A Polícia Federal indiciou Bruno Chaves Pinto, suplente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em investigação sobre suspeitas de fraudes, direcionamento de contratos e desvio de recursos ligados ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amapá. A conclusão do inquérito foi anunciada nesta sexta-feira (22), e o relatório final foi encaminhado à 4ª Vara Federal em Macapá.
Bruno Chaves Pinto foi indiciado pelos crimes de associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa. Segundo a Polícia Federal, ele é apontado como um dos integrantes de um grupo suspeito de atuar para direcionar contratos públicos no estado. Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o episódio em que o empresário teria sido flagrado deixando uma agência bancária após sacar R$ 350 mil em espécie e embarcar em um veículo registrado em nome de parentes de Alcolumbre.
Também foi indiciado Marcello Linhares, atual superintendente regional do Dnit no Amapá. Ele deve responder por organização criminosa, violação de sigilo funcional e fraude à licitação. Com a conclusão do inquérito, caberá ao Ministério Público Federal analisar o material produzido pela Polícia Federal e decidir se apresenta denúncia à Justiça, pede novas diligências ou arquiva parte da apuração.
PF aponta suspeita de esquema em contratos do Dnit
A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos ligados ao Dnit no Amapá. O órgão é responsável por obras e serviços de infraestrutura de transporte, incluindo projetos rodoviários, manutenção de vias e contratos de engenharia que costumam envolver valores elevados.
Segundo as autoridades responsáveis pelo caso, o grupo investigado teria atuado para direcionar contratos públicos e influenciar procedimentos administrativos. A apuração mira a possível participação de empresários e agentes públicos em fraudes licitatórias e movimentações financeiras consideradas suspeitas.
O indiciamento não significa condenação. Ele representa a avaliação da Polícia Federal de que há indícios suficientes para atribuir formalmente suspeitas aos investigados. A partir dessa etapa, o caso passa à análise do Ministério Público, que poderá ou não oferecer denúncia.
Se a denúncia for apresentada e aceita pela Justiça, os investigados passam à condição de réus. Até decisão final, todos têm direito à defesa e à presunção de inocência.
Saque de R$ 350 mil entrou no radar da investigação
O episódio do saque de R$ 350 mil em espécie se tornou um dos elementos de maior repercussão da investigação. De acordo com a apuração, Bruno Chaves Pinto foi flagrado deixando uma agência bancária após realizar a retirada do dinheiro e, em seguida, entrou em um automóvel registrado em nome de parentes de Davi Alcolumbre.
Movimentações em espécie costumam receber atenção especial em investigações sobre corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, porque podem dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos. Ainda assim, a existência do saque, isoladamente, não comprova prática criminosa.
Para os investigadores, o episódio deverá ser analisado em conjunto com contratos, movimentações bancárias, vínculos societários, mensagens, documentos e eventuais comunicações entre os investigados.
A defesa de Bruno Chaves Pinto poderá apresentar explicações sobre a origem, a finalidade e a regularidade do saque. Até a publicação da reportagem original, o Correio Braziliense informou que tentou contato com as defesas de Bruno Chaves e Marcello Linhares, mas não obteve resposta. O canal permaneceu aberto para manifestações.
Superintendente regional do Dnit também é indiciado
Marcello Linhares, superintendente regional do Dnit no Amapá, também aparece como figura central no relatório da Polícia Federal. Ele foi indiciado por organização criminosa, violação de sigilo funcional e fraude à licitação.
A presença de um dirigente regional do Dnit entre os indiciados reforça o peso institucional da apuração. O cargo tem relação direta com a execução, fiscalização e gestão de contratos públicos de infraestrutura no estado.
A Polícia Federal apura se houve vazamento de informações internas, interferência indevida em procedimentos licitatórios, favorecimento de empresas e direcionamento de contratações. Esse tipo de suspeita, quando confirmado, pode comprometer a lisura de concorrências públicas e causar prejuízo ao erário.
A investigação também deve avaliar se decisões administrativas foram tomadas para beneficiar grupos específicos ou se houve atuação coordenada entre agentes públicos e privados.
Alcolumbre nega interferência em contratos públicos
A assessoria de Davi Alcolumbre afirmou que o presidente do Senado não interfere na contratação de empresas nem em decisões administrativas do Dnit. Em nota, o senador declarou que responde apenas pelos próprios atos e que não tem responsabilidade por alegações, conversas privadas, condutas atribuídas a terceiros ou supostas referências ao seu nome sem prova de conduta indevida.
A manifestação busca separar o presidente do Senado dos atos atribuídos ao seu suplente e a outros investigados. A assessoria também afirmou que, caso algum desvio seja identificado pelas autoridades competentes, Alcolumbre defende que os envolvidos sejam responsabilizados na forma da lei.
A relação política entre Bruno Chaves Pinto e Davi Alcolumbre, no entanto, amplia a repercussão do caso. O investigado é suplente do presidente do Senado, e a apuração envolve contratos públicos no Amapá, estado de origem do parlamentar.
Até o momento, o texto-base não informa que Alcolumbre tenha sido indiciado ou investigado. A Polícia Federal concluiu o inquérito com foco nos alvos apontados no relatório enviado à Justiça Federal no Amapá.
Caso segue para análise do Ministério Público
Com a conclusão do inquérito, o relatório final da Polícia Federal foi encaminhado à 4ª Vara Federal em Macapá. A próxima etapa caberá ao Ministério Público Federal, responsável por avaliar as provas reunidas pelos investigadores.
O MPF poderá apresentar denúncia contra os indiciados, solicitar novas diligências à Polícia Federal ou entender que não há elementos suficientes para abertura de ação penal. Caso a denúncia seja recebida pela Justiça, o processo entra em nova fase, com produção de provas sob contraditório.
Nessa etapa, as defesas poderão contestar documentos, apresentar testemunhas, pedir perícias e questionar a interpretação da Polícia Federal sobre os fatos investigados.
O envio do relatório à Justiça Federal indica o encerramento da fase investigativa conduzida pela PF, mas não encerra o caso. A responsabilização criminal, se houver, dependerá da avaliação do Ministério Público e de decisão judicial.
Dnit no Amapá fica sob pressão após indiciamentos
O indiciamento do suplente de Davi Alcolumbre e do superintendente regional do Dnit aumenta a pressão sobre contratos de infraestrutura no Amapá. A investigação envolve suspeitas de fraude em licitações, tráfico de influência, corrupção ativa e possível atuação de grupo organizado em torno de contratos públicos.
Casos envolvendo o Dnit costumam ter forte impacto político e administrativo, porque o órgão concentra obras de grande valor e influência direta sobre a infraestrutura de estados e municípios. No Amapá, a apuração ganha peso adicional pela proximidade política de um dos indiciados com o presidente do Senado.
Para a Polícia Federal, o relatório final consolida os indícios encontrados ao longo da investigação. Para os investigados, a próxima fase será decisiva para apresentar argumentos de defesa e tentar afastar eventual denúncia criminal.
O caso agora entra em uma etapa sensível. A conclusão do inquérito coloca o Ministério Público Federal no centro da decisão sobre o futuro da apuração e mantém sob atenção contratos do Dnit no Amapá, o entorno político de Alcolumbre e as suspeitas de fraudes em obras públicas no estado.







