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PF indicia suplente de Alcolumbre após saque de R$ 350 mil em investigação sobre fraudes no Dnit

Bruno Chaves Pinto, suplente do presidente do Senado, foi indiciado por associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa; Davi Alcolumbre nega interferência em contratos do órgão

por Carlos Menezes
22/05/2026 às 15h23
em Política
Pf Indicia Suplente De Alcolumbre Após Saque De R$ 350 Mil Em Investigação Sobre O Dnit - Gazeta Mercantil

A Polícia Federal indiciou nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, Bruno Chaves Pinto, suplente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em uma investigação sobre suspeitas de direcionamento de contratos, fraudes em licitações e desvio de recursos relacionados ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no Amapá.

Bruno Chaves foi indiciado pelos crimes de associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa. De acordo com a apuração, ele é apontado como integrante de um grupo que teria atuado para interferir em procedimentos administrativos e favorecer empresas em contratações públicas do Dnit no estado.

O relatório final do inquérito foi encaminhado à 4ª Vara Federal em Macapá. Com o encerramento da investigação policial, caberá ao Ministério Público Federal analisar os elementos reunidos e decidir se apresenta denúncia, solicita novas diligências ou entende que não existem provas suficientes para iniciar uma ação penal.

Também foi indiciado Marcello Linhares, superintendente regional do Dnit no Amapá. A Polícia Federal atribuiu a ele suspeitas de organização criminosa, violação de sigilo funcional e fraude à licitação.

O indiciamento representa a conclusão da autoridade policial de que existem indícios de autoria e materialidade relacionados aos crimes investigados. A medida não equivale a condenação nem transforma automaticamente os investigados em réus.

Investigação apura interferência em contratos públicos

A apuração concentra-se em contratos e procedimentos administrativos vinculados à superintendência regional do Dnit no Amapá. O órgão federal é responsável pela implantação, manutenção e fiscalização de obras de infraestrutura de transportes, incluindo rodovias e serviços de engenharia.

Segundo a linha investigativa apresentada pela Polícia Federal, empresários e agentes públicos teriam atuado de forma coordenada para influenciar contratações e direcionar processos licitatórios.

Os investigadores apuram se informações internas foram repassadas indevidamente a pessoas interessadas nos contratos e se decisões administrativas favoreceram empresas previamente escolhidas.

A investigação também procurou identificar possíveis pagamentos relacionados à interferência nos processos. O relatório final deverá ser examinado pelo Ministério Público em conjunto com documentos, mensagens, movimentações financeiras e registros dos procedimentos licitatórios.

As suspeitas ainda terão de ser submetidas ao contraditório caso o MPF decida oferecer denúncia e a Justiça aceite a acusação. Nessa hipótese, as defesas poderão contestar as conclusões da Polícia Federal e apresentar provas próprias.

Até 22 de maio de 2026, não havia decisão judicial reconhecendo a ocorrência dos crimes atribuídos aos investigados.

Saque de R$ 350 mil foi acompanhado pela PF

Um dos episódios destacados na investigação envolve um saque de R$ 350 mil em espécie atribuído a Bruno Chaves.

Segundo os elementos reunidos pela Polícia Federal, o empresário foi acompanhado ao deixar uma agência bancária depois da retirada do dinheiro. Em seguida, teria entrado em um veículo registrado em nome de parentes de Davi Alcolumbre.

O registro do automóvel estabeleceu uma ligação circunstancial entre a movimentação e pessoas da família do presidente do Senado. O fato, entretanto, não demonstra por si só que Alcolumbre tenha participado, autorizado ou tido conhecimento do saque.

A Polícia Federal analisou o episódio em conjunto com os demais elementos do inquérito. A origem dos R$ 350 mil, a finalidade da retirada e o destino final do dinheiro são pontos relevantes para determinar se a movimentação tinha relação com os contratos investigados.

Operações em espécie recebem atenção em apurações financeiras porque reduzem a quantidade de registros bancários disponíveis sobre os pagamentos posteriores. Essa característica, isoladamente, não torna o saque ilegal.

Para sustentar uma acusação criminal, será necessário demonstrar eventual vínculo entre o dinheiro, os procedimentos administrativos do Dnit e os beneficiários do suposto direcionamento.

