O Ibovespa fechou em queda de 1,23% nesta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, aos 175.546,36 pontos, na B3. O principal índice da Bolsa brasileira perdeu 2.179,81 pontos em uma sessão marcada pela pressão sobre bancos, Vale e empresas sensíveis aos juros, enquanto a Petrobras avançou acompanhando a valorização do petróleo no exterior.
O índice abriu praticamente no maior nível do dia, aos 177.720 pontos, e não conseguiu sustentar uma tentativa de recuperação. A mínima foi registrada aos 175.514,86 pontos, pouco antes do encerramento, mostrando que a pressão vendedora permaneceu até o leilão de fechamento.
A sessão também refletiu a leitura mais cautelosa do comunicado do Comitê de Política Monetária. Na véspera, o Banco Central reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano, como esperado, mas elevou a preocupação com os riscos inflacionários e não indicou a continuidade automática dos cortes.
Fechamento do Ibovespa em números
- Pontuação final: 175.546,36 pontos
- Variação no dia: queda de 1,23%
- Variação em pontos: menos 2.179,81 pontos
- Abertura: 177.720,00 pontos
- Máxima da sessão: 177.720,00 pontos
- Mínima da sessão: 175.514,86 pontos
- Fechamento anterior: 177.726,17 pontos
- Volume financeiro: R$ 20,10 bilhões
- Dólar comercial: R$ 5,1055
- Variação do dólar: queda de 0,44%
- Acumulado no mês: queda de 1,38%
- Acumulado no ano: alta de 8,95%
Ibovespa hoje abriu na máxima e perdeu força
O comportamento intradiário mostrou uma sessão predominantemente negativa. Depois de abrir perto da estabilidade e marcar a máxima logo no início dos negócios, o Ibovespa passou a operar em queda e se afastou progressivamente dos 177 mil pontos.
O índice havia terminado as três sessões anteriores com oscilações limitadas. Nesta quinta-feira, porém, a pressão vendedora ganhou intensidade com o recuo simultâneo de ações de bancos, mineração, varejo, saúde e outros setores relevantes da carteira.
A pontuação final ficou apenas 31,50 pontos acima da mínima, uma diferença pequena para um índice que movimentou mais de 2 mil pontos entre o fechamento anterior e o encerramento desta quinta-feira. O resultado indica que não houve recuperação significativa durante o leilão final.
O giro financeiro chegou a R$ 20,10 bilhões. O volume ocorreu durante a temporada de balanços do segundo trimestre, período em que investidores ajustam posições com base nos resultados, projeções e comentários divulgados pelas companhias.
Comunicação do Banco Central pressiona juros longos
A redução da Selic para 14% já estava incorporada aos preços dos ativos. O foco dos investidores ficou concentrado na comunicação do Banco Central e nas condições apresentadas para eventuais novos cortes.
O Copom afirmou que o balanço de riscos para a inflação passou a apresentar inclinação para cima e demonstrou maior preocupação com uma desancoragem adicional das expectativas. O colegiado também evitou oferecer orientação sobre a decisão da reunião de setembro.
A linguagem mais restritiva reduziu a percepção de que o ciclo de flexibilização continuará de forma automática. Embora o Banco Central tenha promovido o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, a possibilidade de uma pausa voltou a ganhar peso nas negociações.
A reação apareceu principalmente na parte intermediária e longa da curva de juros. O contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 encerrou em 13,77%, praticamente estável, enquanto os vencimentos mais distantes avançaram.
A taxa para janeiro de 2028 subiu para 13,865%. O contrato para janeiro de 2029 alcançou 14,12%, enquanto janeiro de 2031 terminou em 14,33%. O vencimento para janeiro de 2035 fechou em 14,445%.
A abertura da curva de longo prazo elevou a taxa utilizada pelo mercado para calcular o valor presente dos resultados futuros das empresas. Esse movimento tende a pressionar, principalmente, companhias endividadas ou com parcela relevante de seus lucros esperada para períodos mais distantes.
Bradesco e Itaú pressionam o índice
Os bancos estiveram entre as principais influências negativas do pregão. O índice financeiro da B3 caiu 1,67%, acompanhando a desvalorização das instituições de maior peso.
As ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) recuaram 1,94%, para R$ 17,70. O movimento ocorreu após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que mostrou crescimento do lucro recorrente, mas também sinais de deterioração em indicadores de qualidade dos ativos.
O banco registrou lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, avanço de 16,2% na comparação anual. Apesar da expansão do resultado, o mercado avaliou a evolução das provisões, da inadimplência e das margens para determinar a sustentabilidade do desempenho nos próximos trimestres.
O Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,30%, para R$ 41,83. Por possuir uma das maiores participações na carteira teórica do Ibovespa, a desvalorização do banco exerceu impacto relevante sobre a pontuação final.
Os papéis de Banco do Brasil, Santander Brasil e outras instituições também foram influenciados pela abertura da curva de juros e pelos ajustes realizados após uma sequência de balanços bancários.
Vale cai apesar da alta do minério de ferro
A Vale (VALE3) encerrou em baixa de 1,66%, cotada a R$ 75,39, e também figurou entre as principais pressões sobre o Ibovespa.
A queda ocorreu mesmo com a valorização do minério de ferro no mercado asiático. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian avançou 2,57%, para 719 yuans por tonelada, equivalente a aproximadamente US$ 106,52.
O minério foi favorecido por expectativas de novas medidas de apoio ao setor imobiliário chinês. A reação da Vale em sentido contrário mostra que o desempenho da ação não esteve condicionado apenas à commodity.
A realização de lucros, o comportamento geral das ações brasileiras e ajustes de posições em empresas de grande capitalização também influenciaram o papel. O peso da mineradora na composição do Ibovespa ampliou o efeito de sua queda sobre o índice.
