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Petrobras (PETR4), TIM (TIMS3), Vivo (VIVT3) e Sabesp (SBSP3): veja os destaques desta terça

Produção da Petrobras, lucros das operadoras e disputas societárias envolvendo EMAE e Toky concentram as atenções dos investidores.

por Camila Braga
28/07/2026 às 10h26
em Ibovespa
Ibovespa - Compra De Ações -Gazeta Mercantil

A divulgação do relatório de produção e vendas da Petrobras (PETR4), prevista para depois do fechamento do mercado, divide as atenções dos investidores nesta terça-feira (28) com os balanços de TIM (TIMS3) e Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo. A agenda corporativa inclui ainda as assembleias de Sabesp (SBSP3) e EMAE (EMAE3) sobre uma reorganização societária contestada por acionista minoritário e o grupamento das ações da Toky (TOKY3), empresa em recuperação judicial.

O conjunto de informações marca a aceleração da temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 e expõe temas distintos para o mercado. Nas telecomunicações, os números mostram expansão de receita, lucro e geração de caixa, apoiada pelo avanço do pós-pago, da fibra óptica e dos serviços digitais.

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Na Petrobras, o foco estará na capacidade de elevar a produção, sobretudo no pré-sal, e transformar o crescimento operacional em geração de caixa. Já nos casos de Sabesp, EMAE e Toky, governança, tratamento dos acionistas minoritários e execução das reorganizações concentram os principais riscos.

Os papéis dessas empresas podem reagir não apenas aos números absolutos, mas à qualidade dos resultados, à evolução das margens e às sinalizações das administrações sobre investimentos, endividamento e remuneração dos acionistas.

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Petrobras apresenta prévia decisiva para o balanço do segundo trimestre

A Petrobras (PETR4) divulgará nesta terça-feira, após o encerramento do pregão, seu relatório de produção e vendas referente ao segundo trimestre. O documento antecede as demonstrações financeiras completas do período e costuma oferecer os primeiros sinais sobre o desempenho operacional da maior empresa listada na B3.

O balanço do segundo trimestre está previsto para 6 de agosto. Até lá, o mercado utilizará os dados operacionais para revisar estimativas de receita, Ebitda, lucro líquido, fluxo de caixa livre e capacidade de distribuição de dividendos.

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Entre os indicadores mais acompanhados estarão a produção total de petróleo e gás, a participação do pré-sal, o volume de óleo processado nas refinarias, o fator de utilização do parque de refino, as vendas de combustíveis no mercado brasileiro e as exportações de petróleo.

A entrada e a estabilização de novas plataformas são determinantes para a trajetória de produção. Um crescimento consistente pode diluir custos unitários e compensar parcialmente oscilações negativas na cotação internacional do petróleo ou no câmbio.

Também será observado o equilíbrio entre produção e comercialização. A elevação do volume extraído não se traduz automaticamente em lucro maior caso seja acompanhada de preços mais baixos, aumento dos custos operacionais, paradas de manutenção ou crescimento dos investimentos.

No refino, o mercado avaliará se a Petrobras conseguiu manter taxas elevadas de utilização sem pressionar excessivamente os estoques. A combinação entre volume processado, venda doméstica de derivados e necessidade de importações afeta diretamente as margens do segmento.

Produção da Petrobras orientará projeções de dividendos

O relatório de produção e vendas tem relevância adicional para os acionistas porque ajuda a estimar a geração de caixa da Petrobras (PETR4), variável central para o pagamento de dividendos.

A política de remuneração está vinculada ao fluxo de caixa livre e às necessidades de investimento. Por essa razão, crescimento da produção, disciplina de capital e controle da dívida são avaliados em conjunto.

Os investidores também deverão comparar os números do trimestre com as metas estabelecidas no Plano de Negócios 2026-2030. Desvios relevantes podem alterar a percepção sobre a capacidade da companhia de executar projetos no prazo, administrar custos e financiar simultaneamente a expansão e os proventos.

Outro fator é o comportamento do petróleo Brent. Uma produção maior oferece sustentação ao resultado, mas não elimina o efeito de eventuais quedas na commodity. A taxa de câmbio também interfere, uma vez que parte significativa da receita da Petrobras acompanha referências internacionais, enquanto uma parcela dos custos e investimentos é denominada em reais.

O balanço financeiro de agosto mostrará de forma mais completa como esses movimentos chegaram às margens e ao lucro. O documento desta terça-feira, porém, estabelecerá a primeira referência concreta para o desempenho da estatal no trimestre.

TIM amplia lucro e margem com avanço de serviços

A TIM (TIMS3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido normalizado de R$ 1,036 bilhão, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida avançou 5,5%, para R$ 6,965 bilhões.

