigação deve buscar provas sobre a participação dos envolvidos, a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e a eventual existência de outros agentes conectados ao suposto esquema. Até a conclusão das apurações, prevalece o direito de defesa dos investigados e a necessidade de análise cautelosa das informações reunidas pelas autoridades.

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