Bruno Chaves poderá apresentar documentos e explicações sobre a origem e a destinação dos recursos caso seja denunciado. Até a conclusão do inquérito, não havia manifestação pública detalhada de sua defesa sobre o episódio.

Superintendente é suspeito de violar sigilo

Marcello Linhares aparece no relatório como um dos agentes públicos investigados pela Polícia Federal.

Na condição de superintendente regional, ele participava da estrutura responsável por administrar e acompanhar contratos do Dnit no Amapá. O cargo possui atribuições relacionadas à execução de obras, fiscalização de serviços e condução de procedimentos administrativos.

A suspeita de violação de sigilo funcional está relacionada à possibilidade de informações restritas terem sido transmitidas a pessoas sem autorização. A investigação busca identificar se dados internos de licitações ou contratos foram utilizados para beneficiar determinados interessados.

A atribuição de fraude à licitação decorre da hipótese de interferência na competitividade dos processos públicos. Entre as situações examinadas estão eventual favorecimento de empresas, combinação prévia de resultados ou utilização de exigências destinadas a restringir concorrentes.

O enquadramento por organização criminosa pressupõe, na avaliação policial, uma estrutura coordenada e com divisão de tarefas. Essa conclusão ainda poderá ser questionada pelas defesas e será submetida ao Ministério Público antes de eventual acusação judicial.

A posição ocupada por Linhares ampliou a relevância institucional do caso, uma vez que a apuração envolve a própria unidade encarregada de administrar os contratos sob suspeita.

O Dnit poderá ainda realizar análises administrativas internas, independentemente da responsabilização criminal. O texto disponível até 22 de maio, porém, não informava a abertura ou o resultado de procedimento disciplinar contra o superintendente.

Alcolumbre afirma não interferir no Dnit

Davi Alcolumbre declarou, por meio de sua assessoria, que não interfere na contratação de empresas nem nas decisões administrativas do Dnit.

O presidente do Senado afirmou que responde somente pelos próprios atos e que não pode ser responsabilizado por conversas privadas, alegações ou condutas atribuídas a terceiros.

A manifestação procurou separar o parlamentar dos fatos imputados a Bruno Chaves, que ocupa a condição de seu suplente no Senado.

Alcolumbre também declarou que eventuais desvios identificados pelas autoridades devem resultar na responsabilização dos envolvidos conforme a legislação.

Até 22 de maio de 2026, o presidente do Senado não havia sido indiciado no inquérito. O material apresentado não informava que ele estivesse entre os investigados formalmente pela Polícia Federal.

A menção a parentes do senador decorre do registro do veículo no qual Bruno Chaves teria entrado depois do saque de R$ 350 mil. Não havia, naquele momento, indicação de que os proprietários do automóvel tivessem participado das condutas investigadas.

A proximidade política entre Bruno Chaves e Alcolumbre, contudo, ampliou a repercussão da operação. Além de suplente do senador, o empresário atua no Amapá, onde os contratos examinados foram executados.

Indiciamento não representa denúncia criminal

O encerramento do inquérito conclui a etapa conduzida pela Polícia Federal, mas não determina automaticamente a abertura de processo.

O Ministério Público Federal deverá examinar se as provas são suficientes para apresentar uma denúncia à Justiça. O órgão também poderá pedir diligências complementares, separar partes da investigação ou requerer o arquivamento de acusações que considere sem sustentação.

Caso o MPF ofereça denúncia, a 4ª Vara Federal em Macapá terá de decidir se aceita ou rejeita a acusação.

Somente com o recebimento da denúncia os investigados passarão formalmente à condição de réus. A partir dessa etapa, haverá produção de provas perante o Judiciário, com participação das defesas.

Os advogados poderão questionar a legalidade de diligências, contestar documentos, solicitar perícias, indicar testemunhas e apresentar versões alternativas para as movimentações analisadas.

A Justiça também poderá avaliar se os fatos atribuídos a cada investigado correspondem aos crimes indicados pela Polícia Federal ou se devem receber outro enquadramento.

