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Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

Influenciadora é investigada por supostamente receber recursos ligados à cúpula da facção; Justiça bloqueou R$ 27 milhões em bens.

por Gabriel Monteiro
21/05/2026 às 08h11
em Brasil
Deolane Bezerra É Presa Em Operação Contra Lavagem De Dinheiro Do Pcc - Gazeta Mercantil - Brasil

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil para apurar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a investigação, Deolane teria recebido valores provenientes de uma estrutura financeira associada à cúpula da facção, por meio de uma empresa de transportes apontada como instrumento de ocultação e movimentação de recursos ilícitos.

A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens em nome da influenciadora. De acordo com os investigadores, os valores apresentam indícios de lavagem de dinheiro e origem não comprovada. A operação cumpre mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e bloqueio de ativos contra pessoas ligadas ao suposto esquema.

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A investigação mira integrantes da cúpula do PCC e pessoas apontadas como operadoras financeiras da organização criminosa. Entre os alvos está Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como chefe da facção. Como ele já está preso, a nova ordem de prisão preventiva deve ser comunicada ao sistema penitenciário.

Também são alvos Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do líder da facção; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho; e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva.

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Investigação mira suposta estrutura financeira do PCC

A Operação Vérnix apura um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo os investigadores, utilizaria uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A empresa é apontada como controlada por pessoas ligadas à cúpula do PCC e teria servido para movimentar e dissimular recursos da facção.

O foco da apuração é reconstruir o caminho do dinheiro. Segundo a investigação, os valores teriam circulado por empresas, contas de terceiros, depósitos fracionados e bens de alto valor, com o objetivo de dificultar a identificação da origem dos recursos.

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Deolane Bezerra entrou na mira dos investigadores a partir da análise de documentos, bilhetes, mensagens e movimentações bancárias. A polícia afirma ter encontrado indícios de que contas ligadas à influenciadora teriam sido usadas para receber dinheiro associado à estrutura financeira da facção.

A defesa da influenciadora ainda poderá se manifestar no processo. Deolane, assim como os demais investigados, tem direito à defesa, ao contraditório e à presunção de inocência. Até eventual condenação definitiva, as suspeitas devem ser tratadas como objeto de investigação.

Justiça bloqueia R$ 27 milhões em bens de Deolane

A decisão judicial determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra. O valor, segundo a investigação, corresponde a patrimônio e movimentações com indícios de incompatibilidade com origem comprovada.

O bloqueio de bens é uma medida cautelar usada para preservar valores que podem, ao fim do processo, ser destinados à reparação de danos, pagamento de multas ou eventual confisco, caso a Justiça conclua pela origem ilícita dos recursos. Não representa, por si só, condenação.

Além dos bens ligados à influenciadora, a operação também determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões. A Justiça ainda autorizou bloqueio de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros ligados ao conjunto dos investigados.

As medidas indicam que a investigação tem forte componente patrimonial. Em casos de lavagem de dinheiro, a apuração costuma se concentrar não apenas na autoria dos atos, mas também na origem, circulação, ocultação e eventual reinserção dos valores no sistema formal.

Depósitos fracionados entram no centro da apuração

Um dos pontos citados pela investigação envolve depósitos fracionados em contas de Deolane Bezerra. Entre 2018 e 2021, segundo os investigadores, a influenciadora teria recebido R$ 1.067.505 em depósitos abaixo de R$ 10 mil.

A prática é conhecida como “smurfing”, expressão usada para descrever operações financeiras divididas em valores menores com o objetivo de reduzir a chance de alerta por sistemas de controle bancário. A técnica é frequentemente investigada em casos de lavagem de dinheiro, justamente por dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Segundo a polícia, parte das movimentações teria ocorrido por meio de depósitos em espécie feitos a partir do caixa da facção. Os investigadores afirmam ainda que Everton de Souza, o “Player”, indicava contas da influenciadora para “fechamentos” mensais do suposto esquema.

A apuração também cita quase 50 depósitos feitos em duas empresas ligadas a Deolane, no valor total de R$ 716 mil. Os recursos teriam partido de uma empresa que se apresenta como banco de crédito. Para os investigadores, há inconsistências entre a atividade declarada, a renda formal do responsável e o volume transferido.

Polícia não identifica prestação de serviços jurídicos

A investigação afirma não ter encontrado prestação de serviços jurídicos que justificasse os valores recebidos por Deolane Bezerra. Esse ponto é considerado relevante porque a influenciadora também atua como advogada e poderia, em tese, alegar recebimentos vinculados à atividade profissional.

Segundo o inquérito, os investigadores analisaram movimentações financeiras, documentos e comunicações apreendidas para verificar se os pagamentos tinham lastro em contratos, honorários ou serviços formalmente prestados. A conclusão preliminar foi de que os valores não teriam justificativa compatível com a atividade declarada.

A polícia também aponta movimentações incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora, incluindo circulação de valores milionários, recebimentos sem origem esclarecida e aquisição de bens de alto padrão.

