O Ibovespa fechou em queda de 0,20%, aos 171.688,61 pontos, nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, pressionado pela redução do apetite por risco, pelo recuo dos preços internacionais do petróleo e pela alta do dólar e dos juros futuros. O principal índice da B3 chegou a perder 1,37% durante a manhã, mas recuperou a maior parte das perdas com a melhora de Vale, bancos e algumas ações defensivas.
A Bolsa brasileira iniciou o segundo semestre sem uma direção firme. O índice oscilou entre a mínima de 169.665,53 pontos e a máxima de 172.098,36 pontos, terminando o pregão 335,52 pontos abaixo do fechamento anterior.
O volume financeiro negociado na B3 somou R$ 22,7 bilhões. O resultado marcou a terceira sessão consecutiva de queda do Ibovespa, que acumulou perda de 0,93% desde segunda-feira e passou a registrar baixa de 0,20% em julho e no terceiro trimestre.
Ibovespa hoje em números
Fechamento: 171.688,61 pontos
Variação no dia: queda de 0,20%
Abertura: 172.017,17 pontos
Máxima do pregão: 172.098,36 pontos
Mínima do pregão: 169.665,53 pontos
Fechamento anterior: 172.024,13 pontos
Volume financeiro: R$ 22,7 bilhões
Variação na semana: queda de 0,93%
Variação em julho: queda de 0,20%
Variação no terceiro trimestre: queda de 0,20%
Variação no ano: alta de 6,56%
Dólar comercial: R$ 5,209, com alta de 0,90%
Taxa Selic: 14,25% ao ano
Petróleo e juros aumentam cautela no mercado
O Ibovespa iniciou o pregão em forte queda, acompanhando a deterioração dos ativos brasileiros e o ambiente de cautela nos mercados internacionais.
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro avançaram ao longo da curva, depois de sete sessões consecutivas de queda. O movimento acompanhou a valorização do dólar e o aumento dos prêmios relacionados aos cenários externo, político e fiscal.
O contrato de DI para janeiro de 2027 encerrou próximo de 14,02%, ante 14% no ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2028 avançou de 14,015% para aproximadamente 14,09%, enquanto o vencimento de janeiro de 2029 passou de 14,115% para cerca de 14,23%.
A abertura das taxas tende a pressionar principalmente empresas dependentes do crédito, como varejistas, construtoras e companhias com endividamento elevado. Esse movimento ajudou a explicar as perdas do Magazine Luiza e de outras ações ligadas à economia doméstica.
A queda do petróleo também afetou o desempenho do índice. O contrato do Brent para agosto recuou 1,89%, para US$ 71,57 por barril. O WTI com o mesmo vencimento caiu 1,32%, cotado a US$ 68,58.
A desvalorização ocorreu após novas declarações do governo norte-americano sobre as relações com o Irã e em meio às expectativas de melhora gradual do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Petrobras recupera perdas no fim do pregão
As ações da Petrobras passaram a maior parte da sessão no campo negativo, acompanhando a queda do petróleo, mas recuperaram terreno perto do fechamento.
Os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) encerraram com leve alta de 0,08%. As ações ordinárias da companhia permaneceram pressionadas durante boa parte do dia, após chegarem a recuar cerca de 0,5%.
A estatal também permaneceu no radar depois de anunciar uma redução de R$ 0,3515 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras. A companhia informou ainda que reduzirá em 14,5% o preço médio do querosene de aviação a partir de julho.
As medidas ocorreram em um momento de acomodação das cotações internacionais do petróleo. Para os investidores, preços menores dos combustíveis podem contribuir para a desaceleração da inflação, mas também afetam as expectativas sobre receitas, margens e política de dividendos da estatal.
A Vale (VALE3) avançou 0,12%, mesmo com o recuo dos contratos futuros de minério de ferro negociados na China. O desempenho da mineradora ajudou o Ibovespa a se afastar da mínima do dia.
A companhia operou como um contrapeso positivo em uma sessão de desempenho fraco das commodities e de cautela com as perspectivas para a demanda chinesa.
Bancos terminam pregão sem direção única
As ações dos grandes bancos apresentaram desempenho misto e também contribuíram para a recuperação parcial do índice ao longo da tarde.
O Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,65%, registrando o melhor desempenho entre os principais bancos do Ibovespa. Os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) avançaram 0,11%.
