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Jornalista da Globo diz que Flávio condicionou ida ao debate da Globo à ausência de Renan Santos

Malu Gaspar afirmou na Globo News que candidato do PL havia avisado que não participaria caso Renan estivesse no encontro; Flávio atribuiu publicamente sua desistência à decisão do TSE sobre a ausência de Lula.

por Carlos Menezes
02/10/2026 às 09h57
em Política
Jornalista Da Globo Diz Que Flávio Condicionou Ida Ao Debate Da Globo À Ausência De Renan Santos - Gazeta Mercantil - Política

A desistência de Flávio Bolsonaro (PL) do debate presidencial da TV Globo ganhou um novo elemento depois que a jornalista Malu Gaspar afirmou, durante a cobertura da GloboNews na noite de quinta-feira, 1º de outubro, que o candidato havia condicionado sua participação à ausência de Renan Santos (Missão). A informação não foi confirmada oficialmente pela emissora nem apresentada pelo próprio Flávio como justificativa para deixar o encontro.

Ao comentar as reviravoltas que antecederam o cancelamento do debate, Malu afirmou que Flávio já havia indicado anteriormente que não compareceria se Renan participasse. A jornalista relacionou essa condição ao fato de o candidato do Missão ter conseguido, poucas horas antes do programa, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, assegurando sua inclusão entre os debatedores.

A versão acrescenta uma nova variável à cronologia da desistência de Flávio. Publicamente, o candidato do PL não mencionou Renan Santos ao anunciar que deixaria de comparecer. Em mensagem divulgada nas redes sociais, atribuiu sua decisão ao que classificou como “censura” imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral depois que a ministra Estela Aranha alterou as regras previstas para o tratamento da ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As duas explicações, portanto, precisam ser apresentadas separadamente. Existe uma justificativa pública fornecida por Flávio Bolsonaro e, de outro lado, um relato de bastidor apresentado por Malu Gaspar. Até o momento, não há manifestação pública da campanha do candidato confirmando que a presença de Renan tenha sido uma condição para seu comparecimento.

Malu diz que condição havia sido apresentada antes

A declaração ocorreu enquanto jornalistas da GloboNews analisavam se Flávio poderia ser criticado por evitar um confronto com Renan Santos. Malu respondeu que essa interpretação poderia ser feita e afirmou que o candidato do PL havia avisado anteriormente que não iria ao debate caso o adversário do Missão também estivesse presente.

A jornalista não detalhou durante a intervenção quando essa condição teria sido apresentada, a quem ela teria sido comunicada ou por qual integrante da campanha. Também não informou se a exigência havia sido formalizada à direção da Globo ou transmitida durante as negociações conduzidas pelas campanhas para definir as regras do debate.

Essa ausência de detalhes impede afirmar, neste momento, que existiu um acordo formal entre a emissora e a campanha de Flávio Bolsonaro para excluir Renan. O que está documentado publicamente é a declaração de Malu Gaspar de que a condição teria sido apresentada anteriormente.

A informação ganhou relevância pela sequência dos acontecimentos. Renan não estava originalmente entre os candidatos que participariam do debate. Depois de sucessivas decisões judiciais, Gilmar Mendes determinou na noite de quinta-feira que a Globo deveria incluí-lo no programa.

Flávio anunciou sua desistência em meio às mudanças judiciais ocorridas nas horas anteriores à transmissão.

Gilmar garantiu participação de Renan

Renan Santos vinha tentando judicialmente assegurar sua presença no último debate presidencial antes do primeiro turno. O candidato do Missão não fazia parte da relação inicial de participantes estabelecida pela emissora.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia rejeitado uma tentativa de inclusão de Renan. Outra iniciativa também não havia conseguido assegurar sua presença no programa. A situação mudou na noite de quinta-feira, quando Gilmar Mendes determinou que a Globo incluísse o candidato.

Na decisão, o ministro considerou o caráter irreversível da exclusão diante da proximidade do evento. Como o debate ocorreria naquela mesma noite, uma decisão posterior não seria capaz de devolver ao candidato a oportunidade de participar do confronto antes da votação.

A determinação criou uma alteração relevante na composição do programa poucas horas antes de seu início. Além de Renan, estavam previstos Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). Lula havia comunicado que não compareceria.

Foi nesse contexto que a afirmação de Malu Gaspar passou a ter importância política: se a condição relatada pela jornalista existia efetivamente, a decisão de Gilmar eliminava justamente a circunstância que teria permitido a confirmação anterior da presença de Flávio.

Flávio citou decisão sobre Lula ao anunciar desistência

A explicação apresentada publicamente por Flávio Bolsonaro, entretanto, foi outra.

O candidato anunciou que não iria ao debate depois que a ministra Estela Aranha, do TSE, decidiu impedir a Globo de manter no cenário um púlpito vazio identificado com o nome de Lula. A decisão também proibiu a dinâmica pela qual candidatos presentes poderiam dirigir perguntas ao adversário ausente.

A determinação foi tomada após pedido da coligação de Lula. A ministra considerou que a exposição reiterada do púlpito vazio, associada nominalmente ao candidato que optasse por não participar, poderia produzir consequências negativas incompatíveis com o caráter facultativo da presença em debates eleitorais.

Flávio reagiu classificando a decisão como censura. Ao comunicar sua ausência, declarou que não compareceria em razão da intervenção do TSE e defendeu que a imprensa deveria ter liberdade para organizar o debate.

