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Ouro despenca 1,8% a US$ 4.082 com ataques EUA-Irã e ameaça de fechar Ormuz

Contrato de agosto recua em NY com choque de energia no radar e mercado à espera da ata do Fed

por Camila Braga
08/07/2026 às 21h20
em Mercados
Ouro Despenca 1,8% A Us$ 4.082 Com Ataques Eua-Irã E Ameaça De Fechar Ormuz - Gazeta Mercantil

Os contratos futuros de ouro encerraram em forte queda nesta quarta-feira (8) na Comex, divisão de metais da Nymex, em Nova York. O contrato para agosto caiu 1,80%, a US$ 4.082,40 por onça-troy. O movimento ocorreu em meio à escalada militar entre Estados Unidos e Irã, com ataques cruzados, ameaças de retaliação e risco de fechamento do Estreito de Ormuz. Investidores ajustaram posições diante da perspectiva de choque de oferta em energia, repique inflacionário e manutenção de juros elevados por mais tempo. A agenda do dia inclui ainda a espera pela ata da última decisão do Federal Reserve.

A queda do ouro contraria o comportamento típico de busca por proteção em dias de tensão geopolítica. O mercado priorizou dois vetores, a alta do dólar e a reprecificação de juros reais, ambos desfavoráveis ao metal. Com petróleo em rota de alta e fretes pressionados, a inflação de curto prazo tende a subir, o que reduz o espaço para cortes rápidos de juros nos Estados Unidos. Nesse ambiente, o ouro perde apelo relativo frente a ativos que pagam juro.

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Ataques cruzados derrubam ouro na Comex

O pregão em Nova York refletiu aversão a risco com rotação para dólar e para Treasuries curtos. O ouro abriu pressionado e acelerou perdas após confirmação de novos ataques. Na Comex, o volume concentrado no vencimento de agosto ampliou a volatilidade. O recuo de 1,80% levou o metal a US$ 4.082,40, patamar que apaga parte da alta acumulada nas últimas semanas.

Operadores relatam realização de lucros em posições compradas e aumento de margem em derivativos. Casas de análise apontam ainda desalavancagem em fundos que vinham carregando ouro como hedge geopolítico. Com a curva de juros americana reprecificada para cima, o custo de carregar posição em ouro subiu, o que favoreceu vendas técnicas.

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Trump declara fim de entendimento e ameaça novas ofensivas

Os Estados Unidos conduziram ataques contra alvos ligados ao Irã nesta quarta, após supostos ataques iranianos contra embarcações no Estreito de Ormuz na véspera. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o memorando de entendimento firmado com Teerã para encerrar o conflito acabou. Trump disse que não pretende manter negociações com o Irã e ameaçou novas ofensivas.

A declaração endureceu o tom em Washington e elevou o prêmio de risco em energia. O mercado leu a fala como sinal de conflito prolongado, com potencial de atingir infraestrutura crítica na região do Golfo. Para o ouro, o efeito imediato foi ambíguo. O risco geopolítico sustenta demanda por proteção, mas o canal inflacionário via energia empurra expectativas de juros para cima, o que pesa sobre o metal.

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Irã promete retaliação na proporção de dois para um e mira Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado alvos militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait nesta quarta. A emissora estatal PressTV, citando fontes de segurança, informou que o Irã pretende retaliar alvos considerados inimigos na proporção de pelo menos dois para um. O canal afirmou ainda que Teerã fechará o Estreito de Ormuz em caso de novos ataques.

Ormuz concentra cerca de 20% do petróleo e 12% do gás natural comercializados no mundo. Um fechamento, mesmo parcial, elevaria preços de energia, fretes e seguros, com efeito cascata sobre inflação global. O ouro, que tradicionalmente se beneficia de incerteza, enfrenta nesse cenário a concorrência de juros reais mais altos, o que explica parte da queda desta quarta.

Mercado teme choque de energia e repique inflacionário

A leitura predominante na Comex foi de choque de oferta. Petróleo mais caro e logística pressionada aumentam custos de produção e transporte. Em paralelo, a inflação de serviços segue resiliente nas economias avançadas. A combinação reduz a probabilidade de cortes agressivos de juros no curto prazo.