O Ebitda normalizado somou R$ 3,586 bilhões, alta anual de 7%. A margem Ebitda aumentou 0,7 ponto percentual e alcançou 51,5%, indicando que o crescimento da receita ocorreu em ritmo superior ao dos custos normalizados.

A geração de caixa operacional, calculada pela companhia a partir do Ebitda após arrendamentos menos os investimentos, cresceu 8,7%, para R$ 1,868 bilhão. O avanço oferece maior flexibilidade para investimentos, redução de obrigações financeiras e remuneração dos acionistas.

A receita de serviços atingiu R$ 6,785 bilhões, expansão de 5,7%. O serviço móvel cresceu 4,6%, enquanto a receita fixa avançou 27%, favorecida pela TIM Ultrafibra e pela consolidação da V8.Tech.

Os dados mostram que a operadora continua dependente do negócio móvel, mas amplia gradualmente a contribuição de fibra, tecnologia para empresas, internet das coisas e outros serviços digitais.

Essa diversificação é relevante em um setor no qual o crescimento orgânico da telefonia tradicional tende a ser limitado. A estratégia busca elevar a receita por cliente, reduzir a dependência de linhas pré-pagas e explorar a infraestrutura já instalada.

Pós-pago cresce, mas pré-pago mantém pressão na TIM

A composição da base móvel da TIM (TIMS3) revela tendências distintas. O número total de clientes recuou 0,5% em 12 meses, para 61,879 milhões.

A base pré-paga caiu 8%, para 28,211 milhões de acessos. Em sentido contrário, o pós-pago cresceu 6,8%, alcançando 33,668 milhões.

A migração para o pós-pago tende a favorecer previsibilidade de receita, fidelização e consumo de serviços adicionais. Esse perfil, entretanto, também exige acompanhamento mais rigoroso da inadimplência.

A provisão para devedores duvidosos da TIM avançou 38,1% no trimestre. Segundo a empresa, o crescimento refletiu, principalmente, um impacto pontual relacionado a um cliente do segmento corporativo e atacadista, além da expansão do pós-pago.

Na fibra óptica, a base da TIM Ultrafibra cresceu 12,5%, para 899 mil clientes. O avanço mostra melhora na ocupação da infraestrutura, embora a operação continue significativamente menor do que a da Vivo.

O desempenho operacional veio acompanhado de uma decisão de reforçar as subsidiárias. O conselho de administração aprovou aportes de até R$ 600 milhões na I-Systems e de até R$ 70 milhões na V8.Tech.

Os recursos sairão do caixa da TIM e serão destinados principalmente à antecipação de obrigações financeiras. A administração pretende reduzir custos financeiros e otimizar a estrutura de capital do grupo, sem alterar a participação da companhia nas controladas.

Vivo lucra R$ 1,57 bilhão e eleva geração de caixa

A Telefônica Brasil (VIVT3), que opera sob a marca Vivo, registrou lucro líquido de R$ 1,573 bilhão no segundo trimestre, aumento de 17% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

A receita líquida cresceu 7,6%, para R$ 15,757 bilhões. O Ebitda avançou 10,9% e atingiu R$ 6,581 bilhões, com expansão de 1,3 ponto percentual da margem, para 41,8%.

O resultado mostra crescimento de receita combinado com ganho de rentabilidade. Para os investidores, essa composição é mais favorável do que uma expansão baseada apenas em aumento de despesas comerciais ou aquisições de clientes com baixo retorno.

O fluxo de caixa operacional aumentou 14,3%, para R$ 3,992 bilhões. Os investimentos somaram R$ 2,589 bilhões, alta de 6,1%, e corresponderam a 16,4% da receita líquida.

A Vivo encerrou junho com 118,8 milhões de acessos, crescimento de 2,3%. Os acessos móveis totalizaram 105,1 milhões, enquanto o pós-pago manteve-se como um dos principais vetores de expansão.

A receita de serviços móveis alcançou R$ 10,183 bilhões, aumento de 6,6%. O pós-pago avançou 7,9% e passou a representar 87% da receita de serviços móveis.

A maior participação de contratos recorrentes reduz a exposição às oscilações do pré-pago e tende a sustentar receitas mais previsíveis. Ao mesmo tempo, amplia a importância de retenção, qualidade da rede e controle de inadimplência.

Fibra e serviços digitais sustentam expansão da Vivo

Na operação fixa, a receita da Telefônica Brasil (VIVT3) cresceu 6%, para R$ 4,527 bilhões. O desempenho foi impulsionado pela fibra óptica e pelas soluções digitais para empresas.

A rede de fibra passou por 32 milhões de domicílios, crescimento anual de 6,4%. O número de casas conectadas aumentou 11,3%, para 8,2 milhões, levando a taxa de penetração a 25,6%.

O avanço das conexões acima do crescimento da cobertura indica melhor utilização dos ativos. Essa dinâmica é importante porque a construção de redes exige investimentos elevados, enquanto a rentabilidade depende da ocupação e da permanência dos clientes.

