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Nubank avança na disputa pelo Banco Caixa Geral Brasil para obter licença bancária

Nu Financeira teria apresentado proposta vinculante, mas governo português ainda não anunciou o comprador da instituição.

por Ana Luiza Farias
02/07/2026 às 11h42 - Atualizado em 16/09/2026 às 10h29
em Empresas
Nubank Avança Na Disputa Pelo Banco Caixa Geral Brasil Para Obter Licença Bancária - Gazeta Mercantil

O Nubank (ROXO34), por meio da Nu Financeira, avançou para a fase decisiva da disputa pelo Banco Caixa Geral Brasil, subsidiária da estatal portuguesa Caixa Geral de Depósitos. Segundo informações publicadas pelo Valor Econômico e confirmadas por veículos portugueses, a empresa apresentou uma proposta vinculante pela instituição, estimada em cerca de R$ 250 milhões. A oferta, entretanto, não representa uma aquisição concluída nem torna o Nubank oficialmente vencedor do processo.

As informações mais recentes indicam que Nu Financeira, MD Capital e Garantia Capital entregaram propostas na segunda fase. A Sputnik LLC, que também havia sido autorizada a participar, não teve a apresentação de uma oferta vinculante confirmada. Não há documento oficial que reduza a disputa a apenas dois candidatos ou que declare formalmente o Nubank favorito.

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Procurado por veículos que acompanham o processo, o Nubank afirmou que avalia diferentes alternativas para cumprir o objetivo de obter uma licença bancária no Brasil ainda em 2026, mas ressaltou que essas análises não significam uma definição sobre uma operação específica. A Caixa Geral de Depósitos e o governo português também não anunciaram o comprador.

O interesse do Nubank está menos relacionado à base comercial do Banco Caixa Geral Brasil e mais à autorização regulatória que acompanha a instituição. O banco português opera no país como banco múltiplo, com carteiras comercial, de câmbio e de investimento. A eventual aquisição permitiria que o conglomerado Nubank passasse a incluir uma instituição formalmente autorizada a funcionar nessa categoria, desde que a transferência de controle fosse aprovada pelo Banco Central.

Proposta vinculante ainda não garante a compra

O governo português selecionou quatro potenciais investidores em março: Garantia Capital, MD Capital, Nu Financeira e Sputnik. A resolução autorizou a Caixa Geral de Depósitos a convidar os grupos para a apresentação de propostas vinculantes e estabeleceu um prazo de 60 a 90 dias para a conclusão dessa etapa.

O documento também determinou que o comprador selecionado deverá realizar um pagamento inicial de R$ 10 milhões. O restante do preço terá de ser garantido por uma instituição de crédito com classificação de risco compatível com as exigências da Caixa Geral de Depósitos.

A previsão de pagamento inicial não revela o preço mínimo do banco. Os R$ 10 milhões correspondem apenas à primeira parcela obrigatória da operação e independem do valor total oferecido pelo candidato escolhido.

O montante de aproximadamente R$ 250 milhões atribuído à oferta do Nubank ainda não foi confirmado em comunicado da Caixa Geral de Depósitos, do governo de Portugal ou da própria fintech. A informação depende, até o momento, de apuração jornalística baseada em fontes próximas ao processo.

Também não é possível concluir, com os dados disponíveis, que todo esse valor será pago diretamente ao acionista português. A estrutura pode envolver obrigações financeiras, ajustes patrimoniais e outras condições negociadas entre vendedor e comprador.

Depois da análise das propostas, a Caixa Geral de Depósitos deverá recomendar um candidato. A escolha ainda precisará ser formalizada pelas instâncias portuguesas responsáveis pela alienação do ativo.

Licença bancária tornou-se prioridade para o Nubank

O Nubank anunciou em dezembro de 2025 que pretendia incluir uma instituição bancária em seu conglomerado no Brasil. O movimento foi apresentado como uma resposta à Resolução Conjunta nº 17, publicada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional em novembro daquele ano.

A norma passou a exigir que instituições reguladas utilizem nomenclaturas compatíveis com a modalidade para a qual foram autorizadas. Uma empresa que não possua autorização para funcionar como banco não pode se apresentar ao público com termos que indiquem uma condição regulatória diferente.

As instituições em desacordo precisam adotar medidas de adequação dentro do prazo estabelecido pelo regulador. A regulamentação prevê um período máximo de um ano, contado da entrada em vigor, para concluir as mudanças necessárias.

A obtenção de uma autorização bancária permite ao Nubank preservar sua marca sem precisar retirar a expressão “bank”. A própria companhia informou que a inclusão de um banco no grupo manteria sua identidade visual e comercial.

Isso não significa que o Nubank atue atualmente sem autorização ou fora do sistema regulado. O grupo opera no Brasil por meio de uma instituição de pagamento, de uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento e de uma corretora de títulos e valores mobiliários.

