Mananciais de São Paulo caem para 38%: risco de nova crise hídrica preocupa milhões de moradores
Os mananciais de São Paulo voltaram a registrar queda expressiva, atingindo apenas 38% da capacidade total. O índice é o menor para o mês desde 2015, ano marcado pela pior crise hídrica da história recente do estado. A situação acende o alerta de especialistas, autoridades e moradores que temem uma repetição dos problemas vividos há uma década.
Situação crítica nos reservatórios
Entre os dias 26 e 27 de agosto, o volume armazenado nos mananciais caiu de 38,2% (742,87 hm³) para 38,0% (739,16 hm³). Todos os sistemas registraram recuo:
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Sistema Cantareira: 35,7% para 35,5%
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Alto Tietê: 30,3% para 30,1%
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Guarapiranga: 54,9% para 54,6%
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Cotia: 59,8% para 59,6%
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Rio Claro: 22,7% para 22,3%
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São Lourenço: 56,1% para 55,8%
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Rio Grande: manteve 58,9%
O quadro mostra que nenhum manancial apresentou recuperação no período, o que preocupa ainda mais diante da estiagem prolongada.
Falta de chuvas agrava os índices
O fator central para a queda nos mananciais de São Paulo é a pluviometria abaixo da média histórica. No sistema Rio Grande, por exemplo, a chuva registrada foi de apenas 1,6 mm, enquanto a média mensal da região é de 48,4 mm.
A escassez de chuvas pressiona os reservatórios e aumenta a probabilidade de medidas mais severas para conter o consumo de água.
Medida emergencial da Sabesp
A Sabesp (SBSP3) anunciou que reduzirá a pressão na distribuição de água em toda a região metropolitana de São Paulo durante as madrugadas. A operação, válida por oito horas diárias, busca evitar desperdícios e preservar os níveis de água até que as chuvas retornem.
A medida já está em vigor e deverá ser mantida enquanto os reservatórios não apresentarem recuperação consistente.
Comparação com a crise hídrica de 2015
O fantasma da crise de 2015 volta a rondar São Paulo. Naquele ano, os mananciais chegaram a operar com apenas 9,4% da capacidade, levando milhões de pessoas a conviverem com torneiras secas e interrupções não oficiais no fornecimento.
Embora os níveis atuais ainda estejam distantes desse cenário extremo, a curva de queda e a estiagem prolongada aumentam os temores de que a cidade possa enfrentar um novo ciclo de racionamento.
Impactos diretos para os moradores
A queda dos mananciais de São Paulo pode trazer consequências imediatas, como:
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Possível racionamento de água em bairros mais afastados.
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Aumento no custo da energia elétrica, já que reservatórios baixos exigem mais uso de termelétricas.
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Pressão sobre indústrias e comércios, que podem ter de rever processos produtivos.
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Problemas de saúde pública, ligados à falta de água em áreas vulneráveis.
O que esperar para os próximos meses?
As perspectivas dependem fortemente do retorno das chuvas. Caso o padrão de estiagem se mantenha, São Paulo poderá enfrentar restrições mais duras. Autoridades defendem a necessidade de campanhas de conscientização sobre o uso racional da água e reforçam que a população deve adotar medidas simples, como reduzir banhos longos, evitar lavar calçadas e utilizar reaproveitamento de água sempre que possível.






