Os clubes brasileiros têm a reputação de trocar de treinador mais rapidamente do que qualquer outro no mundo, e essa reputação é merecida. Os 20 clubes da primeira divisão, juntos, realizam dezenas de trocas em uma temporada normal, à s vezes mais de 30. Nesse contexto, os treinadores que permaneceram no cargo são as verdadeiras exceções, e seus históricos ainda influenciam as  cotas de apostas no Campeonato Brasileiro da Série A sempre que ocorre uma troca de comando no meio da temporada.Â
Telê Santana, o padrãoÂ
Santana é lembrado fora do Brasil pela seleção da Copa do Mundo de 1982 e, no paÃs, pelo que fez posteriormente no São Paulo. Entre 1990 e 1996, ele conquistou o tÃtulo nacional (1991), depois venceu a Copa Libertadores em 1992 e 1993, somando a Copa Intercontinental em ambos os anos ao derrotar o Barcelona e o Milan nas finais. Ele insistiu nos mesmos princÃpios ofensivos em nÃvel de clube que haviam definido sua seleção nacional e provou que eles podiam conquistar tÃtulos.Â
Vanderlei Luxemburgo e o recordeÂ
Nenhum técnico conquistou mais campeonatos brasileiros do que Luxemburgo, cujos cinco tÃtulos foram conquistados com quatro clubes diferentes. Ele conquistou o tÃtulo com o Palmeiras em 1993 e 1994, com o Corinthians em 1998, com o Cruzeiro em 2003 e com o Santos em 2004. O time do Cruzeiro de 2003 conquistou a trÃplice coroa: campeonato estadual, Copa do Brasil e tÃtulo nacional, algo que nenhum clube havia feito antes. Sua carreira também mostra o outro lado da profissão, já que ele treinou mais de 20 clubes diferentes.Â
Os três tÃtulos consecutivos de Muricy RamalhoÂ
Ramalho conquistou o Brasileirão com o São Paulo em 2006, 2007 e 2008, a única sequência de três tÃtulos consecutivos na era do sistema de pontos corridos. Seus times eram baseados na organização defensiva e nas jogadas de bola parada de Rogério Ceni no ataque, e eram considerados antiquados na época exatamente por esse motivo. Mais tarde, ele conquistou a Libertadores de 2011 com o Santos.Â
Tite e a era do CorinthiansÂ
Tite levou o Corinthians ao tÃtulo do campeonato de 2011, depois à Copa Libertadores de 2012 e ao Mundial de Clubes, derrotando o Chelsea na final em Yokohama. Ele conquistou o campeonato novamente com o mesmo clube em 2015, antes de assumir a seleção brasileira. Seus times do Corinthians foram os mais disciplinados taticamente que o Brasil viu em anos, e seus métodos foram amplamente copiados em toda a divisão.Â
Luiz Felipe ScolariÂ
Scolari conquistou a Copa Libertadores com o Grêmio em 1995 e com o Palmeiras em 1999, venceu a Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira e, em seguida, voltou a conquistar o Brasileirão com o Palmeiras em 2018, aos 70 anos. Â
Seus tÃtulos no Brasil abrangem três décadas e quatro clubes diferentes: a Copa do Brasil de 1991 com o Criciúma, a Copa Libertadores de 1995 com o Grêmio, a Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira e o Brasileirão de 2018 com o Palmeiras.Â
Os técnicos estrangeirosÂ
Nenhum técnico estrangeiro havia conquistado o campeonato brasileiro desde o argentino Carlos Volante, na edição inaugural de 1959, e poucos técnicos estrangeiros foram contratados por clubes brasileiros nas décadas seguintes. Jorge Jesus mudou isso no Flamengo em 2019, conquistando o campeonato e a Libertadores em uma única temporada. Â
Abel Ferreira seguiu os passos no Palmeiras no final de 2020 e permaneceu por anos, conquistando a Libertadores duas vezes e o tÃtulo nacional duas vezes. Em fevereiro de 2026, sua gestão era a quinta mais longa da história do futebol brasileiro, com cinco anos, três meses e 15 dias, tendo ultrapassado a passagem de Telê Santana pelo São Paulo.Â
Artur Jorge conquistou a dobradinha com o Botafogo em 2024. A chegada dos portugueses mudou as expectativas sobre quanto tempo um técnico deveria permanecer no cargo.Â
O carrossel e seu custoÂ
O contra-exemplo é todo o resto. Os clubes ainda demitem técnicos após três resultados ruins, e times em dificuldades ainda podem passar por três ou quatro demissões em uma temporada. A CBF tentou frear esse ritmo e, desde 2022, cada clube está limitado a dois treinadores por competição, sendo permitido que um treinador atue em apenas dois clubes por temporada. O limite apresenta lacunas óbvias, pois uma renúncia, uma saÃda por mútuo acordo ou uma demissão por justa causa não contam para o limite, e é por isso que o carrossel continua girando. Â
O padrão é bem documentado e dispendioso, e estudos sobre a rotatividade de treinadores na primeira divisão brasileira apontam na mesma direção, já que uma nova contratação tende a trazer uma melhora de curta duração seguida por um retorno ao nÃvel anterior. As cotações de apostas em lÃngua portuguesa das operadoras licenciadas .bet.br, regulamentadas desde janeiro de 2025 com limite de idade de 18 anos, são reajustadas rapidamente quando uma mudança é anunciada.Â
O que os sobreviventes tinham em comumÂ
Santana, Ramalho, Tite e Abel Ferreira receberam tempo das diretorias, que estavam sob pressão para agir mais rapidamente. Cada um comandou um elenco estabilizado e impôs um método claro, fossem os princÃpios ofensivos de Santana ou a organização defensiva de Ramalho. Isso não é coincidência e é o argumento mais claro no futebol brasileiro contra o hábito pelo qual a liga é mais conhecida.Â
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