Na direção oposta, o Banco do Brasil (BBAS3) caiu 0,90%, enquanto as units do Santander Brasil (SANB11) recuaram 0,52%.
Os investidores avaliaram novos dados de crédito divulgados pelo Banco Central do Brasil. A inadimplência nas operações com recursos livres alcançou 6,2% em maio, maior nível da série iniciada em março de 2011.
A combinação de juros elevados, atividade econômica em desaceleração e aumento da inadimplência pode afetar de maneira diferente as instituições financeiras. Bancos com carteiras mais expostas ao crédito de maior risco tendem a receber atenção adicional durante a próxima temporada de balanços.
Engie lidera quedas antes de decisão sobre Jirau
A Engie Brasil (EGIE3) apresentou a maior queda do Ibovespa, com recuo de 6,14%.
Os investidores ajustaram posições antes da assembleia convocada para deliberar sobre a aquisição de uma participação de 40% na hidrelétrica de Jirau, pertencente ao acionista controlador da companhia.
A operação deverá ser financiada por meio de uma oferta de ações. A possibilidade de emissão de novos papéis trouxe preocupações com uma eventual diluição da participação dos atuais acionistas e com os termos financeiros da transação.
A queda da Engie pressionou o índice de energia elétrica da B3, que encerrou a sessão com perda próxima de 1%. O setor também permaneceu atento à segunda fase do leilão de transmissão de energia, prevista para sexta-feira.
O Magazine Luiza (MGLU3) caiu cerca de 5,1%, pressionado pela alta dos juros futuros. As ações de empresas varejistas costumam apresentar maior sensibilidade às mudanças nas expectativas para o custo do crédito e para a renda disponível das famílias.
A Minerva (BEEF3) recuou 4,58%, devolvendo parte da valorização acumulada nos três pregões anteriores. A MBRF (MBRF3) encerrou praticamente estável, com leve baixa.
Maiores quedas do Ibovespa
Engie Brasil (EGIE3): queda de 6,14%
Magazine Luiza (MGLU3): queda de aproximadamente 5,1%
Minerva (BEEF3): queda de 4,58%
Hapvida e Suzano aparecem entre as maiores altas
Na ponta positiva, a Hapvida (HAPV3) liderou os ganhos do índice, com valorização próxima de 3,4%.
As ações da operadora de saúde avançaram em um movimento de recuperação depois das perdas acumuladas no primeiro semestre. O papel ainda permanece sensível às expectativas para sinistralidade, reajustes de planos e evolução da estrutura financeira da companhia.
A Suzano (SUZB3) subiu 2,11%, após concluir a aquisição de 51% da joint venture criada com a Kimberly-Clark. A operação movimentou aproximadamente US$ 1,3 bilhão e resultará em uma empresa com valor estimado em US$ 3,4 bilhões.
A nova companhia, provisoriamente denominada FamPro Tissue Holdings e que deverá adotar o nome Arbex, reunirá ativos internacionais de produtos de higiene e papel tissue.
A Copasa (CSMG3) avançou 2,02% e também figurou entre as maiores altas da carteira. A Klabin (KLBN11) ganhou 1,08%, acompanhando o desempenho positivo do setor de papel e celulose.
Maiores altas do Ibovespa
Hapvida (HAPV3): alta de aproximadamente 3,4%
Suzano (SUZB3): alta de 2,11%
Copasa (CSMG3): alta de 2,02%
Klabin (KLBN11): alta de 1,08%
Sanções dos Estados Unidos ampliam percepção de risco
O mercado doméstico também repercutiu as sanções anunciadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos contra pessoas e empresas acusadas de integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital.
A medida atingiu duas pessoas, três empresas sediadas em São Paulo e uma companhia registrada em Portugal. Segundo o governo norte-americano, a rede teria movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados nos Estados Unidos.
Os bens e interesses das pessoas e empresas designadas que estejam sob jurisdição norte-americana foram bloqueados. Transações realizadas por cidadãos ou empresas dos Estados Unidos com os alvos também passaram a ser proibidas, salvo autorização específica.
Embora as medidas tenham alcance direcionado, investidores avaliaram o risco de novos desdobramentos regulatórios e diplomáticos. O anúncio contribuiu para a alta do dólar e dos juros futuros, mas não foi o único fator responsável pelos movimentos dos ativos brasileiros.
