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Inteligência artificial deve estar a serviço da sociedade, afirma Lula em entrevista internacional

por Henrique Valverde
20/02/2026 às 20h54
em Política
Lula - Gazeta Mercantil

Inteligência artificial deve estar a serviço da sociedade, afirma Lula em entrevista internacional

O debate global sobre tecnologia ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (20), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a inteligência artificial precisa estar subordinada ao interesse coletivo e não pode se transformar em instrumento de concentração de poder econômico ou político. A declaração foi divulgada em publicação nas redes sociais, vinculada à entrevista concedida ao programa India Today.

A fala ocorre em um momento de forte aceleração no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial, com impactos crescentes sobre cadeias produtivas, mercado de trabalho, serviços públicos e governança digital. Para o presidente, a tecnologia já exerce influência direta no cotidiano das pessoas e exige direcionamento estratégico para que seus benefícios sejam amplamente compartilhados.

Leia também: PEC da Segurança: Lula aciona ex-governadores para articulação.

A manifestação reforça a posição brasileira em fóruns internacionais que discutem regulação tecnológica, inclusão digital e desenvolvimento sustentável, consolidando a agenda de governança da inteligência artificial como tema central da política pública contemporânea.


IA já impacta produtividade, serviços e comunicação

Na mensagem publicada após a entrevista, Lula destacou que a inteligência artificial impacta positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina e setores estratégicos como segurança alimentar e energética. Segundo o presidente, a tecnologia também transforma profundamente a forma como as pessoas se conectam e se comunicam.

Leia também: Lula demite Jean Paul Prates da Petrobras; Magda Chabriard assumirá o comando da Estatal.

Especialistas em economia digital observam que a expansão da inteligência artificial tem sido um dos principais vetores de transformação estrutural da economia global. A automação de processos, a análise preditiva de dados e o uso de algoritmos avançados estão redefinindo modelos de negócios e cadeias produtivas.

No setor industrial, sistemas baseados em inteligência artificial ampliam eficiência operacional, reduzem desperdícios e melhoram a gestão logística. Na administração pública, ferramentas digitais permitem aprimorar diagnósticos, monitorar políticas públicas e otimizar atendimento ao cidadão.


Tecnologia e interesse coletivo

Ao defender que a inteligência artificial esteja a serviço da sociedade, Lula enfatizou que o desenvolvimento tecnológico deve priorizar geração de empregos, melhoria da qualidade de vida e promoção de melhores condições de trabalho.

O presidente alertou para o risco de que a inteligência artificial fique concentrada sob controle de poucos atores econômicos, ampliando desigualdades estruturais. Para ele, a legitimidade da tecnologia depende de sua capacidade de promover inclusão social e desenvolvimento sustentável.

O debate sobre regulação da inteligência artificial ganhou força em diferentes regiões do mundo, especialmente diante da rápida expansão de modelos generativos, automação de decisões e uso de dados em larga escala. A discussão envolve aspectos éticos, jurídicos e econômicos, incluindo proteção de dados, transparência algorítmica e responsabilidade civil.


Governança digital e posicionamento internacional do Brasil

A defesa de que a inteligência artificial seja orientada pelo interesse público dialoga com a atuação brasileira em organismos multilaterais. O país tem defendido marcos regulatórios que conciliem inovação com proteção de direitos fundamentais.

Nos últimos anos, a pauta de governança da inteligência artificial passou a integrar discussões do G20, da ONU e de fóruns regionais. O objetivo é estabelecer parâmetros internacionais que assegurem uso ético e responsável da tecnologia.

Para analistas, a posição expressa por Lula reforça a estratégia diplomática de inserir o Brasil como protagonista na construção de normas globais relacionadas à inteligência artificial, especialmente no contexto do Sul Global.


Impactos no mercado de trabalho

Um dos pontos centrais do debate envolve os efeitos da inteligência artificial sobre o emprego. Estudos internacionais indicam que a tecnologia pode substituir determinadas funções repetitivas, mas também criar novas ocupações ligadas à ciência de dados, programação e governança tecnológica.

Ao defender que a inteligência artificial promova melhores condições de trabalho, o presidente sinaliza preocupação com políticas de qualificação profissional e transição ocupacional.

Economistas ressaltam que o desafio está em garantir que a adoção da inteligência artificial seja acompanhada por investimentos em educação, capacitação técnica e inclusão digital, evitando aprofundamento de desigualdades.


Inclusão digital e desenvolvimento sustentável

A ampliação do acesso à inteligência artificial também se conecta à agenda de inclusão digital. Países em desenvolvimento enfrentam obstáculos estruturais para incorporar tecnologias avançadas, como infraestrutura limitada e escassez de profissionais qualificados.

Nesse contexto, a defesa de que a inteligência artificial esteja a serviço do bem-estar coletivo envolve políticas públicas de incentivo à pesquisa, estímulo à inovação nacional e fortalecimento de ecossistemas tecnológicos.

Além disso, aplicações de inteligência artificial podem contribuir para metas de desenvolvimento sustentável, como monitoramento ambiental, agricultura de precisão e eficiência energética.


Riscos de concentração de poder

Outro ponto destacado por Lula refere-se à concentração de poder no setor tecnológico. Grandes empresas globais dominam parte significativa do desenvolvimento de inteligência artificial, controlando infraestrutura computacional, dados e plataformas digitais.

A preocupação com concentração não é exclusiva do Brasil. Reguladores em diferentes países discutem mecanismos antitruste e exigências de transparência para evitar práticas monopolísticas relacionadas à inteligência artificial.

Para especialistas em direito digital, a criação de regras claras pode estimular concorrência e inovação, ao mesmo tempo em que protege consumidores e empresas menores.


Debate regulatório no Brasil

No âmbito doméstico, o Congresso Nacional analisa propostas de regulação da inteligência artificial. O debate envolve princípios como transparência, responsabilização, não discriminação e supervisão humana.

A manifestação presidencial fortalece a discussão legislativa ao enfatizar que a inteligência artificial deve estar alinhada com valores democráticos e direitos fundamentais.

Juristas apontam que a construção de um marco regulatório equilibrado pode posicionar o Brasil como referência regional em governança tecnológica.


Tecnologia como instrumento de desenvolvimento

Ao afirmar que a inteligência artificial precisa servir ao bem-estar coletivo, Lula reforça a visão de que tecnologia é instrumento de desenvolvimento econômico e social, e não um fim em si mesma.

A incorporação estratégica da inteligência artificial pode elevar a competitividade da indústria nacional, modernizar serviços públicos e ampliar a eficiência administrativa.

Contudo, a expansão tecnológica exige coordenação entre governo, setor privado e academia, garantindo que os benefícios sejam distribuídos de forma ampla e sustentável.


Brasil busca protagonismo na agenda tecnológica global

A entrevista ao programa India Today evidencia o interesse do governo brasileiro em inserir a inteligência artificial no centro do debate internacional.

O tema integra discussões sobre soberania digital, inovação industrial e cooperação tecnológica. Ao defender uso socialmente orientado da inteligência artificial, o Brasil sinaliza disposição para participar ativamente da formulação de padrões globais.

A consolidação dessa agenda poderá influenciar políticas públicas, investimentos em pesquisa e posicionamento estratégico do país na economia digital.

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