segunda-feira, 2 de novembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

MBRF (MBRF3): BofA recomenda compra e aposta em virada do caixa a partir de 2027

Bank of America vê espaço para redução dos investimentos, melhora das margens nos Estados Unidos e avanço da desalavancagem da MBRF nos próximos

por João Souza
20/08/2026 às 13h02
em Empresas
Mbrf Global Foods (Mbrf3) - Gazeta Mercantil

Divulgação

O Bank of America passou a olhar com mais otimismo para a MBRF Global Foods (MBRF3). O banco elevou a recomendação das ações de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 23 para R$ 26, sustentando que a companhia pode entrar, a partir de 2027, em uma fase mais favorável de geração de caixa e redução do endividamento.

A mudança de avaliação não está baseada apenas em uma expectativa de melhora dos resultados operacionais. O ponto central da análise é outro: depois de um período marcado por investimentos elevados e pressão sobre o caixa, a MBRF pode começar a converter uma parcela maior de seu resultado operacional em recursos efetivamente disponíveis para reduzir dívida. Essa transformação, caso se confirme, tende a mudar também a forma como o mercado avalia a empresa.

Leia também: Paramount compra Warner: fusão bilionária pode redefinir o futuro do streaming e da TV global.

Na visão do Bank of America, três fatores devem ser determinantes nesse processo: a redução dos investimentos, a recuperação das margens da carne bovina nos Estados Unidos e a consequente melhora do fluxo de caixa livre. É essa combinação que levou o banco a revisar suas projeções e considerar mais atraente a relação entre risco e retorno das ações.

Menos investimentos devem ajudar a destravar o caixa

Uma das principais mudanças esperadas para os próximos anos está no volume de investimentos. O BofA estima que o capex da MBRF, atualmente próximo de R$ 5 bilhões, recue para algo entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões em 2027.

Leia também: Genial recomenda compra da ação da Prio (PRIO3) após avanço na produção e projeções robustas para 2025.

A diferença é relevante porque reduz uma das principais saídas de recursos da companhia. Em um cenário no qual o desempenho operacional permaneça relativamente estável, gastar menos com investimentos significa deixar uma parcela maior do dinheiro gerado pelas operações disponível para outras finalidades, principalmente a redução do endividamento.

O efeito aparece com clareza nas projeções de fluxo de caixa livre. O Bank of America elevou sua estimativa para 2027 de R$ 390 milhões para R$ 1,9 bilhão. Trata-se de uma revisão expressiva e que ajuda a explicar por que o banco decidiu mudar a recomendação das ações.

Leia também: Caixa notifica clientes sobre roubo de joias em agência de SP.

O fluxo de caixa livre é particularmente importante para a MBRF porque a empresa ainda carrega um nível elevado de dívida. Mais do que aumentar receitas ou apresentar crescimento do Ebitda, a companhia precisa demonstrar que consegue transformar seus resultados em caixa depois de pagar investimentos, juros e outras despesas.

É justamente essa capacidade que o BofA acredita que começará a aparecer com mais força a partir do próximo ano.

Segundo as projeções do banco, o fluxo de caixa livre estimado para 2027 representaria um retorno de aproximadamente 7,7% em relação ao valor da companhia. Em 2028, esse indicador poderia avançar para 10,8%, reforçando a percepção de que o período de maior pressão financeira pode estar se aproximando do fim.

Outro ponto destacado na análise é que as estimativas do Bank of America consideram um nível de investimentos superior ao próprio guidance da MBRF. Isso significa que, caso a companhia consiga reduzir o capex além do previsto pelo banco, o efeito sobre a geração de caixa poderá ser ainda mais favorável.

Desalavancagem passa a ocupar o centro da tese

A redução da dívida é provavelmente o aspecto mais importante para quem acompanha a MBRF neste momento. A companhia construiu um negócio de grande escala e com presença relevante no mercado internacional, mas o endividamento continua sendo um dos fatores que limitam uma reavaliação mais expressiva das ações.

O Bank of America acredita que a melhora do caixa pode finalmente criar condições para um processo mais consistente de desalavancagem. A expectativa é de que a relação entre dívida líquida e Ebitda seja reduzida em cerca de 0,5 a 0,6 vez por ano a partir de 2027 e 2028.

Se esse ritmo for mantido, a alavancagem poderá cair para menos de três vezes nos anos seguintes. Seria uma mudança importante para a percepção de risco da companhia, especialmente porque empresas mais endividadas costumam negociar com múltiplos menores justamente pela necessidade de destinar uma parcela maior de seus recursos ao pagamento de juros e obrigações financeiras.