Para os investigadores, a projeção pública e a atuação empresarial formal de Deolane teriam funcionado como “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem dos recursos. A afirmação faz parte da tese investigativa e ainda será submetida ao contraditório no curso do processo.

Operação começou a partir de bilhetes apreendidos em presídio

As investigações que culminaram na Operação Vérnix tiveram origem em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material deu origem a três inquéritos sucessivos.

O primeiro inquérito identificou ordens internas atribuídas à facção e menções a possíveis ataques contra servidores públicos. O segundo aprofundou a apuração sobre a ligação da transportadora com o grupo criminoso.

Em 2021, a Operação Lado a Lado passou a investigar movimentações financeiras consideradas incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e uso da empresa como possível estrutura de lavagem de dinheiro do PCC.

Durante essa fase, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. O conteúdo do aparelho revelou, segundo a investigação, detalhes sobre movimentações financeiras da empresa Lopes Lemos Transportes, também chamada de Lado a Lado Transportes.

Celular apreendido revelou conexões financeiras

A análise do celular de Ciro Cesar Lemos teria aberto uma nova frente investigativa envolvendo conexões financeiras com Deolane Bezerra. Segundo os investigadores, o aparelho continha imagens de depósitos favorecendo contas da influenciadora e de Everton de Souza.

Ciro é apontado pela polícia como responsável por comprar caminhões, movimentar recursos da cúpula do PCC, executar ordens de Marcola e Alejandro Camacho e administrar patrimônio em nome deles. Ele e a esposa são considerados foragidos.

A partir desse material, a investigação passou a cruzar informações bancárias, documentos apreendidos e relatórios financeiros. O objetivo foi identificar se os valores transferidos para contas ligadas à influenciadora tinham origem lícita ou se integravam a uma estrutura de ocultação patrimonial.

Segundo a polícia, a análise indicou que Deolane teria recebido valores provenientes do PCC. A acusação ainda será examinada pela Justiça, e a defesa poderá contestar as provas e a interpretação dos investigadores.

Marcola e familiares estão entre os alvos

A Operação Vérnix também atinge pessoas apontadas como integrantes ou próximas à cúpula do PCC. Marcola e Alejandro Camacho estão presos na Penitenciária Federal de Brasília. No caso de Marcola, a nova prisão preventiva será comunicada ao sistema penitenciário.

Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, é suspeita de atuar na Espanha intermediando negócios da família. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho do chefe da facção, estaria na Bolívia e seria destinatário de parte dos valores supostamente lavados.

Everton de Souza, o “Player”, aparece na investigação como operador financeiro. Segundo os investigadores, ele teria orientado a distribuição de recursos da transportadora e indicado contas para destino do dinheiro.

A presença de familiares e operadores financeiros no mesmo inquérito reforça a linha de investigação do MP-SP e da Polícia Civil de que o esquema teria sido estruturado para proteger e movimentar patrimônio da cúpula da facção.

Deolane havia retornado da Itália antes da prisão

Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e retornou ao Brasil na quarta-feira (20), um dia antes da prisão. Segundo a apuração, seu nome chegou a ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

Na manhã desta quinta-feira, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa da influenciadora, em Barueri, na Grande São Paulo, e em outros endereços ligados a ela.

Também foram alvo da operação o influenciador Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação de Deolane, e um contador ligado ao grupo investigado. A polícia busca documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam auxiliar na reconstrução das movimentações financeiras.

A prisão de Deolane ocorre em um momento de forte exposição pública da influenciadora, que já havia sido alvo de outra operação de grande repercussão em 2024. O novo caso, porém, tem foco específico em suspeitas de lavagem de dinheiro vinculadas ao PCC.

Caso aumenta pressão sobre influenciadores e movimentações financeiras

A prisão de Deolane Bezerra amplia o debate sobre a fiscalização de grandes movimentações financeiras envolvendo influenciadores, empresas digitais e estruturas patrimoniais de alto valor. O setor de influência digital movimenta receitas com publicidade, eventos, marcas próprias, plataformas e contratos comerciais, mas também passou a ser mais observado por autoridades financeiras e policiais.

Em investigações de lavagem de dinheiro, a presença pública de uma pessoa ou empresa pode dificultar a distinção entre receitas legítimas e recursos de origem ilícita. Por isso, contratos, notas fiscais, prestação efetiva de serviços, compatibilidade patrimonial e rastreabilidade bancária se tornam elementos centrais da apuração.

No caso de Deolane, a investigação sustenta que sua atividade pública e empresarial teria sido usada para dar aparência legal a recursos de origem suspeita. A defesa poderá apresentar documentos, contratos e justificativas para demonstrar a licitude dos valores.

A Operação Vérnix segue em andamento, com cumprimento de mandados e análise de materiais apreendidos. A partir das novas provas, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil devem definir os próximos desdobramentos da investigação.

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