Petrobras sobe com petróleo e limita perdas
A Petrobras (PETR3; PETR4) destoou dos bancos e da Vale. As ações ordinárias avançaram 0,34%, para R$ 47,31, enquanto os papéis preferenciais subiram 0,48%, para R$ 42,13.
A estatal foi beneficiada pela forte valorização internacional do petróleo e pela divulgação de um recorde de produção de diesel em julho. O movimento dos papéis ajudou a limitar a queda do Ibovespa, mas não foi suficiente para compensar as perdas disseminadas em outros setores.
O petróleo Brent encerrou com alta de 3,83%, negociado a US$ 82,49 por barril. O WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 2,75%, para US$ 77,29.
Os preços avançaram com o aumento das tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo. A possibilidade de restrições à navegação elevou os prêmios de risco incorporados às cotações.
O balanço da Petrobras referente ao segundo trimestre foi divulgado depois do encerramento da B3. Os números e as informações sobre remuneração aos acionistas serão incorporados pelos investidores no pregão de sexta-feira.
Braskem lidera ganhos após decisão antidumping
A Braskem (BRKM5) liderou as altas do Ibovespa, com valorização de 3,07%, a R$ 6,05.
Os papéis reagiram à decisão de prorrogar a aplicação de medidas antidumping sobre as importações brasileiras de resina de policloreto de vinila em suspensão, conhecida como PVC-S, originárias da China.
As medidas têm como objetivo compensar a entrada de produtos estrangeiros a preços considerados inferiores às condições normais de mercado. A proteção pode reduzir a pressão competitiva sobre a indústria petroquímica nacional.
A alta da Braskem ocorreu em uma sessão com poucos avanços expressivos entre os componentes do índice. A ausência de recuperação mais ampla reforçou a predominância da pressão vendedora no pregão.
Smart Fit cai 7,82% após balanço
A Smart Fit (SMFT3) ocupou a ponta negativa do Ibovespa, com queda de 7,82%, para R$ 18,38.
A companhia divulgou lucro líquido de R$ 203,6 milhões no segundo trimestre, crescimento de 7,6% em relação ao mesmo período de 2025. O balanço mostrou expansão das operações, mas alguns indicadores abaixo da linha de receita ficaram aquém das expectativas consideradas por participantes do mercado.
O recuo demonstra que o crescimento do lucro, isoladamente, não determina a reação de uma ação. Investidores também comparam EBITDA, margens, despesas, geração de caixa, ritmo de expansão e projeções da administração com as estimativas anteriores.
Outras empresas ligadas ao consumo e à atividade doméstica também sofreram com a elevação dos juros futuros, que ampliou a percepção de que as condições financeiras continuarão restritivas.
Dólar fecha abaixo de R$ 5,11
O dólar comercial fechou em queda de 0,44%, cotado a R$ 5,1055. A moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0903 e a máxima de R$ 5,1295.
O real se valorizou mesmo com a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Fluxos comerciais e ajustes posteriores à decisão do Copom contribuíram para o movimento doméstico.
No acumulado de 2026, o dólar registra queda próxima de 7% frente ao real. A manutenção da Selic em nível elevado preserva um diferencial de juros favorável aos ativos brasileiros, embora fatores fiscais, políticos e externos continuem influenciando o câmbio.
A queda do dólar não impediu a abertura dos juros longos. Os dois mercados respondem a conjuntos diferentes de expectativas e fluxos, e não precisam apresentar movimentos opostos em todas as sessões.
Wall Street fecha em baixa antes do relatório de emprego
As bolsas de Nova York também terminaram o dia no campo negativo. O Dow Jones caiu 0,85%, aos 53.885,10 pontos. O S&P 500 recuou 0,18%, aos 7.709,96 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 0,06%, aos 26.348,35 pontos.
Os rendimentos dos títulos públicos norte-americanos subiram antes da divulgação do relatório de emprego de julho. A taxa do Treasury de dez anos avançou para aproximadamente 4,67%.
O movimento refletiu cautela com a inflação, a política monetária do Federal Reserve e o impacto de uma eventual escalada geopolítica sobre os preços de energia.
Na Europa, o índice Stoxx 600 avançou 0,16%, aos 658,19 pontos, renovando sua máxima nominal de fechamento. Na Ásia, o Nikkei caiu 0,93%, enquanto o Hang Seng recuou 1,49%.
Ibovespa acumula queda em agosto
Com o resultado desta quinta-feira, o Ibovespa passou a acumular queda de 1,38% em agosto. No terceiro trimestre, o índice ainda registra valorização de 2,05%.
No acumulado de 2026, a Bolsa brasileira conserva alta de 8,95%. O avanço anual permanece positivo apesar da correção recente e da dificuldade do índice em sustentar níveis próximos dos 180 mil pontos.
O desempenho da sessão também interrompeu o período de variações estreitas observado no início da semana. A queda de 1,23% foi superior às oscilações registradas nos três primeiros pregões de agosto.
Relatório de emprego e Petrobras entram no radar
No pregão de sexta-feira, 7 de agosto, investidores acompanharão a repercussão do balanço da Petrobras e a videoconferência da companhia com analistas e acionistas.
No exterior, o principal evento será o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, com divulgação prevista para as 12h30, pelo horário de Brasília.
A mediana das projeções aponta para a criação de aproximadamente 88 mil vagas fora do setor agrícola em julho. A taxa de desemprego é esperada em 4,2%.
Os dados poderão alterar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve e produzir efeitos sobre os rendimentos dos Treasuries, o dólar, as commodities e os ativos brasileiros.
A temporada de resultados corporativos também continuará no centro das negociações, com o mercado avaliando balanços divulgados depois do fechamento desta quinta-feira.