A tese, portanto, depende menos de uma expansão extraordinária do negócio e mais de uma mudança na qualidade do resultado. O que o mercado deverá observar é se o lucro operacional conseguirá, de fato, chegar ao caixa e ser utilizado para reduzir dívida.

Esse processo também pode ampliar a liberdade financeira da companhia no futuro. Uma empresa menos alavancada tende a ter mais condições de distribuir dividendos, realizar investimentos estratégicos ou aproveitar oportunidades de crescimento sem pressionar novamente sua estrutura de capital.

Estados Unidos ainda são peça fundamental

A segunda grande aposta do BofA está na recuperação da operação de carne bovina nos Estados Unidos. O banco avalia que 2026 deve marcar o ponto mais difícil do atual ciclo do setor, abrindo espaço para uma melhora das margens a partir de 2027.

O mercado norte-americano enfrenta uma combinação complicada para os frigoríficos. A disponibilidade de gado permaneceu restrita, os preços dos animais subiram e as margens das empresas de processamento ficaram comprimidas. Em um negócio de grande escala e margens tradicionalmente estreitas, pequenas variações no custo do gado podem provocar mudanças importantes na rentabilidade.

Para o próximo ano, entretanto, o Bank of America vê sinais de que essa relação pode começar a melhorar. Um dos fatores é a possibilidade de aumento da oferta de animais provenientes do México. Outro é a redução da capacidade de processamento da própria indústria norte-americana, depois do fechamento de unidades.

Com menos capacidade instalada e maior oferta de gado, as plantas que continuarem operando poderão trabalhar com níveis mais elevados de utilização. O banco calcula que essa taxa possa aumentar aproximadamente 600 pontos-base e atingir cerca de 85%, voltando para níveis mais próximos da média histórica observada nos últimos anos.

A reorganização da indústria também pode beneficiar diretamente a MBRF. O Bank of America chama atenção para o fechamento de uma unidade da Tyson em Joslin, no estado de Illinois. A planta está localizada a aproximadamente 225 quilômetros da Iowa Premium, operação da MBRF nos Estados Unidos.

A redução da capacidade concorrente em uma mesma região pode alterar a dinâmica local de compra de gado e utilização das plantas, criando condições mais favoráveis para as unidades que permanecerem em atividade.

Margem pode melhorar a partir de 2027

O BofA estima que a margem Ebitda da divisão de carne bovina na América do Norte passe de aproximadamente 0,6% em 2026 para 1,7% no próximo ano.

À primeira vista, uma diferença de pouco mais de um ponto percentual pode parecer pequena. No setor frigorífico, porém, esse tipo de variação tem impacto relevante porque as operações movimentam volumes muito elevados. Uma melhora relativamente modesta na margem pode representar centenas de milhões de reais adicionais no resultado consolidado.

Essa recuperação é importante para a tese do banco porque reduziria a dependência de outras divisões da MBRF para sustentar os resultados. Caso o negócio norte-americano volte a contribuir de forma mais consistente, a companhia poderá combinar crescimento do resultado operacional com a redução do capex, acelerando a geração de caixa.

Ainda assim, a expectativa está longe de ser isenta de riscos. Uma recuperação mais lenta da pecuária norte-americana ou a permanência dos preços do gado em níveis elevados poderia adiar a melhora esperada. O Bank of America também aponta os custos de alimentação animal como uma variável que precisa ser acompanhada.

BofA aumenta projeções para o Ebitda

Além da melhora esperada na geração de caixa, o Bank of America também revisou suas estimativas para o resultado operacional da MBRF.

A projeção de Ebitda para 2026 foi elevada em 2,8%, para R$ 12,8 bilhões. Para 2027, a revisão foi maior: alta de 7,6%, levando a estimativa para aproximadamente R$ 12,9 bilhões.

Os números mostram que o banco não espera uma disparada do Ebitda entre um ano e outro. A principal mudança prevista está justamente na utilização desse resultado. Com menos dinheiro sendo consumido por investimentos, uma parcela maior do Ebitda poderá se transformar em fluxo de caixa livre.

Essa diferença é fundamental para compreender a recomendação. Uma companhia pode apresentar Ebitda elevado e, ainda assim, gerar pouco caixa quando precisa realizar investimentos pesados, pagar juros elevados ou sustentar uma estrutura financeira muito alavancada.

No caso da MBRF, o Bank of America acredita que essa equação começará a mudar.

Desconto em relação à JBS permanece

Mesmo com a recomendação de compra, o banco reconhece que a MBRF ainda merece negociar com algum desconto em relação à JBS (JBSS32).

Segundo os cálculos apresentados pelo BofA, a MBRF negocia a aproximadamente 5,7 vezes o EV/Ebitda projetado para 2027, enquanto a JBS está próxima de 6,7 vezes.