Para o ouro, juros reais elevados são vento contrário. O metal não paga cupom e compete com títulos indexados à inflação. Com a curva americana apontando para patamares restritivos por mais tempo, gestores reduziram exposição direcional. A queda de 1,80% reflete esse ajuste, mais do que uma mudança estrutural de tese.

Investidores aguardam ata do Fed para calibrar juros

A agenda macro manteve investidores em compasso de espera pela ata da última decisão do Federal Reserve. O documento deve detalhar a avaliação do colegiado sobre inflação, mercado de trabalho e riscos geopolíticos. O mercado busca pistas sobre o ritmo de cortes e sobre o nível terminal da taxa básica.

Se a ata confirmar tom cauteloso, com ênfase em inflação de serviços e em choques de energia, o dólar tende a se manter forte e os juros reais, elevados. Nesse cenário, o ouro encontra resistência para retomar máximas de curto prazo. Se houver sinalização de maior tolerância a choques temporários de oferta, o metal pode recuperar parte das perdas.

Queda rompe suportes técnicos e pressiona mineradoras

Tecnicamente, o recuo desta quarta rompeu suportes de curto prazo na Comex e acionou stops em contas especulativas. O volume acima da média no contrato de agosto sugere rotação, não apenas realização pontual. Analistas gráficos apontam próxima região de defesa entre US$ 4.050 e US$ 4.020, com resistência imediata em US$ 4.120.

O movimento respinga em ações de mineradoras e em ETFs lastreados em ouro. Empresas com maior alavancagem operacional tendem a sofrer mais em dias de queda acentuada do metal. Fundos de pensão e gestores de portfólio com mandato de volatilidade controlada podem reduzir exposição até que a curva de juros estabilize.

Para o Brasil, dólar forte e ouro em queda mudam conta do hedge

No Brasil, a combinação de ouro em queda e dólar em alta altera a equação de proteção cambial e de inflação. Exportadores de commodities ligadas a energia e alimentos podem se beneficiar de preços externos mais firmes, mas importadores de derivados e de fertilizantes sentem pressão de custos. O real tende a acompanhar o movimento global de aversão, com impacto sobre preços domésticos.

Para o Banco Central, o cenário reforça cautela. Choque de energia via Ormuz eleva inflação de curto prazo e reduz espaço para acelerar cortes na Selic. Para empresas, o custo de capital segue elevado, o que adia decisões de investimento. Para famílias, a conta chega via combustíveis, transporte e alimentos, itens com peso relevante no orçamento.

Ouro perde para juros reais, mas risco geopolítico segue no preço

Apesar da queda, o ouro permanece em patamar historicamente elevado, acima de US$ 4.000 por onça-troy. O metal acumula valorização relevante no ano, sustentado por compras de bancos centrais, demanda por diversificação e incerteza geopolítica. A correção desta quarta não invalida a tese de longo prazo, mas mostra sensibilidade maior a juros reais.

O mercado deve seguir dividido entre dois vetores. De um lado, o risco de escalada no Oriente Médio sustenta busca por proteção. De outro, a perspectiva de inflação mais alta via energia mantém juros elevados, o que limita o espaço para rali contínuo do ouro. O equilíbrio entre esses fatores vai depender da evolução em Ormuz e da comunicação do Fed.

Próximos gatilhos incluem Ormuz, Fed e dados de inflação nos EUA

Os próximos dias concentram gatilhos. Em Ormuz, qualquer interrupção adicional de tráfego ou ataque a infraestrutura energética pode reacender prêmios de risco. Em Washington, a ata do Fed e discursos de dirigentes vão calibrar expectativas de juros. Nos dados, leituras de inflação ao consumidor e ao produtor nos Estados Unidos vão indicar se o choque de energia já contamina o núcleo.

Para o ouro, o roteiro é claro. Confirmação de choque persistente com Fed tolerante abre espaço para retomada. Choque persistente com Fed duro mantém o metal pressionado. Normalização em Ormuz com inflação cedendo favorece alívio em juros reais e pode recolocar o ouro em tendência de alta.

A Gazeta Mercantil seguirá monitorando contratos na Comex, fluxo em ETFs, posicionamento de fundos e curva de juros reais. A sessão desta quarta mostra que, em ambiente de guerra e inflação, o ouro não sobe em linha reta. O metal responde primeiro ao custo de oportunidade. Com petróleo em alerta e Fed na mira, o custo de carregar ouro voltou a subir.

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