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IPC-S sobe 0,51% e inflação avança nas sete capitais pesquisadas pela FGV

por Camila Braga
09/09/2026 às 13h50
em Economia
Ipc-S Sobe 0,51% E Inflação Avança Nas Sete Capitais Pesquisadas Pela Fgv - Gazeta Mercantil - Economia

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) registrou alta de 0,51% na primeira quadrissemana de setembro de 2026, revertendo a queda de 0,37% observada no fechamento de agosto. A diferença entre as duas apurações foi de 0,88 ponto percentual, com aumento das taxas em todas as sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Apesar da mudança expressiva na leitura mais recente, o acumulado em 12 meses recuou. A taxa passou de 3,93% no encerramento de agosto para 3,78% na primeira quadrissemana de setembro, redução de 0,15 ponto percentual. Os números mostram, portanto, uma pressão maior no curto prazo sem elevação correspondente da inflação acumulada no período de um ano.

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A principal influência veio de Habitação. A taxa do grupo passou de queda de 1,21% no fechamento de agosto para alta de 1,80% na primeira leitura de setembro, diferença de 3,01 pontos percentuais. O comportamento da eletricidade residencial teve peso relevante nesse movimento e também explica parte da variação registrada entre as capitais.

Porto Alegre tem maior inflação e Rio registra maior mudança

Entre as sete capitais pesquisadas, Porto Alegre apresentou a maior taxa do IPC-S na primeira quadrissemana de setembro, com alta de 0,79%. No fechamento de agosto, o índice da capital gaúcha havia recuado 0,20%.

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A tarifa de eletricidade residencial foi a principal influência sobre o resultado de Porto Alegre, com aumento de 6,97%.

O Rio de Janeiro apareceu logo depois, com IPC-S de 0,73%. Na medição anterior, o índice havia recuado 0,37%, produzindo a maior diferença entre as duas leituras entre todas as cidades pesquisadas, de 1,10 ponto percentual.

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Brasília registrou inflação de 0,70%, ante 0,16% no fechamento de agosto.

Belo Horizonte passou de queda de 0,35% para alta de 0,47%. São Paulo teve comportamento semelhante: o IPC-S saiu de recuo de 0,36% para avanço de 0,46%.

Em Recife, o índice, que havia registrado deflação de 0,86% no encerramento de agosto, passou para alta de 0,18% na primeira quadrissemana de setembro. A diferença entre as duas apurações alcançou 1,04 ponto percentual.

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Salvador permaneceu como a única capital com taxa negativa, de 0,03%, mas a deflação perdeu força em relação aos 0,89% registrados anteriormente. Na capital baiana, a gasolina exerceu importante influência baixista, com queda de 3,58%.

Seis dos oito grupos registram taxas maiores

O movimento de alta não ficou restrito às diferenças regionais. Seis das oito classes de despesas que integram o IPC-S apresentaram taxas superiores às do fechamento de agosto.

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Habitação teve a maior alteração, ao sair de -1,21% para 1,80%.

Alimentação permaneceu em terreno negativo, mas a queda perdeu intensidade, passando de -0,47% para -0,07%. Isso significa que o alívio anteriormente proporcionado pelos preços dos alimentos tornou-se menor.

Comunicação apresentou comportamento semelhante. A taxa saiu de -2,19% para -0,05%, praticamente eliminando a deflação observada no encerramento de agosto.

Educação, Leitura e Recreação continuou registrando redução de preços, mas passou de -1,44% para -0,95%.

Vestuário saiu de -0,58% para -0,20%. Saúde e Cuidados Pessoais, que já apresentava inflação positiva, teve pequena mudança, de 0,27% para 0,29%.

Os números indicam que a alta do IPC-S decorreu tanto da pressão direta de Habitação quanto da perda de força das quedas de preços em grupos que haviam ajudado a manter o indicador negativo em agosto.

Habitação muda de direção e passa a pressionar índice

A trajetória de Habitação é particularmente relevante para compreender o resultado.

No fechamento de agosto, o grupo exercia pressão baixista sobre o IPC-S, com queda de 1,21%. Na primeira quadrissemana de setembro, passou a contribuir na direção oposta, com alta de 1,80%.

A diferença de 3,01 pontos percentuais entre as duas medições foi muito superior à registrada pelo índice geral.

A eletricidade residencial esteve entre os componentes responsáveis pela mudança. O comportamento das tarifas pode produzir movimentos expressivos nos índices de preços porque a energia elétrica possui peso relevante no orçamento das famílias e integra diretamente o grupo Habitação.

A influência aparece com clareza em Porto Alegre, onde a tarifa residencial subiu 6,97% e ajudou a levar o IPC-S local a 0,79%, maior resultado entre as sete capitais pesquisadas.

A situação contrasta com agosto. No fechamento daquele mês, a eletricidade residencial apresentava redução expressiva e contribuía para a deflação registrada pelo IPC-S.