Essa é a motivação registrada na manifestação pública do candidato. Não houve, naquela comunicação, referência à presença de Renan Santos.

Por isso, afirmar categoricamente que Flávio desistiu “porque Renan entraria no debate” ultrapassaria o que está comprovado. A formulação jornalisticamente mais precisa é que Malu Gaspar disse que o candidato havia condicionado sua participação à ausência de Renan, enquanto o próprio Flávio atribuiu oficialmente sua desistência à decisão do TSE.

Cronologia aproxima decisão sobre Renan da desistência

A sequência de horários ajuda a compreender por que a questão ganhou repercussão.

Durante a tarde de quinta-feira, Lula já estava oficialmente fora do debate e havia optado por participar de uma entrevista ao Flow Podcast. A Globo mantinha a preparação para realizar o programa com os demais candidatos.

No início da noite, Estela Aranha decidiu que a emissora não poderia exibir o púlpito vazio identificado com Lula nem permitir perguntas simuladas dirigidas ao candidato ausente.

Em paralelo, avançava no STF a discussão sobre a participação de Renan Santos. Gilmar Mendes acabou determinando sua inclusão no programa.

Flávio comunicou que não compareceria e atribuiu a decisão ao que considerava censura do TSE. Pouco depois, a Globo anunciou o cancelamento definitivo do debate.

A proximidade temporal desses acontecimentos não comprova, isoladamente, que a entrada de Renan tenha provocado a desistência de Flávio. É justamente o relato de Malu Gaspar que acrescenta essa possível relação entre os dois fatos.

Globo não confirmou condição atribuída a Flávio

A TV Globo não divulgou comunicado confirmando que Flávio Bolsonaro havia condicionado sua presença à exclusão de Renan Santos.

Esse ponto é importante porque uma exigência formal à emissora seria diferente de uma avaliação interna da campanha sobre as condições em que valeria a pena participar. Até agora, não foram divulgados documentos, mensagens ou registros das negociações que demonstrem como a condição mencionada por Malu teria sido apresentada.

A própria jornalista não forneceu, durante a declaração transmitida pela GloboNews, detalhes adicionais capazes de esclarecer esse aspecto.

A afirmação, portanto, deve permanecer atribuída à jornalista. O relato possui relevância porque partiu de uma profissional da própria organização responsável pelo debate, mas isso não equivale a uma confirmação institucional da Globo.

Também não é possível concluir, apenas com as informações disponíveis, que a emissora tenha deixado Renan inicialmente fora do debate em decorrência de alguma condição estabelecida por Flávio. A Globo havia utilizado critérios de participação relacionados à legislação eleitoral e à representação parlamentar dos partidos, que deram origem às disputas judiciais posteriores.

Renan já confrontava candidatura de Flávio

A relação política entre os candidatos também ajuda a explicar o interesse em um eventual confronto.

Renan Santos vinha dirigindo críticas públicas a Flávio durante a campanha e disputava espaço entre eleitores de oposição ao governo Lula. A estratégia do candidato do Missão incluía questionamentos ao senador e uma tentativa de se diferenciar tanto da candidatura governista quanto da candidatura do PL.

Isso poderia fazer de um encontro direto entre os dois um dos principais focos do debate. A possibilidade de Renan concentrar perguntas e críticas em Flávio também vinha sendo discutida publicamente antes da decisão judicial que garantiu sua participação.

Esse contexto, entretanto, não permite concluir qual seria a motivação pessoal ou estratégica de Flávio para comparecer ou não. A única informação específica sobre uma condição envolvendo Renan é aquela atribuída por Malu Gaspar aos bastidores da negociação.

Globo cancelou encontro após duas decisões judiciais

A própria realização do debate acabou inviabilizada antes que essa situação pudesse ser testada.

A Globo informou que recebeu duas determinações judiciais que modificaram regras previamente acertadas: a decisão do TSE sobre o tratamento dos candidatos ausentes e a decisão do STF garantindo a participação de Renan Santos.

Ao cancelar o programa, a emissora afirmou que as mudanças ocorridas pouco antes da transmissão geravam insegurança jurídica e interferiam nas condições utilizadas para organizar o encontro.

Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema já estavam preparados para participar quando o cancelamento foi anunciado. Renan havia acabado de obter judicialmente o direito de integrar o debate. Lula e Flávio não compareceriam.

O primeiro turno das eleições será realizado neste domingo, 4 de outubro.

Relato não substitui justificativa oficial de Flávio

A declaração de Malu Gaspar introduz uma informação relevante para reconstruir os bastidores do debate, mas não elimina a necessidade de registrar a versão fornecida pelo próprio candidato.

Até o momento, existem dois elementos distintos. De um lado, Flávio Bolsonaro declarou publicamente que desistiu em reação à decisão do TSE sobre as regras envolvendo a ausência de Lula. De outro, Malu afirmou na GloboNews que ele já havia condicionado sua participação à ausência de Renan Santos.

A decisão de Gilmar Mendes colocou Renan no debate poucas horas antes da transmissão, e Flávio efetivamente deixou o encontro. A sequência é verificável. O motivo exato da decisão do candidato, porém, permanece objeto de versões diferentes.

Sem confirmação adicional da campanha, da Globo ou documentação das negociações anteriores, o relato de que a presença de Renan era uma condição imposta por Flávio deve permanecer atribuído à jornalista que o tornou público.

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