Julgamento de Bolsonaro: bolsonarismo aposta em Trump, Lei Magnitsky e teme até embargo ao Brasil
O julgamento de Bolsonaro na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) está sendo tratado por aliados do ex-presidente como um processo de resultado praticamente definido. Nos bastidores, líderes bolsonaristas avaliam que a condenação é o desfecho mais provável, e já direcionam seus esforços para o cenário pós-julgamento.
A estratégia do grupo inclui articulações internacionais, com foco em Donald Trump, que, caso reeleito presidente dos Estados Unidos, poderia aplicar a Lei Magnitsky a ministros do STF e, em um cenário extremo, impor tarifas ou até mesmo algum tipo de embargo econômico contra o Brasil.
Enquanto aguardam o desenrolar da votação no STF, aliados próximos a Bolsonaro têm reforçado a narrativa de perseguição política, buscando transformar o julgamento em bandeira eleitoral e, ao mesmo tempo, pressionar o Congresso brasileiro pela aprovação de uma anistia ampla para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Julgamento de Bolsonaro: cenário considerado irreversível
Para o núcleo duro bolsonarista, o julgamento de Bolsonaro é visto como uma condenação anunciada. A expectativa é de que, no máximo, um pedido de vista adie a decisão, mas não altere o resultado final.
Nos bastidores, o sentimento é de que “são favas contadas”. A possibilidade de absolvição é considerada praticamente nula pelos interlocutores mais próximos, que já concentram suas articulações no plano internacional e no campo político interno.
O papel de Trump no pós-julgamento de Bolsonaro
A aposta do bolsonarismo está em Donald Trump. O ex-presidente norte-americano poderia usar a Lei Magnitsky — legislação que permite impor sanções a autoridades estrangeiras acusadas de violações a direitos humanos ou corrupção — para retaliar ministros do STF que votarem pela condenação de Bolsonaro.
Inicialmente aplicada contra o ministro Alexandre de Moraes, a sanção poderia ser estendida a outros integrantes da 1ª Turma do Supremo. Aliados de Bolsonaro veem esse movimento como um “caminho natural”, embora admitam que o processo burocrático leve tempo e não produza efeitos imediatos.
Lei Magnitsky e possíveis efeitos para o Brasil
Caso a Lei Magnitsky seja ampliada para outros ministros do STF, o impacto político seria imediato, fortalecendo a narrativa bolsonarista de perseguição e dando combustível às articulações por anistia no Congresso.
No entanto, há o temor de que Trump, em uma postura mais dura, vá além e adote medidas econômicas contra o Brasil. Entre as hipóteses levantadas estão:
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Tarifas adicionais sobre produtos brasileiros exportados aos EUA;
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Restrição a empresas norte-americanas que façam negócios com o Brasil;
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Embargos financeiros ou restrições comerciais mais amplas.
Essas medidas poderiam ter efeito devastador sobre a economia, atingindo diretamente setores estratégicos como o agronegócio e a indústria de exportação.
Pressão por anistia no Congresso brasileiro
Paralelamente às articulações internacionais, o bolsonarismo aposta na pressão interna por uma anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O movimento ganhou novo fôlego após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defender publicamente a medida.
Na Câmara dos Deputados, parlamentares ligados ao PL prometem intensificar a ofensiva para colocar o tema na pauta de votações. A anistia, no entanto, enfrenta forte resistência de partidos de centro e esquerda, que consideram a medida uma afronta ao Estado Democrático de Direito.
Reuniões em Washington
Durante a semana do julgamento, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo devem se reunir em Washington com integrantes da campanha de Trump. A viagem tem como objetivo apresentar os efeitos do processo no STF e reforçar a narrativa de perseguição política contra o ex-presidente.
Essas reuniões são vistas como parte da estratégia de internacionalização do discurso bolsonarista, buscando apoio externo para pressionar o Brasil e fortalecer a imagem de Bolsonaro como líder político perseguido.
Prisão domiciliar e efeitos na mobilização política
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde agosto, o que limita suas aparições públicas. Ainda assim, aliados consideram que o julgamento pode ser usado como catalisador para mobilizar a militância em torno de sua figura.
A expectativa é que manifestações de apoio ganhem força à medida que a condenação avance, criando um ambiente de polarização que pode ser explorado politicamente nas eleições de 2026.
STF reforça segurança para julgamento
O STF intensificou a segurança interna e externa diante da relevância do julgamento. O temor é que o desfecho do processo provoque mobilizações semelhantes às de 2021 e 2022, quando manifestações em Brasília geraram tensão e ameaças às instituições.
Medidas adicionais estão sendo coordenadas com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, com foco especial no período que antecede o 7 de setembro, data de forte simbolismo para apoiadores do ex-presidente.
O julgamento de Bolsonaro é considerado pelo próprio bolsonarismo como uma condenação inevitável. Diante disso, a estratégia do grupo não é apenas jurídica, mas política e internacional. Aposta-se em Trump, na aplicação da Lei Magnitsky e até em medidas mais duras, como tarifas e embargos, ao mesmo tempo em que cresce a pressão interna por anistia no Congresso.
O resultado do julgamento terá repercussões que ultrapassam o campo judicial. Ele impactará diretamente a política brasileira, as relações diplomáticas com os Estados Unidos e até mesmo a economia nacional, caso as ameaças de sanções avancem. Para o bolsonarismo, a condenação pode ser o ponto de partida para uma nova fase de mobilização política, tanto no Brasil quanto no exterior.