As eleições de outubro também permaneceram no radar após a divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto. O mercado acompanhou os cenários apresentados sem que o levantamento, isoladamente, determinasse a direção final do Ibovespa.
Indústria brasileira volta a indicar expansão
No campo econômico, o Índice de Gerentes de Compras da indústria brasileira subiu de 49,1 pontos em maio para 50,8 pontos em junho.
Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade. O resultado mostrou crescimento do emprego e aumento dos estoques, além de menor pressão de custos.
Apesar da melhora do índice geral, os componentes de produção e novas encomendas permaneceram em território de contração. O resultado apontou, portanto, uma recuperação ainda moderada e desigual da indústria.
O dado trouxe algum suporte para empresas ligadas à economia doméstica, mas teve influência limitada diante da alta do dólar, dos juros futuros e da cautela política.
Emprego privado nos Estados Unidos desacelera
No exterior, o relatório da ADP mostrou a criação de 98 mil postos de trabalho no setor privado dos Estados Unidos em junho, abaixo dos 122 mil registrados em maio.
Os salários dos trabalhadores que permaneceram nos mesmos empregos avançaram 4,4% na comparação anual. Para os profissionais que mudaram de emprego, o crescimento mediano foi de 6,6%.
O resultado indicou uma desaceleração da contratação, mas não eliminou as preocupações com a inflação e com a possibilidade de manutenção dos juros norte-americanos em nível elevado.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos subiram, enquanto o dólar avançou diante das moedas de países emergentes. O índice DXY ganhou aproximadamente 0,2%, alcançando a região de 101,4 pontos.
Wall Street fecha em queda após semestre de ganhos
Os principais índices de Nova York encerraram o primeiro pregão do segundo semestre no campo negativo.
O Dow Jones recuou 0,01%, aos 52.306,22 pontos. O S&P 500 caiu 0,21%, aos 7.483,40 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 0,66%, aos 26.040,03 pontos.
O movimento refletiu uma realização de lucros depois do forte desempenho registrado no segundo trimestre, principalmente entre empresas de tecnologia e semicondutores.
Declarações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, ajudaram a reduzir as perdas. O dirigente afirmou que os riscos relacionados à inflação diminuíram, embora a autoridade monetária continue monitorando preços, salários e atividade antes de definir os próximos passos.
Dólar sobe e retorna ao nível de R$ 5,20
O dólar comercial fechou em alta de 0,90%, vendido a R$ 5,209, depois de oscilar entre R$ 5,168 e R$ 5,217.
O movimento acompanhou a valorização global da moeda norte-americana e a alta dos rendimentos dos Treasuries. A cautela com o cenário político brasileiro e as sanções anunciadas pelos Estados Unidos também contribuíram para a procura por proteção cambial.
A valorização do dólar pode favorecer empresas exportadoras, que recebem parte de suas receitas em moeda estrangeira, mas aumenta os custos de companhias dependentes de importações ou com dívidas denominadas em dólares.
A moeda norte-americana iniciou julho mantendo o viés de alta observado em junho, período em que acumulou valorização superior a 2% diante do real.
Payroll poderá definir o tom da próxima sessão
Na quinta-feira, 2 de julho, os investidores acompanharão a divulgação do relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll.
O documento apresentará a criação de vagas fora do setor agrícola, a taxa de desemprego, a evolução dos salários e revisões dos números dos meses anteriores.
Os dados terão relevância especial para as expectativas relacionadas à política monetária do Federal Reserve. Um mercado de trabalho mais forte pode reforçar a possibilidade de juros elevados por mais tempo, enquanto sinais adicionais de desaceleração podem reduzir os rendimentos dos Treasuries e o valor do dólar.
A divulgação foi antecipada para quinta-feira em razão do feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos. Os mercados norte-americanos permanecerão fechados na sexta-feira.
No Brasil, os investidores continuarão acompanhando o comportamento dos juros futuros, o impacto das sanções anunciadas pelos Estados Unidos, os preços do petróleo e os desdobramentos do cenário político.
A assembleia da Engie sobre a participação na hidrelétrica de Jirau também poderá movimentar as ações do setor elétrico. Depois de três sessões consecutivas de queda, a reação do câmbio e da curva de juros ao payroll deverá ser uma das principais referências para o próximo fechamento do Ibovespa.