As receitas de dados corporativos, tecnologia da informação e serviços digitais somaram R$ 1,467 bilhão, alta de 7,8%. Apenas os serviços digitais fixos voltados às empresas cresceram 13,2%, para R$ 1,056 bilhão.

A Telefônica informou ainda que pretende distribuir aos acionistas, no mínimo, o equivalente a 100% do lucro líquido de 2026. O compromisso mantém a ação entre as alternativas acompanhadas por investidores interessados em geração de caixa e proventos.

TIM e Vivo apresentaram estratégias convergentes: fortalecimento do pós-pago, expansão da fibra e diversificação das receitas digitais. A diferença de escala permanece significativa, mas os balanços indicam que as duas companhias conseguiram ampliar resultados em um mercado competitivo e intensivo em investimentos.

Sabesp e EMAE mantêm assembleias sob contestação

Fora da temporada de balanços, Sabesp (SBSP3) e EMAE (EMAE3) mantiveram para quinta-feira (30) as assembleias que analisarão a incorporação das ações da empresa de energia pela companhia de saneamento.

A operação envolve a incorporação, pela Sabesp, das ações da EMAE que ainda não pertencem à controladora. Caso aprovada e concluída, os acionistas remanescentes da EMAE receberão ações da Sabesp conforme a relação de troca prevista nos documentos societários.

Um acionista detentor de ações preferenciais da EMAE apresentou pedido à Comissão de Valores Mobiliários para adiar a assembleia. Há também uma medida judicial relacionada ao processo.

Até a última comunicação das companhias, as reuniões permaneciam confirmadas. O pedido administrativo ainda estava sujeito à análise da CVM, e a existência da contestação não suspendia automaticamente as deliberações.

A Sabesp assumiu o controle da EMAE em janeiro de 2026, depois de adquirir aproximadamente 74,9% das ações ordinárias e 66,8% das preferenciais. A transferência havia recebido as aprovações regulatórias necessárias.

Para os acionistas minoritários, os pontos centrais são a avaliação atribuída às duas companhias, a relação de substituição das ações, os direitos previstos na Lei das Sociedades por Ações e os efeitos da reorganização sobre liquidez e governança.

Para a Sabesp, a incorporação pode simplificar a estrutura societária e permitir maior integração entre ativos de saneamento, recursos hídricos e geração de energia. A contestação, contudo, adiciona risco de atraso e judicialização.

Grupamento da Toky tenta regularizar cotação na B3

A Toky (TOKY3), dona da Tok&Stok e da Mobly, aprovou o grupamento de suas ações na proporção de 20 para 1. Cada conjunto de 20 papéis será transformado em uma ação após a conclusão do procedimento.

A medida busca elevar o preço unitário e enquadrar a companhia nas regras da B3, que exigem providências quando uma ação permanece negociada abaixo de R$ 1 por período prolongado.

O grupamento não altera, por si só, o valor econômico da participação do investidor. O acionista passa a deter um número menor de ações, com preço unitário proporcionalmente maior.

A decisão ocorre enquanto a Toky está em recuperação judicial e enfrenta questionamentos societários. Antes da assembleia, um investidor pediu à CVM a interrupção ou o adiamento da reunião.

O colegiado da autarquia rejeitou os pedidos. A CVM entendeu que, naquele procedimento específico, não havia ilegalidade manifesta nem insuficiência informacional capaz de justificar a suspensão da assembleia.

A regularização do preço atende a uma exigência técnica da Bolsa, mas não resolve os desafios operacionais e financeiros da empresa. O desempenho das marcas, a evolução da recuperação judicial, o endividamento e eventuais efeitos dilutivos continuarão no centro da avaliação dos investidores.

Balanços e reorganizações elevam volatilidade das ações

Os destaques corporativos desta terça-feira combinam resultados operacionais sólidos no setor de telecomunicações com eventos de maior incerteza em petróleo, saneamento, energia e varejo.

TIM (TIMS3) e Telefônica Brasil (VIVT3) entregaram crescimento de receita, Ebitda e lucro, mas o mercado deverá avaliar se o ritmo poderá ser mantido diante da competição, dos investimentos em rede e dos riscos de inadimplência.

Na Petrobras (PETR4), a produção determinará o tom das projeções para o balanço de agosto e para os dividendos. Sabesp (SBSP3) e EMAE (EMAE3), por sua vez, entram em uma semana decisiva para a reorganização iniciada após a mudança de controle da geradora de energia.

A Toky (TOKY3) regulariza a estrutura de suas ações, mas permanece condicionada à execução de sua recuperação judicial. Em todos os casos, a reação da Bolsa dependerá menos de números isolados e mais da capacidade das companhias de transformar suas decisões em geração sustentável de caixa e proteção do capital dos acionistas.

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