A diferença é explicada principalmente pela maior diversificação da JBS e pelo nível de endividamento da MBRF. A concorrente possui operações distribuídas entre diferentes geografias, proteínas e mercados, o que reduz a dependência de um único segmento ou ciclo econômico.

Para a MBRF, portanto, a redução desse desconto dependerá da execução. Se a companhia conseguir entregar a recuperação do fluxo de caixa e reduzir a alavancagem conforme o esperado, parte da diferença de valuation poderá deixar de fazer sentido.

Por outro lado, qualquer aumento significativo de investimentos ou nova operação que exija grande desembolso poderá atrasar o processo de desalavancagem. A disciplina na alocação de capital será, por isso, tão importante quanto o desempenho operacional.

O que o investidor deve acompanhar agora

A nova recomendação do Bank of America muda o foco da discussão sobre a MBRF. O debate deixa de ser apenas sobre margens, receitas ou crescimento do Ebitda e passa a incluir uma pergunta mais importante: quanto dinheiro a companhia conseguirá efetivamente gerar depois de pagar seus investimentos e despesas financeiras?

Os próximos balanços serão importantes justamente para mostrar se essa mudança começou ou continuará sendo apenas uma expectativa para 2027.

A recuperação das margens nos Estados Unidos, a trajetória do capex e a evolução da dívida líquida deverão funcionar como os principais termômetros da tese. Se os três movimentos caminharem na direção prevista pelo BofA, a MBRF poderá iniciar uma fase financeira bastante diferente da observada nos últimos anos.

É essa perspectiva que sustenta o novo preço-alvo de R$ 26 e a recomendação de compra. Mais do que apostar em um crescimento explosivo do negócio, o Bank of America está apostando em uma empresa capaz de gerar mais caixa com os ativos que já possui e, principalmente, usar esse dinheiro para diminuir uma das maiores preocupações dos investidores: a dívida.

Leia também

  • S&P eleva rating da Light Sesa após fim da recuperação judicial e projeta queda da alavancagem

LEIA MAIS

Embraer (Embj3) Salta Quase 8% E Lidera Ibovespa Com Expectativa De Novos Contratos-Gazeta Mercantil
Empresas

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Embraer (EMBJ3) fecha acordo de € 590 milhões para fornecer três aviões KC-390 à Grécia, com opção de mais três. Primeira entrega será em 2027.

Leia MaisDetails
Imposto De 12% Sobre Exportação De Petróleo É Estendido Por 60 Dias
Mercados

Petróleo despenca mais de 8% com negociações entre Irã e EUA; Brent se aproxima de US$ 100

Petróleo despenca mais de 8% com negociações entre Irã e EUA. Brent cai a US$ 104,09 e mercado acompanha possível reabertura do Estreito de Ormuz.

Leia MaisDetails
Donald Trump - Gazeta Mercantil
Mundo

Eleições nos EUA 2026 serão nesta terça (3); entenda o que está em jogo para Trump

Eleições nos EUA 2026 acontecem nesta terça (3). Entenda as midterms, as 470 cadeiras em disputa e os impactos para Donald Trump.

Leia MaisDetails
Chilli Beans Pede Recuperação Extrajudicial E Amplia Lista De Empresas Em Crise Em 2026 - Gazeta Mercantil - Empresas
Empresas

Chilli Beans pede recuperação extrajudicial e amplia lista de empresas em crise em 2026

Chilli Beans pede recuperação extrajudicial em 2026. Veja outras empresas em crise, como Braskem, Casas Bahia, Oncoclínicas e St. Marche.

Leia MaisDetails
Mercados - Gazeta Mercantil
Mercados

Ações da B3: MRSA3B sobe 16,49% e GEPA4 cai 12,57% no último pregão de outubro

Veja as ações que mais subiram e caíram na B3 no último pregão de outubro de 2026: MRSA3B avançou 16,49%, enquanto GEPA4 recuou 12,57%.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

20:00:00
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Admin Ajax 2025 12 11T094346.625 (1)
Economia

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

Leia MaisDetails
Telemarketing - Gazeta Mercantil
Economia

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Leia MaisDetails
Bitcoin (Btc) E Criptomoedas (Imagem: Canva Pro)
Criptomoedas

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Leia MaisDetails
Embraer (Embj3) Salta Quase 8% E Lidera Ibovespa Com Expectativa De Novos Contratos-Gazeta Mercantil
Empresas

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Leia MaisDetails
Ouro Hoje - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Hackers atacam supermercados na Europa e elevam temperatura de freezers a 50°C

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil