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Juros futuros caem 6 pontos com IGP-M de -1,16% e PIB dos EUA a 1,5% em 30 de julho

DI para jan/28 vai a 13,88% após deflação de 1,16% no IGP-M, desemprego a 5,4% e déficit de R$ 48,1 bi em linha com projeções

por Camila Braga
30/07/2026 às 18h50
em Economia
Juros - Gazeta Mercantil

Os juros futuros encerraram a quinta-feira, 30 de julho de 2026, em queda nos vencimentos curtos e intermediários na B3, com o contrato para janeiro de 2028 a 13,88%, recuo de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,942% da véspera, e o DI para janeiro de 2035 a 14,66%, alta de 3 pontos-base sobre 14,63%, em sessão marcada por uma bateria concentrada de indicadores no Brasil e nos Estados Unidos que reancorou apostas para a Selic e para o Federal Reserve. O movimento ocorreu em São Paulo após a Fundação Getulio Vargas informar deflação de 1,16% no IGP-M de julho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontar desemprego de 5,4% no segundo trimestre, a Receita Federal divulgar arrecadação de R$ 264,437 bilhões em junho e o Tesouro Nacional reportar déficit primário de R$ 48,178 bilhões no mesmo mês, enquanto nos EUA o Bureau of Economic Analysis reportou crescimento de 1,5% do PIB no segundo trimestre e alta de 0,1% no núcleo do PCE de junho.

A dinâmica dos juros futuros ao longo do dia refletiu leitura de desinflação mais rápida no atacado, sinais de desaceleração na confiança de serviços e acomodação no mercado de trabalho norte-americano, fatores que, combinados, reduziram prêmio de risco na parte curta da curva. Investidores que operam juros futuros passaram a calibrar cenário de atividade mais fria e inflação de custos menos pressionada, o que alivia a curva a termo e melhora a precificação de corte de juros pelo Banco Central na reunião da próxima semana, quando o mercado projeta redução de 0,25 ponto percentual para 14,0% ao ano. Na ponta longa, a permanência de incerteza fiscal e o comportamento dos Treasuries limitaram o alívio.

Leia também: Juros futuros iniciam em queda firme acompanhando exterior | Finanças.

No exterior, os juros futuros norte-americanos serviram de âncora parcial. O rendimento do Treasury de dois anos, sensível à política monetária de curto prazo, exibia estabilidade a 4,238% por volta de 16h40, horário de Brasília, enquanto o título de dez anos, referência global para alocação, avançava 5 pontos-base a 4,667%. A divergência entre a parte curta estável e a longa em alta nos EUA ajuda a explicar por que os juros futuros no Brasil recuaram na frente e ficaram pressionados nos vencimentos mais distantes, já que o prêmio de prazo local segue condicionado ao risco fiscal doméstico.

IGP-M cai 1,16% em julho com alívio de combustíveis e acumula 2,76% em 12 meses, diz FGV

O Índice Geral de Preços-Mercado caiu 1,16% em julho, após recuo de 0,50% em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Fundação Getulio Vargas. O resultado veio ligeiramente mais intenso que a mediana de -1,09% apontada em pesquisa da Reuters e levou o acumulado em 12 meses a 2,76%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo, que responde por 60% do IGP-M e mede o atacado, recuou 1,74% no mês, depois de queda de 0,97% em junho, puxado por combustíveis e derivados de petróleo. O Índice de Preços ao Consumidor, com peso de 30%, variou -0,01% em julho ante alta de 0,47% em junho. O Índice Nacional de Custo da Construção subiu 0,62% ante 0,85% no mês anterior. O IGP-M apura preços entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

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Para os juros futuros, a composição do IGP-M importa mais que o número cheio. A queda do IPA sinaliza descompressão de custos industriais e de energia, associada à reversão de tensões no Estreito de Ormuz e ao recuo de cotações internacionais de petróleo citadas pelo economista Matheus Dias, do FGV IBRE, em nota oficial da Fundação. No varejo, a desinflação de alimentos in natura compensou a alta sazonal de passagens aéreas em julho. O dado reforça o diagnóstico de IPCA-15 mais baixo divulgado na terça-feira e reduz a inércia inflacionária percebida na curva. Quando o atacado devolve parte da alta anterior, os juros futuros de curto prazo tendem a embutir menor repasse para o consumidor e abrem espaço para discussão de flexibilização monetária à frente, sem alterar a necessidade de cautela com serviços.