Transportes permanece praticamente estável

Dois grupos seguiram direção diferente da maioria: Despesas Diversas e Transportes.

Despesas Diversas passou de 3,38% para 2,89%. Apesar da redução de 0,49 ponto percentual, permaneceu como a classe com maior taxa entre os oito grupos pesquisados.

Transportes teve alteração mínima, de 0,08% para 0,06%.

A estabilidade do grupo esconde diferenças entre localidades e componentes. Em Salvador, por exemplo, a gasolina caiu 3,58% e foi o principal fator de contenção do índice local.

A leitura ocorre em um período de atenção redobrada aos combustíveis no Brasil, diante da valorização internacional do petróleo e das medidas adotadas pelo governo federal para subsidiar produção e importação, principalmente de diesel.

Os preços registrados nesta quadrissemana, entretanto, correspondem ao período específico de coleta do IPC-S. Por isso, não permitem antecipar automaticamente os efeitos de mudanças mais recentes no mercado internacional de petróleo ou das novas medidas governamentais sobre as próximas divulgações.

IPC-S usa média móvel de quatro semanas

Apesar do nome Índice de Preços ao Consumidor Semanal, cada resultado do IPC-S não corresponde simplesmente à inflação ocorrida nos sete dias anteriores.

O indicador utiliza médias móveis de quatro semanas. Na primeira quadrissemana de setembro, são considerados os preços coletados durante quatro semanas encerradas no dia 7.

Nas leituras seguintes, a semana mais antiga deixa o cálculo e uma semana mais recente é incorporada. O método permite acompanhar alterações na trajetória dos preços em intervalos menores do que os índices mensais tradicionais.

O IPC-S possui quatro fechamentos ao longo do mês, com períodos encerrados nos dias 7, 15, 22 e no último dia de cada mês.

Essa metodologia ajuda a explicar por que alterações importantes em tarifas administradas ou itens voláteis podem provocar diferenças relevantes entre duas divulgações consecutivas.

O indicador acompanha o custo de vida de famílias com renda mensal entre um e 33 salários mínimos e abrange Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Inflação em 12 meses recua para 3,78%

Um dos aspectos mais relevantes do resultado é a diferença entre o comportamento de curto prazo e a taxa acumulada.

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O IPC-S saiu de -0,37% para 0,51%, enquanto o índice em 12 meses diminuiu de 3,93% para 3,78%.

Uma variação maior na quadrissemana não implica necessariamente elevação imediata do acumulado anual. A taxa de 12 meses depende também da substituição dos resultados registrados no mesmo período do ano anterior.

Na comparação com a primeira quadrissemana de setembro de 2025, porém, o resultado atual é mais elevado. Naquele período, o IPC-S havia registrado queda de 0,20%. A leitura de 0,51% deste ano representa uma diferença de 0,71 ponto percentual.

O acumulado em 12 meses também está acima do nível observado há um ano. Na primeira quadrissemana de setembro de 2025, o indicador acumulava 2,90%; agora, está em 3,78%, diferença de 0,88 ponto percentual.

A comparação reforça a importância das próximas divulgações para verificar se a pressão observada no início de setembro será persistente ou se está concentrada principalmente em componentes específicos, como energia elétrica.

Próximas leituras mostrarão força da pressão de Habitação

A segunda quadrissemana do IPC-S de setembro está prevista para ser divulgada pela FGV em 16 de setembro, com os dados detalhados das capitais conhecidos na sequência.

A próxima medição permitirá observar quanto da pressão de Habitação permanecerá no índice e se Alimentação continuará se aproximando de variações positivas depois de um período marcado por quedas de preços.

Outro ponto será a distribuição regional do movimento. Na primeira leitura de setembro, todas as sete capitais apresentaram taxas superiores às registradas no encerramento de agosto, ainda que Salvador permanecesse em terreno negativo.

O resultado inicial do mês mostra uma mudança clara na composição da inflação medida pelo IPC-S. Habitação deixou de contribuir para a queda do índice e passou a exercer a principal pressão altista, enquanto grupos como Alimentação, Comunicação, Educação e Vestuário apresentaram deflações menores. Ao mesmo tempo, o acumulado em 12 meses recuou para 3,78%, mantendo distinta a leitura de curto prazo da trajetória anual dos preços.

Fontes:

FGV IBRE – IPC-S da primeira quadrissemana de setembro de 2026, com resultado geral e variações das oito classes de despesa

FGV IBRE – IPC-S Capitais da primeira quadrissemana de setembro de 2026, com resultados das sete capitais e principais influências regionais

FGV IBRE – metodologia, abrangência, períodos de coleta e características do Índice de Preços ao Consumidor Semanal

FGV IBRE – IPC-S da quarta quadrissemana de agosto de 2026, utilizado para comparação com a leitura anterior

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