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Grupo ligado a filme sobre Bolsonaro recebeu ao menos R$ 614 milhões do Banco Master

Empresas associadas à produção de Dark Horse aparecem em operações investigadas pela Polícia Federal e pela CVM no caso Banco Master

por Carlos Menezes
20/05/2026 às 15h32
em Política
Banco Master Discutiu Plano Com Btg E Fgc Antes De Acordo Frustrado Com Brb - Gazeta Mercantil

Empresas ligadas ao grupo Entre, associado à produção de Dark Horse, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), receberam ao menos R$ 614 milhões em operações financeiras envolvendo o Banco Master, segundo documentos citados em investigações da Polícia Federal e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O grupo empresarial é ligado a Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado pela PF como suposto operador financeiro de estruturas vinculadas ao ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro.

As operações passaram a ser analisadas no contexto da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master, empresas relacionadas à instituição e movimentações financeiras consideradas atípicas por autoridades. Segundo levantamento baseado em documentos da investigação, o conglomerado teria recebido recursos por meio de emissões de títulos, aportes e pagamentos de debêntures.

Leia também: STF cobra defesa sobre plano de fuga de Bolsonaro para a Argentina após relatório da PF.

O caso ganhou repercussão após reportagens apontarem que estruturas ligadas a Vorcaro teriam sido usadas para transferir valores a um fundo supostamente associado à família Bolsonaro e à produção do filme Dark Horse. Segundo o Intercept Brasil, cerca de US$ 10 milhões teriam sido movimentados nesse contexto. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou tratativas financeiras, mas negou irregularidades ou recebimento de vantagens pessoais.

As investigações ainda estão em andamento. Os citados têm direito à defesa, e eventual responsabilização depende de comprovação documental, contraditório e decisão das autoridades competentes. Em nota enviada anteriormente ao UOL, o grupo Entre afirmou que suas operações foram conduzidas dentro dos parâmetros legais e regulatórios e declarou colaborar com as autoridades.

Leia também: Asilo político de Bolsonaro: PF encontra minuta com erro no nome de Milei em pedido para a Argentina.

Operações com o Banco Master somam R$ 614 milhões

O valor de ao menos R$ 614 milhões atribuído às empresas do grupo Entre aparece em operações financeiras relacionadas ao Banco Master. Segundo os documentos citados na apuração, parte das movimentações envolveu emissões de títulos, fundos associados ao banco e pagamentos de debêntures.

Uma das operações identificadas envolve a emissão de R$ 71 milhões em títulos pela Entre Investimentos. Esses papéis teriam sido posteriormente pagos pelo Banco Master, com vencimento previsto para 2025.

Leia também: Bolsonaro pede impeachment de Lula pelo caso da “Choquei”.

Outra frente envolve a Entre Payments, que teria recebido R$ 213 milhões do Fundo Máxima, estrutura ligada ao banco. Além disso, a empresa teria recebido R$ 330 milhões em pagamentos de debêntures feitos pelo próprio Master.

A soma dessas operações levou investigadores a analisar a relação financeira entre o Banco Master e empresas vinculadas ao grupo Entre. O ponto central da apuração é verificar a origem, a finalidade e a rastreabilidade dos recursos movimentados.

Grupo Entre é ligado a operador citado pela PF

As empresas investigadas integram grupo fundado e controlado por Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de atuar como operador financeiro da estrutura atribuída a Daniel Vorcaro.

A apuração busca entender se as empresas do grupo foram usadas em operações regulares de mercado ou se serviram para movimentações destinadas a ocultar origem, destino ou beneficiários finais dos recursos.

O papel de Freixo Júnior é considerado relevante porque o grupo Entre aparece em diferentes frentes da investigação. Além de operações financeiras com o Banco Master, o conglomerado também é citado em apurações envolvendo fundos, debêntures, investimentos e operações no mercado de capitais.

A existência de movimentações volumosas, por si só, não comprova irregularidade. A análise das autoridades deve considerar contratos, lastro dos ativos, aprovações internas, registros contábeis, beneficiários finais e comunicação aos órgãos reguladores.

Filme Dark Horse entrou no centro da apuração

A produção de Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, tornou-se um novo eixo de interesse nas investigações após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Segundo reportagens citadas, Flávio Bolsonaro teria cobrado pagamentos atrasados de Vorcaro ligados ao financiamento do filme. O senador confirmou que houve tratativas financeiras, mas negou irregularidades ou recebimento de vantagens pessoais.

O Intercept Brasil informou que cerca de US$ 10 milhões teriam sido transferidos por estruturas ligadas a Vorcaro para um fundo supostamente associado à produção cinematográfica e à família Bolsonaro. A apuração ainda busca esclarecer a natureza das transferências, a origem dos recursos e os beneficiários finais.

A relação entre o grupo Entre e o Banco Master, porém, antecede o episódio do filme. Segundo os documentos mencionados, as operações financeiras entre empresas do conglomerado e o banco já vinham sendo observadas em outras frentes investigativas.

Banco Master e expansão midiática de Vorcaro

O grupo Entre também aparece associado à estratégia de expansão midiática atribuída a Daniel Vorcaro. Entre os movimentos citados está a aquisição do site da revista IstoÉ, operação que passou a ser observada no contexto mais amplo das investigações sobre o entorno empresarial do ex-controlador do Banco Master.

