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Pai de Daniel Vorcaro tinha papel central em engrenagem criminosa, diz PF

Henrique Vorcaro foi preso em nova fase da Operação Compliance Zero; PF aponta pagamentos a grupo suspeito de intimidação e vazamento de dados.

por Júlia Campos
14/05/2026 às 13h46
em Política
Pai De Daniel Vorcaro Tinha Papel Central Em Engrenagem Criminosa, Diz Pf - Gazeta Mercantil

A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, tinha papel central na engrenagem criminosa investigada no caso Banco Master. Segundo a PF, Henrique atuava como “demandante, beneficiário e operador financeiro” do núcleo conhecido como “A Turma”, acusado de promover intimidações, acessar informações sigilosas e operar em favor dos interesses do ex-controlador do Banco Master.

Henrique Vorcaro foi preso nesta quinta-feira (14), em nova fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master e a estruturas paralelas que, segundo a PF, teriam sido usadas para proteger Daniel Vorcaro e pessoas próximas ao banqueiro.

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De acordo com a investigação, Henrique teria mantido pagamentos a integrantes do grupo mesmo após as primeiras fases da operação, deflagradas em novembro de 2025 e janeiro de 2026. A PF afirma que o pai de Daniel Vorcaro continuou acionando integrantes da suposta estrutura criminosa para obter informações, acompanhar investigações e financiar ações consideradas ilegais.

Os dados que embasam a suspeita foram encontrados no celular de Marilson Roseno, apontado como integrante do grupo e preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, as mensagens indicam cobrança e manutenção de pagamento de R$ 400 mil a pessoas ligadas ao núcleo investigado.

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PF aponta Henrique como operador financeiro de “A Turma”

A Polícia Federal atribui a Henrique Vorcaro uma função ativa no funcionamento de “A Turma”. Para os investigadores, ele não seria apenas um beneficiário indireto das suspeitas envolvendo o Banco Master, mas alguém que demandava serviços, fazia pagamentos e se beneficiava das ações do grupo.

O núcleo é descrito pela PF como uma estrutura paralela de vigilância, intimidação e obtenção de informações sigilosas. A investigação aponta que seus integrantes atuavam para monitorar adversários, acessar dados protegidos e antecipar informações sobre apurações em andamento.

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Ao classificar Henrique como “demandante, beneficiário e operador financeiro”, a PF sustenta que o pai de Daniel Vorcaro teria exercido papel relevante na articulação do grupo. Essa avaliação reforça a linha de investigação de que a organização não atuava apenas no campo financeiro, mas também em ações de proteção e interferência.

A suspeita amplia o alcance do caso Banco Master. A apuração, inicialmente centrada em fraudes financeiras, passou a investigar também possíveis mecanismos de coerção, vazamento de informações, monitoramento de pessoas e acesso indevido a dados sigilosos.

Os investigados têm direito à defesa, ao contraditório e à presunção de inocência. As acusações ainda dependem de análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Pagamento de R$ 400 mil entrou no radar da investigação

Um dos pontos centrais da nova fase é o suposto pagamento de R$ 400 mil ao grupo “A Turma”. Segundo a Polícia Federal, Henrique Vorcaro teria mantido o repasse mesmo depois do avanço das investigações e das primeiras prisões da Operação Compliance Zero.

As mensagens analisadas pela PF teriam sido encontradas no celular de Marilson Roseno, preso na terceira fase da operação. Ele é apontado pelos investigadores como integrante do núcleo suspeito de atuar em favor do entorno de Daniel Vorcaro.

De acordo com a apuração, os diálogos mostram cobrança de valores e tratativas relacionadas ao pagamento. Para a PF, esse material indica que Henrique continuava acionando pessoas ligadas ao grupo para atender demandas de interesse da organização.

A suspeita de financiamento é considerada relevante porque pode demonstrar continuidade da atuação do grupo mesmo após medidas cautelares anteriores. Os investigadores apuram se os repasses tinham relação com obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários, intimidação ou invasão de sistemas.

A defesa poderá contestar a interpretação das mensagens, a origem dos valores e a finalidade dos pagamentos. A responsabilização dos envolvidos dependerá da conclusão das investigações, de eventual denúncia e de decisão judicial.

“A Turma” e “Os Meninos” viram alvo da Operação Compliance Zero

A nova fase da Operação Compliance Zero mira pessoas ligadas às ações de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado nos autos como o “Sicário” de Vorcaro. Ele foi preso em fase anterior da investigação e morreu após se suicidar na cela.

Segundo a Polícia Federal, Mourão teria relação com práticas violentas atribuídas ao grupo investigado. A PF apura se ele atuava como executor de ações de intimidação, obtenção de informações e monitoramento de pessoas consideradas adversárias do entorno de Daniel Vorcaro.

Além de “A Turma”, a investigação também menciona o grupo “Os Meninos”. Para os investigadores, os dois núcleos fariam parte de uma estrutura paralela de vigilância e coerção supostamente ligada ao ex-controlador do Banco Master.

A PF afirma que esses grupos teriam atuado para intimidar desafetos, obter dados sigilosos e monitorar pessoas que poderiam representar risco aos interesses da organização. A suspeita é que a estrutura tenha operado de forma clandestina, com divisão de tarefas e participação de pessoas com acesso privilegiado a informações sensíveis.

Essa frente da investigação dá nova dimensão ao caso Banco Master. Além das suspeitas de fraude financeira, a apuração agora busca esclarecer se houve organização voltada a interferir em investigações e proteger seus integrantes.