Até uma decisão definitiva, prevalece a presunção de inocência. O relatório policial representa a interpretação dos investigadores sobre os indícios reunidos, e não um julgamento de culpa.

Contratos do Dnit ficam sob escrutínio

A conclusão do inquérito aumenta a pressão sobre a administração regional do Dnit no Amapá e sobre os contratos examinados pela Polícia Federal.

Obras rodoviárias e serviços de engenharia administrados pelo órgão costumam envolver valores elevados, várias etapas de execução e fiscalização técnica. Irregularidades nesses processos podem provocar prejuízos aos cofres públicos, atrasos e perda de qualidade nos serviços contratados.

A investigação deverá permitir que o Ministério Público analise não apenas a conduta individual dos indiciados, mas também a regularidade das empresas, dos editais e das decisões administrativas relacionadas aos contratos.

A eventual existência de sobrepreço, superfaturamento ou pagamento por serviços não executados dependerá das provas técnicas disponíveis. O material apresentado até 22 de maio não detalhava os valores totais dos contratos nem uma estimativa oficial de prejuízo ao erário.

Também não era possível determinar, apenas com as informações divulgadas, quais empresas teriam sido beneficiadas ou quantos procedimentos licitatórios foram atingidos.

A análise dos contratos poderá exigir perícias de engenharia, comparação de preços, verificação da execução física das obras e exame da documentação produzida pelo Dnit.

Essas verificações são independentes da repercussão política causada pela presença do suplente de Alcolumbre e de um dirigente regional do órgão entre os indiciados.

Defesas ainda poderão contestar conclusões

Bruno Chaves e Marcello Linhares não haviam apresentado, até a conclusão do material disponível, respostas detalhadas sobre cada uma das acusações atribuídas pela Polícia Federal.

A ausência de manifestação não pode ser interpretada como reconhecimento dos fatos. As defesas ainda poderão se pronunciar perante o Ministério Público, a Justiça e nos próprios autos do inquérito.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a origem e o destino do saque de R$ 350 mil, a relação de Bruno Chaves com as empresas interessadas nos contratos e o papel atribuído a Marcello Linhares nos procedimentos internos.

Também deverão ser examinadas as circunstâncias em que informações funcionais teriam sido acessadas ou transmitidas, além da existência de vantagens oferecidas ou pagas a agentes públicos.

A acusação de tráfico de influência pressupõe a tentativa de obter vantagem mediante a alegação de influência sobre ato praticado por funcionário público. Já a corrupção ativa envolve a oferta ou promessa de vantagem indevida a agente público.

A associação criminosa exige a demonstração de união estável entre pessoas com a finalidade de cometer crimes. A organização criminosa, atribuída a Linhares, possui requisitos próprios de estrutura, estabilidade e divisão de tarefas.

A confirmação desses elementos dependerá do conteúdo integral do inquérito e da interpretação das autoridades responsáveis pela próxima fase.

MPF decidirá sobre continuidade do caso

O encaminhamento do relatório à 4ª Vara Federal de Macapá encerra a fase principal da investigação policial, mas mantém o caso em aberto.

O Ministério Público Federal terá de avaliar individualmente a situação de cada indiciado e a consistência das provas produzidas. Não havia, em 22 de maio de 2026, prazo divulgado para a apresentação de uma decisão.

A análise poderá resultar em denúncia por todos os crimes apontados, em acusações apenas contra parte dos investigados ou em pedidos de complementação das diligências.

Também poderão surgir procedimentos administrativos ou cíveis relacionados aos contratos, caso sejam encontrados indícios de dano ao patrimônio público ou violação dos princípios da administração.

O inquérito coloca sob atenção a gestão regional do Dnit, as empresas ligadas aos contratos examinados e a atuação de pessoas com influência política no Amapá.

Na perspectiva de 22 de maio de 2026, porém, o caso permanecia restrito ao indiciamento policial. A definição sobre a abertura de ação penal dependia da avaliação do Ministério Público Federal e de posterior decisão da Justiça Federal.

Tags: AmapáBruno Chaves Pintocorrupção ativaDavi AlcolumbreDnitfraude à licitaçãoMarcello LinharesMinistério Público FederalPolícia FederalPolíticaSenadotráfico de influênciaUnião Brasil

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