Essas autorizações permitem oferecer conta de pagamento, cartão de crédito, empréstimos, investimentos e outros serviços. O ponto regulatório está na classificação jurídica das empresas do conglomerado, e não na legalidade dos produtos oferecidos aos clientes.

O Nubank afirmou ainda que a inclusão de um banco não deve produzir mudanças materiais em suas exigências de capital e liquidez. A companhia já está submetida à supervisão consolidada do Banco Central e precisa atender a regras prudenciais compatíveis com seu porte e seu perfil de risco.

Compra de banco não transfere licença automaticamente

Embora a aquisição possa ser mais rápida do que constituir uma nova instituição, uma autorização bancária não funciona como um documento que pode ser comprado e transferido livremente.

O Banco Caixa Geral Brasil é uma pessoa jurídica autorizada a funcionar como banco múltiplo. O Nubank precisaria adquirir o controle dessa empresa e incorporá-la ao seu conglomerado financeiro, preservando as condições exigidas pelo regulador.

A transferência ou alteração de controle de uma instituição financeira depende de autorização do Banco Central. A autarquia analisa a capacidade econômico-financeira do novo controlador, a origem dos recursos, a estrutura de governança, o plano de negócios, os administradores indicados e os possíveis riscos decorrentes da operação.

O fechamento contratual, portanto, deverá ficar condicionado à aprovação regulatória. Até que o Banco Central autorize a mudança de controle, a Caixa Geral de Depósitos continuará responsável pela instituição.

Autoridades portuguesas também deverão concluir os atos relacionados à venda de um ativo controlado pelo Estado. Dependendo da estrutura definitiva, outras análises concorrenciais ou societárias poderão ser necessárias.

A aquisição não significa que todos os produtos do Banco Caixa Geral serão imediatamente incorporados ao aplicativo do Nubank. Qualquer integração dependerá das decisões posteriores sobre sistemas, contratos, clientes, funcionários e estrutura jurídica.

Banco Caixa Geral possui R$ 1,83 bilhão em ativos

O Banco Caixa Geral Brasil terminou 2025 com R$ 1,83 bilhão em ativos, segundo as demonstrações financeiras auditadas pela Ernst & Young. A carteira bruta de crédito somava R$ 963,9 milhões, com R$ 74,7 milhões em provisões para perdas.

Os depósitos totalizavam R$ 823,9 milhões. O banco também possuía R$ 234,6 milhões em recursos obtidos por emissões de títulos e R$ 421,1 milhões em obrigações decorrentes de empréstimos e repasses.

O patrimônio líquido era de R$ 301,5 milhões, enquanto o capital social alcançava R$ 323,7 milhões. A instituição encerrou o exercício com R$ 18,9 milhões em prejuízos acumulados.

Em 2025, o banco registrou R$ 432,5 milhões em receitas de intermediação financeira e R$ 403,6 milhões em despesas dessa natureza. O resultado bruto da intermediação ficou positivo em R$ 29 milhões, mas as despesas operacionais levaram a instituição a um prejuízo líquido de R$ 4,89 milhões.

Todo o prejuízo foi reconhecido no primeiro semestre. O resultado líquido da segunda metade do ano ficou próximo de zero, de acordo com o relatório da administração.

O índice de Basileia do conglomerado prudencial encerrou dezembro em 22,98%, nível que o próprio banco classificou como compatível com os riscos assumidos. O indicador mede a relação entre o capital disponível e as exposições ponderadas pelo risco.

Os números mostram uma instituição de pequeno porte diante do tamanho do Nubank. Ao fim do primeiro trimestre de 2026, o grupo digital possuía mais de 135 milhões de clientes nos três países onde atua, dos quais mais de 115 milhões estavam no Brasil. Sua carteira de crédito global chegava a US$ 37,2 bilhões e os depósitos somavam US$ 42,4 bilhões.

A comparação reforça que o Banco Caixa Geral dificilmente seria adquirido para ampliar de forma relevante a base de clientes ou o balanço do Nubank. O principal ativo estratégico está em sua condição de banco múltiplo autorizado pelo Banco Central.

Operação de atacado difere do modelo do Nubank

O Banco Caixa Geral Brasil iniciou suas atividades em abril de 2009 e concentra sua atuação em serviços de atacado. O público principal é formado por empresas ibéricas com negócios no Brasil, grupos brasileiros com operações internacionais e clientes vinculados à rede da Caixa Geral de Depósitos.

A instituição oferece operações de comércio exterior, câmbio, financiamento de projetos, crédito corporativo, assessoria em fusões e aquisições e estruturação de dívidas.

Esse perfil difere do modelo de varejo digital do Nubank, baseado em milhões de contas individuais, cartões, crédito pessoal, investimentos e produtos distribuídos por aplicativo.

A eventual combinação exigirá uma decisão sobre o destino da operação de atacado. O Nubank poderá manter o banco com atuação separada, incorporar algumas capacidades ao grupo ou reorganizar seu objeto social após obter as autorizações necessárias.