Policiais estão entre os alvos da nova fase

A Polícia Federal também investiga a participação de integrantes da própria corporação no suposto esquema. Entre os alvos citados estão policiais federais em atividade e aposentados, suspeitos de atuar para obter informações sigilosas, monitorar adversários e intimidar pessoas ligadas ao caso.

A lista de alvos de mandados de prisão inclui Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro; David Henrique Alves; Victor Lima Sedlmaier; Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos; Manoel Mendes Rodrigues; Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro; e Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado.

A presença de policiais entre os investigados eleva a gravidade institucional da apuração. Para a PF, o grupo teria conseguido se infiltrar em “circuitos informacionais sensíveis”, expressão usada para descrever ambientes em que circulam dados reservados, informações de investigações e registros protegidos.

A suspeita é que pessoas próximas ou funcionalmente habilitadas tenham facilitado a circulação de recursos financeiros e de dados sigilosos em benefício da organização criminosa. A investigação tenta identificar se houve vazamento de informações, violação de sigilo funcional ou uso indevido de acesso a sistemas internos.

Infiltração em dados sigilosos amplia gravidade do caso

A Polícia Federal afirma que o conjunto de condutas atribuídas aos investigados indica infiltração em estruturas sensíveis de informação. Na prática, a suspeita é que o grupo tivesse meios para acessar dados reservados e utilizá-los em favor do núcleo ligado ao Banco Master.

Esse ponto se tornou uma das principais frentes da nova fase da Operação Compliance Zero. A investigação não trata apenas de supostas fraudes financeiras, mas também de uma possível rede de proteção, vigilância e intimidação.

Segundo a PF, a estrutura teria atuado para acompanhar procedimentos sigilosos, antecipar movimentos da investigação e pressionar pessoas consideradas adversárias. A atuação de policiais em atividade e aposentados, se confirmada, pode gerar desdobramentos criminais e administrativos.

Para os investigadores, o acesso a informações protegidas poderia ter permitido à organização ajustar estratégias, ocultar provas ou orientar seus integrantes diante do avanço das apurações. Essa linha será aprofundada por meio de análise de celulares, mensagens, registros financeiros e dados apreendidos.

Caso Banco Master ganha nova frente no STF

A prisão de Henrique Vorcaro representa uma nova frente da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal. O caso já envolve suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, organização criminosa e possível atuação de grupos voltados à intimidação e ao acesso ilegal a informações.

Daniel Vorcaro segue como personagem central da investigação. Ex-controlador do Banco Master, ele é investigado em uma apuração que se expandiu para familiares, operadores financeiros, policiais e pessoas apontadas como integrantes de núcleos paralelos.

A entrada do pai de Vorcaro no centro da apuração aumenta a pressão sobre o entorno familiar do banqueiro. Para a PF, Henrique não teria apenas recebido benefícios, mas participado da movimentação financeira e do acionamento de serviços atribuídos ao grupo investigado.

O avanço da investigação também ocorre em meio à expectativa sobre possíveis colaborações premiadas. Uma eventual delação poderia ampliar o alcance do caso e atingir novos personagens políticos, financeiros e institucionais.

Defesa poderá contestar acusações da PF

Como a investigação ainda está em andamento, as conclusões da Polícia Federal precisarão ser avaliadas pelo Ministério Público e pelo Judiciário. A defesa dos investigados poderá questionar a legalidade das provas, a interpretação das mensagens e a necessidade das prisões.

Em casos dessa natureza, a prisão preventiva costuma ser justificada por risco de interferência na investigação, ocultação de provas, reiteração de condutas ou ameaça à ordem pública. Caberá ao STF avaliar a manutenção das medidas cautelares e o avanço das diligências.

A Polícia Federal deve continuar analisando celulares, mensagens, registros financeiros, documentos e eventuais acessos a sistemas. O objetivo é reconstituir a rede de contatos, pagamentos e ordens atribuídas ao grupo.

Até eventual denúncia e julgamento, os investigados seguem com direito à defesa e à presunção de inocência. As suspeitas apontadas pela PF ainda precisam ser submetidas ao crivo do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Operação amplia pressão sobre o entorno de Daniel Vorcaro

A avaliação da Polícia Federal de que Henrique Vorcaro tinha papel central na engrenagem criminosa amplia a dimensão política, jurídica e financeira do caso Banco Master. A prisão do pai de Daniel Vorcaro mostra que a investigação avança sobre o núcleo familiar e sobre pessoas apontadas como responsáveis por manter pagamentos e acionar grupos clandestinos.

O caso permanece sob análise do Supremo Tribunal Federal e deve ter novos desdobramentos a partir da perícia em celulares, dados financeiros e comunicações apreendidas. A PF tenta identificar se houve continuidade das ações mesmo depois das primeiras fases da Operação Compliance Zero.

Para o sistema financeiro, a investigação mantém o Banco Master no centro de um dos casos mais sensíveis dos últimos anos. Além das suspeitas de fraudes bancárias, a apuração agora envolve suposta infiltração em dados sigilosos, participação de policiais e uso de grupos de intimidação.

A evolução do caso dependerá da robustez das provas, da atuação do Ministério Público e das decisões do STF. Até lá, a prisão de Henrique Vorcaro reforça a pressão sobre o entorno de Daniel Vorcaro e amplia o alcance da Operação Compliance Zero.

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