IGP-DI desacelera em dezembro, surpreende mercado e fecha 2025 com deflação de 1,20%
O IGP-DI 2025 encerrou o ano com um resultado que contrariou parte das expectativas do mercado financeiro e reforçou a leitura de arrefecimento das pressões inflacionárias no Brasil. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna subiu apenas 0,10% em dezembro, abaixo das projeções, e fechou o acumulado de 12 meses com deflação de 1,20%, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O comportamento do IGP-DI 2025 reflete, sobretudo, a dinâmica dos preços ao produtor, com quedas relevantes na indústria extrativa e no setor agropecuário, além de uma desaceleração gradual nos custos da construção civil. O resultado reforça a percepção de que a inflação brasileira, especialmente no atacado, passou por um processo de acomodação ao longo do ano.
Resultado de dezembro ficou abaixo do esperado
No último mês de 2025, o IGP-DI apresentou alta de 0,10%, após avanço de 0,01% em novembro. Apesar da aceleração, o índice ficou abaixo da expectativa mediana do mercado, que apontava crescimento de 0,15%. O desempenho de dezembro foi determinante para consolidar a deflação no acumulado do ano.
Ao observar o histórico recente, o IGP-DI 2025 voltou a registrar variação negativa em 12 meses depois de um período de oscilações significativas. Em 2023, o indicador havia acumulado queda de 3,30%, enquanto em 2024 fechou com alta expressiva de 6,86%, refletindo choques de preços e volatilidade nos mercados de commodities.
Preços ao produtor puxam resultado do IGP-DI 2025
O principal vetor do desempenho do IGP-DI 2025 foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), responsável por 60% da composição do indicador. Em dezembro, o IPA-DI avançou 0,03%, revertendo a queda de 0,11% registrada em novembro.
No acumulado de 12 meses, porém, o índice apresentou recuo de 3,61%, configurando o primeiro resultado anual negativo desde 2023. Esse comportamento foi fortemente influenciado por quedas expressivas nos preços da indústria extrativa e da agricultura, setores altamente sensíveis ao mercado internacional e às condições climáticas.
De acordo com análises da FGV, a retração nos preços dessas atividades refletiu tanto o alívio nos custos globais de commodities quanto uma normalização da oferta interna, fatores que ajudaram a reduzir a pressão inflacionária no atacado ao longo de 2025.
Agricultura e indústria extrativa em destaque
A agricultura teve papel relevante na formação do IGP-DI 2025, com queda nos preços de produtos in natura e insumos básicos. Esse movimento foi favorecido por safras mais robustas e por um ambiente de menor pressão cambial em determinados períodos do ano.
Já a indústria extrativa se beneficiou da acomodação dos preços internacionais de minerais e petróleo, além de ajustes na demanda global. Esses fatores contribuíram para um cenário de custos mais controlados ao produtor, impactando diretamente o IPA-DI e, por consequência, o resultado final do IGP-DI.
Inflação ao consumidor segue pressionada
Enquanto os preços ao produtor ajudaram a puxar o IGP-DI 2025 para baixo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do indicador geral, manteve trajetória de alta. Em dezembro, o IPC repetiu a variação de 0,28% observada em novembro.
No acumulado de 12 meses, o IPC registrou alta de 4,0%, evidenciando que a inflação percebida pelas famílias permaneceu mais resistente, especialmente em itens de consumo cotidiano.
Entre as oito classes de despesa que compõem o IPC, três apresentaram aceleração em dezembro: Transportes, Alimentação e Vestuário. O grupo Transportes passou de uma variação negativa para alta de 0,38%, refletindo reajustes em combustíveis e serviços relacionados. Alimentação também deixou o campo negativo e avançou 0,13%, enquanto Vestuário saiu de queda acentuada para uma alta de 0,27%.
Diferença entre atacado e varejo marca o IGP-DI 2025
Um dos aspectos centrais do IGP-DI 2025 foi o descolamento entre os preços ao produtor e os preços ao consumidor. Enquanto o atacado apresentou deflação significativa, o varejo manteve inflação moderada, refletindo custos de serviços, logística e margens comerciais.
Esse movimento ajuda a explicar por que, apesar do resultado deflacionário do índice geral, o consumidor ainda sentiu pressão em determinados itens do orçamento doméstico. A composição do IGP-DI evidencia essa diferença estrutural, uma vez que o peso maior está concentrado no IPA-DI.
Construção civil desacelera, mas fecha o ano em alta
Outro componente relevante do IGP-DI 2025 é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), responsável por 10% do indicador. Em dezembro, o INCC desacelerou a alta para 0,21%, ante 0,27% em novembro.
No acumulado do ano, contudo, o índice fechou com avanço de 5,92%, refletindo reajustes salariais, custos de materiais e serviços ligados à construção civil. Apesar da desaceleração no fim do ano, o setor manteve pressão inflacionária relevante, especialmente em projetos de médio e longo prazo.
Metodologia e abrangência do IGP-DI
O IGP-DI 2025 calcula a variação de preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil considerando o período entre o primeiro e o último dia do mês de referência. Essa característica diferencia o índice de outros indicadores inflacionários e o torna especialmente relevante para contratos, reajustes e análises macroeconômicas.
Por captar diferentes estágios da economia, o IGP-DI é amplamente utilizado como termômetro de tendências inflacionárias, sobretudo no atacado, além de servir como referência para contratos de aluguel, tarifas e negociações empresariais.
Impactos do IGP-DI 2025 na economia
O resultado deflacionário do IGP-DI 2025 tem implicações importantes para a economia brasileira. Para empresas, a queda nos preços ao produtor pode aliviar custos e melhorar margens, especialmente em setores intensivos em insumos básicos.
Para o mercado financeiro, o índice reforça a percepção de um ambiente inflacionário mais controlado, o que pode influenciar decisões de política monetária e expectativas em relação à trajetória dos juros. Já para consumidores, o efeito é indireto, uma vez que a inflação ao varejo ainda apresentou resistência ao longo do ano.
Comparação com anos anteriores
Ao comparar o IGP-DI 2025 com anos recentes, observa-se uma trajetória marcada por forte volatilidade. Após a deflação expressiva de 2023, o índice registrou alta significativa em 2024, refletindo choques de oferta e pressão cambial. Em 2025, o retorno ao campo negativo indica um processo de normalização gradual.
Esse comportamento reforça a importância de analisar o IGP-DI não apenas em um único período, mas dentro de um contexto mais amplo, considerando fatores internos e externos que influenciam os preços.
Expectativas para os próximos meses
Analistas avaliam que o desempenho do IGP-DI 2025 cria uma base estatística mais favorável para o início de 2026. Caso o cenário de preços das commodities permaneça estável e não haja choques significativos, a tendência é de manutenção de variações moderadas nos índices de preços.
Ainda assim, fatores como clima, câmbio e dinâmica fiscal seguem no radar, podendo alterar o comportamento dos preços ao produtor e ao consumidor nos próximos meses.