Confiança de serviços recua 3 pontos a 87,8 e interrompe dois meses de alta, aponta FGV

O Índice de Confiança de Serviços recuou 3,0 pontos em julho para 87,8 pontos, interrompendo dois meses de avanços, informou a FGV. O Índice de Situação Atual caiu 3,1 pontos para 89,5 pontos, menor patamar desde julho de 2021, quando estava em 87,9 pontos. O Índice de Expectativas recuou 2,8 pontos para 86,3 pontos, queda mais intensa desde março de 2026. A piora atingiu de forma semelhante a avaliação sobre o presente e sobre os próximos meses, sobretudo nas percepções de demanda corrente e demanda prevista, segundo o economista Stéfano Pacini, do FGV IBRE.

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O recuo sincronizado de situação atual e expectativas sinaliza desaceleração da atividade no setor que mais emprega e mais pesa no PIB de serviços. Para os juros futuros, confiança mais baixa indica menor tração de demanda e menor capacidade de repasse de preços, o que ajuda a ancorar expectativas de inflação de serviços, componente mais sensível a juros. O quadro descrito pela FGV menciona ainda que mercado de trabalho resiliente e estímulos fiscais sustentam consumo, mas convivem com juros reais restritivos e inadimplência elevada, combinação que tende a moderar o ritmo à frente. Esse balanço entre resiliência e moderação é central para a precificação de juros futuros intermediários.

Desemprego cai a 5,4% no 2º trimestre, mínima histórica, e renda recua a R$ 3.738, mostra IBGE

A taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho, a menor para o período na série histórica iniciada em 2012, informou o IBGE nesta quinta-feira. O resultado representa queda ante 6,1% no primeiro trimestre e ante 5,8% no mesmo período de 2025, em linha com a expectativa mediana de economistas consultados pela Reuters. O contingente de desocupados caiu 10,9% sobre o trimestre anterior, para 5,861 milhões de pessoas, com recuo de 6,3% na comparação anual. A população ocupada cresceu 1,1% no trimestre e 0,7% no ano, para 103,057 milhões, puxada por empregados do setor privado sem carteira, que avançaram 2,2%, ante alta de 0,6% dos com carteira.

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A renda média real de todos os trabalhos caiu 1,5% no trimestre, para R$ 3.738, de R$ 3.795 entre janeiro e março, embora tenha subido 2,8% ante o mesmo trimestre de 2024. Para os juros futuros, o dado traz mensagem ambígua, mas com viés de moderação. Desemprego em mínima histórica mantém pressão sobre inflação de serviços e dificulta o trabalho do Banco Central, ponto destacado pelo próprio IBGE, mas a perda de fôlego da renda e o avanço maior da ocupação informal sugerem menor dinamismo à frente. Analistas consultados na divulgação projetam taxa encerrando 2026 em 5,7%, cenário compatível com desaceleração gradual e com a manutenção de juros reais elevados por mais tempo. A leitura reforça a estratégia de operar juros futuros curtos com prêmio menor, mas sem romper níveis de equilíbrio de longo prazo.

Arrecadação de R$ 264,4 bi em junho bate recorde e déficit de R$ 48,1 bi fica em linha, dizem Receita e Tesouro

A arrecadação federal teve alta real de 7,72% em junho sobre um ano antes, somando R$ 264,437 bilhões, maior valor já observado para o mês, informou a Receita Federal nesta quinta-feira. No acumulado de janeiro a junho, a arrecadação cresceu 6,63% acima da inflação ante o mesmo período de 2025, para R$ 1,587 trilhão, recorde para o semestre na série iniciada em 1995. O desempenho reflete base de comparação, Imposto de Renda, Cofins e arrecadação previdenciária, além de efeitos do Decreto nº 12.499/2025 sobre IOF, conforme detalhamento da Receita em coletiva às 11h com transmissão pelo canal do Ministério da Fazenda.