A carteira comercial, de câmbio e de investimento pode abrir oportunidades em segmentos nos quais o Nubank ainda possui presença limitada, como crédito para grandes empresas e operações internacionais. Não há, porém, anúncio de que a fintech pretenda ampliar imediatamente sua atuação nessas áreas.

Portugal tenta vender o banco desde 2017

A alienação do Banco Caixa Geral Brasil não é uma consequência direta e imediata da atual negociação com o Nubank. O governo português tenta se desfazer da operação há vários anos, como parte de uma estratégia de reorganização e concentração da Caixa Geral de Depósitos em mercados considerados prioritários.

Um processo anterior terminou em 2020 com a rejeição das propostas recebidas. A venda foi relançada posteriormente, mas acabou anulada em 2023 porque o governo concluiu que não estavam garantidas as condições necessárias para proteger o interesse público.

Em setembro de 2025, Portugal decidiu reabrir o processo. A resolução citou mudanças no mercado bancário brasileiro e novas manifestações de interesse como justificativas para uma terceira tentativa de venda.

A decisão faz parte da política de redução da presença internacional não estratégica da Caixa Geral de Depósitos. A explicação oficial é mais ampla do que a necessidade de quitar uma dívida específica assumida depois da crise financeira de 2008.

O histórico de tentativas frustradas mostra que a entrega de propostas não garante a conclusão do negócio. O governo poderá rejeitar todas as ofertas caso considere que o preço e as condições não atendem ao interesse público.

Clientes do Nubank não terão mudanças imediatas

A negociação não altera contas, cartões, empréstimos, investimentos ou canais de atendimento do Nubank. Nenhuma migração de clientes foi anunciada e o processo de venda continua sem vencedor oficialmente divulgado.

Mesmo depois da seleção de um comprador, a conclusão poderá levar meses. A análise do Banco Central ocorre antes da transferência efetiva do controle e pode resultar em pedidos de documentos, ajustes de governança ou condições adicionais.

Os clientes do Banco Caixa Geral também devem continuar utilizando seus contratos normalmente enquanto a instituição permanecer sob o controle da estatal portuguesa. Uma mudança de acionista não extingue automaticamente depósitos, créditos, garantias ou demais obrigações existentes.

O próximo fato relevante será a escolha da proposta pela Caixa Geral de Depósitos e pelo governo português. Depois disso, comprador e vendedor poderão assinar os documentos definitivos e protocolar o pedido de transferência de controle no Brasil.

Até que essas etapas sejam concluídas, o cenário mais preciso é o de uma disputa ainda aberta. O Nubank possui uma razão regulatória clara para adquirir a instituição e capacidade financeira muito superior ao tamanho do ativo, mas não há confirmação oficial de que sua oferta será escolhida.

Fontes e documentos

Governo de Portugal: Resolução do Conselho de Ministros nº 63/2026 — seleção dos quatro investidores e abertura da fase de propostas vinculantes — 25 de março de 2026 — https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/resolucao-conselho-ministros/63-2026-1076925540.

Governo de Portugal: Resolução do Conselho de Ministros nº 135/2025 — relançamento da alienação do Banco Caixa Geral Brasil — 10 de setembro de 2025 — https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/resolucao-conselho-ministros/135-2025-934744197.

Banco Central do Brasil: regras sobre nomenclatura e apresentação pública das instituições reguladas — 28 de novembro de 2025 — https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/20951/nota.

Banco Central do Brasil: processos de autorização para transferência ou alteração de controle de instituições financeiras — consultado em 2 de julho de 2026 — https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/autorizabc.

Nubank: anúncio do plano para obter licença bancária no Brasil — 3 de dezembro de 2025 — https://international.nubank.com.br/pt-br/companhia/nubank-pretende-obter-licenca-bancaria-no-brasil-em-2026/.

Nu Holdings: resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 — publicados em 14 de maio de 2026 — https://international.nubank.com.br/company/nu-holdings-ltd-reports-first-quarter-2026-financial-results/.

Banco Caixa Geral Brasil: demonstrações financeiras auditadas — exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025 — publicadas em março de 2026 — https://www.bcgbrasil.com.br/Divulgacao-informacoes/Informacao-legal/Documents/Demonstra%C3%A7%C3%A3o%20Financeira%20BCG%20-%20DF%20-%2031.12.2025.pdf.

Banco Caixa Geral Brasil: áreas de atuação e perfil institucional — consultado em 2 de julho de 2026 — https://www.bcgbrasil.com.br/areas-atuacao/Paginas/Banco-Caixa-Geral-Brasil.aspx.

Jornal Económico: informações sobre a apresentação de propostas vinculantes pela Nu Financeira, MD Capital e Garantia Capital — 1º de julho de 2026 — https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/nubank-avanca-com-proposta-para-comprar-subsidiaria-da-cgd-no-brasil/.

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