A presença de empresas ligadas ao grupo em negócios de mídia, mercado financeiro e produção audiovisual ampliou o alcance da apuração. Para investigadores, o ponto central é verificar se as operações tinham finalidade econômica legítima ou se serviram para movimentação irregular de recursos.

O caso Banco Master já envolve múltiplas frentes de investigação, incluindo operações com fundos, empresas associadas, movimentações patrimoniais e supostos operadores financeiros. A ligação com a produção de Dark Horse acrescenta um componente político ao caso, por envolver o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro e tratativas atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro.

Esse cruzamento entre sistema financeiro, mercado de capitais, mídia e política tornou o caso um dos mais sensíveis em apuração no país.

CVM também investiga operações do grupo

Além da Polícia Federal, a Comissão de Valores Mobiliários também investiga operações envolvendo empresas do grupo Entre. Uma das frentes citadas envolve a atuação da Entre Investimentos como intermediária em movimentações relacionadas ao fundo imobiliário Brazil Realty FII.

O caso teria gerado prejuízos a fundos de previdência de servidores públicos, segundo as apurações. Investigadores analisam se empresas ligadas à família Vorcaro adquiriram cotas do fundo usando ativos considerados superavaliados, em vez de aportes financeiros tradicionais.

Esse tipo de operação é sensível porque pode afetar cotistas, fundos de previdência e investidores institucionais. A CVM costuma avaliar se houve falhas de informação, conflito de interesses, manipulação de valor, uso de ativos sem lastro adequado ou prejuízo a investidores.

A apuração envolvendo o Brazil Realty FII amplia o escopo do caso para além da relação entre Banco Master e grupo Entre. Ela coloca no centro do debate a governança de fundos, a precificação de ativos e a proteção de investidores no mercado de capitais.

Coaf apontou inconsistências patrimoniais

Relatórios recentes enviados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também teriam apontado inconsistências patrimoniais envolvendo a Entre Investimentos.

Segundo os documentos citados na apuração, a empresa declarou possuir R$ 316 milhões aplicados em fundos administrados pela Reag Trust. A posição real, porém, superaria R$ 2,3 bilhões, distribuídos em seis fundos diferentes.

Para órgãos de controle, divergências desse tipo podem dificultar o rastreamento patrimonial e favorecer práticas de ocultação de recursos ou lavagem de dinheiro. A avaliação, contudo, depende da análise detalhada de documentos, registros contábeis, origem dos ativos e justificativas apresentadas pelas empresas envolvidas.

A diferença entre valores declarados e posições efetivas é um dos pontos que deve ser aprofundado pelas autoridades. Caso seja confirmada sem justificativa adequada, a inconsistência pode reforçar suspeitas sobre a estrutura usada para movimentar recursos ligados ao Banco Master e a empresas associadas.

Grupo Entre nega irregularidades

Em manifestação enviada anteriormente ao UOL, o grupo Entre afirmou que suas operações foram conduzidas dentro dos parâmetros legais e regulatórios. A empresa também disse colaborar com as autoridades responsáveis pelas investigações.

A defesa de empresas e pessoas citadas deve sustentar que as operações tinham lastro, finalidade econômica e documentação regular. Caberá aos investigadores verificar se contratos, títulos, debêntures, fundos e pagamentos correspondem a operações legítimas ou se houve desvio de finalidade.

No caso do financiamento de Dark Horse, os envolvidos mencionados também negam irregularidades. Flávio Bolsonaro afirmou que as tratativas não envolveram recebimento de vantagens pessoais. A apuração deverá examinar mensagens, comprovantes, contratos, transferências e eventuais beneficiários finais.

Até a conclusão das investigações, não há decisão definitiva sobre a natureza das operações. A cautela jurídica é necessária porque o caso envolve suspeitas em apuração, operações complexas e múltiplas pessoas físicas e jurídicas.

Caso une Banco Master, filme de Bolsonaro e mercado de capitais

A revelação de que empresas ligadas ao grupo associado à produção de Dark Horse receberam ao menos R$ 614 milhões em operações envolvendo o Banco Master amplia a complexidade da Operação Compliance Zero.

O caso reúne três dimensões sensíveis. A primeira é financeira, ligada ao Banco Master, fundos, debêntures, títulos e operações de alto valor. A segunda é regulatória, com apurações da CVM e análise de possíveis inconsistências patrimoniais pelo Coaf. A terceira é política, pela conexão com o filme sobre Bolsonaro e tratativas atribuídas a Flávio Bolsonaro.

Para o mercado, a investigação reforça preocupações sobre governança, rastreabilidade de recursos e controles em operações com fundos e instituições financeiras. Para o campo político, o caso amplia a pressão sobre o entorno bolsonarista e sobre a origem dos recursos usados na produção audiovisual.

A Polícia Federal e a CVM devem seguir analisando documentos, mensagens, contratos, fluxos financeiros e registros patrimoniais. O avanço das apurações será decisivo para esclarecer se as operações entre Banco Master, grupo Entre e empresas ligadas ao filme foram regulares ou se integravam uma estrutura destinada à movimentação irregular de recursos.

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