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À tarde, o Tesouro Nacional informou que o governo central, que reúne Tesouro, Banco Central e Previdência Social, registrou déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, praticamente em linha com os R$ 48 bilhões projetados por economistas consultados pela Reuters e pior que o déficit de R$ 44,216 bilhões de junho de 2025. No primeiro semestre, o rombo acumulado chegou a R$ 92,227 bilhões, o pior resultado para o período desde 2020, segundo dados do Tesouro. Para os juros futuros, o fiscal segue como limitador da queda na ponta longa. Arrecadação recorde ajuda a ancorar receita, mas o déficit persistente mantém a percepção de risco e a necessidade de prêmio na curva longa, sobretudo quando a dívida pública segue em trajetória de alta.

Na entrevista coletiva, o secretário do Tesouro Nacional substituto, David Athayde, afirmou que o governo estuda a possibilidade de reduzir o limite anual de crescimento real das despesas federais de 2,5% para 1,5% ao ano, previsto no arcabouço fiscal. “Essa é uma medida que está em estudo, a Fazenda sempre estuda medidas adicionais que possam contribuir para a consolidação fiscal em curso”, declarou, ao ser questionado sobre o impacto da mudança. Athayde ressaltou que não há definição ou prazo e que a equipe econômica se comprometeu a entregar superávits primários crescentes, de 0,25% do PIB em 2026 para 1,5% do PIB em 2030. A sinalização foi bem recebida por agentes que operam juros futuros longos, por sugerir reforço do arcabouço, embora a falta de detalhamento mantenha cautela.

PIB dos EUA cresce 1,5% no 2º tri e núcleo do PCE sobe 0,1% em junho com pedidos a 197 mil, informa BEA

Nos Estados Unidos, o Produto Interno Bruto cresceu à taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre de 2026, de abril a junho, segundo a estimativa prévia divulgada nesta quinta-feira pelo Bureau of Economic Analysis. O resultado ficou abaixo dos 2,1% do primeiro trimestre e abaixo da mediana de 2,1% esperada pelo mercado. O avanço refletiu aumentos de gastos do consumidor, investimento e exportações, parcialmente compensados por queda em gastos do governo, enquanto importações, que são subtração no cálculo do PIB, aumentaram. O número de consumidores gastando mais, com alta de 3,2% após 0,5% no trimestre anterior, evitou desaceleração mais forte.

Na mesma data, o BEA informou que a renda pessoal aumentou US$ 54,9 bilhões, ou 0,2% em junho, a renda pessoal disponível cresceu US$ 48,3 bilhões, 0,2%, e os gastos com consumo pessoal avançaram US$ 65,2 bilhões, 0,3%. O índice de preços de gastos com consumo, o PCE, caiu 0,1% em junho na comparação mensal, para taxa anual de 3,7%, enquanto o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia e é observado pelo Federal Reserve, avançou 0,1% no mês e 3,3% em 12 meses, abaixo da expectativa de 0,2% e abaixo dos 0,3% de maio. O dado de inflação mais fraco que o esperado abriu espaço para queda adicional dos juros futuros curtos no Brasil por contágio externo.

O Departamento do Trabalho informou ainda que os pedidos iniciais de seguro-desemprego subiram 9 mil para 197 mil na semana encerrada em 25 de julho, em dado com ajuste sazonal, ante 188 mil revisados na semana anterior e ante projeção de 200 mil. Os pedidos continuados, proxy de contratações, caíram 7 mil para 1,782 milhão na semana encerrada em 18 de julho. O mercado de trabalho norte-americano segue em modo de contratação e demissão lentas, e o Federal Reserve manteve na quarta-feira a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75%, com três dissidências defendendo alta de 0,25 ponto. Para os juros futuros brasileiros, a combinação de PIB mais fraco e núcleo do PCE a 0,1% reforça aposta de que o Fed pode pausar o ciclo de aperto, o que alivia o diferencial de juros e favorece alívio adicional na curva local curta, sem eliminar prêmio fiscal na parte longa.

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